segunda-feira, 25 de novembro de 2019

04:58

Processos pedagógicos da natação

 

Processos pedagógicos

Se o processo para o desenvolvimento de potenciais habilidades aquáticas implica a superação do medo do desconhecido - no meio aquático, é necessário, evidentemente, pensarmos de antemão na adaptação do praticante a esse novo ambiente, para que seus órgãos sensoriais e seu controle respiratório se acomodem à nova situação.

Talvez as perguntas dos iniciantes sejam parecidas com estas:

1- Como me equilibrar sem me apoiar na borda?
2- Se eu cair como faço para ficar em pé?
3- E se eu afundar? Como vou respirar?
4- Como não "respirar" água? Como não engasgar?
5- Como flutuar e não afundar?
6- E quando não "der pé"? Como atravessar a parte funda?
7- O que eu faço se estiver no fundo e ficar cansado?
8- Como pegar um objeto lá no fundo?
9- Como pular sem dar barrigada?
10- Nadar no rio ou no mar é igual a nadar na piscina?

Pretendemos que, ao se sentir adaptado e relativamente autônomo, o iniciante fique mais confiante, curioso e motivado para aprender outras habilidades fundamentais para a sobrevivência no meio aquático, e que as várias formas de estabilização, com seus respectivos níveis de dificuldade, permitam o acesso e a permanência do aprendiz nesse meio.

Assim, partindo dessas necessidades fundamentais comuns a todos os esportes aquáticos, seguimos aumentando gradativamente a diversificação, a combinação, a dificuldade e a complexidade dos desafios motores, de modo que elas evoluam em função das técnicas específicas de cada modalidade aquática.

É sempre importante frisar que tal mudança, é potencializada pelo ambiente que se estabelece e que, portanto, deve haver uma mediação entre o educador, o educando e os desafios propostos no meio ambiente, sempre atentando para os princípios pedagógicos:

1) Rumo à autonomia
2) Construção coletiva
3) Respeito à diversidade
4) Inclusão de todos

Tendo em vista o 'lidar com o meio aquático', o executar as habilidades aquáticas de acordo com suas características pessoais e interesses, as sugestões de atividades a seguir foram elaboradas para que os alunos possam:

1) Relacionar características individuais e conhecimentos prévios com os comportamentos diferenciados;
2) Identificar as técnicas de locomoção e sustentação que melhor se adequam às suas características pessoais;
3) Explorar seus limites, criar possibilidades e variar suas ações;
4) Executar as ações compreendendo as relações entre meio e fim;
5) Concorrer para o enriquecimento do ambiente de aprendizagem;
6) Compreender que pode haver mais de uma opção para a resolução de um problema;
7)Trocar impressões e informações de ações bem-sucedidas, dúvidas e insucessos;
8) Demonstrar atitudes positivas frente aos desafios e participar da construção de mecanismos para superá-los;
9) Participar num ambiente com possibilidades para todos, ou seja, em caso de limitação ou dificuldade qualquer pessoa terá outra opção desafiadora para promover seu desenvolvimento (cor, som, forma, peso, textura, etc

Locomoção autônoma

A sensação de desequilíbrio é um fator de insegurança para o iniciante. Até que ele se ambiente é interessante explorar o espaço da aula acompanhado de um colega experiente. Porém, é preciso estimular o desenvolvimento do equilíbrio e da autonomia e aprender alguns conceitos de hidrodinâmica durante essa experiência.

Procedimento

Caminhar segurando uma prancha na horizontal sobre a superfície. Isto dará um pequeno apoio e cada executante será estimulado a expressar suas percepções quanto ao apoio e à resistência ao deslocamento.

Depois será solicitado a colocar a prancha em diferentes posições variando também a profundidade em que ela é colocada, tomando bastante cuidado para que a prancha não escape e venha a bater no seu rosto ou em algum colega.

É interessante trazer objetos de diferentes formas, pesos e volumes para testar esse conhecimento e criar novas formas de deslocamento, variar a direção, o sentido, a posição do corpo e a movimentação dos membros.

Que tal caminhar com 2 cabos de vassoura com calços de borracha como se fossem bastões de esqui? Que tal um desafio para quando estiverem mais seguros? Será que é possível caminhar com pernas-de-pau na água? E com pés-de-lata?

