segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Como praticar esportes em escolas sem quadra





Foto: Adilson Andrade


Materiais simples, como cadeiras e cordas, são suficientes para deixara aula mais desafiadora
Muito se fala sobre a ausência de quadras e ginásios de esporte. Segundo dados do Censo Escolar de 2009 divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), apenas 31% das unidades de Ensino Fundamental têm esses equipamentos. E mais: uma parcela considerável delas sofre com más condições de conservação - o piso está rachado ou falta material, como tabelas, redes e gols.

Tenha 100 atividades de Atletismo

Essa realidade, no entanto, não pode ser um impeditivo para aulas produtivas. Conforme consta nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), "mesmo que não se tenha uma quadra convencional, é possível adaptar espaços para o trabalho em Educação Física". Como fazer isso? O primeiro ponto é entender que, na escola, o esporte não deve ter como objetivo formar atletas olímpicos ou grandes talentos do futebol e do basquete. Ele precisa ser pensado como parte de um trabalho amplo, capaz de levar os alunos a participar de atividades corporais variadas, a reconhecer e respeitar suas características físicas, assim como as dos colegas, e conhecer as diversas manifestações culturais brasileiras.

Sendo assim, não é imprescindível contar com uma quadra oficial para que a turma tenha a chance de desenvolver as habilidades esperadas. Adaptar as regras de uma modalidade esportiva de acordo com os espaços disponíveis e criar um jogo em que os conteúdos sejam trabalhados é uma boa maneira de driblar as limitações e garantir um ensino de qualidade. O pátio interno, o jardim, um campo gramado e até mesmo os arredores da escola podem ser aproveitados.

Cabe ao professor pensar em alternativas: estender cordas entre árvores para que as crianças organizem uma partida de voleibol em pequenos grupos, pendurar pneus e aros nas árvores para funcionarem como alvos em jogos de arremesso e basquete, utilizar os desníveis de terreno e os materiais disponíveis como partes de circuitos de corrida com obstáculos são algumas sugestões apresentadas nos PCNs. Além delas, outras tantas possibilidades podem ser criadas.

O professor que observa as práticas que já fazem parte da realidade dos alunos e tenta trazê-las para o ambiente escolar também costumam ter bons resultados. Se os meninos jogam gol a gol (quando um bate o pênalti e o outro defende) ou se a turma gosta de praticar vôlei em duplas na praia, por que não aproveitar essas atividades como base para o planejamento? O importante é ter claro o que se quer ensinar e, com base nisso, pensar na maneira como deve adaptar os recursos físicos da escola.

Conheça, a seguir, opções para trabalhar com conteúdos relativos ao atletismo e aos jogos pré-desportivos fora das quadras e dos ginásios.
Atletismo
Foto: Adilson Andrade
CORRIDA SEM PISTANa EM Professora Nivalda Lima Figueiredo,as atividades de atletismo movimentam o pátio
Por meio dessa modalidade esportiva, os alunos de 1º a 5º ano desenvolvem habilidades motoras básicas que são fundamentais para sua alfabetização corporal. Corridas, saltos e arremessos - as principais práticas - podem ser facilmente adaptados.

É possível organizar corridas de velocidade, de resistência, com obstáculos ou de revezamento; saltos em distância, em altura, triplo, com vara; arremessos de peso, de martelo, de dardo e de disco.

Na EM Professora Nivalda Lima Figueiredo, em Itabaiana, a 51 quilômetros de Aracaju, a professora Cleidian de Andrade escolheu duas modalidades de corrida para trabalhar com os estudantes do 5º ano. O espaço utilizado foi um pátio comprido ao lado das salas transformado em pista de atletismo no horário da Educação Física. A aula começou com uma corrida com pregadores, jogo em que os alunos experimentam habilidades de velocidade. Os alunos foram divididos em duas equipes e tiveram o objetivo de percorrer a pista até o fim do pátio, pegar um dos pregadores colocados na roupa de um colega que estava esperando e voltar ao ponto de partida. Terminada essa etapa, a turma passou para a segunda parte da aula: a corrida com obstáculos. Para isso, a professora colocou algumas cadeiras enfileiradas e nelas os estudantes amarraram as cordas - o primeiro obstáculo do percurso. Como na primeira atividade, o objetivo era completar o circuito no menor tempo possível.
Jogos pré-desportivos
Foto: Vilmar Oliveira

Mesmo quando praticados com bola, eles não necessitam de um campo ou uma quadra convencionais. São exemplos gol a gol, chute em gol, rebatida, drible, bobinho, troca de passes . Por meio deles, é possível ensinar os principais elementos dos esportes coletivos - movimentos de mãos e pés, história, noções táticas etc. -, colocando a turma em contato com práticas que podem ser realizadas em diferentes espaços. Mais flexíveis que os esportes coletivos oficiais, esses jogos também dão a chance de a garotada discutir, criar e ajustar as regras durante a prática.

Na EM Oásis, em Palmeira dos Índios, a 135 quilômetros de Maceió, o professor do 4º ano Jônathas Samuel Amaral Gaia escolheu a modalidade pré-desportiva chamada jogo da velha humano para trabalhar a habilidade de bater bola. "A ideia é levar a garotada a vivenciar os gestos próprios da atividade, as regras e a organização do esporte", explica. Samuel desenhou com giz um jogo da velha no chão e dividiu a turma em duas equipes. Os participantes tinham que bater bola, pegar um objeto no chão e colocá-lo em uma casa do jogo da velha. Durante a atividade, o professor fez pausas para explicar as técnicas para bater bola. Também ficou atento para garantir a participação e interação de todos. Para isso, fez um rodízio das equipes e criou regras que incentivaram a cooperação.
Autora:
Elisa Meirelles (elisa.meirelles@fvc.org.br), de Palmeira dos Índios, AL. Colaborou Camila Monroe, de Itabaiana, SE


Comente:


Você não pode perder:

500 jogos e brincadeiras
Aprenda Planejar Aulas de Educação Física
Atividades Físicas de Alunos Especiais


Popular

Arquivo do blog