segunda-feira, 30 de abril de 2012

08:14

Evasão na aula de Educação Física: fatores que interferem na participação do aluno

Introdução

    Hoje em dia tanto se fala da importância da Educação Física escolar. Mais o que observamos é que apenas uma parcela dos alunos, em geral os mais habilidosos estão efetivamente engajados nas atividades propostas pelo professores, algo que permite com que os alunos mais habilidosos demonstrem o seu conhecimento mediante a atividade solicitada na qual a competição é vista como oportunidade de se destacar entre o grupo de amigos que tanto é valorizado pelo aluno do Ensino Médio.

    Devide (1999) apud Mattos & Neira (2000) em recente pesquisa em uma escola de Ensino Médio, investigou a concepção de Educação Física dos alunos no cotidiano e o papel do professor enquanto educador. Os resultados indicam que os alunos encaram a Educação Física como uma disciplina sem relevância para manter-se dentro do currículo escolar, com conteúdos repetitivos e sem aplicabilidade no cotidiano, além de não motivar a prática permanente de exercícios fora da escola.

    Assim, nesta perspectiva, as aulas de Educação Física, como são aplicadas, não promovem o interesse prático pelas atividades por parte dos alunos.

    E meu envolvimento com o tema, foi justamente a partir desta perspectiva. Quando freqüentava as aulas de Educação Física percebia que muitos colegas de classe freqüentemente arrumavam uma desculpa para não participarem dessa disciplina, talvez por achá-la monótona.

    Braid (2003) argumenta que, ao analisar a Educação Física contextualizada à história do país, percebe-se que de uma maneira bastante singular, ela sempre esteve a serviço da ideologia dominante, caracterizando-se como uma atividade alienante e elitista. Alienante ao excluir crianças e adolescentes (consideradas/ os inaptas/os ou sem habilidades específicas) em nome do esporte de alto nível. Elitista pela forma como vem tratando o corpo do aluno, visto como objeto manipulável, o qual deveria ser enquadrado em padrões mínimos aceitáveis de rendimento.

    Mattos & Neira (2000), ao analisarem a ciência da Educação Física, destacam que: a ciência da Educação Física indica alguns princípios para execução de qualquer programa, desde andar de bicicleta até jogar futebol ou simplesmente, caminhar. Seguir esses princípios é uma condição indispensável para que a participação de qualquer pessoa nas atividades seja uma experiência proveitosa e, se possível, agradável.

    Ao final de um período de execução de qualquer atividade que acompanhe esses princípios, o executante perceberá os benefícios adquiridos e a provável adoção de um estilo de vida ativo, ou seja, a manutenção dos benefícios.

    A Educação Física é um componente curricular que pode proporcionar ao aluno a capacidade de conhecer seu corpo, com práticas de atividades prazerosas, assim como a interação com o professor e demais alunos.

    Segundo Paes (2001), a Educação Física escolar poderá permitir ao aluno o exercício de sua cidadania, na qual o trabalho e o lazer são fundamentais para uma boa qualidade de vida. Para nós, cidadania significa participação e para participar da Educação Física é preciso saber, conhecer, analisar e refletir a prática.

    Hanauer (2009) assinala que a Educação Física é um meio essencial para a formação do cidadão, pois durante uma atividade em muitas situações o aluno tem que tomar decisões rápidas, deve ser ágil e encontrar a maneira mais fácil de ultrapassar os obstáculos, e é exatamente isso que acontece na sociedade atual, devemos estar preparados para as mudanças e as exigências que temos de enfrentar. A Educação Física escolar tem o grande papel de educar, socializar, motivar proporcionando uma vida saudável e melhorando a qualidade de vida dos alunos.

2.     Educação Física: uma breve reflexão

    Segundo Vago (1999) a presença da Educação Física nas práticas escolares, no Brasil, remonta ao século XIX, e desde então ela experimenta um processo permanente de enraizamento escolar.

    Para o autor, o figurar desfigurada nas práticas escolares traz ainda um dano ao potencial educativo que boa parte do professorado da área vem tentando imprimir ao ensino de Educação Física, em que prevalecem e são desenvolvidos princípios de respeito à participação de todos, à corporeidade singular dos alunos, à busca do lúdico, por exemplo. É preocupante a desqualificação de uma possível intervenção de caráter amplo e educativo do ensino de Educação Física sobre todos os (as) alunos (as) em favor de uma intervenção especializada e seletiva do treinamento esportivo na escola, em que se privilegia sobremaneira a seleção por habilidade (e conseqüente exclusão), o rendimento, a competição e o resultado, mesmo em escolas (e ainda mais fora delas).

    O autor complementa que radicalizando esse mesmo movimento de descaracterização, há iniciativas no sentido de aceitar que práticas corporais realizadas fora do ambiente escolar (em academias e clubes, por exemplo) sejam consideradas substitutas do ensino de Educação Física realizado na escola. Nesse caso, as escolas estariam desobrigando-se da tarefa de realizar o ensino de Educação Física, num movimento de terceirização de serviços.

    Conforme bem ressalta o autor, isso seria uma sentença de morte para o caráter educativo da Educação Física como prática escolar, provocaria o privilegio da habilidade e seleção da modalidade do esporte, além de sua exclusão do ambiente escolar.

    Mattos & Neira (2000) consideram que a idéia de uma educação para a saúde – subsidiada recentemente pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997) – conquistou na nossa sociedade um valor inestimável, objetivando desenvolver a compreensão de como se constrói a condição de saúde/doença em cada realidade particular, fazendo com que os alunos tornem-se, progressivamente, mais capazes de agir na perspectiva da promoção e recuperação da saúde (e não como pacientes).

    Darido (2004) assinala que a Educação Física na escola deveria propiciar condições para que os alunos obtivessem autonomia em relação à prática da atividade física, ou seja, após o período formal de aulas os alunos deveriam manter uma prática de atividade regular, sem o auxílio de especialistas, se assim desejarem. Este objetivo é enormemente facilitado se os alunos encontram prazer nas aulas de Educação Física, pois, apreciando determinada atividade é mais provável desejar continuá-la, caracterizando uma ligação de prazer.

    Corroborando o que foi ressaltado pelo autor, a aplicação das aulas de Educação Física precisa ser aplicada de forma que motive o aluno, que desperte o interesse desses alunos. No período de execução de qualquer atividade, tanto em crianças como em adolescentes, deve-se ressaltar os benefícios dessas atividades para a saúde, evitando a exclusão dos menos habilidosos.

    Para Darido et al (1999), no âmbito da Educação Física ainda não presenciamos uma discussão aprofundada a respeito das interfaces da disciplina em as grandes áreas; códigos e linguagens, ciência e tecnologia e sociedade e cultura. Entendemos que a disciplina tem interfaces acentuadas tanto no que diz respeito aos códigos de linguagem quanto a área de sociedade e cultura.

    Oliveira (2006) julga necessário e oportuno propor alternativas de atividades físicas desde o Ensino Fundamental, para que haja uma maior adesão e à interação dos alunos nas aulas, por meio de atividades em que eles próprios possam criar formas e soluções para os problemas, tendo como mediador, facilitador e transmissor de conhecimentos o professor de Educação Física. O esporte deixa de ser o único conteúdo das aulas. O mesmo pode ser utilizado de maneira atraente e criativa, juntamente com outros conteúdos e atividades.

    Conforme Darido (2004) seria importante que os alunos mantivessem uma prática regular sem o auxilio de especialistas, se assim desejarem.

    "As propostas pedagógicas progressistas em Educação Física deparam com desafios de várias ordens: desde questões relativas à sua implementação, ou seja, de como fazer com que sejam incorporadas pela prática pedagógica nas escolas, até questões mais teóricas que dizem respeito, por exemplo, às suas bases epistemológicas.

    Um desses desafios é conquistar legitimidade no campo pedagógico. Os argumentos que legitimavam a Educação Física na escola sob o prisma conservador (aptidão física e esportiva) não se sustentam numa perspectiva progressista de educação e educação física, mas, ao que tudo indica, hoje também não na perspectiva conservadora. Parece que a visão neotecnicista (economicista) de educação, que enfatiza a preparação do cidadão para o mercado de trabalho, dadas as mudanças tecnológicas do processo produtivo, pode prescindir hoje da EF e não lhe reserva nenhum papel relevante o suficiente para justificar o investimento público - a revitalização do discurso da promoção da saúde é uma tentativa de setores conservadores de legitimar a EF na escola, mas tem pouca probabilidade de encontrar eco, haja vista a crescente privatização, e individualização, da saúde promovida pelo Estado mínimo neoliberal. Além disso, o crescimento da oferta e do consumo dos serviços ligados às práticas corporais fora do âmbito da escola e do sistema tradicional do esporte - como as escolas de natação, academias, escolinhas de futebol, judô, voleibol etc. - permite o acesso à iniciação esportiva, às atividades físicas, sem depender da EF escolar". (BRACHT,1999, p.6).

    Os argumentos do autor mostram uma visão da atual Educação Física nas escolas, como já comentado por outros autores, que é caracteriza para da formação de pessoas que têm habilidade para certo tipo de esporte e podem, no futuro, ter uma carreira promissora no esporte profissional. Por outro lado, é necessário preparar pessoas para o trabalho, preparar profissionais e, nesse contexto, a Educação Física como prática pedagógica, fica em segundo plano.

    Ressalta-se que é preciso encontrar as soluções para o problema da evasão. O profissional de Educação Física deve agir como mediador e facilitador de conhecimentos podendo aplicar suas aulas de maneira atraente e criativa, juntamente com outros conteúdos e atividades, ressaltando os benefícios dessas atividades para a saúde, evitando a exclusão dos menos habilidosos.

3.     Fatores que justificam a evasão nas aulas de Educação Física

    Segundo Darido (2004) Uma das hipóteses possíveis para o número reduzido de aderentes à prática da atividade física pode residir nas experiências anteriores vivenciadas nas aulas regulares de Educação Física. Muitos alunos acabam não encontrando prazer e conhecimento nas aulas de Educação Física e se afastam da prática na idade adulta.

    O autor complementa que, atualmente entende-se a Educação Física na escola com uma área que trata da cultura corporal e que tem como finalidade introduzir e integrar o aluno nessa esfera, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e também transformá-la.

    Segundo Almeida (2007) outro fator que pode ser destacado como principal origem das dificuldades ou desinteresse na Educação Física escolar, são os conteúdos realizados nas aulas, principalmente relacionado aos esportes. Assim como os conteúdos, as metodologias adotadas pelos professores que privilegiam apenas o esporte durante as aulas e toda a vivência escolar das crianças e adolescentes, sendo utilizado de forma rotineira e inadequada no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, em que os alunos praticam as mesmas atividades, muitas vezes sem um planejamento adequado realizados pelos professores nas aulas, parecem ter como conseqüência a evasão nas aulas de Educação Física.

