segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

02:44

Educação Física nas séries iniciais: uma necessidade!



A Educação Física tem sido tratada através de diferentes enfoques, e por diversos autores contemporâneos, inclusive, grande parte deles com titulações no exterior, como é o caso de Brach, Kunz, Tojal, Shigunov, Go Tani, Neira e Nascimento, dentre outros. Muitos deles assinalam sobre a importância do movimento e da motricidade humana. É consenso que o professor de Educação Física é o verdadeiro responsável pelo desenvolvimento do conhecimento motriz e pela prática de movimentos do indivíduo.

Afirma-se que não somente a educação intelectual tem que ser preocupação dos pais com relação aos seus filhos, mas, também a Educação Motora, tendo em vista que o repertório motor adquirido na infância (quando as crianças estão entre o 1º ao 5º ano) é carregado por toda a vida do indivíduo. Dessa forma, torna-se importante e evidente a preocupação dos pais para com a educação motora de seus filhos.

Compreende-se que é no ensino fundamental, (especialmente do 1º ao 5º ano) que o professor de Educação Física deve trabalhar no sentido de fazer com que a criança adquira o gosto pela prática esportiva, ou prática de atividades físicas, orientando-a para a promoção da saúde, isso pela via da educação. Nesse sentido, as ações, atitudes e procedimentos pedagógicos dos professores de Educação Física com seus alunos, devem ser alicerçados em planejamento didático, política educacional vigente e de ação inovadora, baseada em investigação e conhecimentos científicos.

Na maioria das escolas brasileiras essa idéia é pactuada com os professores que consideram o movimento humano como meio para educar, utilizando-se para isso um termo um tanto quanto esquecido atualmente na Educação Física, que é a psicomotricidade. Dentre os estudos da psicomotricidade articulam-se os trabalhos de Le Boulch, e Parlebás, este último, nos ofereceu suas contribuições pela proposta denominada sociomotricidade, que surge dentre as mais contemporâneas na área da Educação Física.

A sociomotricidade é uma das correntes mais recentes que envolvem a área da Educação Física, e, para Parlebás, o termo psicomotricidade chamou a atenção no sentido da pessoa ser capaz de desenvolver suas capacidades mentais através do movimento. O mesmo autor defende uma ação psicomotriz quando não há interação com os outros, mas, na vivência de uma relação interativa, fala-se de uma ação sociomotriz.

A diferença entre a psicomotricidade e a sociomotricidade se dá no sentido de execução das ações, enquanto na primeira não há relação interativa, podendo acontecer individualmente; a segunda (sociomotricidade) há interação, pois participam dela, mais de um indivíduo cita-se como exemplo: os jogos desportivos coletivos e os jogos cooperativos (recreação), onde os resultados e a interação entre pessoas são bastante favoráveis.

Nesse sentido há preocupação sobre a importância do professor de Educação Física (atuando do 1º ao 5º ano) na elaboração adequada das atividades, utilizando-se para isso práticas pedagógicas contemporâneas e do conhecimento científico, enfatizando, desse modo, as atividades coletivas, objetivando alcançar a personalidade de cada aluno, através do desenvolvimento de suas capacidades e habilidades: físicas, psicológicas e sociais, e, nesse processo, certamente, a inteligência motriz estará sendo desenvolvida.

Entende-se que o objetivo primordial a ser alcançado pelo professor de Educação Física é dispor de novas formas de interação com base no movimento humano, pelo fato deste, ser o objeto de estudo da Educação Física e, como se afirmou: conteúdo essencial ao desenvolvimento humano, pois, desta forma, colaborar-se-á na formação dos alunos (1º ao 5º ano) no que diz respeito à personalidade, desenvolvimento da inteligência motriz, da interatividade e da sociabilidade, enfatizando a atividade física e coletiva.

Nós professores de Educação Física sabemos o que fazer, no entanto, falta o poder público fazer a sua parte, disponibilizando aulas nas escolas onde não há professores de Educação Física, caso que acontece atualmente em algumas escolas municipais (1º ao 5º ano) de várias cidades do Brasil, isso por força da Resolução CNE-CEB Nº 7, DE 14 de dezembro de 2010. Sabe-se perfeitamente o que é legal e o que é necessário. Há alguns prefeitos que diante da legalidade da citada resolução, cumprem a lei fielmente, mas por outro lado quando têm que realmente cumprir a lei em outras oportunidades não a cumprem.

Portanto: Jogos Olímpicos ou Educação Física Escolar?; Jogos Mundiais Militares ou Educação Física Escolar?; Copa do Mundo ou Educação Física Escolar? Educação Física Escolar é importante e necessária e vocês pais devem reivindicar e fiscalizar.

Fiquem de olho aberto para a Educação Física e seus benefícios para as crianças!

Por: Mario Roberto Guarizi

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

06:57

O que é o Cabo de Guerra?


O Cabo de guerra, também chamado de jogos da corda, é uma atividade esportiva onde duas equipes competem entre si para ver qual delas possui a maior força puxando um cabo. A prática, muito comum em atividades recreativas infantis, fez parte dos Jogos Olímpicos de 1900 a 1920. Atualmente, existe a Federação Internacional de Cabo de Guerra (Tug of War International Federation, TWIF), responsável por organizar torneios e campeonatos oficiais.

Segundo as regras internacionais, são formados dois grupos compostos por 8 participantes cada um, os quais são alinhados ao longo de um cabo de 10 cm de diâmetro. Iniciada a disputa, vence o time que conseguir puxar o grupo adversário para depois da linha central. Outra forma de vencer a disputa é conseguir fazer o oponente cometer uma falta, como escorregar, por exemplo.
06:55

10 atividades para Educação Física Escolar

1- Cabeçobol

Material: Bola de Volei

Só pode marcar gol com a cabeça, a bola deve ser passada com as mãos. Quem estiver com a bola não pode andar para marcar gol tem que receber a bola de um companheiro. Utilizei e percebi que há participação de todos e inibe o fominha com meninos e meninas jogando juntos.


2 - Jogo da Memória Humano

Pode ser realizado em sala ou fora.Do grupo, dois são escolhidos para adivinhar quem serão os pares. Para isso, são levados parafora/outro ambiente, enquanto os colegas restantes se dividem em duplas e combinam umgesto/movimento/sinal comum para ambos. Organizam-se em colunas e embaralham-se paradificultar a localização dos pares (podem trocar de mesas dentro da sala).A dupla retorna e deverá adivinhar os pares, escolhendo dois por vez, os quais executarão seugesto/movimento/sinal (como quando as peças do jogo tradicional são viradas). A dupla pode jogar de modo cooperativo ou competitivo. Após um certo número de acertos/jogadas, pode-setrocar os papéis, os pares e os movimentos combinados, enriquecendo a atividade.Favorece o trabalho a respeito das diferentes características do movimento (alto, baixo, rápido,lento, na frente, orientação espacial...), a socialização entre a turma e também aspectos cognitivos(memória).


3 -AMIGOS DE JÓ

Objetivo do Jogo:Cantando a música "Amigos de Jó", todo o grupo tem que deslocar-se na cadência e realizar osmovimentos propostos formando uma espécie de balé brincalhão.
Propósito:O propósito é fazer do jogo-dança um momento de união do grupo e proporcionar um espaço deadequação do ritmo grupal. Podem ser trabalhados
Valores Humanos como: Alegria e Entusiasmo pela brincadeira do grupo (diversão entre erros e acertos); Harmonia na busca do ritmo grupal; Parceria e Respeito para caminhar juntocom o outro.
Recursos:círculos no chão (bambolês, círculos desenhados de giz ou barbantes) em número igual ao departicipantes dispostos em um grande círculo.
Duração:Grupos pequenos jogam em cerca de 15 minutos; grupos maiores precisam de mais tempo para administrar a adequação rítmica.
Descrição:  Cada participante ocupa um bambolê ou círculo desenhado no chão.A música tradicional dos "Escravos de Jó" é cantada com algumas modificações:"aMigos de Jó joGavam caxanGá. Tira, Põe,Deixa Ficar, fesTeiros com fesTeirosfazem Zigue, Zigue, Zá (2x)"O grupo vai fazendo uma coreografia ao mesmo tempo em que canta a música. A cadência daspassadas é marcada pelas letras maiúsculas na música."aMigos de Jó joGavam caxanGá." : são 4 passos simples em que cada um vai pulando noscírculos que estão à sua frente."Tira": pula-se para o lado de fora do círculo" Põe": volta-se para o círculo"Deixa Ficar": permanece no círculo, agitando os braços erguidos "fesTeiros com fesTeiros": 2passos para frente nos círculos "fazem Zigue, Zigue, Zá" : começando com o primeiro passo àfrente, o segundo voltando e o terceiro novamente para frente.Este jogo-dança é uma gostosa brincadeira que exige uma certa concentração do grupo paraperceber qual é o ritmo a ser adotado. É prudente começar mais devagar e se o grupo for respondendo bem ao desafio, sugerir o aumento da velocidade.O respeito ao parceiro do lado e a atenção para não machucar os pés alheios são toquesinteressantes que a pessoa que focaliza o jogo pode dar.Quando o grupo não está conseguindo estabelecer um ritmo grupal, o(a) focalizador(a) podeoferecer espaço para que as pessoas percebam onde está a dificuldade e proponham soluções.Da mesma forma, quando o desafio já tenha sido superado e o grupo queira continuar jogando, háespaço para criar novas formas de deslocamento e também há abertura para outras coreografiasnesta ou em outras cantigas do domínio popular.se o grupo estiver bem sincronizadotentar em duplas


4 - Eu quero, eu quero, eu quero!