Controle respiratório

Na fase de adaptação ao meio aquático, os alunos devem submergir e controlar a respiração, além de abrir os olhos dentro d'água.

Os materiais necessários podem ser mais atrativos se produzidos pelos próprios educandos, coletivamente, em aula e, em alguns momentos, com ajuda de seus familiares.

Por exemplo:

1) garrafas PET decoradas (com diferentes texturas) e com conteúdo que permita diferentes níveis de flutuação e diferentes sons;
2) Jogo da Velha no fundo da piscina.
3) Um material bem interessante produzido por eles para estimular a expiração dentro d'água seria uma PET pequena, (aquelas mais macias) vazia e amassada a qual se acopla uma mangueira. A PET, por ser menos densa que a água e estando vazia, flutuará, assim como a mangueira. O aluno deverá inspirar e colocar a boca na extremidade aberta da mangueira como se fosse assoprar. Deverá então afundar e assoprar. Um colega que estará na superfície poderá lhe dar o sinal "positivo" quando a PET estiver inflada.

Adaptação dos órgãos sensoriais

A inclusão de todos é um aspecto importante, mas ainda é uma cultura a ser estabelecida, pois não está totalmente consolidada na sociedade. Será que as atividades escolhidas pelo educador permitem a participação de todos? Vamos supor que há um aprendiz cego e um aluno surdo. Sabemos que um não pode ver e outro não pode ouvir. A pergunta a ser feita é: "o que eles podem fazer"? A sugestão é construir caixas com diferentes peças, produzindo diferentes sons e com diferentes pesos.

Os alunos deverão cada qual, conhecer o som/peso de determinado objeto que serão lançados ao fundo da piscina para, em seguida, serem buscados pelos alunos. Antes de lançar os objetos ao fundo, o reconhecimento deles deverá ocorrer acima da superfície.

O educador ou um colega, em seguida, afundará os vários objetos. Ao sinal, todos afundarão e procurarão, pelo som/peso, o objeto que lhe foi destinado. É importante que todos entendam que, apesar de suas limitações, a aprendizagem, a realização e a participação são possíveis quando não há barreiras estruturais, educacionais e sociais.

Controle da respiração e do corpo em submersão

A coordenação da inspiração e expiração e o controle da apneia favorecem a sensação de segurança, a autonomia e a submersão. Uma atividade que estimula várias competências é a "mímica subaquática" com 2 equipes estando os participantes submersos. Um tema será dado ao mímico pelo educador. As equipes disputarão quem descobrirá em menor tempo o tema proposto.

Procedimento

Todos afundarão juntamente com o mímico que utilizará diferentes gestos, feições e diferentes ações para transmitir o tema. Se houver um participante cego/ deficiente visual, poderá haver um colaborador, cuja função será verbalizar o que o mímico está fazendo.

E que tal montar um quebra-cabeça no fundo? Ou fazer um desenho combinando peças coloridas ou agrupando as diferentes formas e texturas?

Flutuação e palmateio

Geralmente, a grande dificuldade do sexo masculino na flutuação é o afundamento das pernas. Por quê? Porque a extensão e a densidade do fêmur, e a densidade dos músculos dos membros inferiores ajudam a desequilibrar o centro de gravidade para sua direção.

No caso do sexo feminino é mais comum haver uma concentração de gordura na região dos quadris, o que auxilia a flutuação. Sendo assim, é importante equilibrar o centro de gravidade e executar palmateio para manter a posição. O conhecimento do conceito e da técnica é importante para desmitificar a flutuação e promover o "sentir-se capaz" e assim, a autonomia.

Procedimento

É interessante que seja feito em pares, um executando e o outro fornecendo a informação sobre a ação.

Deitar na água segurando 2 galões de 5 litros, um em cada mão, próximos à região dos quadris. Isso fará com que o corpo fique na posição horizontal e o executante precisará apenas manter os quadris estendidos, os pulmões cheios e o olhar para o teto.