    Paula e Fylyk (2009) ressaltam que com relação aos aspectos fisiológicos da fase adolescente, comprova-se que eles influenciam, na maioria das vezes ao desenvolvimento de alguns fatores psicológicos que atrapalham a participação desses alunos nas aulas, como a vergonha do corpo.

    As autoras concluíram que os fatores psicológicos mais comuns na adolescência são baixa estima por não possuir habilidade nos esportes, timidez excessiva em se expor frente aos colegas e o desenvolvimento precoce e tardio desses jovens que afetam diretamente sua auto confiança, para mais ou para menos.

    Gambini, (1995) citado em Darido (2004), também procurou verificar a opinião dos alunos dispensados sobre a prática da Educação Física na escola. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não participa das aulas e pede dispensa por motivos de trabalho; em seguida, os alunos apontam para a falta de material e o desinteresse dos professores; a minoria afirma se afastar das aulas por problemas de saúde. Entre estes alunos (dispensados) 37,5% realizam atividade física em clubes ou academias. São dados alarmantes que mostram a ineficiência do ensino formal em manter a motivação dos alunos. O descontentamento pelas aulas ocorre na opinião dos alunos porque elas deveriam ser diferentes e necessitam de variações (música, outros esportes, etc.).

    Pelo que se a aborda na literatura, os principais fatores de exclusão dos alunos nas aulas de Educação Física são os conteúdos realizados nas aulas, principalmente relacionado aos esportes, as metodologias adotadas pelos professores que privilegiam apenas o esporte durante as aulas, sendo utilizado de forma rotineira e inadequada tanto no Ensino Fundamental e como Ensino Médio, muitas vezes sem um planejamento adequado realizados pelos professores nas aulas.

4.     O Profissional de Educação Física

    Dentre os fatores que contribuem para o desinteresse e evasão de alunos nas aulas de Educação Física é a seleção dos mais habilidosos, por parte do educador físico, conforme bem assinala Darido (2004), o que observamos nas aulas de Educação Física é que apenas uma parcela dos alunos, em geral os mais habilidosos, estão efetivamente engajados nas atividades propostas pelos professores. Esses, por seu lado, ainda influenciados pela perspectiva esportivista, continuam a valorizar apenas os alunos que apresentam maior nível de habilidade, o que acaba afastando os que mais necessitam de estímulos para a atividade física.

    Para o autor os resultados imediatos destes procedimentos são: um grande número de alunos dispensados das aulas e muitos que simplesmente não participam dela, e que provavelmente não irão aderir aos programas sistematizados de atividade física.

    Segundo Darido (2004), Algumas características que podem contribuir com a manutenção em longo prazo deveriam ser conhecidas por todos os profissionais da área da Educação Física. Estas teriam que ser incluídas em todo o programa de exercício físico. São elas:

  1. Proporcionar momentos de sucesso e prazer aos alunos, tornando a atividade o mais agradável possível;

  2. Proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento da amizade, através do trabalho em grupo;

  3. Procurar desenvolver atividades recreacionais alterando, na medida do possível, o local da prática;

  4. Variar sempre as atividades, enfatizando a criatividade durante o planejamento do programa, uma vez que as pessoas reclamam da elevada repetição das atividades;

  5. Proporcionar desafios adequados às habilidades motoras individuais;

  6. Manter uma relação positiva entre professor-aluno e os próprios alunos;

  7. Procurar adequar as habilidades ao nível do grupo;

  8. Desenvolver atividades de intensidade leve à moderada, pois programas que exigem alta intensidade ou muita técnica e habilidade colaboram para a desistência;

  9. Evitar atividades que enfatizem demasiadamente a vitória;

  10. Incentivar a participação do cônjuge ou namorado/a na mesma atividade do praticante.

    A autora complementa que, somados a esses fatores em que o professor de Educação Física poderá estar intervindo, outros também se mostram capazes de definir o tempo de manutenção na atividade, como: Auto-motivação, boa percepção do tempo disponível, experiências positivas marcadas por sucesso e alegria na infância e adolescência e estado de fluxo durante a atividade.

    Segundo Almeida (2007) os procedimentos didáticos pedagógicos do professor também influenciam na qualidade das aulas e, conseqüentemente, na motivação dos alunos. O professor que leva a sério o que faz e que alia a sua competência técnica ao compromisso de ensinar, desperta a criatividade e conduz os alunos a reflexão através do lúdico, pode não ter alunos desinteressados ou desanimados. Ao adotar estes procedimentos, o professor leva grande vantagem sobre as outras disciplinas escolares, pois a Educação Física, por si só é uma prática motivadora e que permite abordar uma grande variedade de temas e assuntos relacionados na maioria das disciplinas existentes no currículo de uma instituição, podendo promover um ensino mais desafiador e interessante para os alunos e professores.

    Para Bento (1991), uma Educação física atenta aos problemas do presente não poderá deixar de eleger a educação da saúde como uma das suas orientações centrais. Pretende-se prestar serviços valiosos à educação da saúde como uma das suas orientações centrais. Pretende-se prestar serviços valiosos à educação social dos alunos, se pretende contribuir para uma vida produtiva, criativa e bem sucedida, a Educação Física encontra na orientação pela educação da saúde um meio de concretização das suas pretensões, formulações e justificações.

    Na atualidade, torna-se um desafio para o profissional da Educação Física promover a alteração do quadro no plano de ensino uma vez que os jovens, tendo acesso a toda a informação trazidas pelos vários meios de comunicação, estão acostumados à disciplina direcionada a cultura física.

    Conforme bem argumentam Mattos e Neira (2000), a simples elaboração de programas de condicionamento não garante a modificação do quadro atual e nem o sucesso do novo posicionamento. Pensemos no jovem de hoje, atuante, crítico, conhecedor dos seus direitos, exposto a toda espécie de informações veiculadas pelos meios de comunicação e relações sociais. Nesse ponto, apresenta-se o maior desafio do professor: elaborar um plano de curso envolvente e coerente com os objetivos de seu trabalho.

    Quanto ao posicionamento do profissional da Educação Física, Mattos (1994) se mostra bastante enfático ao afirmar que somente um plano de ensino bem elaborado e assim desenvolvido pode possibilitar o processo de avaliação dos alunos e do próprio trabalho do professor. E é essa postura de compromisso com o trabalho desenvolvido que eleva a auto-imagem do professor e, em última instância, encaminha-o à auto-realização profissional.

    O autor complementa ainda que, estudando o trabalho do professor de Educação Física, concluiu que esse profissional adquire considerável bagagem de conhecimento durante a sua formação e que o empobrecimento do seu trabalho nas escolas leva-o ao não-resgate do que aprendeu, ao esquecimento, à subutilização de seu potencial e formação profissional, ou seja, a não utilização de suas capacidades e habilidades.

    Para Hanauer (2009), os professores devem empenhar-se em melhorar a aptidão física, o desenvolvimento psicológico e afetivo, favorecendo assim para que ocorra uma maior harmonia entre corpo e mente, outra questão importante é que muitos professores deixam a desejar na questão das atividades recreativas e lúdicas que acabam por motivar e integrar de forma alegre os alunos.

    Segundo Mattos e Neira (2000), ao falarmos sobre a comunicação corporal, a grande preocupação está voltada à sensibilidade e à percepção que o professor possui para detectar e interpretar as mensagens que chegam até ele, via corpo dos alunos: As expressões de distanciamento no momento de uma explicação, os conflitos durante os jogos de contato, o afastamento corporal das atividades, a vergonha, o mesmo da exposição perante o grupo, a falta de trajes adequados para as atividades, etc. Embora os alunos mostram-se visíveis em suas manifestações corporais, os professores nem sempre as percebem ou quando percebem não sabem como direcioná-las para a aula, reformulando-as e aproximando-se daqueles que as expressaram.

    Ressalta-se que o profissional da Educação Física pode interferir usando sua percepção para interpretar as mensagens que chegam até ele, via corpo dos alunos, tais como o distanciamento no momento de uma explicação, os conflitos durante os jogos de contato, o afastamento das atividades, a vergonha de se expor perante os colegas e, assim, amenizar o problema da evasão.

5.     A Influência dos fatores psicológicos

    As emoções interferem significativamente na participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Para Mattos e Neira (2000), sentir emoções, transmitir vontades, decidir sobre o que fazer e explorar as potencialidades com vigor são mensagens emitidas pelos alunos por meio dos movimentos corporais, os professores, por sua vez, não as consideram significativas mediante o que denotam entender por ação pedagógica no processo ensino-aprendizagem.

    Para o autor, continua prevalecendo, exclusivamente, o corpo que corre com mais velocidade, que é capaz de pegar a bola mais vezes sem deixá-la cair no chão e tantos outros mais que aparecem enfatizados durante as atividades. O ter e o poder corporal ainda predominam sobre o "ser corpo" que pensa, age, sente e se comunica pelos seus gestos e expressões.

    Darido (2004) argumenta que, com relação aos aspectos fisiológicos da fase adolescente, comprova-se que eles influenciam, na maioria das vezes ao desenvolvimento de alguns fatores psicológicos que atrapalham a participação desses alunos nas aulas, como a vergonha do corpo que existe por mais que não tenha aparecido nos relatos, mas em observação realizada conseguiu-se identificar, principalmente nas meninas, justamente por haver uma maior exposição do aluno durante as aulas de Educação Física do que nas outras disciplinas, acarretando timidez e vergonha do próprio corpo perante os colegas.

    Para Mattos e Neira (2000), o adolescente enfrenta aumentos rápidos de altura, mudanças nas dimensões corporais, além das mudanças subjetivas e objetivas relacionadas à maturação. É óbvio que todos esses desenvolvimentos ameaçam seu sentido de autoconsciência e o adolescente precisa de certo tempo para integrá-los em um sentido de identidade de ego positiva e autoconfiante que aos poucos vai emergindo.

    Considero fundamental reiterar que a adolescência, além de tudo é uma fase de insegurança, onde as alterações no corpo tornam-se evidentes. Nas aulas de educação física, os alunos(as) ficam mais exposto, o que resulta certo constrangimento e motivo de evasão.

    Os alunos que não se destacam muito no esporte, também sentem certo receio de participar do esporte, sentindo-se tímido por não ter a mesma eficiência do colega.

6.     A motivação

    A motivação é um fator preponderante para a participação dos alunos nas aulas de Educação Física. A revisão de literatura demonstra, de maneira geral que, muitos alunos se sentem desmotivados em razão dos conteúdos metódicos das aulas.