O professor diz: Eu quero, eu quero, eu quero! Os alunos têm q perguntar: O que, oq, oq? Aí o professor pede determinados movimentos:saltar de um pé... logo depois fala "estátua"..Recomeça a brincadeira: Eu quero, eu quero.... Oq, oq, oq?Aí pode pedir imitação de animais... correr de um lado para o outro, marchar...Andar igual gigante, anão, ponta dos pés, calcanhar... Batendo palma, rebolar, engatinhar, etc...
É tipo um mestre mandou, mto bom para 1ª e 2ª série...


5 - Queimada Ameba

A popular queimada ou carimba de uma maneira muito mais divertida e não exclusiva!Material: 1 bola leve (que possa ser arremessada sem machucar)Não há equipes ou campos de jogo divididos. Define-se apenas um espaço onde o jogo ocorreráe os alunos se espalham. É escolhido um primeiro pegador, que fazendo uso da bola, deverátentar queimar o restante. Quando conseguir que a bola encoste em alguém, o "queimado", quese torna "ameba", deverá se sentar e não poderá se locomover.Se a bola escapar, qualquer um em pé pode pega-la e tentar queimar outra pessoa. As amebaspodem retornar ao jogo de duas maneiras: 1, tocando algum dos jogadores que estejam em pé,inclusive quem tem a bola, quando o tocado deve se sentar como ameba; 2, caso consiga a posseda bola, lembrando que as amebas não podem sair do lugar.A dinamicidade do jogo faz com que ele seja motivador durante muito tempo!Variações: O pegador deve encostar a bola em alguém sem arremessá-la; Deve conduzir a bolade um modo diferente ex:quicando-na no chão; as amebas só voltam se conseguirem a bola; asamebas só voltam se tocarem em alguém;as amebas se movimentam na posição caranguejo(quatro apoios de bruços).

 
6 - Jogo do gato e rato

Os alunos formam um círculo, o professor escolhe um gato e um rato, o gato tem quetentar pegar o rato, se ao completar 2 voltas no círculo o gato nao conseguir pegar o rato ele devepagar um "mico" dentro do círculo, se o gato pegar o rato, então o rato paga o "mico".Os alunos ou mesmo o professor escolhe o "mico", depois alternam-se os alunos.


7 - Nunca 3

Utilizo essa atividade com alunos da faixa etária entre 7 a 10 anos e eles adoram, todosparticipam! Os alunos estarão espalhados em duplas(um atrás do outro) pelo espaço disponível. Os alunospoderão estar em pé ou sentados. O professor escolhe dois alunos, um será o aluno pegador e ooutro aluno terá que fugir do pegador … O aluno que está fugindo do pegador deverá escolher uma dupla e se posicionar atrás do segundo elemento.O aluno que está na frente da dupla, por sua vez, será o novo pegador(nunca poderá existir 3elementos juntos, sempre mantendo uma dupla) e deverá sair correndo atrás do aluno que era opegador anteriormente... Esse aluno que está fugindo do novo pegador, se posicionará atrás deoutra dupla e assim a atividade continua.


8 - Coelho sai da toca

Os alunos estarão espalhados pelo espaço disponível, separados em tocas e coelhos...As tocas são formadas por dois alunos que dão as mão formando uma espécie de casinha para ocoelho... O coelho, por sua vez, deverá ficar embaixo da toca (casinha).Se possível, o professor deverá deixar 1 coelhinho sobrando (sem toca, desabrigado).O professor combina com os alunos que ao apitar 1 vez, os coelhos deverão trocar de toca...Aítodos os coelhos correm p/ achar uma nova toca, inclusive o coelho que estava "desabrigado" noinício da atividadeSempre sobrará 1 coelhinho.O professor tb poderá fazer o inverso e combinar com os alunos que ao apitar duas vezes, astocas que deverão trocar de lugar e os coelhos, por sua vez, deverão continuar no parados nomesmo lugar!


9 - Meus pintinhos venham cá...

- 1 será a galinha, outro a raposa e os demais os pintinhos;- A galinha diz: meus pintinhos venham cá;- Os pintinhos respondem: não, não, não tenho medo da raposa me pegar;- A galinha diz: podem vir que ela não pega não. Nesse momento os pintinhos correm em direçãoa raposa e quem a raposa pegar vira raposa também.- A brincadeira continua até todos virarem raposa!!!


10 - RABINHO DE DRAGÃO

Material: 1(uma) ou 2(duas) bolas.
Formação inicial: Os alunos deverão formar um círculo e no centro deste serão colocados doisalunos, um na frente que será a cabeça do "dragão", outro atrás, segurando na cintura da "cabeçado dragão" que será doravante denominado "rabinho do dragão".
Desenvolvimento: Os alunos que estiverem no círculo terão que lançar a bola para seus amigos,sem saírem do lugar para tentar queimar o "rabinho do dragão". O "dragão" terá que defender o"rabinho", movimentando-se e se postando de modo a exercer a função de barreira entre oarremessador e o "rabinho do dragão".Quando o "rabinho" é queimado, passa a ser "cabeça", já a "cabeça" se integra ao grupo, o quequeimou passa a ser o rabinho do dragão.

OBS: Os que estão no círculo não poderão locomover-se para queimar.
 
-Será considerado que se atingiu o alvo, na medida em que a bola atinja o "bumbum" do "dragão",outras regiões do corpo não serão válidas.Variações: Círculos menores, duas ou mais bolas

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

10:23

Atividade física melhora o aprendizado da criança

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Crianças que praticam atividades físicas tendem a ser mais inteligentes na adolescência e vida adulta, diz um estudo feito por cientistas da Universidade de Illinois (EUA). Segundo os pesquisadores, a prática de exercícios também pode melhorar a memória e os distúrbios de atenção. Os autores ressaltam que o estudo é muito importante, já que, devido ao uso exagerado de computador, videogame e televisão, cada vez menos crianças buscam se divertir ao ar livre, praticando atividades físicas.

A pesquisa envolveu um grupo de 490 crianças com idade entre nove e dez anos. Elas foram submetidas a exames de ressonância magnética, testes de aptidão física, testes ergométricos e de memória, além de responderem a um questionário sobre a prática de atividades físicas.

Os pesquisadores observaram pela ressonância magnética que as crianças que praticavam exercícios e que tinham melhor preparo físico apresentavam maior atividade cerebral do que aquelas que eram sedentárias, um forte indicativo de que esse grupo teria maior facilidade de aprendizado. Além disso, as crianças que se exercitavam tiveram um resultado 12% melhor em testes de memória do que aquelas que tinham hábitos mais sedentários.

Segundo os autores do estudo, durante a prática de atividades físicas, a criança recebe uma série de estímulos sensoriais que fazem o hipocampo, área do cérebro responsável pela memória e aprendizado, ficar mais ativo, aumentando a inteligência da criança. 

Papel da família

O sedentarismo e a obesidade infantil são problemas que cada vez mais preocupam os médicos. Além da prática de atividades físicas, a presença da família é fundamental. Segundo um estudo feito pela University of Illinois, refeições com toda a família pode ser a peça chave para evitar distúrbios alimentares, obesidade e nutrição inadequada.

A pesquisa liderada pela University of Illinois, nos Estados Unidos, baseou-se na revisão de 17 estudos recentes sobre padrões alimentares e nutrição, totalizando mais de 182 mil crianças e adolescentes. Os especialistas observaram quantas pessoas estavam acima do peso, tomavam pílulas para controlar o peso, induziam vômitos, utilizavam laxantes e diuréticos, ficavam em jejum, comiam muito pouco, pulavam refeições ou ainda fumavam para enganar a fome. 

Os resultados mostraram que adolescentes que faziam pelo menos cinco refeições por semana com suas famílias tinham 35% menos chances de ter problemas ligados à alimentação. Crianças que comiam pelo menos três vezes por semana em suas casas apresentaram uma probabilidade 12% mais baixa de ter excesso de peso. Além disso, as chances de consumir alimentos mais saudáveis em refeições caseiras foi 24% maior.

Ainda que não seja possível sentar-se à mesa com a família durante sete dias por semana, os autores do estudo aconselham que os pais estipulem cotas mínimas para que seus filhos comam em casa. A reunião também é essencial para que sejam identificados sinais precoces de padrões alimentares negativos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

08:22

Esporte x Escola: uma discussão interessante

  Analisando diferentes períodos da história política brasileira é possível perceber a centralidade do Estado no processo de organização do esporte no Brasil. Esta presença forte não deve ser alvo de macro explicações, pois encontra-se permeada por uma pluralidade de interesses e arranjos institucionais de natureza cultural, ideológica, econômica e política, exigindo estudos específicos das práticas mobilizadas em torno do esporte, em suas diversas manifestações: o esporte de alto rendimento e sua realização; as relações de mercado presentes no setor; a indústria de equipamentos e materiais esportivos; o esporte como prática de lazer; a mídia esportiva; o esporte como conteúdo da Educação Física e como prática escolar; o sistema esportivo nacional legalmente institucionalizado, dentre outros.

Problematizamos aqui as políticas nacionais para o esporte escolar: o que pretendeu (e pretende) o Estado, pelas ações dos sujeitos e grupos que o constituem, ao propor e realizar  programas esportivos escolares? Tentar responder significa analisar as relações conformadas entre duas instituições sociais distintas: a escolar e a esportiva.  Ambas possuem lugar de centralidade no modo de organização da sociedade moderna; permeiam a infância e a juventude da maioria das pessoas; são socialmente valorizadas como parte do processo civilizador[2] e, no âmbito da organização histórica dos direitos sociais, o acesso à escola e ao esporte têm sido reivindicados como direitos universais[3].

A escola e o esporte são instituições que comportam em  seu interior múltiplas determinações e variados arranjos e, assim, vêm sendo alvo de debates acerca de seus fins, métodos e interesses sociais.

