segunda-feira, 25 de junho de 2012

08:56

Importância das brincadeiras de rodas na escola

Reunir a turma em círculo para cantar e dançar é mais que resgatar uma brincadeira antiga e popular para proporcionar diversão aos pequenos. Brincar de roda (ou de ciranda, como é dito em algumas regiões do Brasil) é uma maneira de se expressar artisticamente. Ao propô-la, o professor desenvolve nas crianças a compreensão da capacidade que elas têm de se mexer, criar e controlar os próprios movimentos. "Isso provoca o descobrimento do próprio corpo e de tudo o que é possível fazer com ele", explica Silvia Lopes, professora de dança na Escola Grão de Chão, no Espaço Brincar, na Escola Jacarandá e no Colégio Oswald de Andrade, todos na capital paulista.

E, por ser uma atividade que obrigatoriamente tem de ser realizada em grupo, os pequenos aprendem a importância de se relacionar com os colegas, respeitando o espaço e a vez de cada um, segundo Arlenice Juliani, arte-educadora do Grupo de Estudos de Danças Circulares. Esse é um ponto importante a ser trabalhado durante as cirandas, já que explorar atitudes cooperativas e solidárias é um dos principais objetivos da Educação Infantil.

Quando organiza rodas populares, como Ciranda, Cirandinha, Atirei um Pau no Gato e Esquindô-Lê-Lê, o educador também proporciona a introdução a um importante conteúdo a ser trabalhado no Ensino Fundamental pelas disciplinas de Educação Física e Arte - a dança -, já que a atividade favorece o contato com os hábitos musicais de outras culturas, como a pernambucana e a cigana, o desenvolvimento da noção de ritmo e a percepção da necessidade de ajustar as expressões corporais à música cantada. "Quando brincamos de roda com as turmas da pré-escola, exploramos a aprendizagem dos movimentos feitos coletivamente", diz Eva Maísa, coordenadora pedagógica EM Maria Elisa Quadros Câmara, em Bragança Paulista, a 90 quilômetros de São Paulo.

Apesar da possibilidade de trabalhar vários aspectos durante as cirandas, é importante lembrar que, por mais que algumas das músicas deixem claro como os movimentos devem ser feitos, a garotada ainda não tem muita capacidade de executar todos com precisão na Educação Infantil. A expectativa não pode ser essa. O importante é que todos participem, se relacionem bem com o grupo e tentem executar os comandos corretamente com o passar do tempo. Então, o professor não pode ficar fora da brincadeira.

Ele é um modelo para as crianças e fornece o repertório de gestos e posturas a serem imitados. Outro papel que cabe a ele é pensar as adequações necessárias para tornar os movimentos mais convenientes ou desafiadores. Com um pouco de pesquisa na comunidade local e em livros que abordam o tema historicamente e reúnem sugestões da brincadeira, descobre-se que, mais que rodar de mãos dadas, muitas cirandas podem ser vivenciadas de maneiras diversas, como com os pés entrelaçados e de costas para o centro da roda.
08:42

Brincadeiras de roda

Como funciona
Os participantes, de mãos dadas, formam um círculo e cantam uma cantiga. Em geral, todos seguem o que sugere a música, como girar para a esquerda ou para a direita, levantar ou abaixar. Existem variações em que um dos integrantes fica no meio da roda e tem de sair dela, por exemplo. Farinhada, Ciranda Cirandinha, Cipozim, O Limão Entrou na Roda, Corre Cotia, Olha o Macaco na Roda e Fui à Espanha são algumas das cirandas mais tradicionais do Brasil.

Origem
Embora as cantigas de roda de diferentes povos tenham caráter universal e façam parte da cultura, acredita-se que a influência africana tenha sido fundamental para a disseminação das cirandas em solo nacional.

Por que propor
Para que os pequenos aprendam a coordenar movimentos com o ritmo e as mensagens das cantigas.

Como enriquecer o brincar
■ Converse com a turma, depois de brincar, sobre as palavras citadas durante a canção e seus significados para que eles compreendam melhor os comandos citados.
■ Pesquise com o grupo referências nacionais das cirandas, como Lia de Itamaracá, de Pernambuco, para enriquecer o repertório.
■ Participe da roda tornando-se um ponto de referência para os que ainda não sabem o que fazer.