    Para Magill (1984), citado em Franchin e Barreto (2009) a motivação é importante para a compreensão da aprendizagem e do desempenho de habilidades motoras, pois tem um papel importante na iniciação, manutenção e intensidade do comportamento. Sem a presença da motivação, os alunos em aulas de Educação Física, não exercerão as atividades, ou então, farão mal o que for proposto.

    Segundo Franchin e Barreto (2009) a análise da motivação relacionada com a psicologia é tida como uma força propulsora (desejo) por trás de todas as ações de um organismo, pode-se dizer que é destacada como o sentimento de uma necessidade, ou seja, um conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um individuo, despertando sua vontade e interesse para uma tarefa ou ação conjunta. A motivação surge de dentro das pessoas, não há como ser imposta. Despertar o interesse para a qualidade é fundamental, uma vez que não se implanta qualidade por exortação, decretos ou quaisquer mecanismos coercivos.

    Paula & Fylyk (2009) Com relação à motivação desses, agora adolescentes, nas aulas, verifica-se que conduzir uma aula em que todos estejam satisfeitos, felizes e motivados é uma tarefa para poucos, uma vez que a motivação depende de uma série de fatores: internos ou intrínsecos e externos ou extrínsecos.

    Como fatores internos podem ser citados: a necessidade, atração e a disposição. Dentre os fatores externos que influenciam na motivação das aulas, mais especificamente nas de Educação Física os principais são: o professor e a metodologia utilizada, o conteúdo aplicado, o relacionamento do professor com a turma e a estrutura da escola, entre outros fatores específicos de cada realidade.

    Franchin e Barreto (2009) argumentam que o comportamento Internamente Motivado: são aqueles em que a pessoa dirige-se à atividade voluntariamente, empenhando em sentir-se competente e auto-determinada. Exemplo: o atleta que compete pelo prazer de superar seus próprios recordes e limites. Comportamento Externamente Motivado: são aqueles comportamentos em que a pessoa é levada à ação por uma recompensa externa. Exemplo: a criança ou adolescente que pratica alguma modalidade esportiva por imposição de seus pais, para realizar o sonho dos mesmos.

    Os motivos intrínsecos são resultantes da própria vontade do indivíduo, enquanto os extrínsecos dependem de fatores externos.

    Hanauer (2009) poderá que as aulas de Educação Física escolar são citadas quase que sem exceções por praticamente todos os alunos como a disciplina que mais gostam dentre as demais, e talvez a única que possibilita uma integração social e afetiva tão grande e relevante entre os alunos. Também é nas aulas de Educação Física que os alunos convivem frente a frente com a realidade social, pois é nessa aula que os mesmos tem de aprender a respeitar as regras, saber vencer, saber perder, cumprir horários, respeitar companheiros e adversários, vencer seus próprios limites como o medo, vergonha, timidez.

    Para o autor, muitos alunos quietos e tímidos durante as aulas em sala de aula acabam por se soltar nas aulas de Educação Física e interagir de outra forma com seus colegas, pois a aula de Educação Física é geralmente alegre e dinâmica, e diferentemente do esporte de rendimento a Educação Física escolar busca a inclusão de todos, sempre respeitando as dificuldades e limites de cada um. O relacionamento entre professores e alunos também é diferente entre a Educação Física e as demais disciplinas, percebe-se uma aproximação maior entre os alunos e os professores, uma relação de amigos o que é difícil perceber em outras disciplinas.

    Marzinek (2004) salienta que as fontes de motivação podem ser classificadas em intrínsecas e extrínsecas. A motivação intrínseca se dá quando o jovem realiza a atividade física por vontade própria na escola, surgindo em decorrência da própria aprendizagem. O material aprendido fornece o próprio reforço, e a tarefa é cumprida porque é agradável. Já a motivação extrínseca ocorre quando o aluno é envolvido pelos colegas, pelo professor de Educação Física e até mesmo por familiares, que incentivam a sua participação nas aulas de Educação Física.

    Segundo preconiza Reeve (1995), o estudo da motivação extrínseca se baseia em três conceitos principais: recompensa, castigo e incentivo. Uma recompensa é um objeto ambiental atrativo que se dá ao final de uma seqüência de condutas e que aumenta a probabilidade de que essa conduta volte a acontecer. A aprovação, as medalhas, os troféus, os certificados e o reconhecimento são objetos ambientais atrativos dentro do contexto desportivo oferecidos depois de se realizar bem um exercício e de se ganhar uma competência. O castigo é um objeto ambiental não atrativo que se dá ao final de uma seqüência de condutas e que reduz as probabilidades de que tais condutas voltem a acontecer. A pessoa que recebe a crítica e é ridicularizada em público tem menos probabilidade de repetir essas condutas que o indivíduo que não recebe tão desagradável objeto ambiental. Na aula de Educação Física, o desenvolvimento da competência desportiva faz com que o indivíduo crie expectativas de conseqüências atrativas e não atrativas que o levarão a participar ou não das aulas.

    Para o autor, a motivação intrínseca como sendo uma conduta realizada por interesse e prazer, baseada em uma série de necessidades psicológicas, dentre elas a autodeterminação, a efetividade e a curiosidade, responsáveis pela iniciação e pela persistência da conduta frente à ausência de fontes extrínsecas de motivação.

    Stavisky e Cruz (2008) afirmam que a Educação Física possui uma "atração natural" nas séries iniciais do Ensino Fundamental, mas esta tende a diminuir a partir da 5ª e 6ª séries. De modo geral, o desinteresse é presente em ambos os sexos. Contudo, é muito difícil que na escola as aulas de EF acabem por desagradar a todos ou mesmo desaparecer do currículo. A tendência é existir aqueles que gostam de participar das aulas e os que preferem não participar. Estes dois lados que o professor vivencia geram muitas reflexões e preocupações por parte professores e pesquisadores interessados em conquistar uma participação plena dos alunos nas aulas. Alguns esforços já foram feitos no sentido de descobrir o que leva os alunos a participarem mais das aulas, porém, neste complexo fenômeno, há muito ainda por descobrir. Daí a necessidade de continuarmos pesquisando o assunto.

    Os autores complementam que: "conteúdos repetitivos" e "falta de compreensão dos alunos com os próprios colegas e professores" é um dos principais motivos que afastam os alunos das aulas, principalmente, os menos "habilidosos"; fato que pode ser mais bem compreendido, observando a necessidade de uma maior compreensão quanto aos diferentes níveis de desempenho motor apresentada pela parcela de alunos que declara não gostar das aulas de Educação Física.

    É importante que a criança conheça, desde a infância os benefícios da prática da Educação Física, sua importância no desenvolvimento motor; que seja motivada a gostar das aulas.

    Segundo Ayoub (2001) a riqueza de possibilidades da linguagem corporal revela um universo a ser vivenciado, conhecido, desfrutado, com prazer e alegria. Criança é quase sinônimo de movimento; movimentando-se ela se descobre, descobre o outro, descobre o mundo à sua volta e suas múltiplas linguagens. Criança é quase sinônimo de brincar; brincando ela se descobre, descobre o outro, descobre o mundo à sua volta e suas múltiplas linguagens. Descobrir, descobrir-se. Descobrir tirar a cobertura, mostrar, mostrar-se, decifrar... Alfabetizar-se nas múltiplas linguagens do mundo e da sua cultura.

    A Educação Física na educação infantil pode configurar-se como um espaço em que a criança brinque com a linguagem corporal, com o corpo, com o movimento, alfabetizando-se nessa linguagem.

    A autora complementa que, sob essa ótica, a linguagem corporal não é uma "propriedade" da Educação Física e, embora seja a sua especificidade, deve ser trabalhada em outros momentos da jornada educativa, tendo a dimensão lúdica como princípio norteador.

    As discussões em torno da Educação Física em todo o ensino e suas problemáticas específicas é muito discutida nas literaturas, porém as questões relacionadas a evasão na disciplina no contexto educacional brasileiro, parecem não fazer parte da formação dos(as) licenciados(as) em educação física.

    Cabe ao profissional de Educação Física analisar as diferenças de cada aluno, suas dificuldades e deficiências e, dessa forma evitar a evasão das aulas.

7.     Conclusão

    Segundo Darido (2004), o estudo evidenciou que, dentre os fatores que interferem na não participação dos alunos nas aulas de Educação Física foram as experiências negativas anteriores na prática da cultura corporal de movimento desses alunos na escola.

    Paula e Fylyk (2009) ressalta que no Ensino Médio, os alunos, em razão das alterações fisiológicas ocorridas em seu corpo, apresentam vergonha de se exporem e rejeição as novidades. Tudo isso associado ao medo de errar, acaba por distanciar ainda mais os alunos das aulas de Educação Física.

    Outro que também interfere nessa exclusão, no Ensino Médio, que acaba competindo com a Educação Física, diz respeito à busca por uma definição profissional. A preocupação em investir no futuro, muitas vezes representado pelo vestibular, vai se tornando uma exigência cada vez maior pela sociedade. Por isso, as expectativas acerca da Educação Física, vão para segundo plano.

    No decorrer do estudo podemos concluir que são várias as razões que levam o afastamento dos alunos das aulas de Educação Física, considero que professor deve estar sempre atento ao comportamento dos alunos, conhecer seus gostos, estar atendo a seu afastamento das aulas, respeitar suas limitações e buscar um planejamento de suas aulas de modo que desperte o interesse e que atenda o maior número de alunos possível.

    Dos fatores externos e internos que interferem na não participação dos alunos nas aulas de Educação Física, alguns ao alcance dos professores, outros mais distantes abrange todo o contexto escolar, desde a direção, coordenação pedagógica, outros profissionais que atuam na escola, familiares e a comunidade na qual a escola está inserida.

    Concluiu-se que as aulas de Educação Física deve ser elaborada de forma que permita ao adolescente um relaxamento, e assim fazê-lo perceber seu corpo e capacitá-lo a controlar esse corpo, em oposição ao automatismo que o trabalho muitas vezes exige; é preciso trabalhar uma Educação Física que permita ao aluno a prática de atividades prazerosas, ao contrário do caráter repressivo de muitos trabalhos; aulas que permitam aos alunos.

    É necessário que exista na escola uma seqüência pedagógica durante as aulas e as séries um clima motivacional orientado como instrumento para aumentar a motivação intrínseca, o sentimento de competência e atitudes positivas em alunos nas aulas de Educação Física.

