Curso online de O Brincar e o Aprender na Educação Infantil

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

09:55

A estratégia na queimada

A criançada certamente sabe brincar de caçado ou caçador, como se diz no Rio Grande do Sul, queimado, em Pernambuco, ou queimada, em São Paulo. Simples e popular, esse jogo com bola é muitas vezes mal aproveitado na escola. Geralmente, é subestimado e acaba sendo usado só como uma atividade de aquecimento no início das aulas de Educação Física ou em propostas livres, que se encerram no próprio jogo.

Que tal pensar em explorá-lo ao máximo, trabalhando a diversidade das formas de jogar em prol dos objetivos de aprendizagem? Foi o que fez Vinicius da Silva, professor do 5º ano da EMEF Elza Regina Bevilacqua, em São José dos Campos, a 94 quilômetros da capital paulista. "Os alunos já jogavam queimada por vontade própria, fora da escola e nos intervalos. Além de ajudá-los a refletir sobre os movimentos, quis desafiá-los com outras variedades", diz o educador.

Ele começou a sequência didática perguntando o que as crianças sabiam sobre a queimada. Elas descreveram as regras que usavam e Silva concluiu que a turma brincava da maneira tradicional. Ou seja, os jogadores são divididos em duas equipes - cada uma ocupa metade da quadra, separada por uma linha. É usada uma bola e quem estiver com ela em mãos precisa atingir membros do time rival, que por sua vez só são queimados se a bola tocar alguma parte do corpo deles e cair no chão. Se eles conseguem agarrá-la, estão salvos. Se são queimados, vão para o fundo do campo adversário, chamado morto ou cemitério. Dali, tentam atingir os oponentes com a bola. Vence a equipe que queimar todos os adversários primeiro.


Especial | Jogos de todas as regiões do Brasil
Reportagem | Jogos com variações de regras
Falar sobre o jogo para se sair melhor

Para fazer a turma começar a se mexer, refletir sobre os movimentos envolvidos na brincadeira e conhecer novas formas de jogar, Silva propôs inicialmente o que chamou de queimada individual. Nesse jeito de brincar, os participantes ficam espalhados pela quadra e quem pega a bola deve tentar atingir qualquer um dos colegas. Não há cemitério: aqueles que são queimados devem sentar no chão e permanecer assim até o fim da partida. "Como não há times, todos têm de fugir de todos. Esse trabalho foca bastante em aprender a se esquivar", conta o educador.

Para que a meninada também possa praticar os movimentos de agarrar e arremessar, vale criar situações de jogo em que todos os alunos interajam com a bola por bastante tempo. Uma proposta que contempla esse objetivo é formar duplas. Cada criança deve ora se defender da bola (pensando em maneiras de se esquivar), ora atacar (observando se tem mais firmeza jogando com as duas mãos ou com uma só e com que intensidade precisa arremessar para acertar o colega - quanto mais perto o adversário estiver, menos força é preciso). "Uma opção, nesse momento, é estipular algumas distâncias entre os estudantes. Assim, evitamos que alguém se machuque", explica Júlio César Soares Pereira, professor da Escola da Vila, em São Paulo.

Realizada a atividade da queimada individual, Silva dividiu os alunos em dois times e pediu que jogassem de acordo com as regras que conheciam, retomando o que tinham conversado no início. É um momento rico de observação. O professor pode analisar se os estudantes colocam em cena táticas coletivas ou se jogam de modo individualizado e quais as principais preocupações deles - queimar muitos adversários ou se defender para ser o último em quadra, por exemplo.

Terminado o jogo, Silva conversou com os alunos: "O que acharam da partida?". "O que pode ser feito para solucionar os problemas?", e "Alguém acha que não teve oportunidade de participar bastante?" Era hora de falar sobre a importância das estratégias. "Uma estudante reclamou que mal pegou a bola. Então, perguntei se ajudaria ela ter se posicionado em uma parte da quadra que tivesse ficado vazia mas que fosse interessante para queimar um adversário", conta o educador. Problematizações como essa ajudam as crianças a refletir sobre as nuances do jogo e as várias táticas que podem ser desenvolvidas. Quem é bom queimador, por exemplo, pode se deixar queimar de propósito para poder, estando no morto, ajudar os colegas a eliminar mais jogadores do outro time. Pensar sobre isso faz com que mitos sejam derrubados, como achar que ser logo atingido é necessariamente ruim e que o bom jogador é aquele que nunca é queimado.