Pierre Bourdieu (1983) argumenta que "a história do esporte é uma história relativamente autônoma que, mesmo estando articulada com os grandes acontecimentos da história econômica e política, tem seu próprio tempo, suas próprias leis de evolução, suas próprias crises, em suma, sua cronologia específica" (p. 137). A instituição esportiva, ao mesmo tempo produto e produtora da modernidade, constitui campo de relativa autonomia, conformando códigos, regras, valores e práticas que lhes são próprias. Para Norbert Elias (1992), o esporte compõe o  longo processo civilizador da modernidade, principalmente no que tange ao controle dos impulsos, em especial aqueles relativos à violência e à agressividade.

Sobre a escola, Luciano Mendes de Faria Filho (2001) comenta  que sua presença na vida social "faz-se sentir além de seus muros, irradiando para o conjunto da sociedade, constituindo referência importante para a definição de identidades pessoais e coletivas, públicas e privadas, políticas e profissionais, entre outras."  O autor propõe que a existência de um processo de escolarização da sociedade, isto é, "a paulatina produção de referências sociais tendo a escola, ou a forma escolar de socialização e transmissão de conhecimento, como eixo norteador de seus sentidos e significados" (p. 03).

Assim, tanto a escola como o esporte constituem práticas sociais específicas, que comportam singularidades, com interesses e atores também específicos. Nestes termos, pensar as relações entre o esporte e a escola significa investigar o percurso histórico de cada um desses campos de modo a identificar as circunstâncias nas quais os mesmos se aproximaram, ou não.

 A gênese do que hoje denominamos esporte moderno parece localizar-se no século XVIII, nas escolas inglesas reservadas à burguesia, as public schools , onde jogos populares assumiram novos significados sustentados pelo ideário do fair play e pela busca de uma racionalidade capaz de assegurar sua previsibilidade e calculabilidade. Este percurso inicial desdobrou-se na constituição de um corpo de regulamentos específicos e um corpo de dirigentes especializados[4]. Assim, tendo a Inglaterra como berço, podemos inferir que foi a partir da escola que o esporte afirmou sua presença na sociedade moderna. No século XX tornam-se plurais as possibilidades de aproximação e também de distanciamento entre essas instituições.

A origem inglesa do esporte moderno é aqui tomada como referência, lembrando-se que em outros países encontram-se trajetórias com características distintas. No Brasil, esporte e escola fazem percursos relativamente autônomos em finais do século XIX e início do século XX. Regra geral, os exercícios ginásticos é que ocupavam lugar de centralidade como prática corporal na escola.[5]  Há indicações de que foi em meados da  década de 1920, a partir das primeiras aproximações promovidas pelo Estado, que começa a acontecer a articulação entre estes dois setores da vida social.[6] As reformas do ensino ocorridas em diferentes Estados brasileiros naquele momento parecem confirmar esta hipótese.

Ao debater a aproximação entre esporte e escola, há que se considerar que nem sempre os interesses escolares se coadunam com os interesses esportivos, ou vice-versa, na medida em que, a princípio, seus códigos, valores, normas e funções sociais podem ser bastante distintos. O desafio, então, é perceber na história recente desta aproximação a existência de alguns arranjos que tendem a integrá-los de forma substantiva. Podemos citar por exemplo a acessibilidade da escola à lógica excludente e seletiva do esporte, ou a adoção do princípio competitivo como estratégia de ensino-aprendizagem[7], de um lado. E de outro, a ampla massificação que o esporte conquista na sociedade moderna por intermédio de sua transposição didádica[8], isto é, quando é transformado em conhecimento a ser ensinado na escola (sua escolarização).

Tomando de empréstimo a expressão utilizada por Guy Vicent, Bernard Lahire & Daniel Thin (2001) parece razoável  especular que o processo de expansão experimentado pelo esporte só foi possível pelo fato dos sujeitos e grupos nele envolvidos terem  assumido a "forma escolar"  como uma estratégia de socialização tanto na escola como fora dela. Para estes autores,

 "A emergência da forma escolar, forma que se caracteriza por um conjunto coerente de traços – entre eles deve-se citar, em primeiro lugar, a constituição de um universo separado para a infância; a importância das regras na aprendizagem; a organização racional do tempo; a multiplicação e a repetição de exercícios, cuja única função consiste em aprender e aprender conforme as regras ou, dito de outro modo, tendo por fim seu próprio fim -, é a de um novo modo de socialização, o modo escolar de socialização. Este não tem cessado de se estender e de se generalizar para se tornar o modo de socialização dominante de nossas formações sociais." ( p.37-38)

 Nestes termos, é interessante notar que as principais características do processo de socialização do esporte são claramente escolares, tais como: seleção de equipes por faixas etárias; adoção de procedimentos pedagógicos que transformam as situações de aprendizagem em 'aulas'; presença de 'professores' especializados como requisito de competência e, por fim, a existência das chamadas 'escolinhas' ou escolas de esporte, cujos nomes são já reveladores.

Assim, acreditamos ser importante investigar se as práticas escolares contribuíram no processo de massificação/socialização do esporte, identificando sentidos e significados produzidos neste processo. Ao mesmo tempo, não podemos perder de vista os estudos que já expressam o fato de que o esporte na escola tem se constituído muitas vezes como "um braço prolongado da própria instituição esportiva"[9]. 

 Poderíamos, então, perguntar: em que medida a instituição esportiva, em seu processo de autonomização, foi influenciada pela "forma escolar" de socialização? A 'chegada' do esporte na escola traz a essa instituição elementos estranhos ao universo escolar?

De acordo com Guy Vicent, Bernard Lahire & Daniel Thin (2001), a forma escolar como estratégia de socialização não se limita aos muros da escola, estendendo-se a outras práticas e instituições sociais. Inversamente, outras formas de relações sociais também adentram a escola, produzindo muitas vezes um tensionamento com  a lógica constituída pelo universo escolar.

Trata-se de um tema que pode ser investigado por diferentes campos acadêmicos. De forma mais específica, interessa-nos problematizar alguns dos sentidos e significados historicamente construídos  para a instituição escolar, quando a mesma se relaciona com as políticas e os programas públicos relativos ao desenvolvimento e realização do esporte.

Constituem aqui indagações centrais: a escolarização teria sido a intenção principal das políticas  para o esporte? Por que a escola? Que eixos têm norteado as políticas públicas de esporte na escola? Para o enfrentamento destas questões, muitos são os caminhos possíveis e os estudos necessários.[10] A delimitação proposta para este ensaio é a de compreender alguns indicadores da relação esporte-escola no sistema educacional brasileiro, atentos a um duplo movimento que esta ela inaugura: o processo de escolarização do esporte, que conforma as práticas esportivas aos rituais, códigos e valores da instituição escolar, pode também produzir, na tensão que institui, um processo de esportivização da escola, ou seja, a escola passa a incorporar em sua lógica e em suas práticas elementos próprios do universo esportivo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

04:57

7 perguntas e respostas sobre esportes coletivos

Se bem planejadas, as aulas com esportes coletivos ajudam a ensinar conceitos importantes, como técnicas de modalidades variadas, sua história e a importância do trabalho em equipe. Além disso, garantem as condições para que todos os alunos tenham acesso ao esporte e, ao praticá-lo, desenvolvam suas competências técnicas e táticas, como também a habilidade de se relacionar em jogos coletivos e de solucionar situações-problema gradativamente mais complexas. Para ajudá-lo, NOVA ESCOLA reuniu as principais dúvidas sobre o trabalho com modalidades coletivas, respondidas a seguir.

1 Há idades mais adequadas para introduzir as diferentes modalidades de esporte?

Não. Todas podem ser trabalhadas com crianças de diferentes faixas etárias, mas é importante fazer adaptações com relação ao esporte oficial. Nas aulas do professor de Educação Física Caio de Campos Busca na EMEB Marina Pires de Araujo, em Itatiba, a 80 quilômetros de São Paulo, a turma do 2º ano usa a rede de vôlei num tamanho compatível com a sua altura e bolas grandes e macias (leia o quadro abaixo). É fundamental garantir que todos conheçam os gestos associados a cada esporte. "É preciso dar condições para que todos avancem em seu tempo", explica Alexandre Arena, do Instituto Esporte e Educação, em São Paulo.

2 O que é essencial ensinar às crianças?

Técnicas, conceitos de saúde e história do esporte. Dentro desses temas, observe o que é mais importante para a turma."Em uma classe com conflitos, deve-se fazer atividades que gerem reflexão sobre o respeito ao adversário", diz Adriano José Rossetto Jr., professor da Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro.

3 Campeonatos devem ser organizados?

Sim, pois ajudam a trabalhar conceitos como análise tática e trabalho em equipe. Mas nelas deve haver atividades de que todos possam participar, ainda que isso exija adaptações. "Se só existe lugar para as equipes de alto nível em uma competição, então excluiremos a maioria das crianças", afirma Rossetto.

4 Deve-se propor clínicas de aperfeiçoamento?

Depende dos objetivos. Elas farão sentido se forem uma forma de contribuir para que os alunos se aprimorem nos fundamentos de cada prática. O que não vale é direcionar as aulas para o aperfeiçoamento dos naturalmente mais habilidosos. Para eles, a escola deve criar oportunidades no contraturno.

5 Qual é a melhor forma de montar as equipes?

A organização deles deve ser feita de acordo com seus objetivos, mas sempre garantindo grupos heterogêneos: estudantes de diferentes portes físicos, mais e menos habilidosos, meninas e meninos. É essencial que todos vivenciem cada um dos papéis no coletivo para que treinem diversas habilidades. No jogo de futebol, é um erro destacar as meninas sempre para as posições de defesa. "Elas podem defender no primeiro tempo, enquanto os meninos atacam. Porém, no segundo tempo, a situação se inverte", lembra Marcelo Jabu, coautor dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Educação Física. O único cuidado é não delegar essa tarefa às crianças. Elas vão se unir por afinidades e os objetivos da atividade não serão garantidos.