O erro mais comum
Segurar as crianças pelos braços para ajudá-las a executar alguns movimentos. O ideal é se limitar aos comandos verbais, explicando os passos da brincadeira com calma. 
08:41

Decifrando as brincadeiras de correr


Como funciona
Uma ou mais crianças são eleitas como pegadores (que podem receber os nomes de polícia, gato, mãe da rua). As demais, chamadas de ladrões e ratos, por exemplo, têm de fugir deles. Quem for apanhado assume a posição de pegador. Em algumas variações, há um pique, local designado pelo grupo como neutro, onde se fica a salvo. Para ajudar os fugitivos, é possível combinar ainda formas de salvamento, como passar por baixo das pernas do colega para imunizá-lo. Existem diversas modalidades: pique-altinho, rio vermelho, pega-pega, esconde-esconde e pega-chiclete, entre outras.

Origem
Esse tipo de diversão existe desde a Antiguidade. O que muda, com o passar do tempo e nas diferentes culturas, é a personalização dos participantes. Os carajás, por exemplo, brincavam de lobos e carneiros.

Por que propor
Para as crianças desenvolverem formas diversas tanto para a fuga como para a captura.

Como enriquecer o brincar
■ Pergunte aos pequenos, no fim da brincadeira, como eles fizeram para se safar do pegador e para pegar os colegas, socializando as estratégias.
■ Explore brincadeiras desse tipo para as crianças conhecerem várias regras.
■ Participe como pegador para os menores compreenderem a dinâmica.

O erro mais comum
Comparar e julgar o desempenho das crianças. Isso desestimula a participação delas e faz com que brinquem pensando somente no resultado final.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

07:04

Acidentes e primeiros socorros na Educação Física escolar

Introdução

    Em 1958, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o termo "acidente" como um acontecimento independente da vontade humana, provocado por força exterior que atue rapidamente sobre o indivíduo, com conseqüente dano físico ou mental (BATIGÁLIA, 2002).

    A ocorrência de acidentes é tão antiga quanto o aparecimento do próprio homem e podem ocorrer na rua, em um shopping, e até mesmo dentro de casa. Se falarmos de situações nas quais se pratica atividade física, em academias, nos parques e, principalmente, na escola, o risco de acidentes aumenta ainda mais.

    As pausas entre as aulas ou a "hora do recreio" representam um momento de tempo livre e, em geral, os alunos aproveitam para brincar. Muitas vezes essas atividades provocam acidentes, que são naturais nessa faixa etária, mas que podem deixar seqüelas irreversíveis caso não tenham o atendimento adequado.

    As aulas de Educação Física (EF) também representam momentos em que os alunos executam movimentos ou atividades nas quais podem ocorrer vários tipos de acidentes, sejam por uso indevido de materiais, aparelhos, vestimenta ou mesmo o contato físico.

    Na escola, muitas vezes, o professor de EF é solicitado a comparecer no momento em que ocorre uma emergência ou acidente com os alunos. Mas, será que o professor está preparado para esse tipo de emergência?

    A falta de preparo da comunidade escolar e dos professores impede o auxílio na hora em que ocorre o acidente e podem causar conseqüências graves para o aluno, prejuízos para o professor e para a escola.

    Será que existe nos cursos de licenciatura e graduação uma disciplina que trate dos assuntos de socorros de urgência nas escolas? Quais os procedimentos adotados quando um aluno sofre algum tipo de lesão nas aulas ou nas dependências da escola? Quais são os principais motivos dos acidentes? Essas perguntas nortearam e motivaram esse trabalho de pesquisa.

    Desta forma, a proposta deste trabalho foi verificar junto aos profissionais da EF:

  1. quais as principais causas de acidentes nas aulas de EF;

  2. quais são os procedimentos adotados pelo professor de EF e pela escola frente a acidentes nas aulas;

  3. qual a orientação que o profissional teve em seu curso de formação quanto aos socorros de urgência e;

  4. qual a percepção do profissional sobre a importância dos conhecimentos e procedimentos de pronto atendimento nas escolas e na prática de atividades físicas em geral.