Durante a reflexão, vale também chamar a atenção da classe: não é necessário ser bom na realização de todos os movimentos (arremessar, agarrar, correr etc.). "Um jogador pode não tocar a bola o jogo inteiro, se preocupando só em fugir para ser o último em quadra, fazendo seu time vencer", diz Marcos Garcia Neira, docente da Universidade de São Paulo (USP).

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

09:11

Veja dicas de como tratar os pequenos machucados das crianças


Veja dicas de como tratar os pequenos machucados das crianças Paul Hakimata/Divulgação

Minha mãe costumava dizer que criança quieta é criança doente. Na aula de educação física, onde elas se soltam, a atividade é maior ainda.  Elas podem brincar e se divertir, mas também acabam se machucando mais. Para evitar que lesões simples se compliquem,  veja dicas de como tratar os pequenos ferimentos:

Higienização: limpe o local até desaparecer qualquer sinal de sujeira ou corpo estranho, como terra ou grama. Para garantir a boa limpeza do machucado, seque a região higienizada e desinfete com um agente antisséptico

Tratamento: para evitar o início de possíveis infecções pode-se usar uma pomada antibiótica

Proteção do ferimento: os curativos são recomendados somente nos casos em que os ferimentos estão em locais sujeitos ao atrito, como a dobra do cotovelo ou a sola dos pés. A recomendação geral é deixar o ferimento aberto para que o local machucado se mantenha seco e a cicatrização aconteça de forma mais rápida.

Respeite as casquinhas: as casquinhas se formam sobre a pele machucada para protegê-la e caem espontaneamente. Por isso, não deixe que a criança retire as casquinhas.

O que fazer quando o machucado está sangrando?
Caso o sangramento seja pequeno, lave a região com água limpa e sabão neutro. Depois, comprima com uma gaze ou pano limpo, fazendo uma leve pressão no local por alguns minutos. Na maioria dos casos, o sangramento para após a compressão. Para proteger o machucado, você pode utilizar uma gaze limpa e esparadrapo ao redor da lesão.

O que fazer quando o ferimento tem pus ou secreção amarelada?
A saída de pus ou de secreção amarelada é forte indicador que o ferimento está infectado por bactérias. Nesse caso, é preciso manter os cuidados de limpeza e tratar a infecção com uma pomada antibiótica para matar as bactérias causadoras da infecção. Caso a secreção esteja aumentando, haja surgimento de vermelhidão ao redor da lesão, aparecimento de febre ou piora da dor local, consulte um médico.

O que fazer quando a lesão é mais profunda?
Lesões mais profundas e cortes mais extensos devem ser avaliados por um médico para decidir se há necessidade de realizar outros procedimentos, como dar pontos, por exemplo. De qualquer forma, a limpeza primária pode ser feita regularmente e, ao notar a presença de algum corpo estranho na ferida, é importante procurar o médico imediatamente.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

05:52

Experimentação de brincadeiras com corda


Objetivo
- Experimentar diferentes brincadeiras com corda.

Material necessário
Cordas de tamanhos variados.

Flexibilização
No caso de crianças com algum tipo de deficiência física, pode-se pensar em formas alternativas de participação. Sugira que passem por baixo da corda no momento certo, enquanto está no alto e antes que volte a bater no chão. Esta é uma importante oportunidade de convocar as outras crianças a auxiliá-las, sendo elas cadeirantes ou não. Outra sugestão, caso não seja mesmo possível participar ativamente, é fazer com que a escolha e a récita da parlenda fiquem por conta dos pequenos com deficiência física. É importante lembrar que nem sempre será possível fazer um ajuste que permita o acesso de todos a estas atividades. Mais que isso, é preciso que a reflexão e o compromisso por parte das crianças com a inclusão de todos os seus colegas façam parte da rotina das turmas. Muitas vezes, são as próprias crianças (os que apresentam limitações e os outros) que nos oferecem as melhores ideias. Tente consultá-los, sempre.