    Ressaltamos que, para um desenvolvimento de programa de Educação Física, não basta somente o professor conhecer os tópicos de planejamento e segui-los mas é preciso considerar também a importância do conhecimento dos problemas do aluno, de suas dificuldades, para posterior aplicação de conceitos motivacionais, que podem aperfeiçoar as oportunidades de aprendizagem e favorecer o desenvolvimento de atitudes positivas dos alunos sobre as práticas corporais.

    Apesar de sua importância para a aprendizagem, motivação raramente recebe a devida atenção de professores e pesquisadores.

    Espera-se que este trabalho possa apoiar o trabalho dos professores de Educação Física em garantir a inclusão e despertando o interesse de todos os alunos em suas aulas. Uma vez que não depende só do profissional de Educação Física, mas também da concepção e prática dos professores, dos dirigentes escolares, dos administradores do sistema de ensino, da política educacional, enfim de toda uma estrutura.

Referências Bibliográficas

  • ALMEIDA, P C. O Desinteresse pela Educação Física no Ensino Médio. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, ano 11, n 106, Mar. 2007. http://www.efdeportes.com/efd106/o-desinteresse-pela-educacao-fisica-no ensino médio.htm

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  • BENTO J. O. As funções da educação física. In: Mattos M G & Neira M G. Educação Física na Adolescência: construindo o conhecimento na escola. São Paulo: Phorte Editora. 2000.

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  • VAGO, T. M. Início e fim do século XX: maneiras de fazer educação física na escola. Scielo, Brasil.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

08:14

Motivação do profissional de Educação Física escolar e sua atualização profissional e acadêmica

    Este ensaio relata o processo de elaboração de um texto didático por revisão bibliográfica, que foi distribuído entre professores atuantes em educação física (EF) escolar, do sistema público de ensino da região de Campinas-SP. Para sua elaboração, recorreu-se a autores que pesquisam a motivação e a motivação para a realização na EF. Ao se depararem com as dificuldades de escrever um artigo científico nos moldes acadêmicos vigentes, como trabalho final do curso de especialização em Pedagogia do Esporte Escolar, na Faculdade de Educação Física da Unicamp, o grupo de autores acima aponta para a importância da motivação na formação continuada e capacitação do profissional de EF escolar.

    A metodologia é baseada nas prerrogativas do curso "Teia do Saber", da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, curso no qual o professor realiza diversos estudos dirigidos, através de textos (in)formativos, discutidos e trabalhados com especialistas de diversas áreas e temáticas (os professores retomam o hábito da leitura e o interesse na busca de novos conhecimentos: ler para aprender e ensinar).

    Esta metodologia tem dado imensos resultados no processo de capacitação do profissional de EF escolar e foi associada ao processo de revisão bibliográfica da temática "motivação e atuação em EF escolar". A partir de dificuldades encontradas pelo próprio grupo, com relação à elaboração normatizada de um texto acadêmico para conclusão de um curso de especialização em Pedagogia do Esporte Escolar1, a respeito da motivação do professor, decidiu-se desenvolver um texto didático e explicativo voltado a atender o professor de EF atuante (que necessita atualizar-se profissionalmente e muitas vezes não pode participar de um curso de especialização, pós-graduação, capacitação ou formação continuada de longa duração).

    O resultado da pesquisa e das discussões do grupo culminou em um texto sintético, que discorre sobre a motivação do professor e oferece subsídios de discussão e aplicação prática em EF escolar. Na revisão bibliográfica, foram encontrados aspectos relevantes que interferem na motivação do profissional e também no seu interesse em estudos e pesquisas na pós-graduação, tais como: dificuldades relacionadas à defasagem de conteúdos aprendidos na graduação, atualização dos conhecimentos e reciclagem metodológica; falta de tempo e dedicação aos estudos continuados em virtude da carga horária semanal e outros encargos docentes; questões relacionadas à familiarização e acesso aos recursos de busca e informações virtuais (internet, banco de dados, sistemas de normatização), dentre outras facilidades (ou seriam dificuldades?) tecnológicas; conflitos com a linguagem científica e o formato dos textos desenvolvidos em ambientes acadêmicos; além da pouca valorização da profissão e descrédito a respeito do sistema de ensino brasileiro, da carreira docente e da configuração histórica da Educação Física no país.

    O texto trata da motivação docente em EF e pode ser proposto como possibilidade de estudo dirigido e voltado ao professor de EF, de maneira explicativa e com linguagem acessível àqueles profissionais que não se encontram mais familiarizados com contextos acadêmicos e de formação continuada. Os profissionais de EF precisam buscar a atualização profissional e a continuidade na formação docente, uma vez que atuam como agentes educacionais.

    Devem, portanto, atualizar seus conhecimentos, metodologias e encontrar maneiras ou espaços de discussão a respeito da atuação profissional. O resultado do trabalho transcende a discussão superficial a respeito da motivação, sem estar totalmente "engessado" nos moldes acadêmicos que dificultam o acesso, a leitura e a utilização destes conhecimentos por parte de profissionais "distantes" do ambiente acadêmico: um texto de fácil compreensão e leitura, voltado aos professores de EF, com o intuito de despertar a motivação (e facilitar sua compreensão) para atuação profissional em EF escolar.


Objetivos

    O presente trabalho busca 02 objetivos básicos e se destina a professores de Educação Física (EF), atuantes na rede estadual de ensino. São eles:


Apontar para a importância da motivação na formação continuada e capacitação do profissional EF escolar por estudos e pesquisas, atualizações do conhecimento e reciclagem metodológica;


Elaboração de um texto de divulgação e aplicação a professores atuantes em EF Escolar.


Justificativa

    Após nos depararmos com dificuldades em escrever um artigo científico nos moldes acadêmicos vigentes, como trabalho final do curso de especialização em Pedagogia do Esporte Escolar na FEF-Unicamp, sentimos que nós, profissionais de Educação Física Escolar, temos enormes dificuldades relacionadas à defasagem de conteúdos aprendidos na graduação e a retomada dos estudos ou conhecimentos atualizados na pós-graduação. A dedicação aos estudos, a familiarização com o acesso a internet, conflito com a linguagem científica e o formato dos textos desenvolvidos em ambiente acadêmicos, são também empecilhos e fatores que prejudicam a formação continuada de nossa classe profissional. A partir de dificuldades encontradas pelo próprio grupo, decidiu-se desenvolver um texto didático e explicativo voltado a atender o professor de Educação Física (EF) Escolar atuante, que necessita atualizar-se profissionalmente e muitas vezes não pode participar de um curso de especialização, pós-graduação, capacitação ou formação continuada. A motivação está presente no dia-a-dia do professor, se fazendo necessária para desenvolvimento, tanto do professor, quanto do aluno. O texto resulta de síntese bibliográfica do grupo a respeito da motivação docente em EF, podendo ser proposto como possibilidade de estudos dirigido ao professor de EF; de maneira explicativa e com linguagem acessível àqueles profissionais que não se encontram mais familiarizados com o contexto acadêmico e com formação continuada.


Introdução. Como compreender a motivação do professor de EF?

    Tratar de assuntos, como a motivação do profissional de Educação Física (EF) e sua atualização acadêmica não é tão simples, pelo fato de ser um assunto muito complexo e difícil de ser estudado, em virtude de suas diferentes abordagens e teorias que tratam do tema em questão.

    Embora seja complexo, é sem dúvida um aspecto muito importante, que interfere no ensino da Educação Física (EF) e da aprendizagem motora. Interessados no ensino-aprendizagem dos conteúdos, resolvemos estudar a parte que se refere à motivação do professor, que é por sua vez um dos principais agentes motivadores na aula de EF. Através de referências bibliográficas e revisão da literatura específica existente, definiu-se como objetivo desta pesquisa a elaboração de um texto que conceitue e familiarize o professor de EF com o tema da motivação em aula (em anexo, ao final do texto).

    Criar estratégias motivacionais para a aprendizagem escolar não é tarefa fácil, principalmente porque o ser humano é um ser que se move por diversos motivos e emprega uma energia diferencial nas tarefas que realiza. Por esse motivo, nós, professores de EF, não devemos deixar de examinar em qual medida, ritmo e forma, apresentamos nossas informações aos educandos, alunos e atletas.

    A motivação para uma atividade depende do significado que cada pessoa atribui a ela. É importante que se leve em consideração a existência das diferenças individuais e culturais entre as pessoas, quando se fala sobre o assunto (VERNON, 1973; MURRAY, 1978; DAVIDOFF, 1983). Dessa maneira, vamos tratá-lo de forma mais abrangente, não apenas voltando o olhar sobre um aspecto e sim buscando a perspectiva de um ser com um potencial de realização. Dessa forma, motivar as pessoas a desenvolverem atividades é um dos problemas básicos em qualquer processo de ensino e aprendizagem motora, nos contextos da EF escolar (WEINBERG e GOULD, 2001).

    O esporte, a atividade física, o exercício e outras práticas corporais valorizam socialmente o homem e proporcionam melhorias ao indivíduo. Sendo assim, temos em nossas mãos uma das maiores e melhores ferramentas para motivar os nossos alunos, que é a motivação. Cabe a nós, professores de EF, estarmos motivados também para que possamos dar a devida motivação a outrém. Para Galvão (1995), a motivação na verdade, possui suas próprias características, as quais podem permear caminhos diferentes. Dependendo da linha de pensamento, podemos analisar os aspectos internos do indivíduo (motivação intrínseca), ou partir a um estudo dos aspectos que interagem com o indivíduo como o meio físico ou o ambiente social e cultural (motivação extrínseca). Samulski (2002) caracteriza a motivação como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, que depende de fatores pessoais e ambientais. Ou seja, há a inter-relação entre fatores intrínsecos e extrínsecos, além de uma determinante energética - o nível de ativação, que pode ser observado na intensidade, engajamento e persistência na tarefa. As intenções, necessidades e interesses podem ser observadas quando um indivíduo se volta a uma meta estabelecida. Para entender o processo desta realização, surge o motivo de realização.


Motivo de realização

    De acordo com Winterstein (1992; 2002), a Teoria da Motivação parte do pressuposto de que existe um ou vários motivos, que levam a pessoa a executar e a manter uma ação em direção a um objetivo, uma meta. Ou seja, o indivíduo precisa ter um objetivo de vida e traçar planos de ação para buscar a meta desejada. E quando tem essa motivação, ele realiza essa tarefa com prazer e satisfação: esse motivo recebe o nome de "motivo de realização".

    Segundo Winterstein (1992), o motivo de realização é responsável pela motivação em situações de rendimento e de competição. Ou seja, o motivo de realização é o processo que explica como o indivíduo busca conseguir sucesso nas tarefas difíceis. É a motivação que orienta as pessoas a realizarem suas aspirações, principalmente quando erram, muitos persistem para que mais tarde consigam se orgulhar quando atingirem seus objetivos. Existem três determinantes do motivo de realização, que são eles: nível de aspiração, atribuição causal e normas de referência (WINTERSTEIN, 2002).