6 Qual deve ser o papel do professor durante um jogo?

É importante observar a partida para avaliar constantemente as atividades desenvolvidas pelos alunos. "Ele deve perceber se a atividade está adequada e se mantém os alunos motivados", diz Rossetto (leia a sequência didática). Também é papel do docente esclarecer regras e mediar conflitos. A função de árbitro, nos jogos, pode ser delegada aos alunos. "Assim, eles refletem sobre a importância de tomar decisões se baseando em regras preestabelecidas e respeitá-las", completa Jabu.

7 Como estudar a fisiologia do esporte na aula?

Os alunos podem identificar as capacidades físicas mais exigidas, como força, resistência, flexibilidade, ritmo, coordenação e velocidade, e que interferem diretamente na realização de determinados movimentos. Por exemplo, ao jogar futebol, as crianças podem ser questionadas sobre o que é necessário para que se saiam cada vez melhor. Nas respostas, a questão da força e da velocidade aparecerá. Você deve levantar essas capacidades com a turma e depois ajudar a construir os conceitos associados a elas.

04:30

Atividades educacionais para vários tipos de deficiência

    É interessante atividades de simulação para crianças consideradas normais vivenciar uma deficiência. Essas experiências permitem que eles percebam melhor as dificuldades das pessoas portadoras de deficiência e como elas podem se sentir eventualmente. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

    É fundamental que os participantes sejam incentivados a dizer como se sentiram durante as atividades, principalmente naquelas em que são simuladas vivências de deficiências, pois sabemos que estas podem se constituir em experiências muito enriquecedoras e marcantes para a pessoa. Compartilhar esses sentimentos com os demais é sempre muito frutífero para todos. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

    Estas atividades darão oportunidade para ao aluno conhecer suas possibilidades e seus limites, favorecendo a confraternização entre eles. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

    Segue abaixo propostas de atividades inclusivas e simulações de algumas deficiências. Muitas destas atividades são aplicadas para crianças consideradas normais, que foram adaptadas para incluir o aluno com necessidades educativas especiais nas aulas de Educação Física.


Deficiência Física

    Sentindo na pele

Número de participantes: livre
Material: Dois pares de meias grossas e uma camisa com botões (é importante que os alunos tragam de casa a camisa e as meias).
Descrição da atividade: A turma deverá ser dividida em pares. Um de cada par vestirá as meias nas mãos. Após o comando do professor o aluno deverá vestir à camisa, abotoá-la, desabotoá-la e sentar em frente ao seu par. Pessa a eles para trocarem o material e repetir a experiência. É importante que o professor explique aos alunos que eles irão vivenciar como é ter paralisia cerebral, na tentativa de abotoar uma camisa. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).


    Passa 10

Número de participantes: livre
Material: coletes coloridos, 1 bola.
Descrição do Jogo: Todos os alunos deverão estar sentados na quadra, independente de ter ou não comprometimento motor. A turma deverá se dividir em dois grupos, onde cada grupo deverá usar coletes de cores diferentes para se distinguir melhor. A delimitação do espaço será de acordo com o número de participantes. O grupo que tiver com a posse de bola deverá tentar realizar 10 passes jogando com as mãos, conseguindo, marcará ponto. Caso a bola caia no chão, ou seja, interceptada pelo grupo adversário, a contagem será zerada. Vence o grupo que fizer mais pontos. O tempo do jogo será determinado pelo professor.
Adaptação: Se houver um cadeirante, o grupo adversário deverá ter um participante de sua equipe sentado em uma cadeira. Caso tenha mais de um cadeirante, o número de participantes em cadeiras deverá ser aumentado. No decorrer do jogo, todos os alunos deverão ficar pelo menos uma vez sentados na cadeira.
Variação: O professor poderá aumentar ou diminuir o espaço do jogo e o número de passes para realizar um ponto. (DIEHL, 2006)


    Passa Repassa

Número de participantes: livre
Material: 1 bola de vôlei.
Descrição do Jogo: Os alunos estarão dispersos sentados pela quadra de voleibol, similar, dois deles sentados nas pontas. Os alunos das pontas iniciarão a troca de passes de bola, enquanto os alunos do centro da quadra tentarão pegá-la sem tirar o quadril do chão. O aluno que conseguir pegar a bola troca de lugar com aquele que a jogou. (DIEHL, 2006)


    Pega ajuda com passes

Número de participantes: livre
Material: 1 bola
Descrição do jogo: Um dos alunos será designado a ser o pegador, os demais serão os fugitivos, todos deverão estar sentados de forma dispersa pela quadra. Tanto os pegadores quanto os fugitivos não poderão se levantar, deverá se locomover sentados. O pegador terá uma bola na mão, onde tentará arremessar nos colegas. Aquele que for atingido pela bola passará a ser pegador, aumentando o número de caçadores. (DIEHL, 2006).


    Toca-Retoca

Número de participantes: mínimo 10
Material: 1 bola, 1 rede medindo 1m de altura.
Descrição do jogo: Serão formados dois times, com 5 alunos em cada time sentados livremente em cada lado da quadra de vôlei, que estará dividida pela rede. Ao sinal do professor, o aluno de fora da quadra, fará o lançamento da bola para quadra adversária utilizando as duas mãos. Após o lançamento, o arremessador retorna para dentro da quadra. Um componente da equipe adversária deverá pega-la, passando em seguida para um de seus colegas do time. Todos os participantes do time deverão pegar a bola, que será devolvida a equipe adversária pelo quinto participante, sem deixar que a bola caia ou segura-la por mais de 5 segundos. Realizada a ação completa, a equipe marca um ponto. Caso a bola caia no chão, ou seja, passada para o campo adversário sem que todos os componentes tenham segurado a bola, será saque da equipe adversária. Vence a equipe que marcar 20 pontos primeiro.
Adaptação: Se caso a turma tenha mais de 10 componentes, ela poderá ser dividida em dois grupos. Cinco ficarão em posições numeradas pré-definidas dentro da quadra e o restante se posicionará em coluna fora da quadra. Haverá sempre um rodízio antes da realização do saque. O jogador que tiver na posição 5 deverá sair, o primeiro da coluna que estava fora da quadra deverá entrar na posição 1, sendo que o que estava na 1 deverá ir para a posição 2 e o da 2 ir para a 3 e assim sucessivamente. Quando houver um cadeirante em alguma equipe, o professor poderá colocar uma cadeira em alguma das posições da equipe adversária. (DIEHL, 2006)


    Pegue o balão

Número de participantes: Livre
Material: balões e barbantes.
Descrição do jogo: Os alunos estarão livres pela quadra, sentados no chão ou na cadeira de rodas. Os alunos sentados amarrarão os balões na cintura, os cadeirantes estarão com os balões amarrados atrás da cadeira. Cada participante deverá tentar estourar o balão do colega e proteger o seu. Vence aquele que ficar com o balão intacto enquanto os outros estiverem com os seus estourados. (DIEHL, 2006)


    Chegar à meta

Número de participantes: livre
Material: 1 balão e barbante
Descrição do jogo: A turma deverá ser dividida em dois times contendo o mesmo número de participantes. A quadra será dividida em dois lados, em cada lado ficará um time. O objetivo de cada time é atravessar a quadra do adversário e tocar o balão que estará pendurado no gol. Se a pessoa que esta indo em direção ao balão for tocada dentro do campo adversário, ela terá que ficar parada até que alguém do seu time venha e o toque para que possa continuar. (DIEHL, 2006)


Surdos

    Cinema mudo

Número de participantes: livre
Material: filmes
Descrição do jogo: O professor pode propor aos alunos a assistirem trechos de filmes sem som, tentando entender a história e o que as pessoas estão falando. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).


    O corpo fala

Número de participantes: livre
Material: papéis
Descrição do jogo: Dividir a sala em grupos, cada grupo receberá um papel com uma mensagem escrita. Cada grupo deverá transmitir sua mensagem exclusivamente por gestos para outros grupos. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).


    Caranguejobol

Número de participantes: livre
Material: 1 bola, coletes, 1 bandeira sinalizadora (vermelha).
Descrição do jogo: A turma será dividida em duas equipes com o mesmo número de participantes. Cada equipe se posicionará em metade da quadra, tendo como objetivo defender seu gol e tentar fazer gol na equipe adversária. Todos os participantes só poderão se locomover sentados ou suspendendo o quadril, se locomovendo apenas com o apoio das mãos e dos pés, na posição de 4 apoios, parecendo um caranguejo. A impulsão da bola só poderá ser feita com os pés. Após o gol, o jogo é reiniciado por um dos participantes da equipe que levou o gol. Quando houver transgressão das regras, a equipe infratora será penalizada com uma falta que poderá ser cobrada diretamente ao gol. Vence a equipe que fizer mais gols. (DIEHL, 2006)


    Pegue o rabo

Número de participantes: Livre
Material sugestivo: jornal (ou material da escolha do professor).
Descrição do jogo: A turma será dividida em duas equipes, tendo o mesmo número de participantes. Cada participante receberá um jornal, que deverá ser preso na roupa próximo da cintura, que simbolizará o "rabo". O objetivo de cada equipe é roubar o "rabo" dos participantes da equipe adversária. Vence a equipe que conseguir roubar todos os rabos da equipe adversária primeiro. (DIEHL, 2006)


    Futsal de 4 goleiras

Número de participantes: livre.
Material: 8 cones, 8 coletes, 2 bandeiras de cores diferentes.
Descrição do jogo: Os alunos serão divididos em duas equipes, com o mesmo número de participantes. A atividade será realizada em uma quadra de futsal, onde não serão utilizadas as traves do gol, e sim 8 cones, que serão montadas 4 goleiras nos cantos da quadra. As equipes deverão marcar gol em duas goleiras designadas para elas. Vence a equipe que fizer o maior número de gols. Poderão ser usadas as mesmas regras do futsal. O professor deverá usar duas bandeiras: uma verde e outra vermelha. Quando ocorrer falta o professor levantará a bandeira vermelha, a verde para sinalizar o início e o termino do jogo.
Adaptação: Este jogo pode ser jogado com ou sem goleiro. (DIEHL, 2006)