O galão exercerá uma pressão e o executante saberá qual o ponto de equilíbrio e no qual deverá executar palmateio. Esses são movimentos em "oito" com a palma da mão voltada para o fundo; ora se pressiona a borda medial da mão, ora a lateral, num movimento contínuo em "oito", pressionando a água um pouco abaixo da superfície.

Palmateio

Procedimento.

Colocar-se em decúbito dorsal segurando um galão em cada mão até que o corpo se alinhe na superfície. O aprendiz deverá ser orientado a imaginar duas linhas horizontais que seguem das orelhas até o maléolo de cada tornozelo, passando pelos ombros e quadris.

O que é importante saber? Que quando ele tentar olhar o que está fazendo, ele automaticamente "sentará", ou seja, ele afundará os quadris e dificultará a flutuação.

Portanto, ele deve desenvolver a percepção e, obviamente, precisará de feedback, a informação sobre a execução dada pelo professor. Este poderá descrever o que foi mostrado, como também desafiar o executante perguntando: "você consegue elevar mais os quadris?"

Pernada alternada

Procedimento

1)Sentar na borda da piscina com as pernas afastadas. Voltar a superfície plantar (sola) dos pés para o fundo e executar movimentos no sentido horário com a perna esquerda e no sentido anti-horário com a perna direita.

2)É importante que o movimento se inicie nos joelhos. No início, contar 6 círculos para uma perna e 6 para outra e ir diminuindo até que a coordenação seja 1 para 1.

3) Entrar na piscina e posicionar-se de costas para a parede apoiando os braços na borda ou no quebra-ondas; caso seja necessário usar o "espaguete". Executar o mesmo exercício, porém desenhando um semicírculo na parede com os calcanhares, antes de "pisar" na água.

4)Experimentar em decúbito ventral e dorsal.

5)Experimentar com os braços na água, com as mãos executando o palmateio; depois com um braço acima da superfície e depois com os dois. Criar diferentes situações usando diferentes materiais com diferentes pesos para que os alunos percebam as modificações a serem feitas para manterem o desempenho. Esses exercícios podem ser vivenciados numa brincadeira de polo aquático, pois a defesa utiliza um ou os dois braços acima da superfície visando a intercepção da bola.

Cambalhota

Procedimento

Anteriormente, os alunos terão experimentado a apneia e as variações possíveis em estabilização, tendo usado seus conhecimentos prévios para construir a lista, nomear e classificar as habilidades, e demonstrá-las de acordo com suas possibilidades. Vamos supor que ninguém tenha sugerido ou executado qualquer tipo de giro. O educador poderá fazer a seguinte pergunta:

1)é possível girar na água?
2)quais diferentes maneiras de girar vocês podem apresentar na água?
3)o que é um giro no eixo transversal? E longitudinal?
4)é possível executar ambas as formas de giro em sequência?
5)a partir de quais posições é possível girar?
6)em quais direções e sentidos vocês podem girar?
7)em quais posições (corpo e partes) é possível girar?
8)em qual possibilidade cada um de vocês teve maior dificuldade? Por quê? Alguns
exemplos:
9)Estar em decúbito ventral e girar para a posição em decúbito dorsal.
10)Estar em posição vertical invertida e girar no eixo longitudinal subindo e depois descendo.

Nesse sentido, o educador poderia buscar um rol de atividades e as relacionasse aos objetivos voltados ao desenvolvimento do conhecer, apreciar e explorar as manifestações esportivas com criatividade:

1) Compreender a importância da diversificação dos fundamentos nos esportes aquáticos;
2) Aplicar os conhecimentos em prol de sua versatilidade no meio aquático;
3) Participar ativamente das manifestações esportivas de modo a relacionar-se com outros grupos;
4) Mostrar-se um receptor crítico de manifestações e informações sobre o esporte;
5) Relacionar as várias técnicas natatórias para entender suas ações funcionais e propor novas experiências;
6) Experimentar as técnicas das diferentes modalidades para ampliar seu acervo motor aquático;
7) Dialogar e argumentar sobre a veracidade das informações veiculadas referentes à prática segura

Segundo os pediatras, atentar para o tratamento da água da piscina em que a criança nada é essencial:

• Uma pequena porcentagem de cloro sempre existe e é obrigatória pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em todas as piscinas de uso coletivo. Mas hoje muitas são salinizadas ou tratadas com ozônio, o que reduz consideravelmente a quantidade de cloro, que pode induzir alergias de pele, olhos e narinas, minimizando incômodos frequentes nos pequenos nadadores.