    O Nível de aspiração é o nível de rendimento que a pessoa busca atingir em certa tarefa, tendo conhecimento do seu rendimento anterior. Seria a expectativa de QUANTO o praticante atinge como desempenho na tarefa, estando indiretamente relacionado ao esforço, envolvimento e desempenhos futuros.

    As pessoas traçam determinadas metas de vida, a curto, médio e/ou longo prazo e através deles buscam a excelência que pode ser alcançada. Mas por outro lado, essa busca pode ser frustrante, pois a pessoa poderá fracassar e isso pode mudar o rumo dos objetivos. Para Winterstein (2002), a elevação ou a manutenção persistente de um objetivo aos sucessivos fracassos é considerada uma inadequação do nível de aspiração. As pessoas que têm medo de fracassar geralmente escolhem objetivos fáceis, de baixo rendimento, para que possam evitar o fracasso ou a frustração de não alcançarem êxitos nestas tarefas; ou ainda escolhem outros objetivos inadequados, de alto rendimento, gerando assim, um fracasso inevitável e rápido, que mine toda e qualquer expectativa que possa ser guiada a partir de alguns sucessos na tarefa observada.

    Já a Atribuição Causal corresponde ao conjunto de explicações (ou atribuições factuais) dadas pelos indivíduos após o sucesso ou o fracasso de uma determinada ação. Explicaria as causas, ou seja, O QUÊ foi responsável pelos resultados do plano de ação.

    Após a obtenção de êxito ou fracasso, a pessoa busca os motivos que a levaram a obter esse resultado. O significado que as pessoas atribuem aos objetos do mundo são grandes responsáveis pela percepção da situação e pelas respostas obtidas.

    Alguns estudos mostram que as pessoas que têm expectativa de êxito geralmente atribuem a causa de seus resultados à própria capacidade e esforço, enquanto os que apresentam medo do fracasso atribuem-na à dificuldade da tarefa ou ao acaso (WINTERSTEIN, 1992; 2002).

    Segundo Galvão (1995, p.104), a EF deve estar relacionada com a motivação intrínseca, ou seja, "[...] os motivos que levam o indivíduo a realizar as atividades devem ser liberados de dentro para fora. Não existe uma prática consciente imposta por motivos extrínsecos. A conscientização surge da necessidade pessoal, interna de interferência da realidade".

    Finalmente, a Norma de Referência seria todo o conjunto de padrões criados para comparar individual ou coletivamente o rendimento atual aos rendimentos anteriores. As normas de referência podem ser de dois tipos: individual e social. Poderia ser considerada a norma de cunho avaliativo, a ser utilizada para analisar e comparar os desempenhos após uma tarefa.

    A individual seria aquela na qual é feita uma comparação do rendimento individual com outros rendimentos ou resultados anteriores do próprio indivíduo. A norma de referência social ocorre quando a comparação é realizada dentro de um determinado grupo de referência, entre seus integrantes. Os resultados referem-se a uma única norma exigida para todo grupo, considerada como um padrão avaliativo e de qualidade para classificar os membros deste ou daquele grupo em análise.

    Para Heckhausen apud Winterstein (2002, p.79), é possível haver uma melhoria na motivação quando a norma de referência individual é utilizada, pois dessa forma o indivíduo vivencia adequadamente os êxitos e fracassos, determinando de forma realista seu nível de aspiração. Para ilustrar estes fatores, desenvolvemos um esquema gráfico abaixo (figura 01), enfatizando os aspectos dentro do motivo de realização: nível de aspiração; atribuição causal e normas de referência.

 

    Não podemos esquecer que os professores são indivíduos que possuem motivos que também os levam a realizar determinadas ações, inclusive na escolha profissional e ambientes de atuação. Dentre os motivos, podemos destacar a realização do professor e seus conceitos na EF Escolar; que, por sua vez, fazem parte de todo processo de motivação do professor, principalmente do professor de EF.

    Alguns fatores internos interferem e interagem na resposta motivacional do professor e são fatores importantes para o entendimento do comportamento profissional, pois modificam o interesse do mesmo em realizar determinadas ações, uma vez que estão inseridos no processo educacional. Esses fatores são: o ambiente de trabalho, o sistema de ensino e o próprio aluno (figura 02, a seguir).

 


Compreendendo a apropriação do Motivo de Realização para a atividade docente

    O indivíduo, quando busca atingir um determinado rendimento, deve iniciar de certo nível inferior para o nível superior, aumentando gradativamente estes níveis e respeitando seus limites, habilidades e componentes situacionais. Exemplo: Numa simples brincadeira pode-se avaliar a motivação do aluno. Analisemos o salto em altura: se você simplesmente for aumentando a dificuldade em saltar de nível mais baixo para um mais alto, sem dar opções para o aluno, certamente quando atingir uma determinada altura em que ele não consiga mais saltar, sua motivação para a brincadeira diminui. Se ao invés disto, o professor aumentar gradativamente a altura da corda e aumentar somente um lado da mesma, dando a possibilidade de escolha ao aluno, o professor irá motivá-lo a escolher seus níveis de dificuldades buscando provavelmente cada vez saltar mais alto e superar os seus limites; sem, contudo, haver muita frustração ou imposição de certos graus de dificuldade ou alturas em que o aluno não consiga ou evite saltar.

    Também é importante orientar os alunos desmotivados em busca da recuperação dos mesmos e dar-lhes atenção especial com relação a superarem seus limites. Identificar as necessidades dos alunos para melhor planejar as aulas e adequar os níveis de aspiração com as metas de curto, médio e longo prazo também se tornam fundamentos importantes para considerarmos a teoria do motivo de realização. Finalizando, devemos conversar sempre com os alunos sobre as construções por eles realizadas durante as aulas, facilitando canais de comunicação e feedback avaliativo, tanto para o professor quanto ao aluno.


Motivação do Professor

    Se, antigamente, o desafio era descobrir o que se devia fazer para motivar as pessoas, hoje a preocupação é outra. Passe-se a perceber que cada indivíduo traz consigo, de alguma forma, dentro de si, suas próprias motivações. Aquilo que mais interessa então é encontrar e adotar recursos capazes de não sufocar as forças motivacionais inerente às próprias pessoas: é o que chamam de estratégias e/ou ferramenta motivacional que estimule as potencialidades e a satisfação das necessidades individuais. O importante, então, é agir de tal forma que as pessoas não percam a sua motivação. O ser humano não se submete passivamente ao desempenho de atividades que lhe sejam impostas e que não tenham para ele nenhum significado.

    O motivo de realização está muito presente na vida das pessoas, onde o esforço e a persistência do indivíduo de superar e ultrapassar os obstáculos são cada vez mais presentes. Mas apesar de todos esses esforços, não devemos esquecer que a motivação deverá permanecer em um nível moderado, para que a atividade desejada possa ser cumprida de forma eficaz e seja significante.

    Segundo Boruchovitch e Bzuneck (2001), os níveis de motivação (muito baixos ou muito elevados) levam a um aumento da ansiedade e conseqüentemente de apropriação dos conteúdos da tarefa. Nesse sentido, não devemos esquecer que como professores de EF, devemos compreender o nosso papel em relação à motivação dos nossos alunos. Sem contar da importância e necessidade de se compreender as fontes intrínsecas e extrínsecas de motivação do aluno nas atividades físicas e esportivas (KOBAL, 1996). Esta motivação do aluno, tanto do ponto de vista das questões extrínsecas e reforços, quanto das questões inerentes à subjetividade, à tarefa em si e aos fatores intrínsecos também poderia ser estendida ao professor, que deve procurar meios e procedimentos de auto-motivação e de busca pela motivação intrínseca na atuação como educadores.

    Ainda de acordo com Boruchovitch e Bzuneck (2001), deve-se canalizar o esforço para o processo de aprendizagem. A partir de diversas situações ou estratégias, precisa-se selecionar e utilizar a mais adequada, mesmo que seja a mais trabalhosa. Essas são as atividades que exigem maior dinâmica de um profissional motivado: persistir e esforçar-se nas tarefas adequadas. Contudo, apontamos com este trabalho algumas dificuldades encontradas pelo professor de EF, tais como:


Dificuldades relacionadas à defasagem de conteúdos aprendidos na graduação e atualização dos conhecimentos;


Reciclagem metodológica;


Falta de tempo e dedicação aos estudos continuados em virtude da carga horária semanal e outros encargos docentes;


Busca e informações virtuais (internet, banco de dados, sistemas de normatização), dentre outras facilidades (ou dificuldades?) tecnológicas;


Conflitos com a linguagem científica e o formato dos textos desenvolvidos em ambientes acadêmicos;e


Valorização da profissão e descrédito a respeito do sistema de ensino brasileiro, da carreira docente e da configuração histórica da Educação Física no país.


 Método

    Para a realização deste texto, o grupo inicialmente realizou o processo de revisão bibliográfica (THOMAS e NELSON, 2002), para em seguida desenvolver um texto didático de divulgação a professores atuantes na rede de ensino de EF. O presente trabalho teve as seguintes etapas:


Exploração de fontes bibliográficas e referências teóricas disponíveis na Unicamp e na Unimep, Universidades do estado de São Paulo, na região de Campinas, SP, Brasil;


Pesquisa em bancos de dados de livre acesso pela internet (bases de dados Medline, SportDiscus e UniBiblu-Unicamp/ US/ Unesp).

    A primeira etapa, revisão de literatura bibliográfica em fontes dados através da biblioteca da Unicamp, abrangendo grande parte da nossa pesquisa em relação ao tema de estudo sobre a motivação para nossa área EF Escolar, foi através da biblioteca da faculdade de EF da Unicamp e da Unimep, que buscamos as informações e encontramos a literatura sobre motivação de uma forma geral. Já a etapa seguinte, com pesquisa via internet, foi efetuada com buscas em bancos de dados relacionados à área de educação física e atividade docente, em sites de livre-acesso, através de rede integrada servidora do sistema de Bibliotecas da Unicamp e busca via internet on-line (bases de dados Medline, SportDiscus e UniBiblu-Unicamp/ US/ Unesp).

    Após o levantamento bibliográfico e revisão de literatura, que orientou nosso texto final, recorremos a autores que pesquisam a motivação docente e a motivação para a realização na Educação Física, dentre eles: Pedro Winterstein, Dietmar Samulski, Evely Boruchovitch, José Aloyseo Bzuneck, Robert Weinberg e Daniel Gould2.