    O chapéu é meu

Número de participantes: Livre
Material: Chapéus feitos de jornal e uma bandeira colorida.
Descrição do jogo: Duas fileiras com o mesmo número de participantes, frente a frente. Os alunos confeccionarão os chapéus de jornal para utilizarem no jogo. No chão entre eles, coloca-se uma série de chapéus, sendo um para cada dois participantes. Dado o sinal (com a bandeira), os participantes correm para os chapéus, pondo na cabeça o que conseguir pegar. Cada jogador poderá pegar apenas um chapéu, não podendo também pegar depois que já está com o colega. O lado que tiver o maior número de chapéus marca ponto. Esta atividade poderá se repetir quantas vezes o professor desejar. Vence o jogo o lado que tiver feito mais pontos. (DIEHL, 2006)


    Sol e Lua

Numero de participantes: livre
Descrição do jogo: Duas fileiras com o mesmo número de participantes, uma denominada "sol" e a outra "lua". Os participantes da equipe sol deverão estar de costas para os participantes da equipe lua, ambos as equipes deverão estar próximas da linha do meio da quadra. Quando o professor sinalizar "sol" a equipe correspondente foge da equipe "lua", e vice-versa, devendo correr e cruzar uma linha demarcada para salvar-se. Aqueles que forem pegos passam a ser da equipe adversária. Vence a equipe que tiver mais componentes ao termino da atividade. (DIEHL, 2006)


    Olha o Chapéu

Número de participantes: No mínimo 10.
Material: 1 chapéu (Pode ser de jornal)
Descrição do jogo: Todos os alunos deverão estar sentados formando um círculo. O professor escolhe um aluno que terá a posse do chapéu, que ficará andando ao redor do círculo, o aluno colocará o chapéu na cabeça de qualquer participante que deverá correr para pegá-lo. O aluno que estava com o chapéu fugirá o mais rápido possível para tentar sentar no lugar do colega que ele colocou o chapéu na cabeça. Caso o aluno seja pego antes de se sentar permanecerá com o chapéu, tentando colocar na cabeça de outro colega.
Adaptação: Se o número de aluno for grande, a turma poderá ser dividida em mais grupos. (DIEHL, 2006)


    Jogo dos Cartões

Números de participantes: livre.
Material: Cartões coloridos e bola.
Descrição do jogo: Os alunos ficarão em circulo passando a bola atendo aos cartões que serão mostrados pelo professor. Estes cartões terão códigos previamente combinados: Amarelo significa o arremesso da bola para qualquer colega; Vermelho significa que se deve quicar a bola e passá-la; o Azul significa arremesso da bola para um menino; o cartão rosa indica posse de bola para uma menina.
Adaptação: Pode-se também utilizar outros cartões com outros códigos. Por exemplo, verde para mudar o sentido da bola. (DIEHL, 2006)


    Zoológico

Número de participantes: livre.
Material: Papel.
Descrição do jogo: Todos os alunos receberão um papel com o nome de um animal, sendo que cada um tem seu par. Cada aluno terá que imitar seu animal através de gestos tentando localizar seu par. A atividade termina quando todos encontrarem seu par. (DIEHL, 2006)
No caso do aluno que usa prótese auditiva, o professor deverá observar se a prótese está bem adaptada, se está suja ou entupida, evitando ruídos. Deve-se também verificar as condições das pilhas.


Cegos ou com baixa visão

    Posso ajudar?

Material: Vendas pretas para todo o grupo
Descrição do jogo: A turma deverá ser dividida em pares. Cada par receberá uma venda, um da dupla usará a venda simulando o deficiente visual e o outro será o acompanhante. É importante que o professor explique que o papel do acompanhante é estar ao lado do deficiente visual para oferecer sua ajuda e dá-Ia quando for aceita. Explique que é importante perguntar se ele precisa de ajuda e de que forma essa ajuda pode ser dada. Os pares serão orientados para realizarem diversas atividades, tais como: beber água, andar pela quadra, pelo pátio, explorar a classe, andar entre as carteiras, etc.
Variação: Uma vez realizado todo o percurso, a dupla deverá trocar as funções, o aluno que estava simulando o deficiente visual deverá passar a ser o acompanhante e assim vice-versa. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).


    Adivinhe pelo tato

Número de participantes: Livre
Material: vendas, objetos como: lápis, frutas, livro, brinquedos, etc.
Descrição do jogo: Os alunos deverão ser divididos em dois ou três grupos. Cada participante terá a oportunidade de sentir, com os olhos vendados, os objetos que serão dados pelo professor. O grupo que mais objetos acertar será o grupo vencedor. (DIEHL, 2006).


    Ouça e pegue o rabinho

Número de participantes: livre.
Material: barbante, latas de refrigerante com pedrinhas dentro.
Descrição do jogo: Todos os alunos deverão estar vendados. Cada aluno terá uma lata de refrigerante com um barbante que deverá ser amarrado na cintura, sendo arrastado pelo chão. Cada um tentará roubar o "rabinho" do outro. Aquele que mais "rabinhos" pegar será o vencedor.
Adaptação: Esta atividade poderá ser feita em duplas de mãos dadas, onde um estará vendado e outro não. Aquele que não enxerga pega o "rabinho", seguindo as instruções do vidente. O "rabinho" estará preso ao aluno cego, com baixa visão ou vendado. Vencerá a dupla que tiver mais rabinhos. (DIEHL, 2006)


    Alerta

Número de participantes: livre.
Material: 1 bola com guizo (caso não tenha bola com guizo, a bola poderá ser colocada dentro de sacolas plásticas)
Descrição do jogo: Todos os alunos deverão estar vendados, em círculo e um voluntário no centro. Cada um escolherá um animal para imitar seu som. O jogo terá início quando o aluno que estiver no centro falar já e jogar a bola para cima e falar o nome de um dos animais. Ao mesmo tempo os alunos deverão correr em direção oposta da bola, menos o aluno que esta representando o animal que foi chamado, devendo correr em direção da bola. Ao pegar a bola o aluno gritará "Alerta!". Os demais alunos deverão parar e permanecer no lugar como estátuas. Todos começam a imitar seus respectivos animais, e o aluno que estiver com a bola poderá dar 3 passos para tentar se aproximar o máximo possível do aluno que ele acha estar mais perto, dizendo o nome do animal escolhido. Os outros alunos deverão permanecer em silêncio, e o que foi chamado continuará a imitação. O aluno que estiver com a posse de bola terá que rolá-la, tentando acertá-lo. Se o aluno acertar a bola o colega que estava imitando iniciará o jogo, mais se caso ele não acertar, ele mesmo reiniciará o jogo. (DIEHL, 2006)


    Passa a bola

Número de participantes: livre
Material: bolas com guizo (caso não tenha bola com guizo, a bola poderá ser colocada dentro de sacolas plásticas)
Descrição do jogo: Duas ou mais colunas com mesmo número de participantes. O primeiro integrante de cada coluna deverá estar com a bola que deverá ser passada entre as pernas ao colega de trás até chegar o ultimo da coluna; este irá devolver por cima da cabeça até chegar ao primeiro da coluna. Na mesma ordem, logo em seguida passar a bola pelo lado direito, retornando pelo lado esquerdo. Vence a coluna que terminar a seqüência primeiro gritando o nome de sua equipe. Os alunos videntes auxiliarão os alunos cegos e com baixa visão a pegar a bola, através de comunicação verbal. (DIEHL, 2006)


    Coelhinho sai da toca

Número de participantes: livre
Material: arcos
Descrição do jogo: Os alunos serão divididos em duplas dispersos pela quadra. Um dos alunos ficará segurando o arco na altura da cintura, que fará o papel de "toca", o outro fará o papel de "coelhinho" que entra e sai da "toca". Cada dupla identificará um som para se identificarem. Ao comando dado pelo professor "Coelhinho sai da toca!", o aluno que estava dentro do arco sairá e realizará uma caminhada pela quadra (ou pelo espaço que esta sendo realizada a atividade). Ao segundo comando do professor "Coelhinho volta para toca!", o coelho deverá encontra - lá através do som combinado. Somará mais pontos a dupla que conseguir voltar para a "toca" em menor tempo.
Para realizar esta atividade é importante que todos os alunos estejam vendados.
Variável: esta atividade poderá ser repetida, mas invertendo-se os papéis, o que representava o "coelhinho" passa a ser o que representa a "toca", e assim vice-versa, para que todos vivenciem os dois papéis.
Adaptação: Caso sobre um aluno sem par, ele fará o "coelhinho" sem "toca", e comandará o jogo. Ao primeiro comando "Coelhinho sai da toca", todos os coelhos deverão sair da "toca" e caminhar pela quadra, inclusive os alunos que estão representado a "toca". Ao segundo comando "Coelhinho volta para a toca", as "tocas" deverão permanecer paradas emitindo o som "tocas" "tocas" e os "coelhinhos" tentar encontrar uma "toca", inclusive o que estava sem toca. (DIEHL, 2006)


    Caçada à bola

Número de participantes: livre
Material: bola com guizo (caso não tenha bola com guizo, a bola poderá ser colocada dentro de sacolas plásticas).
Descrição do jogo: Duas fileiras com o mesmo número de participantes, dispostas nas laterais da quadra, viradas para o centro. Cada aluno receberá um número que será o mesmo para as duas fileiras, no sentido diagonal. Quando o professor falar um número, os representantes do número deverão ir em direção da bola que estará sendo movimentado pelo professor no centro da quadra. O aluno que pegar a bola deverá dizer o nome de sua equipe, que marcará um ponto. Vence a equipe que marcar mais pontos.
Adaptação: Esta atividade poderá ser realizada de duas formas: se em uma das equipes tiver um aluno cego ou com baixa visão, na outra equipe poderá ter um aluno vendado, ou todos os alunos deverão usar vendas.
Variação: O professor poderá propor uma operação aritmética, e os alunos que representarem o resultado de tal operação deverão pegar a bola. Exemplo: 2+2=4, os alunos representantes do número 4 deverão tentar a pegar a bola. (DIEHL, 2006)


    Fala que eu faço

Número de participantes: livre
Material: vendas e bola com guizo
Descrição do jogo: Os alunos formarão duplas, sendo que um da dupla estará com venda (um deles será o vidente). O professor fará uma espécie de ninho do tesouro em alguns cantos da quadra, utilizando bolas com guizo. O colega vidente da dupla se separa e fica em um lugar próximo dos ninhos para auxiliar o outro colega a chegar ao ninho. As dicas poderão ser de forma simbólica. Exemplo: "10 passos de elefante para frente", "20 passos de formiga para o lado direito", etc. (DIEHL, 2006).


