segunda-feira, 29 de julho de 2013

04:21

Educação física Escolar e desenvolvimento fisico do aluno


Diariamente percebemos uma situação muito comum na escola: a aula acaba, o professor de Educação Física chega à sala, os alunos comemoram, pois estão indo para uma aula diferente das outras, é hora de brincar, de correr, gritar e se divertir. Mas a final o que seria essa aula tão esperada por todos os alunos?

Durante muito tempo, estudiosos desta área vêm discutindo qual seria a melhor definição.

Pensou-se em "Educação do Físico". Contudo ela não se limita apenas na educação do corpo físico, músculos e ossos. Os profissionais envolvidos nestes estudos acreditaram que esta definição negava valores importantes, como o respeito, a moral, a ética, a cidadania, entre outros. Então não seria correto utilizar esta. Pesquisaram muito mais, propôs então "Educação pelo Físico", realmente nesta disciplina ocorre o desenvolvimento educacional do aluno, embora ainda não fosse à melhor opção, pois não seria somente o físico o responsável pela educação, seria também importante a capacidade de raciocínio que ocorre no momento da atividade física.

Passaram-se anos e anos, muitas idéias surgiram mais nada que pudéssemos parar e levar em consideração. Foi ai que criaram a "Educação Física" que atualmente possui como objetivo o corpo em movimento, interage nesta disciplina o corpo em sua totalidade, incluindo aspectos culturais, sociais, psicológicos e biológicos.

Como assim, o corpo em sua totalidade?

Durante a aula de Educação Física, seje ela como for, o aluno irá se movimentar, portanto o professor não observará e avaliará o aluno se o movimento está sendo executado corretamente ou não, um dos primeiros aspectos a ser analisado é a motivação destes pela aula, podendo assim saber se esta atividade se adéqua a necessidade e, principalmente, se algum aluno aparenta estar com algum problema, seja este na sua aula, em outra disciplina, na escola ou até mesmo em casa no qual possa estar atrapalhando o processo ensino-aprendizagem.

Como vocês devem estar percebendo o professor de Educação Física pensa no total em que o aluno representa. Por isso cabe ao professor planejar sua aula levando em consideração a bagagem traga pela criança (aspectos culturais), reação do grupo diante a atividade (aspecto social), procurando respeitar cada aluno como um ser diferente, cada qual com suas limitações e particularidades (aspectos biológicos) e sempre estimulando para que os alunos queiram aprender mais e mais com as aulas de Educação Física (aspectos psicológicos), lembrando sempre que tais aspectos devem estar sempre em sintonia, pois a aula que muitos acreditam que é perca de tempo, não é tão simples como imaginado.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

03:51

Educação Física Escolar: Fazer Hoje o Que For Possível Hoje



As novidades instaladas na Educação Física, as quais nasceram em forma de concepções e práticas que tendiam a transformação e libertação da área, na perspectiva de desenvolvê-la, voltando-a para o ser humano, trouxeram propostas diferentes de tudo o que havia sido experimentado visto que a Educação Física que se tinha até então servia para a manutenção do status quo.

Vago (1997), referindo-se ao que a Educação Física escolar vinha sendo como resultado de suas representações ao longo da história e o que ela poderia vir a ser, partindo dos esforços em problematizá-la empreendidos a partir do movimento renovador, pontua:

"’Sou um pouco de tudo o que encontrei pelo meu caminho’, escreveu Ulisses. Assim, também, penso que a educação física "de hoje" é (ou estaria sendo) resultado das múltiplas representações e práticas produzidas e realizadas sob seu nome, em seus percursos históricos, como nos ‘retratos’ há pouco apresentados. Mas é também importante registrar, neste item, um enorme esforço de problematização do ensino de educação física que estudantes e professorado de educação física vêm realizando principalmente a partir do final dos anos 70 e início da década de 80. Resultados de tal esforço podem ser notados, dentre outros, na vasta produção de literatura acerca da educação física na escola, inclusive com formulação de propostas de organização de seu ensino" (p. 6-7 grifo nosso).

É a partir desse movimento que surgem elaborações teóricas acerca da Educação Física escolar, formulando proposições com o intuito de organizar o conhecimento específico para a Educação Física, tratando de pedagogizar e metodizar tal conhecimento. Segundo Souza Júnior (1999), nem todas as propostas conseguem atender a totalidade dos pontos necessários para uma significativa contribuição ao novo enfoque. Poucas são as que atendem. Essas vão da operacionalização de conteúdos sob o ponto de vista pedagógico e metodológico, indo até o entendimento de como avaliar, porém, o autor, ao citar Castellani Filho, (1999), enfatiza: "todas essas propostas surgem num esforço de contribuir para a superação da crise instalada na Educação Física, numa tentativa de torná-la legítima e autônoma no currículo escolar" (p. 21).