Procedimentos

    Para a realização deste texto, após os encontros do grupo e busca de informações através de pesquisas bibliográficas com autores que falam sobre motivação geral, direcionamos a leitura aos autores que tratam a motivação do ambiente escolar e na EF.

    A partir desta etapa começamos a elaboração do texto, com reuniões semanais e trocas de informações via internet. Inicialmente, buscamos através da problemática motivacional do profissional de Educação Física realizar um texto de fácil compreensão, voltado a professores que atuam na área, mas que não encontram tempo para leitura acadêmica, ou que tenham dificuldade com o formato desta leitura. Elaboramos um resumo que foi enviado (e aceito3) para o I Congresso de Ciência do Desporto (FEF - Unicamp).

    Assim elaboramos um texto de divulgação para aplicação a professores atuantes em EF escolar, que foi distribuído no Congresso de Ciência do Desporto e aos professores/alunos do curso de Especialização em Pedagogia do Esporte Escolar. Surge a hipótese de desenvolvimento e ampliação deste trabalho, através da divulgação do mesmo texto, agora a professores da rede pública da região de Campinas-SP, a ser desenvolvido pelo grupo no corrente ano.

    Elaborou-se também um pôster para apresentação no Congresso de Ciência do Desporto (FEF UNICAMP) e em seguida, partiu-se para o desenvolvimento da versão final e integral do trabalho, visando a elaboração do texto final para conclusão do curso. A partir deste texto final, tivemos a idéia de elaboração deste ensaio para reflexões sobre a motivação do profissional de EF escolar. Além deste texto, o folheto de divulgação se encontra em anexo ao final do trabalho. O mesmo versa sobre a temática deste ensaio e foi proposto como forma de divulgação e aplicação a colegas professores de EF escolar, para que a partir dele, os mesmos procurem refletir e repensar maneiras de se atualizarem e complementarem suas formações universitárias.


 Considerações finais

    Foram destacados no ensaio aspectos relevantes que interferem na motivação profissional e no interesse em estudos de pós-graduação: dificuldades relacionadas à defasagem de conteúdos aprendidos na graduação e atualização dos conhecimentos e reciclagem metodológica; falta de tempo e dedicação aos estudos continuados em virtude da carga horária semanal e outros encargos docentes; questões relacionadas à familiarização e acesso aos recursos de busca e informações virtuais (internet, banco de dados, sistemas de normatização), dentre outras facilidades (ou dificuldades?) tecnológicas; conflitos com a linguagem científica e o formato dos textos desenvolvidos em ambientes acadêmicos; além da pouca valorização da profissão e descrédito a respeito do sistema de ensino brasileiro, da carreira docente e da configuração histórica da EF no país.

    Vive-se hoje um período de muitas transformações do ser humano, a ponto de às vezes ter-se dificuldades de adaptação ao avanço da tecnologia e da informação. As mudanças são tão rápidas, que muitos de nós começamos a sentir ansiedade ao não conseguirmos acompanhar tudo o que vem ocorrendo. É preciso vencer essa ansiedade com auto-motivação e reencontrar os motivos para dar continuidade à carreira profissional e ao processo de ensino-aprendizagem, para desafiar as mudanças, para querer manter-se atualizado e ser um profissional diferenciado no mercado.

    Para tanto, é preciso buscar na leitura o saber necessário, o sentido prático para vencer desafios e o interesse na busca pelo conhecimento e informações. Através da vontade e envolvimento na tarefa docente, pode-se superar a rotina, os "altos e baixos" da profissão, a preguiça e o cansaço, o comodismo; sendo que o incentivo e a busca pela continuidade nos estudos de pós-graduação devem priorizar o estímulo à leitura, bem como atualização do professor por novos conhecimentos, metodologias e interesse pelas novidades sociais, culturais e intelectuais.

    É preciso voltar a acreditar, voltar a enxergar o lado positivo das coisas, acreditar nas suas próprias capacidades de fazer as coisas acontecerem e se transformar o sistema educacional brasileiro. O professor de EF não deve se deixar abater pelos baixos salários, pelas condições precárias das escolas, pela falta de materiais, pelos professores que "rolam a bola".

    Mas é necessário encontrar um tempo livre para realizar uma leitura diária... Quem ensina também precisa aprender a ensinar (e também a reaprender!)... Vamos em frente!


Fonte

quinta-feira, 19 de abril de 2012

07:20

Exemplo de atividade: coordenação motora


(1 circuito):
Inicia-se fazendo-se 2 filas de alunos, se possivel na mesma quantidade, coloca-se um cone e outro aos 10m, a distãncia de sua preferência. Então coloca-se os dois primeiros da fila sendo cada um com 2 bolas embaixo do braço. Ao seu sinal pede-se para o primeiro vir em velocidade de frente e depois de costa até a marcação que você colocou e assim sucessivamente para os demais. 2 vezes repetiçôes.

(2 circuito):
Coloca-se os cones um do lado do outro com uma distância de 5cm, uma quantidade de 8 cones e no seu comando pede-se para que aos alunos passem uma perna de cada vez nos cone em velocidade lateral sempre com as duas bolas embaixo do braço, indo e voltando. E assim sucessivamente a quantidade de repetição iqual ao trabalho acima.

(3 circuito):
Para finalizar coloca-se dois cones, um do lado outro, bota-se um cano fixado em cima e você fica numa distãncia de 5 metros numa posição que consiga jogar a bola por entre o cone o aluno. Ao abaixar ele vai dar uma impulsão com a bola presa com as mãos e pular o cone, saindo em velocidade até a marcação que você designou. Você vai fazer com que ele trabalhe várias situações numa mesma vez abaixar, segurar, impulsão, concentração, soltar, velocidade. Os piques e a quantidade e repetições são de sua preferência, visando os objetivos fazendo com que os alunos ou atletas vivenciem situacões diferentes dificultando seus movimentos de cordenação motora para que quando eles se depararem sem as difilcudades da bola eles possam fazer com mais perfeição.

CONTRIBUIÇÃO: Vanderlan Ramos Silva - vanderlanramos2011@hotmail.com - RJ
07:19

Exemplo de atividade: Dona Maricota


OBJETIVO:
Alongamento para crianças em séries iniciais

MATERIAIS:
Colchonetes, quadra ou sala de aula

DURAÇÃO:
7 a 10 minutos

FAIXA ETÁRIA:
Livre

AULA OU CONTRIBUIÇÃO:
Inicia-se contando uma história onde a personagem principal se chama ¨Dona Maricota¨.
Nesta história são incluídos movimentos caracterizando o alongamento, lembrando que objetivamos este com crianças entre 0 e 8 anos principalmente, onde ¨brincamos de alongar¨.
É importante ressaltarmos, que a criança nesta idade aprende atividades e as realiza com muito ludismo e criatividade.

COMENTÁRIOS:
Pode ser trabalhado também com outras faixas etárias e 3ª Idade.

APROVEITAMENTO:
Educação Infantil e 3ª Idade.

CONTRIBUIÇÃO: Cibele Luiza Picolo, E-mail: cibelepicolo@hotmail.com , 25 , Clevelândia, Paraná

segunda-feira, 16 de abril de 2012

04:29

Psicomotricidade e educação: importância e aplicabilidade prática na Educação Física


Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.

A Educação Física escolar nos dias atuais levou-nos a perceber as diversas possibilidades de garantir a formação integral dos alunos por meio do movimento humano. No entanto, a busca por ferramentas de auxilio na aprendizagem escolar tem se tornado uma constante multidisciplinar, na qual a Educação Física e o conhecimento da psicomotricidade nas aulas abrangem a relação desenvolvimento motor e intelectual da criança. Compreendendo que os estudos atuais ultrapassam os problemas motores, pesquisam-se as ligações com as áreas psicomotoras: Coordenação Motora Fina e Global, Estruturação Espacial, Orientação Temporal, Lateralidade, Estruturação Corporal e as relações com a aprendizagem no contexto escolar.

Segundo Barreto (2000) o desenvolvimento psicomotor é importante na prevenção de problemas de aprendizagem. Portanto, a psicomotricidade nas aulas de Educação Física pode auxiliar na aprendizagem escolar, contribuindo para um fenômeno cultural que consiste de ações psicomotoras exercidas sobre o ser humano de maneira a favorecer comportamentos e transformações. O homem comunica-se através da linguagem verbal, também através de gestos, movimentos, olhares, forma de caminhar - sua linguagem corporal. A esta comunicação, a este estar-no-mundo intenso dentro do limite da corporeidade-espaço próprio do sujeito, pode-se nominar psicomotricidade.
Embora, conforme admitem os próprios autores, esta visão possa ir longe demais enquanto generalização, os estudos sobre o desenvolvimento humano parecem seguir esquemas, descrevendo o desenvolvimento normal para que se possa compreender o diferente. A psicomotricidade não foge a esta regra quando define os padrões considerados normais para o desenvolvimento psicomotor (considerando descrições feitas pela neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia e áreas afins), desenvolvendo pontos de referência escalonados a partir dos quais se poderão construir todos os testes infantis e as escalas de quociente de desenvolvimento; e, por conseguinte, avaliar e diagnosticar o atraso atual, assim como o desenvolvimento futuro. (Coste, 1981) "A identidade da Psicomotricidade e a validade dos conceitos que emprega para se legitimar revelam uma síntese inquestionável entre o afetivo e o cognitivo, que se encontram no motor, é a lógica do funcionamento do sistema nervoso, em cuja integração maturativa emerge uma mente que transporta imagens e representações e que resulta duma aprendizagem mediatizada dentro dum contexto sócio-cultural e sócio-histórico" (Fonseca, 1988).

Segundo Fonseca (1988) em Psicomotricidade, o corpo não é entendido como fiel instrumento de adaptação ao meio envolvente ou como instrumento mecânico que é preciso educar, dominar, comandar, automatizar, treinar ou aperfeiçoar, pelo contrário, o seu enfoque centra-se na importância da qualidade relacional e na mediatização, visando à fluidez eutônica, a segurança gravitacional, a estruturação somatognósica e a organização práxica expressiva do indivíduo. Privilegia a totalidade do ser, a sua dimensão prospectiva de evolução e a sua unidade psicossomática, por isso está mais próxima da neurologia, da psicologia, da psiquiatria, da psicanálise, da fenomenologia, da antropologia etc.