    Relógio de corda

Número de participantes: livre
Material: vendas, corda, argolas.
Descrição do jogo: Serão formadas duplas com um da dupla cego ou com vendas e um vidente. Dois alunos estarão trilhando uma corda que terá no centro argolas segura por nós em ambos os lados, cuja função é dar direção ao aluno cego ou com vendas. Cada dupla terá de pular a corda seguindo as horas até completar 12 saltos. Ou seja, vai se cantando "1 hooora!", que significa um salto; "2hooraaas!", para dar dois saltos e assim sucessivamente, até completar as 12horas. A dupla estará fora da corda, devendo entrar quando começarem a serem contadas as horas. Caso a dupla erre, deverá repetir a hora onde errou. Vence a dupla que fechar as 12horas no menor tempo. (DIEHL, 2006)
No caso do deficiente visual, para que se previnam acidentes, lesões e quedas, o professor deverá assegurar-se de que o aluno esteja familiarizado com o espaço físico, com inclinações do terreno e diferenças de piso. É importante que toda a instrução seja verbalizada de forma bem clara para que o aluno com deficiência visual entenda as atividades propostas.


Deficiência Mental

    Passa João

Número de participantes: livre
Descrição do Jogo: com os alunos sentados em círculo, o professor inicia pegando uma bola e cantando a canção "Passa João": "O João vai passar, ele ainda não chegou, ele ainda não chegou, ele acaba de chegaaar!". Enquanto isso, os participantes passam a bola de mão em mão para os colegas, até que todos os componentes do círculo a tenham tocado. Ao parar a música, a bola pára de ser passada e aquele que estiver coma bola deverá imitar um bicho.
Variação: Em vez de cantar "Passa João", trocar pelo nome dos alunos consecutivamente, até citar o nome de todos. Exemplo: "A Maria vai passar, ela ainda não chegou, ela ainda não chegou, ela acaba de chegaaar!". Neste tipo de brincadeira, estimular a criança a participar do jogo, cantando. (DIEHL, 2006)


    Leão faminto

Número de participantes: mínimo 5.
Descrição do jogo: Os alunos deverão estar em fileira no fundo da quadra de vôlei e um aluno na linha central. A quadra simbolizará a "Floresta", o aluno que ficará na linha central simbolizará o "Leão faminto". Os alunos que estarão na linha de fundo da quadra tentarão atravessar a "Floresta" imitando um determinado animal sem ser pego pelo "Leão faminto", que não poderá sair da linha central. Os "animais que não conseguir fugir do "Leão faminto" ocuparão seu lugar ou o auxiliará a pegar os demais "animais". (DIEHL, 2006).


    Jogo dos balões

Número de participantes: livre
Material: balões
Descrição do jogo: Cada aluno segurará um balão. Todos deverão estar em pé e agrupados. Ao sinal do professor, todos deverão jogar os balões para cima, procurando os manter no ar através de pequenos toques, sem deixar cair no chão não importando de quem será o balão. O balão que cair no chão deverá permanecer no chão. O professor determinará o tempo de duração do jogo, após o tempo, os alunos contarão quantos balões conseguirão salvar. A cada jogo o professor incentivará aos alunos a salvar mais balões. (DIEHL, 2006)


    Dança do chapéu

Número de participantes: livre
Material: som, chapéu (ou algo para simbolizar um chapéu).
Descrição do jogo: Em dupla, os alunos dançarão livremente. Um aluno estará sozinho segurando o chapéu. Em determinado momento, o professor desligará a música, e o aluno que estiver segurando o chapéu, colocará o chapéu na cabeça de outro aluno, que ocupará seu lugar, sendo o próximo bailarino do chapéu. (DIEHL, 2006)


    Pega-pega corrente

Número de participantes: livre
Descrição do jogo: Os alunos estarão dispersos pela quadra, um deles será escolhido para ser o pegador. Os alunos que forem pegos, deverá se unir ao pegador dando as mãos formando uma corrente. O jogo termina quando todos os alunos forem pegos, formando uma grande corrente.

    De acordo com Cidade e Freitas (2002) a Educação Física quando adequado corretamente ao aluno com deficiência, possibilita-lhe a compreensão de suas limitações e capacidades, auxiliando-o na busca de um melhor desempenho.

    É importante que o professor tenha os conhecimentos básicos relativos ao seu aluno tais como: o tipo da deficiência do aluno, a idade em que apareceu a deficiência, se foi repentina ou gradativa, se é transitória ou permanente, as funções e estruturas que estão prejudicadas. (CIDADE e FREITAS, 2002).

    Para Pedrinelli (1994 apud CIDADE e FREITAS, 2002), a Educação Física deve conter desafios direcionados a todos os alunos, permitir a participação de todos, respeitarem as limitações e promover a autonomia. O educador deverá selecionar a atividade visando o comprometimento motor, a idade cronológica e o desenvolvimento intelectual do aluno.

    "A aplicação dos exercícios desportivos, sob o incentivo da "ludicidade", mostra que a competição é desejável à medida que os competidores encarem seus opositores como companheiros de jogo". (BRACHT, V. 1988 apud Lemos, 2004).

    Segundo Bueno e Resa (1995 apud Freitas, 2004), a Educação Física Adaptada para alunos com deficiência não se diferencia da Educação Física em seus conteúdos, mas compreende técnicas, métodos e formas de organização que podem ser aplicados ao aluno com deficiência. É um processo de atuação docente com planejamento, visando atender às necessidades de seus educandos.
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Educação Física Escolar: Conhecimento e Especificidade

Esta exposição foi organizada como um convite para pensarmos juntos a Educação Física como matéria de ensino escolar. Não apresenta muitos argumentos de autoridade, ou seja, citações, etc.; ela não é uma demonstração sistemática de afirmações mas, certamente, é um apanhado de dúvidas e de algumas certezas provisórias.

Deixo registrado também nesta breve introdução que minhas aspirações acadêmicas hoje, estão mais no terreno da concordância do que naquele da discordância. São os pontos convergentes apresentados pelo meu interlocutor que se constituem em ponto de partida e não os divergentes. Esta atitude tem me permitido um enorme crescimento acadêmico e pessoal. Tenho aprendido que há muitos pontos em comum que permitem o aprofundamento das questões acadêmicas, os quais, muitas vezes ficavam submersos em discordâncias e não eram percebidos como emergentes para a compreensão da Educação Física (EF), do homem e da sociedade.

Assim, penso que estamos sempre aprendendo e só deixamos de fazê-lo quando morremos. Estar vivo é, sobretudo, estar aprendendo. Mas há diferentes saberes no mundo em que vivemos e há também múltiplos itinerários para sorvê-los, para neles mergulhar. É possível até dizer que "os itinerários para a cultura são múltiplos, mas nunca inteiramente sinalizados"[2], Talvez a escola pudesse auxiliar nesta sinalização, pudesse ser um lugar onde se vai para aprender coisas, coisas que não se sabe ou que, se sabe apenas na superfície. A escola então seria um morno oceano onde se mergulha para conhecer. Como não se chega vazio até ela, este mergulho não é cego... ele é parte de um impulso humano para aprender. A escola então estaria tratando de saberes mais elaborados ou, conforme Snyders, rompendo com a cultura primeira, ampliando o horizonte do aluno para coisas, lugares e saberes que ele não atingiria sem ela.
Esta escola como lugar de conhecer, estaria colocando, para o aluno, o que há de grandioso na ciência, ou seja, o homem diante da dúvida, diante de um processo que se constrói pelos erros e pela negação... por rupturas e continuidades e, sobretudo, por interesses humanos[3].

Neste lugar de conhecer haveria um respeito profundo pela inteligência do aluno, haveria a convicção de que "a inteligência dos alunos não é um vaso que se tem de encher; mas é uma fogueira que é preciso manter acesa"[4].