Desenvolvimento
Proponha que a turma vivencie várias maneiras de pular corda: uma criança por vez, em dupla e em trios. Também é possível brincar diversificando as regras, como pular ao ritmo de uma parlenda ou pular tocando a mão no chão. Converse com o grupo sobre outras brincadeiras que podem ser realizadas com o objeto: chicote queimado (uma criança gira a corda rente ao chão e as demais pulam), aumenta-aumenta (duas seguram as pontas da corda e vão levantando gradativamente para que as outras saltem) e cabo de guerra.

Avaliação
Observe se a turma aprimora e diversifica o brincar com autonomia a partir de então. Observe se a adaptação das regras se dá em função das dificuldades que surgem ou porque o grupo não compreendeu a brincadeira nova. Nesse caso, converse com as crianças novamente.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

09:49

Desafios corporais para bebês


http://mundomulheres.com/fotos/2015/09/Problemas-de-vis%C3%A3o-em-beb%C3%AAs.jpg

O que significa ser inteligente? Muitas pessoas consideram Albert Einstein uma pessoa inteligentíssima. Mas é provável que, durante a cobrança de um pênalti, ele não fosse capaz de acertar o gol. Diante dessa afirmação, alguém poderá dizer que não é necessário ter a mesma inteligência de Einstein para bater uma falta no futebol - e essa pessoa estará certa. Não existe apenas um tipo de inteligência: aquela que é desenvolvida para cálculos matemáticos complexos é diferente da que se requer nos esportes. A Psicopedagogia moderna reconhece que tanto Einstein quanto Zico, por exemplo, foram pessoas inteligentes, cada qual em sua área de atuação.

Em entrevista à revista Superinteressante, o psicólogo Howard Gardner, da Universidade de Harvard, explicou que existem ao menos oito tipos de inteligência. O importante é que elas sejam corretamente estimuladas durante a infância. Ou seja, desenvolver o raciocínio lógico, manipular objetos, saltar, escrever palavras, entre outras habilidades, requer estímulo para o desenvolvimento integral da criança.

O desafio colocado na Educação moderna é justamente como instigar esses diferentes tipos de inteligência. É certo que cada criança terá habilidades mais apuradas em determinadas áreas do que em outras, mas é preciso oferecer contato com possibilidades variadas. Houve um tempo em que, se um aluno não soubesse solucionar expressões algébricas complexas, logo recebia o rótulo de não ser lá muito inteligente. E aquele que gostasse de escrever poesias podia ser considerado menos capaz do que colegas muito bons em Ciências ou Matemática.

A verdade é que, para elaborar um texto coeso, bem estruturado e que faça sentido ao leitor, é preciso dedicação e inteligência. Escrever poemas não é para qualquer um. Da mesma forma, arremessar uma bola na cesta de basquete, lançar um saque no vôlei ou fazer a rede balançar no futebol são ações que exigem habilidade e, novamente, inteligência! Quanto mais cedo essa inteligência corporal for desenvolvida, tanto melhor para o desempenho da criança. Já existem, inclusive, estudos que comprovam a influência das atividades físicas no desenvolvimento escolar global da garotada.

De acordo com tais pesquisas, o comportamento exigido na prática esportiva é o mesmo necessário ao aprendizado. Em reportagem da revista SAÚDE, Ricardo Barros, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e coordenador de estudos de Medicina Esportiva, cita a ginástica rítmica como exemplo: "É preciso concentração, habilidade de postura, coordenação e equilíbrio para aprender movimentos como estrela ou cambalhota. Repare que são todos requisitos também atrelados à aprendizagem".

Depois que aprendem a andar, os pequenos precisam ser instigados a correr, pular, saltar - tudo sob a orientação cuidadosa do educador. A proposta desta atividade permanente é mostrar como montar circuitos variados, dentro e fora da sala de atividades, para trabalhar desafios corporais com os bebês. De quebra, esse aprendizado contribuirá para desenvolver um estilo de vida ativo, que também será essencial pelo resto da vida

Objetivos
- Inserir atividades físicas regulares na rotina das crianças.
- Desenvolver habilidades corporais variadas.

Material necessário
Bolas, cordas, escorregador, colchonetes e imagens de animais.

Desenvolvimento
Na maioria das vezes, as crianças são muito ativas e estão sempre se movimentando. Contudo, é importante que a Educação Física seja feita de modo sistemático durante, por exemplo, dois períodos de 30 minutos, um de manhã e outro pela tarde. É certo que qualquer atividade física proporciona benefícios, mas a organização ajuda a criança a perceber a importância desses momentos.