    Para que os objetivos fossem alcançados foi necessário realizar um detalhado estudo das informações obtidas através da literatura e principalmente das entrevistas com os profissionais de EF, conhecer os procedimentos e a percepção desses professores sobre primeiros socorros.

Revisão de literatura

A Legislação e os acidentes na escola: direitos e deveres

    O Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), esclarece no artigo quarto que é dever da família, da comunidade e do Poder Público assegurar, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação e à educação. Garante, dessa forma, às crianças e adolescentes a "primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias" (p. 1-2).

    Liberal (2005) alerta que a questão dos acidentes e violências é um grave problema de saúde pública e que diversas instituições particulares e públicas vêm tomando iniciativas para assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes. Um acidente que ocorre na escola pode gerar vários transtornos para a instituição. Além da responsabilidade legal, o professor ao atender um acidentado, abandona os outros alunos, situação que facilita a ocorrência de outro acidente durante a sua ausência. Outro problema que surge nessa situação é o período que os outros alunos permanecerão sem aula o até a sua volta. (GONÇALVES, 1997).

    O Código Penal Brasileiro, artigo 135, (BRASIL, 1940), esclarece que deixar de prestar assistência, à criança ou não pedir socorro da autoridade publica, é passível de pena – detenção de um (1) a seis (6) meses ou multa. "A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplica se resulta a morte" (p. 82).

A Escola é segura?

    Liberal (2005) relata que a Organização das Nações Unidas (ONU) fundamenta que o conceito de segurança humana deve estar centrado no desenvolvimento do ser humano, abrangendo a segurança de todos os cidadãos no seu cotidiano: nas vias públicas, no trabalho, na escola, no lazer, no lar.

    Crianças e adolescentes tendem a passar aproximadamente um terço do dia na escola e no caminho em direção a ela. O Censo Escolar de 2006, realizados pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) contabilizam aproximadamente 55,9 milhões de crianças e adolescentes matriculadas nas diferentes etapas da educação básica (BRASIL, 2006).

    Quando falamos a respeito de escola, prevalece uma idéia de ambiente seguro, entretanto, muitos recintos na escola, como as escadas, os corredores, o pátio e, principalmente, a quadra esportiva, são palco de diversos acidentes.

    Harada (2003) faz referência a uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, que aponta que, a cada ano, 3,7 milhões de crianças sofrem acidentes nas escolas. Outra investigação realizada em 20 escolas participantes do projeto Unimed Vida, na cidade de Blumenau, no ano de 2000, revela que, dos 287 acidentes registrados no período de um ano, verificou-se que 117 (41%) deles ocorreram na quadra esportiva. A maior incidência de acidentes (55%) aconteceu durante as aulas.

    Collucci (2006) apresenta dados de uma pesquisa feita em 23 escolas públicas e privadas de São Paulo: 78% de crianças vítimas de acidentes se machucaram com adultos por perto. Esse trabalho, realizado pela ONG Criança Segura e pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), mostra a importância de estar preparado para atuar em uma emergência.

    Uma prática muito adequada é que se observem princípios gerais com vistas a evitar a ocorrência de acidentes. Pode-se citar, entre outras, a periculosidade dos pisos escorregadios ou das divisões de ambiente com superfícies envidraçadas (GONÇALVES, 1997).

As aulas de EF

    Wharley e Wong (1999) advertem que a maioria das lesões acontece durante a participação em esportes de recreação, e não em competições atléticas organizadas, e que lesões graves podem ocorrer durante a prática de esportes de contato intenso ou com pessoas que não estão fisicamente preparadas para a atividade. Os autores lembram, ainda, que a própria atividade impõe um risco em maior ou menor grau, mas o ambiente e o equipamento para o esporte ou para a recreação comportam riscos adicionais.