Por vezes a escola se transforma num enorme balde de água, talvez num esguicho. Mas se ela pensar nesta fogueira que precisa ser mantida acesa, então poderá ser um sinal no itinerário da cultura. Para isto é preciso o desafio. Não se desafia a inteligência do aluno com a repetição do que ele já sabe ou com a reprodução superficial do que os mídia oferecem, ou ainda, com o pronto atendimento do desejo da criança e do jovem. O desejo também é construído socialmente... gosta-se, em princípio, do que se conhece. Rejeita-se, em princípio, o desconhecido, o difícil, o elaborado. Papel da escola, da metodologia do ensino, do planejamento: organizar criativamente o conhecimento a ser tratado no tempo... produzir desafios com este desconhecido, arrancar alegria a cada conquista. Snyders afirma a existência possível de uma escola alegre; afirma a possibilidade da alegria como sentimento que floresce do ato de conhecer. Não fala de uma alegria frívola, de fazer o que se gosta e por isto sentir alegria. Fala da alegria da descoberta, da alegria de se aproximar do que é mais elaborado, do que é difícil, daquilo que não seria possível sem o professor e sem a escola. Afirma assim, para a escola, os saberes científicos, técnicos e estéticos e a escola como algo diferente da vida corrente e, exatamente por isto, desafiador[5]. Snyders deseja que a escola possa ser invadida por aquela alegria que os jovens sentem e expressam nos campos esportivos... e para isto o conhecimento tratado em seu interior não pode ser hierarquizado. As atividades corporais e artísticas fazem parte deste lugar de aprender. Não são apenas o equilíbrio buscado pelo estafante e "sério" trabalho intelectual. O prazer e a alegria não são finalidades da escola, mas são sentimentos presentes no caminho da criança e do jovem que vão ao encontro de um determinado tipo de saber ou que deveriam ir. A escola é um momento na vida de quem está em seu interior e não apenas uma preparação para um futuro.

PRIMEIRA PARTE

A Educação Física está na escola. Ela é uma matéria de ensino e sua presença traz uma adorável, uma benéfica e restauradora desordem naquela instituição. Esta sua desordem é portadora de uma ordem interna que lhe é peculiar e que pode criar, ou vir a criar uma outra ordem na escola.

Para realizar esta tarefa, a Educação Física deve sobretudo, preservar, manter e aprofundar a sua especificidade na escola. Deve, evidentemente, fazer isto sem isolar-se ou colocar-se à parte e alheia. E como se preserva o que é seu? Sabendo, sobretudo, o que é seu e assim, certamente, exacerbando muito mais conflitos e dores. Nosso ponto de partida são algumas certezas, poucas e provisórias. Elas são como vórtices para impulsionar vôos mais audaciosos. A partir delas podemos tomar posse do que é nosso e negar, reconstruir, superar, diferenciar, adequar... criar e brincar.

Parece-me sobretudo importante não acreditar que tudo o que há em nossa formação vai se transformar em conhecimento a ser ensinado aos alunos de uma escola. Há campos e níveis de conhecimento que dão suporte, base, apoio, sustentação àquilo que o professor ensina, mas que não se constituem em conteúdo de ensino.

"Não considere seus alunos tolos", observa Snyders[6]. Este alerta é importante, especialmente quando se trata de Educação Física. Crianças e jovens quando chegam a escola (desde que não possuam nenhuma deficiência mental) andam, correm, saltam. Os atos de andar, correr, saltar, são atos da vida diária, da vida em sociedade, são traços da cultura que já inscreveu nos corpos estas ações. Todavia, estes atos da vida diária foram codificados ao longo da história do homem em universos de saber: técnico, científico e cultural. Esta codificação sim poderá ser objeto de ensino da Educação Física. Por exemplo: o ato de andar será para a ginástica o conjunto de passos como por exemplo o "passo picado", "cruzado", "passo valsa", etc.; o ato de correr será uma prova para o Atletismo como a corrida de velocidade, de meio-fundo, de fundo, com barreiras, etc.; o ato de saltar será o salto com vara, o salto triplo, em extensão, em altura; ou na ginástica o salto sobre o cavalo, o salto grupado, salto afastado, salto carpado[7], etc. O ato de executar um arremesso se vincula ao Atletismo, a Ginástica, aos jogos e jogos esportivos com bola ou outros materiais. É possível afirmar que este ato isolado já foi um dia, na história do homem, um ato de sobrevivência, de defesa, de ataque e se inscreveu em seu corpo, um corpo

...que não é somente a expressão biológica do nosso ser atual, mas a expressão significativa da história do corpo do homem entre os homens. Cada homem é em si a história do Homem, resíduos e vestígios de sua longa e plural história[8].

As prática físicas fora do mundo do trabalho sistematizadas em torno da Ginástica, do Atletismo, dos Jogos, dos Jogos Esportivos, da Dança, possuem características especiais e específicas. Modificam-se pela técnica, pela ciência e, sobretudo, pelas dinâmicas culturais.

Portanto, estas práticas formam um interessante acervo da história do homem e constituem-se em objeto de ensino, são pedagogizadas. Não podem merecer o desprezo que o olhar superficial sugere. Não se esgotam nos clichês: "são movimentos estereotipados", "são repetitivos", "são técnicos", "são para poucos". Quero tentar aqui, pela abordagem histórica, aprofundar a questão da especificidade, daquilo que é do domínio do professor de Educação Física.

SEGUNDA PARTE

A Educação Física Escolar tal como a concebemos hoje - como matéria de ensino - têm suas raízes na Europa de fins do século XVIII e início do século XIX. Com a criação dos chamados Sistemas Nacionais de Ensino, a Ginástica, nome primeiro dado à Educação Física e com caráter bastante abrangente, teve lugar como conteúdo escolar obrigatório[9].

QUADRO DO MOVIMENTO DO PENSAMENTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEU CONTEÚDO DE ENSINO NO TEMPO

MOVIMENTO DO PENSAMENTO NA EDUCAÇÃO FÍSICA CRONOLOGIA CONTEÚDO A SER ENSINADO NA ESCOLA
MOVIMENTO GINÁSTICO EUROPEU SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX - GINÁSTICA QUE COMPREENDIA 

EXERCÍCIOS MILITARES; JOGOS; 

DANÇA; ESGRIMA; EQUITAÇÃO; 

CANTO.

MOVIMENTO  ESPORTIVO AFIRMA-SE A PARTIR DE 1940 - ESPORTE - HÁ AQUI UMA  HEGEMONIZAÇÃO DO ESPORTE NO  CONTEÚDO DE ENSINO.
PSICOMOTRICIDADE AFIRMA-SE A PARTIR DOS ANOS 70 ATÉ OS DIAS DE HOJE - CONDUTAS MOTORAS
CULTURA CORPORAL

CULTURA FÍSICA

CULTURA DE MOVIMENTO

TEM INÍCIO NO DECORRER DA DÉCADA DE 80 ATÉ NOSSOS DIAS - GINÁSTICA, ESPORTE, JOGO, 

DANÇA, LUTAS, CAPOEIRA...

A Ginástica compreendia marchas, corridas, lançamentos, esgrima, natação, equitação, jogos e danças[10]. Surgiu na sociedade ocidental moderna como um movimento de caráter popular e sem qualquer relação com a instituição escolar. Este movimento, bastante vigoroso em todo o século XIX, teve sua denominação definida a partir do país de origem e ficou também conhecido como "escolas" ou "métodos de ginástica"[11]. Os mais conhecidos no Brasil foram o Método francês, alemão e sueco, sendo o mais divulgado e que serviu de modelo para um método nacional de ginástica em nosso país, o Método francês[12]. Estes métodos e/ou escolas de ginástica não pensaram a Ginástica na escola, mas os pedagogos e os médicos buscaram neles os princípios básicos para elaborar os conteúdos de ensino da escola, uma especificidade da Ginástica para a escola. Esta Ginástica compreendia exercícios individuais, em duplas, quartetos; o ato de levantar e transportar pessoas e objetos; esgrima; danças; jogos e posteriormente, já no final do século XIX, os jogos esportivos; a música; o canto e os exercícios militares. Durante todo o século XIX vamos encontrar esta abrangência e diversidade de conteúdos de ensino e, sobretudo, uma clara especificidade.