Outro fator importante é a presença do adulto. Ainda que simples, certas atividades podem paralisar uma criança que sinta medo ou dificuldade em realizá-las - e o educador ajuda tanto a evitar acidentes quanto a dar mais confiança aos pequenos. Além disso, o adulto deve ficar atento às etapas do desenvolvimento das crianças: se as propostas forem fáceis demais, não estimulam os pequenos a contento e, se forem muito difíceis, não despertam o interesse em superar limites. Portanto, as atividades até podem ser as mesmas para as diferentes faixas etárias da creche, mas pequenas variações em seu planejamento e execução são muito bem-vindas.

Atividade 1
Uma proposta interessante é enfileirar bolas e auxiliar as crianças a passar os pés por cima delas - primeiro o direito, depois do esquerdo e assim por diante. Em seguida, as cordas podem servir como outro obstáculo a ser ultrapassado, por cima ou por baixo, de acordo com a regulagem de altura. Exercícios como esses exigem concentração, estratégia, preparo e, ao mesmo tempo, são estímulos divertidos.

Atividade 2
No pátio, o escorregador costuma ser usado como um brinquedo para descida. Estimular a subida por onde se escorrega também pode ser interessante. Para isso, segure na mão esquerda de cada criança e ajude-as, uma a uma, a subir. Depois, repita a proposta segurando na mão direita de cada criança. Com essa atividade, é possível perceber com qual das mãos os pequenos têm mais habilidade e força e, a partir daí, trabalhar novos estímulos à outra mão.

Atividade 3
Propostas que envolvem cooperação são ferramentas importantes para o desenvolvimento físico e intelectual das crianças. Ficar em fila, passar uma bola embaixo das pernas e entregá-la nas mãos do próximo colega envolve não apenas estímulos corporais como também noções de respeito e trabalho em equipe.

Atividade 4
Aproveite que as crianças costumam gostar muito de imitar animais e mostre imagens de bichos cujos movimentos elas possam copiar. Por exemplo, minhocas e cobras rastejam, sapos e cangurus pulam, cavalos e guepardos correm. Até o caminhar dos gorilas e chimpanzés pode ser interessante reproduzir: o corpo desses animais acompanha o andar, o que ajuda as crianças a desenvolver noções de lateralidade.

Atividade 5
Bolas variadas (de tênis de mesa, tênis de quadra, futebol de salão, handebol, vôlei, basquete, entre outras) são ótimas para organizar uma competição de arremesso, sempre com os dois braços para essa faixa etária. O tamanho e o peso de cada bola estimulam os músculos do tronco e dos membros superiores. Nesse sentido, confeccionar bolas de meia pode incrementar ainda mais o trabalho.

Avaliação
Faça anotações sobre o desempenho dos pequenos sempre que possível, não para compará-los, mas para aumentar gradativamente a dificuldade das atividades em que eles se saem melhor. Se alguma criança não conseguir realizar determinada proposta, procure auxiliá-la, dentro das possibilidades dela, até que consiga superar seus limites. Vale ainda orientar os pais a fazer algumas dessas propostas em casa, a fim de também contribuírem para a melhoria do desenvolvimento corporal dos filhos.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

09:53

Plano de aula: Educação Física junto com a Biologia


Nunca se falou nem se soube tanto sobre saúde como na atualidade. Só que, muitas vezes, as informações são contraditórias ou incompreensíveis. Por um lado, temos uma indústria do alimento que vem lucrando como nunca; do outro, a indústria da beleza, também faturando. O que é verdade? O que de fato é saudável?

Para discutir a questão da saúde, pode ser bastante interessante entender o funcionamento de parte do nosso corpo. A maioria dos livros didáticos tem uma tendência a abordar o corpo humano por sistemas, isto é, apresenta o corpo em pedaços. É fundamental mostrar ao aluno que os sistemas são divididos apenas por uma questão de facilidade didática, mas que funcionam em conjunto, como uma unidade. Juntamente com o professor de Educação Física, leve seus alunos a observar as variações do organismo em situações diferentes e, a partir dos dados coletados, a levantar hipóteses para explicar as observações.