    Flegel (2002) relata que, embora a preparação e a manutenção da área de jogo possam ser responsabilidades de outros funcionários, ainda assim é do profissional de EF a responsabilidade de verificar a segurança. Sujeira, pisos escorregadios, traves quebradas, quadras esportivas desgastadas e vários outros problemas podem causar lesões nos alunos.

    Com o passar do tempo e devido às boladas, gradis e alambrados desprendem pontas de arames e, portanto, fazem das quadras esportivas um local de risco. Equipamentos e instalações devem ser adequados à maturidade dos participantes. As crianças devem ser ensinadas sobre as regras dos jogos e lembradas que muitas regras existem para a sua segurança (EUPEA, 2002).

O profissional da EF deve estar preparado para agir de maneira eficiente, segura e adequada frente a um acidente que possa ocorrer em sua prática pedagógica. Não se pode aprender como se preparar para as lesões pelo método de tentativa e erro (FLEGEL, 2002).

    A EUPEA (Associação Européia de Educação Física) traz, em seu "Código de Ética e Guia da Boa Prática de Educação Física", seção B, item 8, as seguintes informações a respeito de segurança durante as aulas:

  • Professores de Educação Física e outros professores envolvidos na organização de atividades esportivas ou times devem ter conhecimento de Primeiros Socorros ou direto acesso a outros que tenham esse conhecimento...

  • Toda atividade física deve ser governada por um claro e largamente conhecido e entendido procedimento de emergência (EUPEA, 2002).

    O fato de lidar fundamentalmente com o corpo e com o grupo faz com que o aluno, ao enfrentar dificuldades e ansiedades relacionadas à saúde, procure o professor de EF, e não o professor que ensina gramática ou álgebra (GONÇALVES, 1997).

    Ocorre, muitas vezes, que a falta de conhecimento em primeiros socorros leva professores de EF a optarem por não intervir diretamente no auxílio ao aluno até que seja inevitável sua atuação, como no caso de acidentes que tragam risco de morte.

Primeiros Socorros: atitude e disciplina curricular

    De acordo com Gonçalves (1997) e Dib (1978), as primeiras providências, que podem ser tomadas enquanto não chega auxílio médico, são fundamentais para que se possa salvar uma vida. A essa intervenção o segundo autor dá o nome de primeiros socorros.

    Para Garcia (2005), primeiros socorros não se resumem a procedimentos técnicos; uma pessoa pode prestar primeiros socorros apenas conversando com a vítima ou improvisando instrumentos.

    Brasil (2007) mostra, no Cadastro das Instituições do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que, no Município de São Paulo, existem cadastrados trinta e dois (32) cursos de EF, em dezoito (18) Instituições de Ensino Superior.

    Em sondagem assistemática, junto às faculdades de EF, através dos sites, constatamos que 83% dessas instituições oferecem a disciplina Primeiros Socorros ou outra disciplina que contém o assunto de socorros de urgência em sua grade curricular.

    Parece existir também uma preocupação em preparar todos os profissionais da educação para a prevenção de acidentes e atendimento de emergência nas escolas. Dessa forma, a Secretaria Municipal de Saúde do município de São Paulo desenvolveu o Manual de Prevenção de Acidentes e Primeiros Socorros nas escolas, que é utilizado em cursos para profissionais de ensino (SÃO PAULO, 2007). Para reduzir os índices de acidentes em escolas públicas, funcionários estão passando por um curso de capacitação, orientação e primeiros socorros e também noções de salvamento em casos de acidentes.

Material e métodos

    Para a pesquisa de campo foram entrevistados vinte e cinco (25) professores de EF de 74 escolas públicas do ensino fundamental no Município de Barueri. Dos profissionais consultados 14 eram do sexo feminino e 11 do masculino, formados a mais de 5 anos, com idade média de 36,5 anos.

Temas geradores utilizados nas entrevistas sobre Primeiros Socorros

  1. É formado (a) há quanto tempo ?

  2. Quais as principais causas de acidentes nas aulas de Educação Física?

  3. Caso tenha prestado algum tipo de socorro fora de sua aula, pode dizer o que precisou fazer nessa ocasião?

  4. Durante sua aula um aluno sofre um corte ou tem uma convulsão. Qual a sua atitude nessas duas situações? Qual o procedimento da escola no caso de acidente com aluno?