A psicomotricidade é a posição global do sujeito. Pode ser entendido como a função de ser humano que sintetiza psiquismo e motricidade com o propósito de permitir ao indivíduo adaptar de maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca. Pode ser entendido como um olhar globalizado que percebe a relação entre a motricidade e o psiquismo como entre o indivíduo global e o mundo externo. Pode ser entendido como uma técnica cuja organização de atividades possibilite à pessoa conhecer de uma maneira concreta seu ser e seu ambiente de imediato para atuar de maneira adaptada. (De Meur y Staes, 1984).

A Educação Física e a psicomotricidade são metodologias interligadas em que o desenvolvimento dos aspectos motor, social, emocional dos movimentos corporais é vivenciado, através de atividades motoras. Pode-se afirmar que a Educação Física possui um impacto positivo no pensamento, no conhecimento e ação, nos domínios cognitivos, na vida do ser humano. Entretanto o individuo fisicamente educado vai para uma vida ativa, saudável e produtiva, criando uma integração segura e adequado desenvolvimento de corpo, mente e espírito.

Portanto, a Educação Física, pelas suas possibilidades de desenvolver a dimensão psicomotora das pessoas, com os domínios cognitivos e sociais, é de grande importância no desenvolvimento da aprendizagem escolar. Assim a Educação Física, através de atividades afetivas, psicomotoras e sociopsicomotoras, constituem-se num fator de equilíbrio na vida das pessoas, expresso na interação entre o espírito e o corpo, a afetividade e a energia, o indivíduo e o grupo, promovendo a totalidade do ser humano.

Professor: Leonires Barbosa Gomes
Especialista em Educação Física Escolar
CREF 979 G/DF CBAt 598 Nível I


Referências
BARRETO, Sidirley de Jesús. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2ª ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000.
COSTE, J. C. A psicomotricidade. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
FONSECA, Vitor. Psicomotricidade. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
MEUR, A de e STAES, L Psicomotricidade: educação e reeducação. São Paulo: Manole, 1984.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

10:15

9 brincadeiras pra tirar uma criança do computador

Entreter as crianças exige muita criatividade. Além das viagens e dos passeios de final de semana, a programação precisa incluir atividades para os momentos em casa. "Quando os pais têm disposição, há muita coisa a se fazer", afirma a gerente geral do acampamento Peraltas, Marília Rabelo. "Muitas crianças são mal acostumadas por causa do comodismo dos pais, que acham mais fácil deixá-las em frente ao computador".

Mas nem sempre o problema está na falta de vontade. Muitos adultos esquecem facilmente os tempos de pequenos e precisam de uma ajudinha para bolar recreações. Abaixo, você confere uma série de dicas da Marília para ocupar o tempo do seu filho de forma saudável e, claro, aproveitar a ocasião para também dar muitas risadas com ele.

1. Gincanas

Se você tiver espaço no quintal ou no jardim, esconda objetos e vá soltando pistas para crianças encontrá-los. É como uma caça ao tesouro e vale até pensar numa recompensa no final. Na falta de um quintal espaçoso, use os cômodos da casa para a brincadeira, tomando cuidado com a mobília e com objetos que se quebram facilmente.

2. Tiro ao alvo

Elejam um alvo e, com aquelas arminhas de água, montem um campeonato. Que tal pais contra filhos? Uma idéia é pôr anilina na água para diferenciar os jatos de um time e de outro.

3. Pular elástico

A brincadeira é adorada pelas meninas que passam horas trançando as pernas nas tramas dos elásticos. A diversão é tanta que, na falta de um quintal, não custa experimentar na rua, mesmo.

4. Bolinhas de gude

Um campeonato com elas rende até horas de muito entretenimento. A idéia é trombar umas nas outras ou formar casas, encaçapando as bolinhas do adversário.

5. Construir instrumentos

Não precisa de muito. Com uma garrafa plástica e punhados de areia, você já consegue um chocalho. Uma tira de couro e um pedaço de madeira rendem um batuque. Depois, é só entrar no ritmo da festa.

6. Faça pipas

A diversão começa na escolha dos papéis e na confecção do brinquedo. Não bastasse, ainda tem a delícia que é empinar no quintal ou num parque.

7. Decore uma camiseta

Pode separar uma peça e encher com tina para tecido e purpurina, retalhos e botões. Ela pode virar o uniforme da brincadeira nas férias ou até servir como presente para alguém especial.

8. Modele argila

A brincadeira faz sujeira, mas agrada crianças de todas as idades. Dá para fazer vasos, copinhos e porta-trecos. Além de modelar, as crianças adoram pintar as criações.

9. Monte um balanço

Dá para pendurar na árvore ou até mesmo num pedaço de telhado que fique à mostra. Você só precisa de um pneu velho e de um pedaço de corda reforçado para conseguir montar o brinquedo favorito das crianças nos parquinhos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

10:15

Educação Física escolar: apontamentos sobre as tendências pedagógicas no Brasil



    O texto apresenta-se como um apontamento cuja finalidade é indicar relações e articulações entre os critérios organizadores do conhecimento da Educação Física brasileira, no século XX, e desdobramentos pedagógicos. Trata-se, portanto, de uma visão panorâmica sobre o tema, com vistas a indicar tendências e apontar articulações que podem ser aprofundadas na vasta literatura da área. A novidade do texto está na articulação entre critérios epistemológicos e estratégias pedagógicas, indicando também a concepção de corpo e movimento em pauta em cada tendência.

     Na década de 30 do século XX, a Educação Física guiou-se pelos critérios de aptidão física. A Educação Física influenciada pelo Movimento Ginástico Europeu, difundido pela ginástica, objetivava, por fim, a eugenia. Assim, a Educação Física brasileira inseria em seu discurso a promoção de saúde e a preparação do indivíduo para o cumprimento dos serviços militares. O conteúdo das aulas pautava-se nos métodos ginásticos (sueco, alemão e francês) e o método fundamentava-se no comando e no ensino por tarefas. A concepção de corpo norteava-se pelos pressupostos anátomo-fisiológicos, numa compreensão dualista de corpo, considerando o movimento como o deslocamento de um amontoado de partes do corpo, estritamente mecanicista.

      Durante as décadas de 1960 e 1970 configurou-se como critério organizador do conhecimento da Educação Física, o Método Desportivo Generalizado. Esse método objetivava por fim a esportivização da Educação Física, "incorporando o esporte e adequando-o a objetivos e práticas pedagógicas" (BRASIL, 2000, p. 22), sendo seu conteúdo voltado para a iniciação esportiva. O método utilizado era norteado pelos estilos comando e tarefas. A compreensão de corpo era a mesma difundida pela aptidão física e o movimento norteado pela perspectiva de rendimento esportivo. A ênfase na esportivização dos conteúdos da Educação Física restringia o movimento e o próprio conhecimento da área aos códigos esportivos.

      Na década de 1980, a ênfase centrou-se na Psicomotricidade, no desenvolvimento psicomotor do aluno. O conteúdo da Educação Física enfatizava a reabilitação do movimento, com seus conteúdos voltados para o desenvolvimento da lateralidade, coordenação motora, percepção e equilíbrio. O método de ensino tinha como parâmetro a realização de tarefas e a descoberta orientada (MOSTON, 1978). A concepção de corpo articulava-se a uma compressão "total" do corpo enfocando as esferas do comportamento, ou seja, os aspectos cognitivos, sociais, motores e afetivos.

      Nas décadas de 1980 e 1990 divulgou-se no Brasil a aprendizagem motora, fundamentada na psicologia desenvolvimentista. A aprendizagem motora incorporou a Psicomotricidade e numa tentativa de caracterizar melhor a área centrou-se no desenvolvimento de habilidades básicas e específicas. O método estruturava-se na descoberta orientada e na solução de problemas e o objetivo referia-se à educação do movimento (MOSTON, 1978). O movimento ocorria no sentido do simples para o complexo, a compreensão de corpo articulava-se na psicologia desenvolvimentista através das taxionomias. Em última instância a aprendizagem motora enfatiza a iniciação esportiva generalizada.

     No início da década de 1990, o Coletivo de Autores (1992) divulgou uma proposta de metodologia do ensino da Educação Física, discutindo a área como componente curricular da Educação Básica, cujo conhecimento referia-se à cultura corporal como linguagem expressa por meio de jogos, danças, esportes, ginástica entre outras expressões. Essa referência influenciou significativamente o redimensionamento pedagógico da Educação Física brasileira, notadamente no que diz respeito ao critério de organização do conhecimento e seu vínculo com a cultura, desnaturalizando a compreensão de corpo e movimento predominantes até então. A partir dessa referência, outras discussões foram realizadas e retomadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (2000).

     A Cultura Corporal de Movimento foi proposta, na década de 1990. Os conteúdos referiam-se aos jogos, ginásticas, esportes, lutas, danças e conhecimento do corpo. A cultura de movimento inclui o orgânico, ou seja, a natureza do movimento, processos biofisiológicos e seus significados, constituições culturais. A compreensão de corpo buscava superar o dualismo cartesiano, configurada na compreensão de corpo a partir do conceito de corporeidade e da intencionalidade do movimento (KUNZ, 1991; NÓBREGA 2009).

     Contemporaneamente, constata-se a inserção de diversos critérios de organização no conhecimento da Educação Física brasileira, como também a manutenção de critérios como aptidão física, desenvolvimento motor e Psicomotricidade, tanto nas escolas, como nos currículos das instituições superiores, pois o surgimento de uma tendência não significa necessariamente o desaparecimento de sua antecessora; bem como não ocorre um processo de cristalização de uma certa tendência, ou seja, o movimento é dinâmico, tendo seu fundamento na escrita histórica e epistêmica. Observa-se que no campo da Educação Física, considerando sua intervenção escolar, há resistências às mudanças. Debruçar sobre o movimento das tendências pedagógicas na Educação Física brasileira nos possibilita observar uma diversidade conceitual no conhecimento da Área, que por sua vez reflete na prática pedagógica da Educação Física. Identificar essas diferenças contribui para compreendermos o que carateriza o conhecimento da área que ensinamos, bem como seu sentido como componente curricular em um dado espaço e tempo pedagógico.  

Referências 

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: educação física. 2ª Ed. Rio de janeiro: DP&A, 2000.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

KUNZ, E. Educação Física: ensino & mudança. Ijuí. Unijuì. Ed., 1991.

MOSTON, M. La ensenãnza de la educacion física: del comando al descobrimiento. Buenos Aires, 1978.

NÓBREGA. T. P. Corporeidade e Educação Física: do corpo-objeto ao corpo-sujeito.3 ed. Natal: Editora da UFRN, 2009.

terça-feira, 10 de abril de 2012

05:23

História da Educação Física, sua importância e aplicabilidade prática


A história da Educação Física, está relacionada a toda a ciência que estuda o passado e o presente das atividades humanas, e suas evoluções. O homem tem como um objetivo investigar e acompanhar o desenvolvimento das atividades físicas esteja elas progredindo ou não, que se modificam de acordo com os sistemas políticos, sociais, econômicos ou científicos da população. Desde os primórdios da civilização o homem praticava atividade física, fazia parte da sua sobrevivência e cotidiano, nadar, caçar, lutar, correr, saltar, lançar, arremessar etc.