Objetivos
Ser uma pessoa crítica em relação às informações veiculadas na mídia e em relação às escolhas pessoais sobre saúde é um objetivo importante e nobre, mas esse é apenas o primeiro passo para uma compreensão ampla do tema. A coleta e o tratamento de dados (construção de tabelas e gráficos) são habilidades bastante importantes e desejadas para a melhor compreensão do funcionamento das Ciências da Natureza, assim como o levantamento de hipóteses.

Mais diretamente, o objetivo desta atividade é entender o funcionamento de alguns sistemas e como eles interagem entre si em situações conhecidas do aluno.

Conteúdo
Fisiologia humana/ sistemas respiratório e circulatório

Ano

8º e 9º

Tempo estimado

Duas aulas para a coleta de dados e mais duas para as discussões

Material necessário

A situação ideal exigiria um espaço amplo para a prática de atividades físicas, colchonetes, e cronômetros. Mas algumas adaptações podem ser feitas visando realizar as atividades na própria sala de aula.

Os professores de educação física conhecem muito bem os procedimentos para medidas de freqüência cardíaca e a organização e a escolha de atividades físicas mais adequadas para cada objetivo. Apesar das sugestões desta aula, uma boa conversa entre as áreas para planejar as atividades enriquecerá em muito a coleta de dados .

Desenvolvimento
Medindo a freqüência cardíaca de repouso: peça aos alunos que identifiquem em que parte do corpo conseguem perceber seus batimentos cardíacos (têmporas, pescoço, pulso ou peito) e que procurem uma posição confortável, de preferência deitados sobre um colchonete.

Em seguida, instrua-os a contar os batimentos durante 10 segundos (pode ser feito em conjunto, com o professor cronometrando, ou em duplas, sendo que um aluno cronometra enquanto o outro fica em repouso e depois trocam de papéis) e calcular os dados para o período de um minuto (basta multiplicar por seis). Esse procedimento será repetido mais duas vezes, para que se determine o valor da freqüência média de repouso de cada aluno.

Atividades físicas
Os alunos deverão ser submetidos a diferentes atividades físicas após as quais farão contagens das freqüências cardíaca e respiratória. As contagens serão repetidas após um minuto e após três minutos do término da atividade física. Os valores, bem como as observações do estado geral (cansaço, vermelhidão, suor, dores musculares, tonturas) deverão ser organizados em uma grande tabela.

As sugestões de atividades físicas são: trotar durante três minutos, caminhar durante 3 minutos, fazer um tiro (uma certa distância no menor tempo possível) e uma atividade muscular, como banco sueco ou polichinelo. Nesse momento, os professores de Educação Física podem ajudar novamente, pois conhecem o desenvolvimento e a limitação dos alunos e sabem, melhor que ninguém, as condições físicas dos alunos e quais as atividades que permitirão uma coleta adequada de dados sem oferecer nenhum risco aos alunos.

Avaliação
Além de poder avaliar os conteúdos de procedimentos e atitudes, nas várias etapas, o professor poderá avaliar a capacidade dos alunos de coletar e de organizar dados experimentais, a habilidade de interpretá-los e de relacioná-los e, por fim, de argumentar, uma vez que todos deverão propor explicações para as variações encontradas.

Espera-se que as atividades de grande esforço em curto espaço de tempo (tiro, polichinelo) e esforço mediano durante algum tempo (correr) aumentem as freqüências, que deverão apresentar valores mais baixos conforme cessa a necessidade de energia, isto é, após o encerramento da atividade física. Baseando-se nesses resultados, as hipóteses para explicar essas variações devem ser defendidas.

Será interessante trabalhar em duplas, com um cronometrando e o outro se exercitando, e depois inverter os papéis; além disso, as trocas de opiniões podem enriquecer a proposta. A partir daí, podem se seguir aulas expositivas apresentando o funcionamento dos sistemas circulatório e respiratório. No final, peça aos alunos que confrontem seus novos conhecimentos com as hipóteses levantadas, reescrevendo, se necessário, o produto inicial.