Podemos verificar dois grupos de abordagens com base no quadro montado a partir da tese de doutorado de Castellani Filho(1999):


Grupo I: Concepções não-propositivas - Abordam a Educação Física escolar sem, contudo estabelecerem parâmetros ou princípios metodológicos, ou, muito menos, metodologias para o seu ensino:
Abordagem Fenomenológica - Silvio Santin e Wagner Wey Moreira
Abordagem sociológica - Mauro Betti
Abordagem Cultural - Josimar Daolio


Grupo II: Concepções propositivas - Concebem uma outra configuração de Educação Física escolar, definindo princípios identificadores de uma nova prática, subdividindo-se em (a) não-sistematizadas e (b) sistematizadas:
a- não sistematizadas::
Concepção desenvolvimentista - Go Tani
Concepção construtivista - João Batista Freire
Educação Física ‘Plural’- Jocimar Daolio
Concepção de ‘Aulas abertas’
Concepção Crítica-Emancipatória - Elenor Kunz
B- sistematizadas:

Concepção da Aptidão Física
Concepção Crítico-superadora - Coletivo de autores

No geral, dessas tendências que enriqueceram a Educação Física escolar, podemos depreender algumas significativas contribuições, tais como: conhecimento científico; pensamento crítico do professor e alunos em relação ao corpo e ao movimento; busca da criatividade; maior e diversificado envolvimento dos alunos nas aulas; maior fundamentação; diversificação de conteúdos (temas da cultura corporal); recusa ao autoritarismo; recusa ao elitismo; preocupação com a inclusão de todos (habilidosos, não-habilidosos e especiais); apelo teórico-prático (ação-reflexão-ação / saber-fazer e saber-sobre); sugestão de interdisciplinaridade; princípio da ludicidade; participação efetiva do professor nos diversos espaços e tempos escolares; proposta de avaliação.

Por outro lado, ao fazer uma revisão de boa parte da vasta bibliografia que compõe o Movimento renovador, Caparroz (1997), mesmo reconhecendo a rica contribuição dos estudos do período, tece significativos comentários críticos. Destacamos um, neste momento, com o intuito de evidenciar uma situação que deve ser evitada, mas que pode ocorrer frente ao afã na busca do conhecimento e intervenção pedagógica reconhecidos:

"Uma das saídas encontradas é a conquista do status de que gozam as outras disciplinas, como matemática e a língua portuguesa, através de atividades físicas que dessem ênfase ao desenvolvimento cognitivo. Desta forma, na tentativa de "desnudar a Educação Física escolar, com o objetivo de vê-la no seu íntimo", para melhor compreendê-la, acabam por tirar não apenas suas roupas, mas também sua pele, suas características peculiares, tornando-a tão genericamente parecida com as demais disciplinas que perde a sua especificidade. Nessa tentativa de encontrar seu status junto às demais disciplinas, a Educação Física escolar entra pelo caminho da negação de si própria(...)" (p.148).

Além dos cuidados de implantação de uma prática renovada, significativa e respeitada junto à escola, que não se submeta a desfigurar-se para garantir status, Darido (1999) nos aponta um possível caminho para o debate acadêmico, que para muitos é inadmissível. Talvez nesse sentido, o cotidiano escolar (o chão da escola) possa contribuir muito:

"(...) um modelo de Educação Física que fuja dos moldes tradicionais precisa abarcar as abordagens que tenham um enfoque mais psicológico (desenvolvimentista e construtivista) à aquelas com enfoque mais sociológico e político (Crítico-superadora e sistêmica). Reconheço que ainda temos um longo caminho na busca dos acordos do qual somos responsáveis" (p 30).

A Educação Física escolar defendida aqui é perspectivada como uma área de intervenção social, comprometida com a aquisição crítica do saber para o processo de emancipação dos seres humanos. Para tanto, considera a cultura como referência para o entendimento do corpo e do movimento humano, o que não significa excluir as outras dimensões de tal manifestação humana, desvencilhando-se da visão reducionista exclusivamente biológica que predominou ao longo de seu percurso histórico. Essa proposta de ensino-aprendizagem das questões da cultura corporal situa professor e aluno como sujeitos históricos, permitindo um diálogo constante entre eles e procura desfazer, definitivamente, as amarras que mantinham distantes corpo e cultura, corpo e pensamento.

A Educação Física enquanto disciplina do currículo escolar enfocada como uma das áreas de conhecimento a serem passadas aos alunos, tem como seu conteúdo as práticas da cultura corporal - ou cultura de movimento - (danças, esportes, lutas, jogos, brincadeiras, ginásticas etc.) inserida num contexto social amplo - do local ao global, do ontem ao hoje - considerando o movimento humano como produção social acumulada ao longo da história.

Como tratamento desse conteúdo, o melhor caminho se encontra na relação dialética entre teoria e prática com o objetivo da valorização da ação-reflexão-ação - saber-fazer e saber-sobre - representando um constante desafio para professores e alunos na busca de transformação da natureza e, como conseqüência, a própria transformação do grupo. Nesse sentido, a Educação Física pode ocupar todos os espaços pedagógicos da escola, não somente as quadras como de costume, sem, é claro, perder a sua essência, o movimentar.

Agora, sabemos das dificuldades de implantação de propostas progressistas para a escola, em particular para a Educação Física. Bracht (1999) já apontava tais dificuldades que parecem perdurar. As razões são muitas e diversas. Vão desde a pressão do contexto cultural e do imaginário social da Educação Física, que persiste e é reforçado pelos meios de comunicação de massa, até o fato de que a formação de muitos dos atuais professores ocorreu em cursos de graduação cujo currículo ainda fora inspirado em paradigmas conservadores, passando pelo fato de que as pedagogias progressistas em Educação Física ainda precisam ser retocadas.

Quanto à dimensão da empreitada que se tem pela frente, Bracht (1999) nos mostra seus contornos:

"O desafio se amplia na medida em que essas mudanças ou permanências estão articuladas com as estruturas e os movimentos sócio-históricos mais amplos que são o alvo, em última instância, das pedagogias progressistas. Essas pedagogias se nutrem de um projeto alternativo de sociedade que precisa se afirmar diante do hoje hegemônico (o que nutre a resistência ao novo). Daí a importância de uma leitura adequada da realidade que possa se articular com um projeto alternativo realizável "(p. 86, grifo do autor).