• Uma piscina com pé direito alto é mais recomendável, pois assim o cloro evaporado fica mais longe da respiração da criança", enfatiza a pneumologista, lembrando que algumas crianças têm sensibilidade ao cloro e podem até ter piora nas crises alérgicas.

• Dar banho após as aulas com sabonete neutro, para tirar o cloro, e logo após passar um hidratante ajuda a não ressecar a pele.

• Lavar o nariz com soro fisiológico depois da aula previne crises de rinite e outros incômodos nas narina .

• Secar bem os ouvidos com a toalha - sem cotonete - ajuda a não infeccionar os ouvidos. Andar sempre de chinelo evita infecções por fungos.

A natação na primeira infância é aplicada para desenvolver a capacidade respiratória e psicomotora e não para fazer a criança aprender a nadar como um peixinho

Recomendações gerais para se evitar afogamentos

1. Sempre quando estiver na água ou por perto, pescando, velejando ou andando de barco usar um colete de flutuação;

2. Nunca beber bebida alcólica e praticar a natação, porque o álcool pode atrapalhar o equilíbrio, a coordenação e até o poder de concentração do praticante;

3. Indivíduos que trabalham ou brincam perto da água devem aprender a nadar o quanto antes;

4. Nunca vá nadar sem uma companhia se não dominar algum nado ou estiver no mar;

5. Somente pratique a natação se estiver em lugar supervisionado;

6. Obedeça placas de " proibido nadar " ou bandeiras vermelhas em praias;

7. Comece entrando na água pelos pés se não conhecer a profundidade da piscina, rio ou mar;

8. Se nadar pra longe da borda de piscina , beirada de rio ou mar, lembre-se de guardar energia para retornar;

9. É sempre bom parar de nadar ou velejar assim que ouvir trovão ou tempestade, pois água é excelente condutor de eletricidade.

 

1. Nunca deixe crianças sozinhas perto de água, isso inclui : piscinas, rio , mar, banheiras e até bacias de água dependendo do tamanho da criança;

2. Flutuadores do tipo boias, ou braçadeiras não substituem a supervisão de um adulto;

3. Se tiver piscina e crianças em casa, não se esqueça de acrescentar cercas ou grades que impeçam que elas tenham acesso a água quando estiverem sós.

4. Tenha sempre perto da piscina ou rio, utensílios de salvamento do tipo: boias, cordas, coletes ou qualquer tipo de flutuador e saiba como usá-los.

5. Se seu filho costuma se aproximar muito de piscinas ou tanques, leve-o para a escolinha de natação o quanto antes;

6. Piscinas infláveis devem ser guardadas e esvaziadas após o uso;7. Se possível, os pais deveriam fazer um curso de salvamento e ressuscitação cardíaca para aprenderem técnicas especiais, em caso de necessidade do salvamento .

DICAS PARA NATAÇÃO PARA BEBÊS:

• A idade mínima para começar a fazer natação é quando o bebê já desenvolveu minimamente o sistema imunológico (por volta dos 4 meses com variações individuais).

• O ideal é que o bebê realiza-se a atividade sempre com a mãe ou o pai.

• Demonstre segurança. Realize movimentos lentos e relaxados que inspirem a confiança da criança.

• Se o bebê demonstrar medo ou resistência à água, não o obrigue a fazer a atividade. Tenha paciência e promova uma aproximação gradual a cada aula.

• Elementos como boias, bolas e pranchas têm um fim educativo, mas é importante utilizá-los de forma progressiva.

• Não exija que o bebê faça mais do que pode. A natação deve ser um momento de relaxamento e prazer.

• Não exponha o bebê a aulas de mais de 45 minutos. A resistência e os reflexos da criança tendem a sofrer um desgaste após meia hora de exercícios.

• Interrompa a aula se você notar que o bebe está cansado ou com frio.

• Uma toalha ou saída de banho de algodão para proteger a criança assim que ela sair da piscina.