  5. Em seu curso de formação havia alguma disciplina que ensinava técnicas de Primeiros Socorros? Acha que o conteúdo ministrado foi suficiente?

  6. Após se formar participou de algum curso de primeiros socorros? Acha se tratar de um assunto relevante para sua profissão e que seria importante que tivessem cursos de aperfeiçoamento sobre primeiros socorros?

  7. Sabe dizer qual é o tipo de pena previsto no Código Penal para os casos de omissão de socorro?

    Foram realizadas entrevistas com temas geradores, a respeito das causas dos acidentes na escola e nas aulas de EF, sobre os procedimentos que são adotados nessas situações e a percepção do profissional sobre a importância do assunto.

    A opção por uma investigação qualitativa, com o uso de entrevista semi-estruturada, tem como base os esclarecimentos de Tibeau (2001), que concorda com diversos autores sobre a riqueza de pormenores que a entrevista pode fornecer ao pesquisador. As descrições do entrevistado revelam seu modo de encarar o mundo e a relação interpessoal que se estabelece entre pesquisador e entrevistado são fatores essenciais para extrair informações relevantes. Entender a visão dos sujeitos em seu contexto de trabalho proporciona respostas sob sua perspectiva pessoal, levando-os a expressar livremente suas opiniões.

    As entrevistas aconteceram nas escolas durante o horário das aulas e todos os professores convidados aceitaram colaborar prontamente. Para não comprometer o tempo desses colaboradores, as entrevistas foram gravadas, sendo posteriormente transcritas e adicionadas ao trabalho.

    Procedeu-se a uma análise e categorização das respostas dadas pelos profissionais. A quantificação das respostas se deu a partir do número de afirmações dos docentes consultados, em forma de freqüência e porcentagem.

Resultados

    A Tabela 1 mostra os resultados obtidos para a pergunta sobre as principais causas de acidentes nas aulas de EF.

Tabela 1. Principais causas de acidentes durante as aulas

Principais Causas

Freq.

Porcentagem

Condições da Quadra

19

35,84%

A atividade em si/ contato físico

7

13.20%

Calçado/ uniforme inadequado

5

9.43%

Falta de habilidade do aluno

5

9.43%

Ansiedade

4

7.54%

Falta de disciplina/ brincadeira dos alunos

4

7.54%

Desatenção/ distração/ descuido dos alunos

3

5.66%

Atividade mal direcionada/ má proposta dos professores

3

5.66%

Grande número de alunos

1

1.88%

Não tem motivo especifico

2

3.77%

Total

53

100%

    É possível constatar que, mesmo as condições da quadra ou local onde se realizaram as aulas ser considerado a maior causa de acidentes, os professores atribuem uma grande responsabilidade dos acidentes ao próprio aluno, seja por questões de (in) disciplina, brincadeiras ou inabilidade.

    Outra questão feita aos professores foi se eles eram chamados para prestar primeiros socorros quando ocorria algum acidente na escola, fora da aula de EF e qual o procedimento que costumam adotar para alguns casos. Os resultados são apresentados na tabela abaixo.

Tabela 2. Procedimento adotado pelos professores em acidentes fora de sua aula

Procedimento adotado

Freqüência

Porcentagem

Não foram solicitados

12

48%

Verificar queda/ aplicação gelo

4

16%

Desmaio/ encaminhamento ao pronto socorro

3

12%

Lavar/ estancar sangramento

2

8%

Imobilizaram fratura com tala improvisada

2

8%

Atropelamento/ solicitação de resgate

1

4%

Manobra p/ desengasgar

1

4%

Total

25

100%

    Do total de professores consultados 52% afirmam que foram ou são chamados a auxiliar quando algum aluno sofre um acidente na escola, mesmo fora de sua aula. Parte dessa pergunta (sobre procedimentos) e os outros temas geradores tinham como objetivo perceber qual a atitude do professor frente a um acidente na escola e não avaliar o nível de conhecimento do profissional. Em nossa análise os profissionais demonstraram um conhecimento bastante razoável em relação à tomada de decisão.