Para tanto, ao finalizar essa seção, deixamos, nas palavras de Paulo Freire, citado como epígrafe por Souza Jr. (1999), o que acreditamos enquanto processo de realização de uma proposta alternativa para a Educação Física escolar:

"A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje, é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar fazer o que hoje não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã o que hoje também não pude fazer" (p. 19).

Então, mãos à obra! Fazer hoje o que for possível para a Educação Física hoje... enquanto área de conhecimento da escola.

Obs. O autor, prof Fernando Luiz Seixas Faria de Carvalho (fernandoseixas@acessa.com) é mestrando na UFJF e prof. da Faculdade Metodista Granbery

Referência bibliográfica

Betti, Mauro. Educação Física e Sociedade. São Paulo: Editora Movimento, 1991.
Bracht, Valter. Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre: Magister, 1992.
¬¬¬__________. Educação Física / Ciências do Esporte: que Ciência é essa? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Maringá, V. 14, n. 3, p. 111-118, mai. 1993.
¬¬¬__________. Educação Física: conhecimento e especificidade. In: SOUSA, Eustáquia S. & VAGO, Tarcísio M. (Orgs.). Trilhas e Partilhas: educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. Belo Horizonte: UFMG, 1997.
¬¬¬__________. Educação Física & Ciência: cenas de um casamento (in)feliz. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 1999.
¬¬¬__________. A constituição das teorias pedagógicas da Educação Física. Cadernos CEDES. Antropologia e educação: interfeces do ensino e da pesquisa. Campinas, v. XIX, n. 48, p. 69-88, 1999.
Caparroz, Francisco E. Entre a Educação Física da Escola e a Educação Física na Escola: A Educação Física como componente curricular. Vitória: UFES, Centro de Educação Física e Desportos. 1997.
Castellani Filho, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.
Darido, Suraya C. Educação Física na Escola: questões e reflexões. Araras, SP: Ed Topázio, 1999.
Souza Junior, Marcílio. O saber e o fazer pedagógicos: a educação física como componente curricular? Isso é história! Recife: EDUPE, 1999.
Vago, Tarcísio M. Rumos da Educação Física Escolar: o que foi, o que é, o que poderia ser. Anais do II Encontro Fluminense de Educação Física Escolar. Niterói: UFF, 1997.
¬¬¬__________. Cultura escolar, cultivo de corpos: Educação Physica e Gymnastica como práticas constitutivas dos corpos de crianças no ensino público primário de Belo Horizonte (1906 - 1920). Bragança Paulista: EDUSF, 2002.


Por: Fernando Luiz Seixas Faria de Carvalho.
IX EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

quarta-feira, 17 de julho de 2013

06:24

A criança deve correr sem cobrança


Embora a criança não seja uma miniatura de gente, sabe-se que o sistema cardiovascular desenvolve e reage ao treinamento aeróbio e/ou de resistência da mesma forma que os adultos proporcionando uma boa base para outras valências físicas como a velocidade, e os diferentes tipos de força. Significa dizer que a corrida, o ciclismo e a natação de maior duração são indicados às crianças e adolescentes. Maior duração não é a mesma coisa que longa duração e ou distâncias exageradas.

DICA DO BLOG: Melhores Celulares, Monitores Cardíacos e Tablets.

Essas atividades devem ser estimuladas de forma lúdica e ao gosto da criança sem a obrigação de percorrer distâncias fixas deixando-as livres para interromper conforme o cansaço individual.

Estudos bem conduzidos mostram que a capacidade máxima de consumo de oxigênio da criança fisicamente ativa aumenta proporcionalmente ao crescimento. Em compensação a capacidade anaeróbia é mais limitada aumentando somente a partir da adolescência em função da maturação hormonal. Antes da adolescência a diferença entre meninos e meninas é pequena chegando em alguns casos, meninas até serem mais rápidas que os meninos.

As fases ótimas para desenvolver a resistência aeróbia seriam 10 - 12 e 17 - 18 anos de idade. Dos 13 aos 16 podem, ser chamados de períodos de transição marcados por um conjunto de características anatômicas e funcionais onde pode ser melhorada a coordenação motora a força e a endurance. Um fundista deve começar a ser preparado a partir dos 10 anos de idade, mas com certa cautela. Se por um lado essa é a melhor idade para começar, por outro, os excessos podem levar a um abandono precoce da carreira. A preparação de um fundista leva de 10 a 15 anos. Um atleta que atinge o pico de performance muito cedo, pode não agüentar muitos anos com os rigores do treinamento principalmente por causa da cobrança ser cada vez maior. Uma criança já tendo talento esportivo para as provas de fundo aos dez anos deve contar com um planejamento lento gradual e progressivo em longo prazo. O problema é quando esses jovens atletas esbarram nas vaidades de técnicos interessados em promoção pessoal colocando-as em tudo quanto é campeonato juvenil tirando proveito da fama de ser "supostamente" um bom técnico. Para "esses", não interessa a saúde da criança. O técnico ou profissional de Educação Física é, em princípio, o principal responsável por conduzir e cuidar bem da carreira do atleta. É a pessoa detentora do conhecimento. Não deve, por questões éticas e princípios, se render às pressões de dirigentes inescrupulosos. A transformação do corpo é muito rápida e essa é a época em que o adolescente precisa estar física e emocionalmente bem orientado para suportar todas essas transformações.