Se não contar com um bom espaço, trabalhos musculares que possam ser feitos em pouco espaço (abdominais, flexões) são uma boa saída. Outra boa ampliação é pedir a elaboração de gráficos sobre recuperação, usando os valores obtidos (repouso, término da atividade, após um minuto, após três minutos). O mais importante é verificar se as hipóteses dos alunos relacionam as várias observações, inclusive a presença de suor e a vermelhidão, com argumentos lógicos, e se são capazes de reelaborar, se necessário, sua explicações.
09:23

O atletismo na Educação Física escolar



Objetivos
- Conhecer alguns elementos do atletismo como modalidade esportiva olímpica.
- Refletir sobre a questão do gênero nas modalidades esportivas.

Conteúdos
- Conceituação do atletismo.
- Jogos e situações próximas às da modalidade oficial.
- Competições oficiais e as diferenças de gênero.

Anos
4º e 5º.

Tempo estimado
Sete aulas.

Material necessário
Cordas, garrafas PET com um pouco de água, giz, bambolês, cones, fita crepe, jornal, fita adesiva grossa, cabos de vassouras, caixas de papelão, barbante, cartolina ou papel pardo.

Desenvolvimento
1ª etapa
Pergunte aos alunos o que eles conhecem sobre o atletismo. Em seguida passe um vídeo que mostre imagens de diversas provas, como esse e esse. Discuta o vídeo com os alunos, buscando construir um conceito sobre esse esporte. Deixe que se manifestem, complemente, corrija equívocos e responda às perguntas que surgirem. É importante ressaltar que a modalidade engloba diversas provas, a maioria individual. Agrupe-as para melhor entendimento dos alunos: corridas, saltos, arremessos e lançamentos, explicando que existem variações. As corridas, por exemplo, incluem as de velocidade de 100 e 200 metros, de revezamento, de obstáculos, com barreiras, maratona etc.

Escolha uma das provas em conjunto com os alunos ou faça uma sugestão, como a corrida de velocidade, que pode ser feita de uma extremidade à outra da quadra. Primeiramente, separe meninos e meninas explicando que nas modalidades de corridas oficiais essa é regra (esse será o único momento em que eles estarão separados). Depois, coloque-os para correr juntos, divididos em grupos mistos menores. Quem estiver esperando a vez fica responsável por marcar os tempos ou observar e anotar quem chega primeiro.

Em seguida, proponha um jogo no qual os estudantes são colocados em duplas. Cada dupla receberá uma folha de jornal que deverá ser levada ao colega parceiro - que se posicionará à sua frente, em sentido contrário ao dele e a uma distância que pode ser de uma lateral a outra da quadra (ou de uma linha de fundo a outra). A folha deve ser colocada em contato com o corpo, sem ser dobrada, ou segurada pelas mãos. Vence a dupla que conseguir fazer o trajeto primeiro. (neste caso, quem está com a folha leva para o parceiro, chegando ao lado oposto à sua posição inicial. O parceiro então, pega a folha e a leva para o outro lado, de onde saiu seu companheiro). A dupla que conseguir fazer essa troca de lugar levando a folha de jornal junto ao corpo andando rápido, mas sem correr, vencerá. Esse mesmo jogo poderá ser feito com mais estudantes, assim, a equipe que trocar de lugar primeiro, levando o jornal desse mesmo modo, vence o jogo.

Concluídas as duas atividades, organize uma roda de conversa e incentive todos a comentar as vivências, identificando o que foi aprendido e de que forma, ou a apresentar dúvidas. Fale sobre as diversas provas de corrida de velocidade e as características básicas delas: distâncias curtas, saídas baixas (com blocos de partida, para dar impulso) e velocidade como capacidade física fundamental. Incentive a discussão sobre a questão do gênero, sempre mostrando um olhar crítico, e incentive a superação de preconceitos. Comente sobre a corrida individual, por gênero e depois mista, perguntando como foi para os alunos essa vivência. Exponha as questões fisiológicas que permeiam as competições olímpicas que separam os atletas dessa forma.

2ª etapa
Retome as atividades da aula passada, relembrando as características básicas das corridas de velocidade, e proponha a prática de um jogo - que deve ser comparado aos realizados anteriormente. Divida a turma em grupos mistos com aproximadamente oito integrantes cada. Se as equipes ficarem com o número desigual basta um aluno participar duas vezes. Organize-os em colunas distantes 2 metros uma das outras numa das laterais da quadra.