    Ou seja, 92% deram respostas que teriam atuação direta no ocorrido, somados aos que indicaram que socorreriam o aluno, temos um índice satisfatório no que diz respeito à atitude adotada em situações de emergência.

    Todos os professores responderam que o procedimento da escola frente a acidentes com alunos é levar ao pronto socorro e, se necessário, avisar os pais.

    Questionados quanto à existência da disciplina de procedimentos de socorros de urgência durante o curso de formação, 96% (24 professores) responderam afirmativamente e 4% (1) respondeu não se lembrar.

    A tabela a seguir mostra as respostas dadas para a questão do conhecimento obtido sobre primeiros socorros no curso de formação profissional.

Tabela 3. Suficiência do conteúdo na disciplina de Primeiros Socorros

Suficiência do conteúdo

Freqüência

Porcentagem

Não suficiente

9

36%

Sim/ Bom

8

32%

O básico

4

16%

Superficial

2

8%

Pouca pratica

1

4%

Não lembro

1

4%

Total

25

100%

    Pouco mais da metade (60%) dos profissionais entrevistados já havia participado de algum curso de primeiros socorros depois que se formou. Todos, inclusive os que não fizeram curso após terem se formado, afirmaram que "primeiros socorros" é um assunto relevante para a profissão.

    Um assunto emergiu durante as entrevistas, mas não constava nos objetivos do trabalho. Procuramos saber dos professores se tinham conhecimento da existência de alguma punição ou pena legal em casos de omissão de socorro. Sobre isso, 84% (21 professores) não sabiam responder e 16% (4) responderam prisão/ detenção/ reclusão.

    Pode-se perceber que os profissionais têm conhecimento de que existe uma punição para a omissão, mas desconhecem qual é a lei e a pena que determinam essa punição. Infelizmente, temos que constatar que falta essa informação a classe profissional.

Discussão

    Os dados obtidos através dos relatos dos profissionais, referentes às causas dos acidentes durante as aulas, reforçam as opiniões de autores como Gonçalves (1997) e Flegel (2002), de que os materiais utilizados nas aulas de EF, assim como as condições dos locais onde as aulas acontecem, podem ocasionar acidentes com os alunos.

    Outra resposta dada pelos professores, que nos causa certa estranheza, foi em relação à "falta de habilidade do aluno" e a imperícia do professor para elaborar as atividades. Estariam assim admitindo o despreparo do professor e a inabilidade para adequar as aulas a cada faixa etária como causadores de acidentes nas aulas.

    Há certa discordância na questão do atendimento ao aluno quando ocorre o acidente. Segundo a pesquisa, a Secretaria de Educação do município determina que o único atendimento que pode ser prestado nas escolas é a assepsia local e aplicação de gelo, enquanto Garcia (2005) aconselha que se tenha um kit de primeiros socorros disponível e atualizado.

    Alguns relatos de professores indicam que, materiais como talas e bandagens, podem ser de grande valia em casos de fratura na qual imobilização é necessária, descartando a utilização de cadernos ou réguas que foram utilizados nessas situações.

    O levantamento realizado junto às Instituições de Ensino corrobora com a pesquisa, demonstrando que os profissionais formados, em sua maioria, tiveram conceitos de primeiros socorros em sua formação. No entanto, os dados também demonstram que, na opinião desses profissionais, o conteúdo transmitido não é o suficiente. Apesar de considerarem importante, somente pouco mais da metade dos profissionais procuraram outros cursos para complementarem seus conhecimentos em primeiros socorros. Isso nos leva a crer que o fato de considerarem interessante, não os fazem buscar um conhecimento mais aprofundado e apropriado.

    Enviamos um e-mail a um dos coordenadores do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física), solicitando alguns esclarecimentos a respeito do assunto, porém o próprio coordenador nos afirmou, em sua resposta, não ter encontrado na legislação do Conselho algo referente ao profissional e às necessidades ou obrigações de se prestar primeiros socorros, bem como as conseqüências nos casos de omissão.