Até hoje, desde os estudos de Hollman 1978, tem sido citada a variação dos níveis de lactato durante as diversas faixas etárias. Aos três anos 1,8 mmoles, cinco anos 2,0 mmoles, sete anos 7 mmoles até atingir os 16 a 18 mmoles por volta dos 25 anos de idade.

Prova-se assim, que as crianças têm capacidade de participar de corridas curtas e rápidas ou as de maior duração de média velocidade. Pesquisadores citam serem inadequadas as competições de 600 a 800 metros por apresentarem altos valores de concentração de lactato, teoricamente dissipado somente uma hora depois do estímulo.

Da mesma forma o teste ou avaliação de desempenho usando essa distância pode não ser adequado ou válido. Ou seja, elas acumulam lactato, mas a capacidade de dissipar é pequena. Essa capacidade de acumular o lactato parece obedecer a uma ordem biológica porque mesmo crianças melhores treinadas ou mais desenvolvidas, essa valência física não apresenta evolução significativa.

Ao entrar na adolescência nota-se um crescimento longitudinal e depois transversal ou ponderal. Aí entra a vantagem da musculação encorpando o adolescente e definindo a massa muscular.

Os programas na segunda infância devem proporcionar variedade de movimentos, oportunidade que a escola deve dar aos alunos, ficando a cargo do profissional de Educação Física. O plano de aula deve ser calcado nesses fundamentos e não apenas na preferência pessoal.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

13:49

Plano de aula: Beisebol e taco na escola


Objetivos

Adaptar materiais e espaços para a prática de taco e beisebol.
Democratizar o aprendizado de modalidades esportivas raramente praticadas na escola.
Apresentar e reelaborar regras.

Conteúdos
Jogo de taco.
Beisebol.

Anos
6º e 7º.

Tempo estimado

Dois meses e meio.

Material necessário

Cinco pares de tacos, que podem ser roliços (cabos de vassoura) ou achatados (ripas), com cerca de 1 metro de comprimento, cinco bolas de borracha (como as de frescobol) ou de tênis (encapadas com tecidoamarelo), cones, latas de refrigerante, garrafas PET e varetas de madeira (para montar as casinhas do taco) e giz (para delimitar espaços na quadra e desenhar as bases do campo de beisebol).

Desenvolvimento
1ª Etapa

Apresente o objetivo do projeto.Pergunte se os alunos já praticaram taco e beisebol e se ouviram falar deles. Explique sobre regras, espaço, materiais e habilidades que eles desenvolvem como arremesso, rebatida e corrida.

Proponha o jogo de taco e use seis aulas com ele. Forme grupos de quatro e separe-os em duplas (um menino e umamenina). Meça a quadra e divida-a para que quatro ou mais grupos joguem ao mesmo tempo. Fale da importância de dosar a força da rebatida para evitar acidentes.

Faça com que os mais e os menos experientes joguem juntos e peça que pensem em maneiras de diversificar as duplas e os quartetos. Durante a atividade, direcione questões a grupos específicos perguntando, por exemplo, como é melhor usar o taco quando a bola vem rasteira ou mais alta. Dessa forma, eles melhoram a capacidade de tomar decisões.

Converse sobre o que foi bom e o que foi ruim na prática e faça com que pensem em regras mais complexas, respeitando o nível de desempenho dos colegas. O foco do projeto não é desenvolver nosestudantes técnicas refinadas, mas prepará-los para dar respostas eficientes aos problemas surgidos.

2ª Etapa

Relembre as características e as regrasdo beisebol e aponte as semelhançascom o taco como a rebatida, quedeve lançar a bola para longe a fimde conquistar mais pontos. Peça ajudapara adaptar o jogo à quadra da escola.

Nas primeiras partidas, use a formade um quadrado em que cada quinacompõe uma base, com uma garrafa PET como ponto de referência. Nas aulas finais, a quadra ganha oscontornos de um losango e as basespassam a ser círculos desenhados comgiz.

Ao lado de cada um deles fica umjogador. Use primeiro uma ripa demadeira como taco e depois passe parao cabo de vassoura. Sugira mudançasna regra de rebatida (na oficial, quem erra três rebatidas é eliminado).

Por exemplo: ao ser lançada, a bola pode quicar para facilitar a rebatida e o arremessador tem quantas chances forem necessárias até que o rebatedor acerte e possa revezar a função com os colegas. Estabeleça com todos o valor dos pontos das bases conquistadas e da volta completa no campo.

Divida a turma em duas equipes, com equilíbrio entre meninos e meninas, e dê autonomia para que decidam suas funções (capitão, rebatedor e receptor, jogadores de base e jardineiros, que ficam espalhados no campo).

Proponha o revezamento das funções entre os jovens e também entre os times, de ataque e de defesa. Reserve oito aulas para a prática e proceda como nas aulas sobre o taco, intervindo quando necessário e propondo novas regras. Se for possível, leve a garotada para visitar campos, assistir a partidas e conhecer uma associação de beisebol para que um dos responsáveis pela entidade explique como é a rotina desses profissionais.

Produto final
Campeonato

Reserve uma aula para a organização de um campeonato. Divida a turma em comissões de premiação, montagem de tabelas, arbitragem e divulgação do evento na escola e na comunidade. Os jogos devem ser realizados em outras três aulas.