As ciências que dão suporte aos estudos e pesquisas deste conteúdo são aquelas de natureza física e biológica. E isto se deve ao fato de, naquele momento, não haver ainda uma ciência de natureza social. Aqueles que pensaram a atividade física a partir de parâmetros científicos, naquele momento, o fizeram com os instrumentos de seu tempo. É preciso acentuar por exemplo que a Sociologia só irá se constituir como ciência na segunda metade do século XIX e seu estatuto foi dado elaborado a partir da Física; a Antropologia foi, em suas origens, basicamente determinada pela história natural; a Psicologia de fortes características experimentais é também filha deste período; a História era metodologicamente dominada pelo relato cronológico protagonizado pela nobreza, igreja e Estado[13]. Ficavam as atividades físicas, quando tratadas pela ótica científica, e isto era um fator fundamental à sua afirmação e desenvolvimento, diretamente ligadas ao universo científico já constituído, ou seja, aquele das ciências naturais. A partir da última década do século XIX, o termo ginástica ainda é largamente utilizado para denominar a aula que trata das atividades físicas, mas já vem surgindo um outro termo, com o qual convivemos até hoje: Educação Física. Este termo vem acompanhado de um requinte no âmbito da pesquisa científica. Tem lugar a educação do gesto, pensada a partir de análises laboratoriais[14]. Tem lugar também um conteúdo predominantemente de natureza esportiva. A abrangência anterior perde terreno para a aula como o lugar do treino esportivo e do jogo esportivo como conteúdo senão único, certamente predominante. O modelo de aula é buscado nos parâmetros fornecidos pelos métodos de treinamento. As partes constitutivas de uma aula são ditadas mais pela Fisiologia, agora já acrescida do item "esforço", do que pela Pedagogia. Uma parte inicial da aula será destinada a um trabalho de natureza aeróbica, com um tempo para corridas e saltitamentos; numa segunda parte da aula vamos encontrar exercícios de força, flexibilidade e agilidade; numa terceira parte alojam-se os fundamentos de um determinado jogo esportivo com sua posterior aplicação propriamente dita e, para finalizar, há uma volta a calma. A obra de Auguste Listello é singular para afirmar esta hegemonia esportiva no ensino de Educação Física na escola, bem como o modelo de aula baseado nos parâmetros do treinamento esportivo[15]. Todavia, cabe ressaltar que, mesmo com a predominância de um conteúdo de natureza esportiva, a já chamada Educação Física mantém sua especificidade no interior da instituição escolar. O seu conteúdo é de domínio daquele que ensina. Esta situação da chamada Educação Física, pelo menos no Brasil, persiste até a década de 70 quando então, passamos a vivenciar uma situação inédita. A Educação Física perde sua especificidade. Talvez este seja um dos momentos mais ricos e mais contraditórios de sua história recente. Com a afirmação, num primeiro momento da Psicomotricidade[16] nós vamos ter um lado, um vigoroso envolvimento da Educação Física com as tarefas da escola, com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender (talvez bem mais do que com o de ensinar), com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores. Mergulhamos num outro universo teórico, metodológico e lingüístico. Descobrimos, naquele momento, que estávamos na escola para algo maior, para a formação integral da criança. A Educação Física era apenas um meio. Um meio para aprender Matemática, Língua Portuguesa, História, Geografia, Ciências... era um meio para a socialização. Meio, esta metáfora biológica e evolucionista foi largamente utilizada pela Educação de um modo geral e pela Educação Física de modo específico. Naquele momento, a Educação Física não tem mais um conteúdo seu, ela é um conjunto de meios para... ela passa a ter um caráter genérico: será de reabilitação? de readaptação? de integração? Talvez ela tenha se tornado um pouco de tudo isto sem exatamente ser tudo isto. Afinal onde ficou a especificidade? Não dá para esquecer que este foi o momento no qual todas as pessoas envolvidas ou não com ensino, davam palpites sobre o que deveria ou não ser do domínio da Educação Física na escola. E o professor começava a sentir-se constrangido se ele não falasse o discurso da psicomotricidade ou melhor, se ele dissesse que ensinava ginástica, esportes, etc. O discurso e prática da Psicomotricidade pretendeu então substituir o conteúdo até então predominante, de natureza esportiva. Talvez possamos sugerir que é a primeira vez em sua história na instituição escolar que a Ginástica, depois chamada de Educação Física é substituída ou pretende-se que seja, por um conhecimento do professor, um conhecimento básico e fundamental de sua formação, mas não necessariamente um conhecimento a ser pedagogizado, ensinado. Conforme podemos observar no quadro apresentado é possível afirmar que as atividades criadas pelo homem no plano da técnica, da ciência e, portanto, da cultura, prevaleceram como conteúdos de ensino da Educação Física até o surgimento da Psicomotricidade no seu domínio, muito embora desde o século XIX já houvessem estudos bastante precisos sobre o gesto e sobre o ato de aprender este gesto. Desde o século XIX, o movimento genérico dos animais e do homem foi objeto de atenção e de um grande número de pesquisas experimentais. A análise do movimento é um tipo de estudo que encontramos de modo mais compreensível já em Amoros e Ling na primeira metade do século XIX e de modo mais preciso, dados os avanços científicos, em Demeny já no final do século XIX e, sobretudo na primeira década deste século. Mas o que aparece como conteúdo de ensino, repito, é a Ginástica, o Jogo Esportivo, a Dança, a Esgrima, Canto, Música. Desde suas origens na sociedade ocidental moderna, vamos sempre encontrar a inegável importância de um conhecimento do corpo sob o ponto de vista da anatomia, fisiologia e mecânica do movimento. Mas também, desde as suas origens vamos encontrar preocupações de natureza pedagógica, busca de relação entre o físico e o mental, socialização, etc. Mas o conteúdo de ensino está lá, mantém seu caráter de especificidade, altera-se em abrangência, profundidade, mas não se confunde.

O discurso e prática da Educação Física sob a influência da Psicomotricidade, coloca de modo nunca antes visto a necessidade do professor de Educação Física sentir-se um professor com responsabilidades escolares, pedagógicas. Busca desatrelar sua atuação escolar dos cânones da instituição desportiva, valorizando o processo de aprendizagem e não mais a execução de um gesto técnico isolado. Muito bem, se de um lado isto foi extremamente benéfico, de um outro foi o início de um abandono do que era específico da Educação Física, como se o que ela ensinasse de específico fosse, em si, maléfico ao desenvolvimento dos alunos e a sua inserção na sociedade. A crítica de natureza mais política que se instaura na década de 80 vai exacerbar, agora com outras tintas, a negação do conteúdo da Educação Física atribuindo ao Esporte e a Ginástica, sobretudo, o caráter de elementos de alienação. As análises de conjuntura substituíram as discussões propriamente acadêmicas que, embora constitutivas de uma dada conjuntura, guardam sua diferença. Uma vez mais se afirmou um discurso que negou a especificidade da Educação Física. Talvez nós sejamos um tipo de professor que em grau maior do que aqueles de outras matérias, costuma valer-se de conceitos de sua própria área em tom pejorativo, denegrindo o que deveria ser de seu domínio. Fazemos tábula rasa do que foi produzido ao longo de quase 200 anos. Não conseguimos acompanhar o movimento do pensamento e perceber como o conhecimento se amplia, se refaz pelos avanços da técnica, da ciência e pela inserção de diferentes práticas em diferentes culturas. Os clichês influenciam mais do que as inúmeras e inúmeras obras sobre Ginástica, sobre Jogo, Dança, e, sobretudo Esportes. É agradável constatar que os anos 90 trouxeram um olhar mais abrangente aos estudos e pesquisas sobre a Educação Física Escolar. Os reducionismos de natureza biológica, psicológica e social parecem não ter mais lugar no debate da área.

Hoje já é possível, no âmbito da Educação Física, pensar a ciência fora dos limites do positivismo e perceber que para tratar das atividades físicas em suas determinações culturais específicas, o conhecimento do homem implica em saber que a sua subjetividade e razão cognoscitiva se instalam em seu corpo e as linguagens corporais constituem-se em respostas a esta compreensão.
Sem esquecer a provisoriedade do conhecimento, afirmo aqui esta retomada da Educação Física como o lugar de aprender Ginástica, Jogos, Jogos Esportivos, Dança, Lutas, Capoeira.
Talvez as pesquisas sobre ensino hoje já possam romper com a visão tecnicista e mergulhar no conteúdo de cada área. Talvez hoje, estejamos necessitando estudar Ginástica, Jogos, Dança, Esportes e de posse destas fantásticas atividades codificadas pelo homem em sua história valer-se, criativamente, de metodologias que encerrem valores mais solidários, que apontem para uma saudável relação entre indivíduo e sociedade e vice-versa. O Ensino da Ginástica ou de qualquer Jogo Esportivo, por exemplo, sempre encerrará em seu interior uma dimensão técnica. Mas uma dimensão técnica não significa nem tecnicismo nem "performance". O lugar da "performance" não é na escola. O caráter lúdico pode prevalecer sempre numa aula de Educação Física, desde que ela seja realmente uma aula, ou seja, "um espaço intencionalmente organizado para possibilitar a direção da apreensão, pelo aluno, do conhecimento específico da Educação Física e dos diversos aspectos das suas práticas na realidade social"[17].

Aqui retomo a afirmação de Snyders: "não considere seus alunos tolos", eles não gostam de coisas fáceis, óbvias. Como observa Betti em sua pesquisa sobre a percepção do aluno em aulas de Educação Física, "os alunos realmente não desejam que todas as coisas sejam fáceis. O desafio de algo difícil, mas realizável é almejado por eles. Afirmam que querem aprender melhor, que quanto mais aprenderem, melhor a aula se tornará..."[18].

O que confirma a necessidade da aula ser de fato, um lugar de aprender coisas e não apenas o lugar onde aqueles que dominam técnicas rudimentares de um determinado esporte vão "praticar" o que já sabem, enquanto aqueles que não sabem continuam no mesmo lugar.

Outro aspecto que precisa ser considerado é aquele que diz respeito a "escolha" do conteúdo por parte do aluno. O aluno "escolhe" Vôlei e passa sete anos na escola "jogando" Vôlei. Ou então o professor "escolhe" Handebol e o aluno passa anos "jogando" Handebol. Imaginemos o professor de Língua Portuguesa, por exemplo "escolher" "análise sintática" e trabalhar somente com análise sintática, ou o aluno "escolher" "redação". Se estamos na escola, devemos dar um tratamento escolar ao conteúdo e, sobretudo dar lugar a abrangência que ele possa ter.

De todos os conteúdos de ensino presentes em aulas de Educação Física parece-me que aqueles da natureza esportiva sempre predominaram. O que não é algo ruim, conforme observa Betti em sua pesquisa, afirmação com a qual compartilho. Mas afirma ainda Betti que faltam muitas coisas nas aulas de Educação Física e assim pergunta: "como explicar isto tendo em vista que aprendemos nos cursos de nível superior tantos conteúdos?[19].

CONCLUSÃO

Retomo uma afirmação já feita, a de que a Educação Física na escola é um espaço de aprendizagem e, portanto, de ensino. E o que ela ensina?
Historicamente a Educação Física ocidental moderna tem ensinado O JOGO, A GINÁSTICA, AS LUTAS, A DANÇA, OS ESPORTES. Poderíamos afirmar então que estes são conteúdos clássicos. Permaneceram através do tempo transformando inúmeros de seus aspectos para se afirmar como elementos da cultura, como linguagem singular do homem no tempo. As atividades físicas tematizadas pela Educação Física se afirmaram como linguagens e comunicaram sempre sentidos e significados da passagem do homem pelo mundo. Constituem assim um acervo, um patrimônio que deve ser tratado pela escola. E como afirma VAGO, a contribuição da Educação Física, neste caso, será a de colocar os alunos diante desse patrimônio da humanidade, que tem sido chamado por alguns autores de "cultura física" (Betti, 1991), "cultura de movimento (Bracht, 1989) ou "cultura corporal" (Soares, Taffarel, Varjal, Castellani Filho, Escobar & Bracht, 1992)[20].

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