Conclusão

    Baseado no exposto, chega-se à conclusão que as principais causas de acidentes nas aulas de EF das escolas municipais de Barueri são a quadra esportiva, pela falta de segurança, e também a atividade física em si, pelo contato natural existente nas atividades. A partir disso, pode-se concluir que seria possível evitar parte dos acidentes que ocorrem nas aulas se fossem feitas reformas e modificações na estrutura da quadra, após consultar um professor de EF, visando à segurança dos alunos.

    Podemos confirmar após a pesquisa, que realmente os professores de EF são solicitados a comparecer no local quando ocorrem acidentes na escola.

    Conclui-se, também, que é proibido medicar alunos que estão sob responsabilidade da escola, sendo que o único atendimento permitido é a aplicação de gelo, além da assepsia local, em casos de cortes e arranhões. Entendemos que essa seja uma medida correta adotada, pois não há um controle individual de medicamentos que possam ser utilizados.

    Um fato interessante nesse estudo, diz respeito à atitude desses profissionais em situações como cortes e convulsões. A maioria dos professores atuaria efetivamente no ocorrido, prestando assistência ao aluno.

    Podemos concluir que o procedimento adotado frente aos acidentes que ocorrem no recinto escolar é, exceto nos casos supra ditos, conduzir ao Pronto Socorro e avisar os genitores ou os responsáveis pelo aluno. A maior parte das instituições que oferecem o curso de EF no município de São Paulo, possui em sua grade curricular uma disciplina que aborda noções de primeiros socorros. Grande parte dos profissionais entrevistados teve, em seu curso de formação, noções sobre socorros de urgência, porém responderam que o conteúdo ministrado é superficial, não atendendo as necessidades para se prestar socorro. Com isso, faz-se necessário uma reavaliação, por parte dessas instituições, dos conteúdos que são ministrados referentes a socorros de urgência, buscando atingir as necessidades do dia-a-dia escolar.

    Resposta unânime entre os entrevistados é a de que o tema primeiros socorros é de grande relevância para sua profissão. Porém somente 60% dos entrevistados já fizeram algum tipo de curso sobre "Primeiros Socorros" depois de formado. Aproximadamente 64% disseram que seria importante que houvesse curso de reciclagem ou aperfeiçoamento em primeiros socorros. Assim, podemos notar que tanto por parte dos professores, quanto da Secretaria de Educação, falta um maior investimento nessa área. O interesse dos profissionais existe, porém alguns não possuem condições financeiras e tempo para estar realizando tal capacitação.

    Considerando tudo que foi exposto, este trabalho reforça a relevância que este assunto tem, não só para os profissionais de EF, mas para todos os profissionais da área escolar, tornando esse ambiente mais seguro e confiável. Seria interessante, que fosse incluído no planejamento escolar, aulas voltadas a socorros de urgência e prevenção de acidentes, capacitando os próprios alunos nesse tipo de ocorrência.

    Gostaria de relatar a dificuldade em encontrar referências e artigos voltados ao assunto "socorros de urgência e Educação Física escolar", para elaboração do presente trabalho. Com isso, é de suma importância que outros trabalhos sejam realizados nesse sentido, propiciando a comunidade acadêmica e aos profissionais de EF, um maior conhecimento em urgências na pratica de atividade física.

Referências

  • BATIGÁLIA, V. A. Desenvolvimento infantil e propensão a acidentes. HB Cientifica, v.9, n.2, p. 91, mai – ago. 2002.

  • BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei nº 8.069, de 13 de Julho de 1990. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 310 p.

  • BRASIL. Código Penal Brasileiro. Decreto-Lei n.º 2.848, de 7 de Dezembro de 1940. 35.ed. São Paulo: Saraiva, 2001. 828 p.

  • BRASIL. Inep - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Mec, Censo Escolar, 2006.

  • COLLUCCI, C. Acidente infantil ocorre perto de adulto. Folha on-line, São Paulo, 03 jul. 2006. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u123446.shtml. Acesso em: 18 fev. 2007.

  • DIB, C. Z. Primeiros socorros: um texto programado. São Paulo: EPU, 1978. 215 p.