Avaliação
Organize disputas para observar o conhecimento que os alunos têm das regras das modalidades propostas. Discuta com eles os conhecimentos práticos e teóricos adquiridos nas aulas e dê um questionário sobre os jogos para que respondam em duplas. Peça que cada um avalie, por escrito, o projeto e sua própria participação.

Marcelo Barros da Silva
é consultor e selecionador do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

03:37

Plano e Aula: Fundamentos e prática do handebol

Objetivos
- Conhecer a origem do handebol (distinguir ano e país de origem, quem a criou, onde e por quem era praticada).
- Aprender as regras básicas da modalidade e suas estratégias.
- Praticar o handebol com todos os alunos.
- Aprender estratégias como: postura individual defensiva,
deslocamentos com e sem a bola, paradas bruscas, mudanças de direção, identificação de companheiro desmarcado, utilização racional do drible, adaptação à bola e recepção, passe e arremesso.
- Aprender a trabalhar em equipe.

Conteúdos

- Origem e evolução do handebol.
- Fundamentos da modalidade.
- Regras e definições das estratégias ofensivas e defensivas do esporte.
- Trabalho em equipe, comunicação e respeito à diversidade.

Anos
8º e 9º anos.

Tempo Estimado

Quatro aulas.

Materiais necessários

- Coletes, bolas de borracha ou de iniciação esportiva, bolas de handebol, cones, bambolês ou giz.
- Computadores com acesso à internet, ou jornais e revistas para pesquisa.

Flexibilização
Para alunos com deficiência física (sem mobilidade nos membros inferiores)
Para incluir o aluno cadeirante na prática esportiva, a atividade com o cone pode ser feita com toda a turma sentada em cadeiras com rodinhas. Peça que os alunos sugiram estratégias de defesa e ataque nesta posição e valorize os movimentos dos membros superiores. As cadeiras com rodinhas podem ser usadas também durante a aula 3, na condução da bola entre os membros da equipe.

Desenvolvimento

Aula 1
Comece descobrindo o que os alunos já sabem sobre handebol. Pergunte se alguém já jogou antes ou se sabe como jogar. Sugira comparações com modalidades mais conhecidas, como futebol, indicando as semelhanças, como o gol e a presença da rede. E mostre também as diferenças, como o ritmo de jogo e a prática de lançar a bola com as mãos. Aproveite para questionar se conhecem algum jogador de handebol ou se já assistiram alguma partida antes.
Encaminhe os alunos à biblioteca ou à sala de informática e peça para pesquisarem a origem e evolução da modalidade. Se não houver computadores disponíveis, faça uma pesquisa prévia e leve revistas e jornais para os alunos. Uma sugestão é o site da Federação Paulista de Handebol, que conta a história do esporte. Antes do fim da aula, peça que todos compartilhem o que descobriram.

Aula 2

Inicie propondo um aquecimento chamado "Quadrado de fogo". Delimite uma área, pode ser com quatro cones, e explique que todos os alunos devem ficar dentro deste quadrado, exceto um, que começará com a bola do lado de fora. Explique as regras para todos os alunos. Diga que o jogo funciona como uma queimada. Quem está fora do quadrado tenta "queimar" um jogador de dentro. Caso a bola seja agarrada por alguém dentro do quadrado ou que permaneça nesta região, deverá ser lançada para fora. Quando o primeiro aluno for "queimado", ele irá para fora do quadrado e o aluno que o "queimou" entrará no quadrado. A partir daí, ninguém mais entrará. Cada aluno que for "queimado" sairá do quadrado e ajudará a "queimar" os que lá dentro estão até que reste apenas um - o sobrevivente. O desafio final será a turma toda tentar queimá-lo. Se a turma for muito grande, uma ou mais bolas podem ser, gradativamente, acrescentadas ao jogo.

Em seguida, converse com os alunos sobre a importância do alongamento para a prática esportiva. Oriente a execução correta e uma sequência adequada focada nos membros inferiores, ombros e costas, partes do corpo solicitadas durante a aula e nos jogos de handebol.

Para treinar algumas estratégias de defesa e ataque, forme uma roda ao redor de um cone posicionado dentro de um bambolê ou em uma área delimitada com giz no centro da quadra. Dois alunos devem ficar na posição de defesa, se deslocando para proteger o cone, enquanto quem está na roda tenta arremessar a bola e derrubar o cone. Quem derrubar o cone irá para o centro da roda com quem havia feito a tentativa anterior e ambos se tornarão defensores. Os que defendiam assumem uma posição na roda, passando a atacantes. Conforme o desenvolvimento da atividade acrescente mais uma ou duas bolas ao jogo. Finalize alongando mais uma vez.

Aula 3
Em quadra, conduza o alongamento com foco nos membros inferiores, ombros e costas. Divida os alunos em duas equipes. As redes deverão ser ocupadas, cada uma por dois alunos, um de cada equipe. Os demais ficam espalhados ao longo da quadra. O objetivo é fazer no mínimo dez passes entre os companheiros, a partir do centro. Feito isso, o grupo marcará um ponto. Avise que o drible não será permitido. Quem conseguir continuar com a posse da bola e fazê-la chegar até o companheiro de equipe que está dentro de qualquer uma das áreas, marca um ponto adicional.