Um aluno do grupo fica do lado oposto da quadra e, ao seu sinal, sai em busca do colega que está no inicio da coluna à sua frente. Lá chegando, ele segura esse colega pela mão e os dois voltam para lado oposto da quadra. Os dois dão meia volta e buscam o próximo da fila, sem soltar as mãos. Ganha a equipe que se transferir mais rapidamente para o outro lado da quadra.

Terminado o jogo, reúna os estudantes num roda de conversa e peça que exponham suas reflexões sobre a prática e a construção do conhecimento acerca dela. Faça um comparativo com as características das corridas de velocidade e as de resistência, buscando levantar os elementos que caracterizam essa última: distâncias longas, saída alta (em pé) e resistência aeróbica como capacidade física principal.

3ª etapa
Resgate as vivências realizadas nas aulas anteriores e, em seguida, pergunte o que as crianças sabem sobre o espaço onde ocorrem as competições de atletismo. Discuta o tema e proponha que todos juntos construam uma pista na quadra. Você pode propor a utilização de giz ou fita crepe para contornar o espaço e construir pelo menos duas raias. Outra opção é o uso de cones ou garrafas PET com água. Feitas as raias, explique que há diferença no comprimento da interna e que, por isso, quem está nela tem de largar de uma marca localizada mais atrás.

Proponha, então, uma corrida de velocidade entre os alunos nesse espaço. Se não for possível fazer várias raias, peça que alguns alunos marquem os tempos dos outros e anotem os nomes numa cartolina ou papel pardo para posterior análise. Nesse período, os que não estiverem participando devem realizar outra atividade. Depois, organize uma corrida de revezamento utilizando cabos de vassouras cortados ou canudos de jornal. Coloque-os em grupos mistos e ressalte a importância do trabalho em equipe.

No fim, forme uma roda de conversa para todos exporem as reflexões sobre as vivências e o que aprenderam com elas. Retome o cartaz com os nomes e os tempos para uma análise conjunta dos melhores tempos e equipes. Levante as razões dos resultados e a questão de ganhar e perder. Aponte se houve mais meninas que meninos com tempos melhores, incentivando o debate. Cada turma terá um cenário diferente. O importante é levar os alunos a analisar os resultados de forma crítica, observando as inúmeras questões que envolvem a competição e as diferenças de gênero. É possível que apareça uma menina mais rápida que todos os meninos ou não. A discussão é válida em ambos os casos para acabar com os preconceitos.

4ª etapa
Recorde o que foi abordado nas aulas anteriores, comparando os dois tipos de corrida e suas características principais. Aponte para a importância da vivência na pista construída e proponha o uso dela para as corridas de resistência. Como seria possível utilizá-la tomando por base as características desse tipo de competição? Em cada turma surgirão ideias diferentes. Uma possibilidade é o jogo do mensageiro. Divida os alunos em dois ou três grupos, que deverão numerar seus participantes. O número 1 de cada equipe receberá uma mensagem a ser levada ao rei tendo que, para isso, dar três voltas na pista. Depois, ele passará a mensagem para o próximo mensageiro do seu grupo (número 2) até que ela chegue ao rei. O grupo que levar a mensagem ao rei primeiro vence o jogo. No fim do jogo, discuta com todos sobre o que sentiram e aprenderam. Em seguida, conte a história da maratona, de forma a despertar a curiosidade e a imaginação da garotada.

5ª etapa
Faça uma revisão do que foi aprendido até então, sempre com base no que os alunos mencionarem. Inicie a construção do conceito de marcha atlética, questionando-os a respeito da única prova de atletismo que se faz andando. Proponha o jogo pega congela andando. Dois ou mais pegadores devem encostar a mão nos demais para congelá-los e quem está livre tem de descongelá-los da mesma maneira - mas ninguém pode correr, somente andar. Mude os pegadores a cada 2 a 3 minutos. Após esse jogo, converse sobre os movimentos necessários durante a brincadeira e incentive as discussões sobre o tema buscando construir o conceito de marcha atlética. Em seguida, explique a diferença entre essa prova e as anteriores, como a inexistência da fase aérea (presente na corrida).