  • EUPEA - Código de ética e guia da prática de educação física. 2002. Disponível em: http://www.cev.org.br/br/biblioteca/artigos_detalhe.asp?cod=105. Acesso em: 11 fev. 2002.

  • FLEGEL, M. J. Primeiros socorros no esporte: o mais prático guia de primeiros socorros para o esporte. São Paulo: Manole, 2002. 190 p.

  • GARCIA, S. B. Primeiros socorros: fundamentos e práticas na comunidade, no esporte e ecoturismo. São Paulo: Atheneu, 2005. 178 p.

  • GONÇALVES, A. (Org.) – Saúde coletiva e urgência em educação física. Campinas : Papirus, 1997. 190 p.

  • HARADA, M. J. et al. Escolas promotoras da saúde: prevenção de morbidade por causas externas no município de Embu. 2003.

  • LIBERAL, E. F. et al. Escola Segura. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, 2005.

  • SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Saúde, 2007. Disponível em: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/noticias/sec/saude/2007/04/0001. Acesso em: 06 maio 2007.

  • TIBEAU,C. Criatividade e criatividade motora: características, indicadores e sua importância na formação do profissional da Educação Física. 2001. 160 f. Tese (Doutorado em Psicologia da Educação) – Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2001.

  • WHARLEY, L. F.; WONG, D. L. Enfermagem pediátrica: elementos essenciais à intervenção efetiva. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. 1130 p.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

09:15

Brincar é muito bom!


As brincadeiras são de grande importância em nossas vidas, principalmente na infância.

Quando estimulamos a criança com brincadeiras, observamos que seu desenvolvimento social, motor, intelectual, tende a ser bem mais rico, fazendo com que elas superem quase todas as propostas se tornando muito mais autônomas.

É importante que façamos um acompanhamento das reações infantis perante as atividades que são executadas.

Estimular a criatividade é um fator importante para seu desenvolvimento, propondo desafios, que para nós adultos parecem banais, mas para elas são de grande valor.
Os pais são os primeiros a realizarem brincadeiras com as crianças, sendo assim quando elas chegam na escola já trazem uma certa experiência. Cabe a nós professores aproveitarmos esse momento e envolvê-las em nosso conviver.

Alguns estudiosos afirmam que a função da criança é brincar, o que nos torna ainda mais responsáveis pelo cumprimento dessa tarefa, tentando descobrir de que forma vamos trazer a alegria e a felicidade nos momentos de troca de saberes com as crianças.

É importante ressaltar que cada um de nós tem alguma coisa para trocar e quando estamos com nossas crianças não só as ensinamos como também aprendemos com elas. O jogar e o brincar, as leva até o mundo lúdico. Porém não só as crianças precisam desses momentos, todos nós temos a necessidade de brincar recebendo uma contribuição bastante significativa para nosso viver e conviver. 

Na escola não é diferente, a Educação Infantil é o momento chave, onde temos que desenvolver muitos potenciais nas crianças e as apoiar para que tenha momentos felizes e estimulantes, fazendo dos momentos em que passamos com elas inesquecíveis e prazerosos.

A criança percebe que pode realizar suas brincadeiras e vai adquirindo confiança em si e com estímulo e coragem dos que vivem ao seu redor, ela realizará diversas atividades que irão contribuir para o seu desenvolvimento, naturalmente e sem grandes problemas. 
Mas será que só até a Educação Infantil?

Podemos realizar atividades lúdicas que contribuirão com a aprendizagem também no fundamental, com isso realizaremos um trabalho com o objetivo de aprender brincando.

Muitas vezes nos prendemos aos conteúdos e achamos que não podemos utilizar atividades lúdicas. Se usarmos a criatividade seremos capazes de realizar bons momentos de aprendizagem com brincadeiras, jogos e outros recursos menos tradicionais.

Pense nisso.

Professora Maria Hermínia de Sousa Guedes
Graduada em Educação Física - UNIFOA
Autora dos livros: Oficina da Brincadeira e Continuando a Brincadeira - editora SPRINT/RJ

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