O aluno que receber a bola dentro da área terá direito a um tiro de 7 metros (uma espécie de pênalti no handebol) e o integrante da equipe adversária que ocupa a mesma área tentará defendê-lo. Se o tiro de sete metros for convertido, a equipe marcará mais um ponto. No caso de as possibilidades de pontuar se esgotarem, o jogo será reiniciado no centro da quadra pela equipe que sofreu o ponto. Se a equipe defensora recuperar a bola devido a uma infração do ataque, o jogo prosseguirá com a cobrança da infração no ponto mais próximo em que esta ocorrer. Termine com o alongamento.

Aula 4
Comece orientando o alongamento da turma, com foco nos membros inferiores, ombros e costas. Então, proponha um jogo em que a cada 5 ou 6 pontos marcados pelo ataque ou pela defesa, as funções se invertam. Os gols contam pontos para o ataque, enquanto que as defesas feitas pelo goleiro sem possibilidade de um novo arremesso e as bolas recuperadas, contam pontos para a defesa. Pode-se combinar um esquema para o rodízio dos goleiros como, por exemplo, o atacante que perdeu a última bola ou realizou um último arremesso defendido pelo goleiro assume esta função. No final, sugira que os alunos que terminaram o último jogo na função de goleiros conduzam o alongamento, com supervisão do professor. Corrija possíveis erros e destaque a importância de alongar corretamente para evitar dores e lesões.

Avaliação
Observe a participação de todos os alunos durante as etapas de pesquisa, discussão em sala e nas atividades práticas propostas. Espera-se que, ao final da sequência, eles saibam mais sobre a origem e as regras do handebol, aprendam alguns fundamentos e jogadas da modalidade e aprimorem suas estratégias de jogo.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

03:45

Alguns jogos recreativos para incrementar sua aula!


Os jogos recreativos são importantes porque desenvolvem a criança na sua inteligência, no seu corpo e na sua socialização. Os jogos recreativos divertem a criança, ela brinca sem perceber que eles trazem benefícios a ela. Tanto na educação física como em outras disciplinas pode-se utilizar desses jogos para desenvolver conteúdos programáticos, habilidades das crianças na educação infantil e no ensino fundamental.

Abaixo alguns jogos divertidos.

Queimada Invertida
Material: Bola de Vôlei ou de Borracha
Desenvolvimento: É dividida a turma em dois times, um time em cada lado da quadra, é escolhido o quadra campo. Começa a queimada e quando um aluno é queimado ele passa para a outra equipe. Vence a equipe que conseguir ficar com mais aluno no seu time.

Futsal Recreativo
Material: Cabo de Vassoura e bola de tênis
Desenvolvimento: Formado duas equipes com 5 alunos cada, cada aluno com um cabo de vassoura de 1 metro. Objetivo é fazer gol no time adversário empurrando a bola com o bastão. Não é permitido entrar na área, pois também não existe goleiro, e também se o cabo de vassoura toca no adversário é falta, na marca do Pênalti sem goleiro.

Handebol Recreativo
Material: Bola de Handebol e Bambo lê
Desenvolvimento: Dois times de 6 alunos, ½ quadra e um bambo lê amarrado no gol. Cada bola que passar por dentro do bambo lê vale um gol. Quando a bola não passar pelo meio do bambo lê a equipe que arremessou perde a posse da bola; a outra equipe dará saída no circulo central.

Handebol
Material: Bola de Handebol e Bambo lês.
Desenvolvimento: é divido em duas equipes os alunos, espalhados os bambos lês pela quadra e os alunos ficam dispersos na quadra. O objetivo do jogo é a troca de passe, a equipe que fizer 10 passes seguidos marca ponto. Para que a equipe possa começar a contar os passe é necessário um aluno fizer o passe para outro aluno e ele cair dentro do arco (Bambo lê) quando receber a bola. Não é permitido ficar esperando o passe dentro do bambo lê e assim que conseguir receber um passe não pode ficar mais de 5 segundos dentro do bambo lê no chão.

Vôlei Recreativo
Material: Bola de Vôlei e rede de vôlei armada
Desenvolvimento: Formado dois times, um em cada lado da quadra, então começa o jogo de vôlei adaptado (segura a bola com as duas mãos, saque depende da força do aluno). Então um aluno saco, o do outro time pega, passa a bola pra 3 colegas e então o 3º pega e joga pro campo adversário, se a bola caiu no chão, então todos da equipe que deixaram a bola cair tem que fugir para o funda da quadra sem que ninguém seja pego. Se pegar o aluno passa para o outro time e fica com mais alunos.
Variação: Quando for ponto e o aluno ser pego, é marcado ponto e conta mais um ponto para cada aluno que foi pego.

Basquete Recreativo
Material: Bola de Basquete e Coletes
Desenvolvimento: Formado dois ou mais times, o jogo se passa na quadra de basquete. O objetivo é fazer o a bola passar por 10 alunos, quando isso acontece o time marca um ponto. Explicar os tipos de passe para os alunos ”Peito, Picado, Sobre a Cabeça e de Ombro” e os fazer usarem os passes. “Não é permitido tocar no aluno que está com a bola e nem na bola, o aluno que está com a bola pode ficar com ela em suas mãos até 5 segundos, não pode andar e nem bater a bola” se alguns desses itens forem violados será marcado e cobrada uma falta.
Variação: Mesmas regras, mas introduzindo a cesta.

Pega -Pega
O pega-pega é uma brincadeira infantil muito conhecida. Pode ser jogada por um número ilimitado de jogadores e possui inúmeras variantes. De modo geral, o jogo consiste em dois tipos de jogadores, os pegadores e os que devem evitar ser apanhados. Cada variante do jogo possui uma forma diferente de se estabelecer como os demais serão pegos, em geral por meio de um toque. Quem for tocado, automaticamente vira o pegador dependo do modo da brincadeira.