• Um banho cuidadoso no bebê depois de cada sessão para eliminar o cloro e outras substâncias presentes na água da piscina que possam afetá-lo.

 

Referências Bibliográficas

1 DI MASI, F. Hidro: propriedades físicas e aspectos fisiológicos. Rio de Janeiro: Sprint, 2003.

2 LOSS, J. F.; CASTRO, F. A. S. Forças no meio líquido. In: COSTA, Paula Hentschel Lobo da (Org.). Natação e atividades aquáticas: subsídios para o ensino. Barueri, SP: Manole, 2010. p. 34-46.

3 COLWIN, C. M. Nadando para o século XXI. São Paulo: Manole, 2000.

4 MARES, Gisele et al. A importância da estabilização central no método Pilates: uma revisão sistemática. Fisioterapia e movimento, Curitiba, v. 25, n. 2, jun. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0103-51502012000200022&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20 mar. 2013.

5 WILLARDSON, J. M. Core stability training. Applications to sports conditioning programs. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 21, n. 3, p. 979-985, 2007. Disponível em: <http://www.alexandrelevangelista.com.br/wp-content/uploads/2009/09/ treinamento-do-core-e-estabilidade-aplicabilidade-para-o-esporte.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2013.

6 FUGITA, M. A percepção do seu próprio nadar: nadadores deficientes visuais e videntes. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, ano 2, número 2, 2003. Disponível em: <http://www.mackenzie.com.br/ fileadmin/Graduacao/CCBS/Cursos/Educacao_Fisica/REMEFE-2-2-2003/art6_edfis2n2.pdf>.Acesso em: 20 mar. 2013.

7 SHAW, S.; D'ANGOUR, A. A arte de nadar. São Paulo: Manole, 2001.

8 GAMA, R. I. B.; CARRACEDO, V. Estratégias de ensino do nadar para crianças: o desenvolvimento de aspectos motores, cognitivos e afetivossociais. In: COSTA, Paula Hentschel Lobo da (Org.). Natação e atividades aquáticas: subsídios para o ensino. Barueri, SP: Manole, 2010. cap. 8. p. 139-154.

9 DAOLIO, J. Jogos esportivos coletivos: dos princípios operacionais aos gestos técnicos - modelo pendular a partir das ideias de Claude Bayer. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Brasília v. 10 n. 4 p. 99-104 outubro 2002.

10 PERRENOUD, P. Novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

11 COB. Comitê Olímpico Brasileiro. Movimento olímpico. Disponível em: <http://www.cob.org.br/movimento-olimpico>. Acesso em: 28 fev. 2013.

12 COB. Comitê Olímpico Brasileiro. Olimpismo. Disponível em: <http://www.cob.org.br/movimento-olimpico/olimpismo>. Acesso em: 28 fev. 2013.

13 FINA. Federação Internacional de Natação. Código de conduta. Disponível em: <http://www.fina.org/H2O/index.php?option=com_content&view= category&id=81:by-laws&Itemid=184&layout=default>.Acesso em: 28 fev. 2013.

14 UNESCO/MEC. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1999. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/ue000009.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2013.

15 CANOSSA, S.; FERNANDES, R.; CARMO, C.; ANDRADE, A. SOARES, S.; Ensino multidisciplinar em natação: reflexão metodológica e proposta de lista de verificação. Motricidade 3(4): 82-99, 2007.

16 REJUPE, Rede de Adolescentes e Jovens pelo Esporte Inclusivo e Seguro. Carta "Legado Social dos Grandes Eventos para Crianças e Adolescentes da Cidade de São Paulo". Disponível em: http://www.iidac.org/downloads/documentos/carta_adolescentes_rejupe_sao_paulo.pdf.Acesso em maio 2013.

17 GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, criança, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 2003.

18 MAGILL, R.A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, p.7-10, 2000.

19 CHIVIACOWSKY CLARK, S. Frequência de conhecimento de resultados e aprendizagem motora: linhas atuais de pesquisa e perspectivas. In: TANI, Go (Org.). Comportamento motor: aprendizagem e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

O TOP 100 Natação vem para dar alternativas para professores que precisam de atividades para as aulas de Natação.