As origens mais remotas da história falam de 3000 a.C. na China, onde o Imperador, Hoang Ti, recomendava aos seus guerreiros e à população, que fizessem exercícios físicos com finalidades higiênicas e terapêuticas além do caráter de treino para guerra. Já no começo do primeiro milênio, na Índia, os exercícios físicos eram tidos como uma doutrina por causa das "leis de Manu", uma espécie de código civil, político, social e religioso. Eram, portanto, indispensáveis às necessidades militares além do caráter fisiológico. Buda atribuía aos exercícios, o caminho da energia física, a pureza dos sentimentos, a bondade e o conhecimento das ciências para a suprema felicidade do Nirvana. A Yoga tem suas origens na mesma época retratando os exercícios ginásticos no livro "Yajur Veda" que além de um aprofundamento da Medicina, ensinava técnicas posturais de respiração.

Paralelamente ao período Chinês e Indiano a civilização japonesa também desenvolvia estudos sobre atividade física, principalmente ligada ao treinamento de seus guerreiros, os samurais. Somando-se a estas civilizações orientais o Egito, também desenvolvera seus estudos de esportes e atividade física ligada à guerra. O início do desenvolvimento dos esportes e estudos de Educação Física como conhecemos atualmente está ligado às civilizações ocidentais e orientais antigas. A Grécia, sem dúvida alguma, foi à civilização que mais marcou o começo desta ciência. Filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles, e Hipócrates contribuíram muito para a Educação Física, atribuindo conceitos até hoje aceitos na ligação corpo e alma através das atividades corporais.

Os sistemas metodizados e em grupo, assim como os termos halteres, atleta, ginástica, pentatlo etc., são uma herança grega. As atividades sociais e físicas eram uma prática até a velhice praticada em estádios destinados a isso. Roma, por sua vez, herda todas as características culturais da Grécia, inclusive as práticas esportivas, porém seu principal enfoque no Império é o desenvolvimento dos soldados para guerra. Na idade Média com queda do império romano a Educação Física é deixada de lado, principalmente com a ascensão do cristianismo que perdurou por toda esta era. O culto ao corpo era pecado mortal, atividades braçais eram reservadas apenas aos servos. O período da Renascença fez explodir novamente a cultura física, as artes, a música, a ciência e a literatura. A beleza do corpo, antes pecaminosa, é novamente explorada surgindo grandes artistas como Leonardo da Vinci (1452-1519), responsável pela criação utilizada até hoje das regras proporcionais do corpo humano.

Consta desse período o estudo da anatomia e a escultura de estátuas famosas como, por exemplo, a de Davi, esculpida por Michelângelo Buonarroti (1475 - 1564). A dissecação de cadáveres humanos deu origem à Anatomia como a obra clássica "De Humani Corporis Fábrica" de Andrea Vesalius (1514-1564). A volta da Educação Física escolar se deve também nesse período a Vitório de Feltre (1378-1466) que em 1423 fundou a escola "La Casa Giocosa" onde o conteúdo programático incluía os exercícios físicos. Mais tarde no Iluminismo todos estes conceitos são retomados e acrescentados por seus novos teóricos. Rousseau (1712-1778) propõe a Educação Física como requisito fundamental para o desenvolvimento infantil, ou seja, já no século XVIII havia focos de estudos sobre psicomotricidade.

Começa a se desenvolver na Idade Contemporânea o termo "ginástica" e quatro grandes escolas foram as responsáveis por isso: a alemã, a nórdica, à francesa e a inglesa. A alemã, influenciada por Rousseau e Pestalozzi, teve como destaque Johann Cristoph Friederick Guts Muths (1759-1839) considerado pai da ginástica pedagógica moderna. Friederick Ludwig Jahn (1788-1825) cria nesta época uma ginástica que dera origem à ginástica olímpica. Adolph Spiess (1810-1858) introduz definitivamente a Educação Física nas escolas alemãs, sendo inclusive um dos primeiros defensores da ginástica feminina. Já escola nórdica escreve a sua história através de Nachtegall (1777-1847) que fundou seu próprio instituto de ginástica (1799) e o Instituto Civil de Ginástica para formação de professores de Educação Física (1808). A escola Francesa teve como elemento principal o espanhol naturalizado Francisco Amoros Y Ondeano (1770-1848). A escola inglesa baseava-se nos jogos e nos esportes, tendo como principal defensor Thomas Arnold (1795-1842) embora não fosse o criador. Essa escola também ainda teve a influência de Clias no treinamento militar.

A Educação Física no Brasil teve grande influência da Ginástica Calistênica criada em 1829 na França por Phoktion Heinrich Clias (1782-1854). A Calistenia, segundo Marinho (1980), vem do grego Kallos (belo), Sthenos (força) e mais o sufixo "ia". Com origem na ginástica sueca apresenta uma divisão de oito grupos de exercícios localizados associando música ao ritmo dos exercícios que são feitos à mão livre usando pequenos acessórios para fins corretivos, fisiológicos e pedagógicos. Os responsáveis pela fixação deste método foram o Dr. Dio Lewis e a (A. C. M.) Associação Cristã de Moços com proposta inicial de melhorar a forma física dos americanos que mais precisavam. No Brasil, nos anos 60 começou a ser implantada nas poucas academias pelos professores da A. C. M. ganhando cada vez mais adeptos nos anos 70 sempre com inovações fundamentadas na ciência. Já na década de 80 a ginástica aeróbica invade as academias do Rio de Janeiro e São Paulo.

A partir da república, no Brasil, começa a profissionalização da Educação Física. E até os anos 60 esta ficou restrita às estruturas organizacionais e administrativas específicas como: Divisão de Educação Física e o Conselho Nacional de Desportos. Os anos 70 foram marcados pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não para fins educativos, mas de propaganda do governo sendo todos os ramos e níveis de ensino voltado para os esportes de alto rendimento. Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à procura de propósitos voltados à sociedade. Nos anos 90 o esporte passa a ser visto como meio de promoção à saúde acessível a todos manifestada de três formas: esporte educação, esporte participação e esporte desempenho. A Educação Física finalmente regulamentada é de fato e de direito uma profissão a qual compete mediar e conduzir todo o processo.

 Os passos da profissão:

1946 - Fundada a Federação Brasileira de Professores de Educação Física.

1950 a 1979 - Andou meio esquecida com poucos e infrutíferos movimentos.

1984 - Apresentado 1º projeto de lei visando à regulamentação da profissão.

1998 - Finalmente a 1º de setembro assinada a lei N.º 9.696 regulamentando a profissão com todos os avanços sociais fruto de muitas discussões de base e segmentos interessados.


A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

A prática regular de atividade física sempre esteve ligada à imagem de pessoas saudáveis. Antigamente, existiam duas idéias que tentavam explicar a associação entre o exercício e a saúde: a primeira defendia que alguns indivíduos apresentavam uma predisposição genética á prática de exercício físico, já que possuíam boa saúde, vigor físico e disposição mental, a outra proposta dizia que a atividade física, na verdade, representava um estímulo ambiental responsável pela ausência de doenças, saúde mental e boa aptidão física. Hoje em dia sabe-se que os dois conceitos são importantes e se relacionam. A prática regular de exercícios físicos acompanha-se de benefícios que se manifestam sob todos os aspectos do organismo. Do ponto de vista músculo-esquelético, auxilia na melhora da força e do tônus muscular e da flexibilidade, fortalecimento dos ossos e das articulações. No caso de crianças, pode ajudar no desenvolvimento das habilidades psicomotoras.

Com relação à saúde física, observamos perda de peso e da porcentagem de gordura corporal, redução da pressão arterial em repouso, melhora do diabetes, diminuição do colesterol total e aumento do HDL-colesterol (o "colesterol bom"). Todos esses benefícios auxiliam na prevenção e no controle de doenças, sendo importantes para a redução da mortalidade associada a elas. Veja a pessoa que deixa de ser sedentária e passa a ser um pouco mais ativa diminui o risco de morte por doenças do coração em 40%! Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é capaz de provocar uma grande melhora na saúde e na qualidade de vida.

Já na saúde mental, a prática de exercícios ajuda na regulação das substâncias relacionadas ao sistema nervoso, melhora o fluxo de sangue para o cérebro, ajuda na capacidade de lidar com problemas e com o estresse. Além disso, auxilia também na manutenção da abstinência de drogas e na recuperação da auto-estima. Há redução da ansiedade e do estresse, ajudando no tratamento da depressão. A atividade física pode também exercer efeitos no convívio social do indivíduo, tanto no ambiente de trabalho quanto no familiar.

A atividade física consiste em exercícios bem planejados e bem estruturados, realizados repetitivamente. Eles conferem benefícios aos praticantes e têm seus riscos minimizados através de orientação e controle adequados. Esses exercícios regulares aumentam a longevidade, melhoram o nível de energia, a disposição e a saúde de um modo geral. Afeta de maneira positiva o desempenho intelectual, o raciocínio, a velocidade de reação, o convívio social.

APLICABILIDADE PRÁTICA

Acredito que a dicotomia entre a teoria e a prática possa ser superada e defendo maiores aproximações entre as universidades, faculdades e as escolas, partindo do pressuposto de que o trabalho pedagógico na escola possui saberes que lhes são próprios e assim devem ser valorizados e não ignorados como acontece na perspectiva tradicional. É importante pontuar o avanço que essa experiência apresenta no que se refere à articulação entre as instituições. Em sua organização percebi que o saber do professor da escola foi valorizado.


REFERÊNCIAS CONSULTADAS

COSTA, Marcelo Gomes - Ginástica localizada. Ed. Sprint, 2ª edição, R.J.1998.

SILVA N. Pithan Atletismo Ed. Cia Brasil editora 2ª Ed. São Paulo

STEINHILBER, Jorge. Profissional de Educação Física Existe? Ed. Sprint, Rio de Janeiro R.J. 1996.

FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da Educação Física, São Paulo, Scipione. 1989.

KUNZ, Elenor – Educação Física: ensino & mudanças / Ijuí: Unijuí, Editora, 1991

KUNZ, Elenor - Transformação didático - pedagógica do Esporte. Ijuí – RS,
Unijuí Editora, 2004.


Professor: Leonires Barbosa Gomes CREF/DF 979G - Especialista em Educação Física Escolar

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