Pega-Pega Congelante

Desenvolvimento: Apenas um aluno como pegador, objetivo é tentar congelar os outros alunos. Para o aluno congelado ficar livre novamente, um dos alunos livres deve passar por das penas do aluno congelado. 1.2 Pega-Pega por Baixo das Penas
Material: -
Desenvolvimento: É formado um circulo com todos os alunos e são escolhido um pegador e um fugitivo. O pegador pega o fugitivo, se pegar inverte as ações. O fugitivo também pode passar por baixo das pernas de alguém no circulo aí o pegador vira fugitivo, o aluno que passou por baixo das pernas fica sentado no lugar do aluno que agora virou pegador.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

10:41

As finalidades e os objetivos da educação física escolar



21/10/2010 - Allan José Silva da Costa

Introdução:
No mundo atual observa-se a presença de uma realidade estimuladora da competitividade entre os homens e, infelizmente, a educação física também se enquadra neste contexto visto que hoje em dia parece assumir um caráter de treinamento ou adestramento do movimento corporal (Santin, 1987). Na escola o ambiente não é diferente e por este motivo as aulas de educação física se transformaram em verdadeiros treinamentos desportivos que visam colocar os alunos como “ máquinas de rendimento” as quais tem por fim atingir a capacidade de obtenção dos melhores resultados nas competições inter-escolares.

Perante esta situação descrita acima o presente artigo parte do seguinte problema: será que podemos alterar a realidade da educação física escolar de modo a colocá-la novamente no seu eixo educativo em detrimento de seu caráter adestrador observado na atualidade ? ao longo deste texto tentaremos responder a esta pergunta e por conseqüência resolver tal problema, sendo que para isto elaboramos algumas metas a serem atingidas. Estas metas consistem em: 1) identificar quais são as verdadeiras finalidades e objetivos da educação física escolar e 2) analisar um modo de como chegar a atingir tais objetivos durante as aulas nas escolas. Se ao final deste estudo tais metas forem alcançadas acreditamos que o conteúdo aqui descrito será de fundamental importância para nós, educadores físicos, pois como profissionais da área é importante que tenhamos conhecimento do que na verdade a educação física escolar se propõe e de que maneira podemos atuar no sentido de fazer com que ela não se transforme em uma simples atividade onde o aluno acaba com aparência cansada, extenuada e incapaz de retomar o restante das atividades escolares, como acontece normalmente hoje em dia.


A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E SEUS OBJETIVOS: COMO ATINGI-LOS ?
Ao contrário do que muitos pensam a educação física escolar não deve ser totalmente dissociada do esporte, já que um de seus objetivos consiste em promover a socialização e interação entre seus alunos, o que há de se reconhecer que o esporte proporciona. O grande questionamento que se faz a respeito do esporte na escola é que ele muitas vezes transfere para o aluno uma carga de responsabilidade muito alta quanto à obtenção de resultados, o que afeta a criança psicologicamente de uma forma negativa (Barros Neto, 1997). Desta maneira, as atividades recreativas e rítmicas poderiam ser consideradas como meios mais eficazes para promover esta socialização dos alunos que a educação física escolar tanto apregoa, uma vez que normalmente são realizadas em grupos os quais obedecem ao princípio da cooperação entre seus componentes, estimulando assim a criança em sua apreciação do comportamento social, domínio de si mesmo, autocontrole e respeito ao próximo.

Outro objetivo da educação física escolar consiste no estímulo a atividade criativa do aluno. Segundo Le Boulch (apud Barros e Barros, 1972) as crianças que estão na faixa etária entre 2 e 7 anos devem ser estimuladas ao máximo em sua capacidade de criação e por isso as aulas de educação física na escola devem basear-se no atendimento aos diversos aspectos naturais da vida ao ar livre e na liberdade de movimentos, ou seja, expansão de atividades espontâneas e criativas. Assim, por exemplo, para fazer com que a criança desperte mais sua capacidade de imaginação o professor pode oferecer uma aula através de atividades rítmicas na qual peça a seus alunos para se movimentarem livremente de acordo com o som que estão ouvindo, ao invés de determinar quais movimentos cada aluno deve fazer a uma ordem sua. Também neste período entre 2 e 7 anos ocorre um fato muito importante para o estímulo à criação nas crianças, uma vez que é neste espaço de tempo que elas aprendem a ler e assim descobrir um novo mundo, repleto de atrações e de novas situações que contribuem para aumentar-lhes o poder imaginativo concorrendo, assim, para o desenvolvimento de sua capacidade criativa. Ainda neste contexto, Gonçalves (1997) nos fala da importância existente no fato de o professor proporcionar aos alunos movimentos portadores de um sentido para os mesmos, uma vez que movimentos mecânicos realizados abstratamente só contribuem para a inibição da criação e da participação dos alunos em aula e, por conseqüência, os torna indivíduos que deixam de interpretar o mundo por si próprios e passam a interpretá-lo pela visão dos outros.