Em seguida proponha uma atividade de pega-pega em duplas. Numa das laterais da quadra, os alunos são posicionados um na frente do outro, os dois voltados para a mesma direção. A distância entre eles deve ser de três passos. Ao seu sinal, a criança de trás tenta pegar a da frente, mas ambas só podem andar rápido. Ao chegarem à outra lateral as funções se invertem e o jogo se repete. A atividade pode ser retomada com a troca dos membros da dupla. Primeiro, proponha trajetos curtos para que a turma entenda a dinâmica da marcha. No entanto, é importante alterar o percurso a fim de que os estudantes fiquem mais tempo nessa movimentação. Se preferir, estabeleça um tempo para que consigam pegar o colega.

No fim da atividade volta-se à roda de conversa para que falem sobre o que sentiram e as dificuldades encontradas. Com base nisso, complemente os conceitos construídos anteriormente e trate das características dessa prova: distâncias longas, partidas altas e resistência aeróbica como capacidade física fundamental. Portanto ela se parece mais com as corridas de resistência. É importante que os alunos cheguem a essa conclusão.

6ª etapa
Retome novamente o que os alunos aprenderam anteriormente e pergunte sobre as corridas com barreiras e obstáculos, incentivando a curiosidade e a descoberta. Após essa primeira sensibilização, mostre este vídeo. Os alunos vão relembrar os outros tipos de corrida e observar imagens da de obstáculos e da com barreiras. Pensar com os alunos na possibilidade de realizar essas corridas na escola torna-se importante para criar adaptações. Proponha a colocação de barreiras feitas com cones e cordas na pista construída na quadra ou de uma extremidade à outra da quadra. Pode-se usar barbante e garrafas PET, uma sobre a outra. Para isso, corte a boca de algumas garrafas e encaixe uma na outra até a altura desejada. Coloque água ou terra na garrafa de baixo. Prenda o barbante na boca da de cima.

Incentive os alunos que ficarem com medo de tropeçar ou mesmo de fracassar. Deixe que eles experimentem antes de começar a corrida de uma forma mais competitiva, sempre lembrando que o objetivo da aula é diferente do relativo ao esporte oficial. Forme dois ou três grupos. Cada integrante receberá um número. O primeiro realiza o trajeto, volta, dá o sinal para que o segundo vá e assim por diante. A ideia de formar grupos visa dinamizar a aula, pois o elemento competitivo é motivador. Além disso, estimula o trabalho em equipe e o respeito às diferenças de gênero, de habilidades e às pessoas com deficiências.

Em seguida construa com as crianças os obstáculos para outra modalidade de corrida. Podem ser usadas as mesmas barreiras da vivência anterior e também caixas de papelão grandes ou outros materiais disponíveis. Lembre-se de deixar a turma explorar os materiais antes da competição em grupos, de estabelecer um percurso mais longo ou indicar que os participantes passem duas ou mais vezes pelo percurso, apontando aí uma das diferenças entre as duas corridas. Depois, organize uma roda de conversa expondo as reflexões e os apontamentos e fazendo a construção de conceitos sobre os dois tipos de corridas e suas características.

Avaliação
Em cada roda de conversa deve ser feita uma avaliação por meio da observação com relação à participação dos alunos e à compreensão deles em cada revisão realizada. Proponha uma avaliação documental sobre o que foi aprendido (por escrito ou com desenhos) para que os estudantes coloquem no papel o que aprenderam na prática sobre as diferenças entre as corridas, os elementos que cada uma delas apresenta, como eram realizadas etc.

Peça, ainda, uma autoavaliação individual para que eles reflitam sobre todo o processo de aprendizagem sobre as corridas do atletismo. Separe a autoavaliação dessa forma: 1) corridas de velocidade e resistência; 2) marcha atlética; 3) elaboração e construção do material e pista; 4) corridas com barreiras e obstáculos; e 5) Atribuição de uma nota de 0 a 5, com base em todo o trabalho, justificando os motivos da nota.

Em cada tópico os alunos irão pontuar o que foi mais e menos interessante, o que de fato aprendeu, de que momento mais gostou, como foi participar do processo e o que mudaria para melhorar a forma de trabalhar com o atletismo. Cada ponto tem de ser justificado. Lembre a todos que a autoavaliação fará parte do processo avaliativo, juntamente com a nota da avaliação documental. No fim, exponha a sua percepção sobre o desenvolvimento da turma durante o processo.

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