Mais um objetivo da educação física escolar consiste no desenvolvimento orgânico e funcional da criança, procurando, através de atividades físicas, melhorar os fatores de coordenação e execução de movimentos. Para atingir este objetivo, Barros e Barros (1972) nos fala que:

(...) “as atividades de correr, saltar, arremessar (atletismo ligeiro), trepar, pendurar-se, equilibrar-se, levantar e transportar, puxar, empurrar, saltitar, girar, saltar corda permitem a descarga da agressividade, estimulam a auto-expressão, concorrem para a manutenção da saúde, favorecem o crescimento, previnem e corrigem os defeitos de atitude (boa postura)”(...) (p.16)

Assim, fica claro a importância que o professor tem em proporcionar aos alunos atividades cuja caracterização permitam aos mesmos uma movimentação constante e de exploração máxima do ambiente. É evidente que estas atividades devem ser adequadas ao estado de desenvolvimento de cada criança para assim fazer com que os movimentos sejam próprios ao seu grau de desenvolvimento morfofisiológico, o que contribui de maneira significativa para o avanço orgânico e funcional dos alunos em cada etapa de sua vida escolar.

Por último destacaremos um objetivo da educação física escolar o qual consiste em desenvolver a aprendizagem de gestos e movimentos fundamentais das diferentes formas de atividades físicas e desportivas. Em torno deste tópico é que se situa a grande discussão que se faz a respeito da educação física na atualidade, uma vez que muitos o vêem como um estímulo ao simples desenvolvimento físico através de gestos e movimentos padronizados, tirando assim o caráter educacional pertencente a educação física que visa atuar sobre a formação do caráter humano e contribuir para um maior rendimento do trabalho intelectual. Sobre isto, De Marco (1995) nos mostra a educação física como sendo:

(...) “ um espaço educativo privilegiado para promover as relações interpessoais, a auto-estima e a auto-confiança, valorizando-se aquilo que cada indivíduo é capaz de fazer em função de suas possibilidades e limitações pessoais” (...) (p. 77)

Novamente o esporte será um fator prejudicial visto que em muitas vezes não respeita tais limitações pessoais em cada indivíduo e acaba por prejudicar o desenvolvimento orgânico e funcional do mesmo. Outro autor que se manifesta contra o ensino de gestos e movimentos padronizados é João Batista Freire (1991) a quem atribui à educação física um papel de ensino de movimentos respeitando as individualidades da criança, o estímulo à liberdade e à criatividade individual. Neste contexto o professor assume um “personagem” o qual deve aplicar as atividades físicas por meio de exercícios de fácil execução, com graduação para cada idade e tendo em conta a evolução física e psíquica do aluno, dando-lhe liberdade para movimentar-se espontaneamente e da forma que desejar. Estes movimentos de caráter mais subjetivo e espontâneo caracterizam o que Kunz (1994) denomina de “mundo fenomenológico dos movimentos” o qual, em sua opnião, afastaria de vez uma provável limitação existente na “educação física mecanizada” e desta forma o proveito pedagógico que poderia se tirar do processo ensino-aprendizagem seria bem maior.


CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Perante a análise e discussão dos objetivos da educação física escolar, feitas anteriormente, a conclusão mais importante a que podemos chegar deste artigo de pesquisa é que realmente existe uma necessidade de se alterar a maneira pela qual ela é exercida atualmente e, sim, é possível promover esta alteração pedagógica de modo a se tirar um maior proveito do processo ensino-aprendizagem, sendo que para isto não precisamos necessariamente abandonar os movimentos de caráter desportivo, mas adapta-los a uma realidade que não exerça sobre os alunos uma pressão constante na busca incessante de resultados. Desta forma podemos sugerir àqueles que militam na área escolar a realização de uma metodologia que estimule o aluno em todas as esferas de seu comportamento humano (motora, cognitiva, afetiva e social) e não somente a motora, como observa-se atualmente. Cabe agora a nós educadores físicos, estudarmos e conhecermos o que cada aluno pode potencialmente realizar e em quais condições pode apresentar um nível de desenvolvimento que lhe permita realizar determinados movimentos ordenados pelo professor, para que assim possamos contribuir, dentro da educação física escolar, com o avanço do processo de desenvolvimento motor o qual ocorre em todos nós, seres humanos.


(...)" pensando nestas questões volto-me para as escolas e percebo a importância de se declarar a educação motora como uma atividade prazerosa que se mostra como um fenômeno cultural com propostas educacionais. Que não privilegie apenas a competição, mas que proporcione a auto-superação. Que não se limite a conteúdos pré-determinados, mas que atenda aos anseios e às necessidades do homem. Que não se comprometa em adestrar movimentos, mas que se preocupe com a corporeidade do corpo-sujeito. Que não se fundamente numa concepção dualista, mas que saiba caminhar em direção a novos paradigmas. Que não vise ao puro rendimento motor, mas que descortine possibilidades ilimitadas de movimento" (...) (D e Marco, 1995, p.118)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
· BARROS NETO, Turíbio Leite de. Início da criança no esporte In: Exercício saúde e desempenho físico. São Paulo: atheneu, 1997.

· BARROS, Daisy., BARROS, Darcymires. Educação física na escola primária. 4 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.

· DE RESENDE, Helder Guerra. Necessidades da educação motora na escola. In: DE MARCO, Ademir (org). Pensando a educação motora. São Paulo: papirus, 1995.

· GONÇALVES, Maria Augusta Salim. SENTIR, PENSAR, AGIR: Corporeidade e educação. 2ed. São Paulo: papirus, 1997.

· KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: editora unijuí, 1994.

· SANTIN, Silvino. EDUCAÇÃO FÍSICA: Uma abordagem metodológica da corporeidade. Ijuí: editora unijuí, 1987.

· FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro. São Paulo: scipione, 1991.


Por Allan José Silva da Costa

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