Sei bem que, muitas vezes, a gente, que é professor de Educação Física, procura atividades variadas para diversificar nossas aulas. Ter essa variedade na Natação que traz tantos benefícios para a criança, seja de que idade for, vai fazer suas aulas serem sensacionais!

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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

12:22

A importância do voleibol enquanto conteúdo das aulas de Educação Física do 6º ao 9º ano


Introdução

    Sabe-se da importância de fazer uma atividade física e de se manter ativo. Mas isto deve ser trabalhado já na infância, aliando a educação física à educação moral e intelectual, formando o indivíduo como um todo.

    A educação física tem como objetivo integrar o aluno na cultura corporal de movimento de forma completa, adaptando o conteúdo das aulas à individualidade de cada aluno e a fase de desenvolvimento em que estes se encontram. É uma oportunidade de desenvolver as potencialidades individuais, nunca de forma seletiva e sim, incluindo todos os alunos.

    De acordo com os PCNS (Parâmetros Curriculares Nacionais) os conteúdos de educação física são: esportes, jogos, lutas, ginásticas; atividades rítmicas e expressivas e conhecimentos sobre o corpo (BRASIL, 1998).

    A prática de uma modalidade desportiva pode fortalecer a autoestima, criar o hábito do trabalho em equipe, estimular a disciplina e a organização, fatores que contribuem para a formação da cidadania.

    O voleibol é um esporte coletivo que tem o jogo como sua principal essência, fator que mesmo social ou cultural estimula e motiva as pessoas, mostrando-se muito favorecido e propício ao desenvolvimento da sua pratica.

    O esporte voleibol enquanto conteúdo escolar pode proporcionar a interação social do aluno e fazer com que os alunos se sintam mais motivados a aprender. Dentre vários esportes escolares o voleibol apresenta, melhora no relacionamento entre os colegas e desenvolve várias capacidades físicas nos praticantes, como agilidade, coordenação motora, velocidade, tempo e reação.

    A educação física tem um papel que vai além do seu conteúdo pratico, pois é por meio dele que o professor deve proporcionar/estimular a solidariedade e reprimir as atitudes violentas. Para isso acontecer os conteúdos que iram ser trabalhados pelos professores nas aulas, devem ser selecionados visando muito além da pratica esportiva.

    Bracht (2000) diz que o que a pedagogia crítica em EF propôs/propõe é o ensino de destrezas motoras esportivas dotadas de novos sentidos, subordinadas a novos objetivos/fins.

    Contudo este estudo pretende descobrir e analisar "A importância do voleibol enquanto conteúdo das aulas de educação física do 6º ao 9º ano".

Objetivos

Objetivo Geral

  • Analisar a importância do voleibol enquanto conteúdo de Educação Física a partir da percepção dos alunos do 6º ao 9º.

Objetivos Específicos

  • Investigar se os alunos tem conhecimento sobre o conteúdo de voleibol nas aulas de Educação Física.

  • Analisar o interesse dos alunos sobre o voleibol nas aulas de Educação Física.

Introdução

Historias e características do voleibol

    Segundo a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol, 2006), O voleibol foi criado em 1895, pelo americano William G. Morgan, então diretor de educação física da Associação Cristã de Moços (ACM) na cidade de Holyoke, em Massachusetts, nos Estados Unidos. O primeiro nome deste esporte que viria se tornar um dos maiores do mundo foi Mintonette.

    Naquela época, o esporte da moda era o basquetebol, criado apenas quatro anos antes, mas que tivera uma rápida difusão. Era, no entanto, um jogo muito cansativo para pessoas de idade. Por sugestão do pastor Lawrence Rinder, Morgan idealizou um jogo menos fatigante para os associados mais velhos da ACM e colocou uma rede semelhante à de tênis, a uma altura de 1,98 metros, sobre a qual uma câmara de bola de basquete era batida, surgindo assim o jogo de vôlei.

    Não se tem registro de quando o voleibol chegou ao Brasil, só se sabe que a primeira competição oficial do voleibol no país aconteceu em Recife (PE), em 1915, e foi organizada pela Associação Cristã de Moços (ACM) do pais, e com regras e regulamento definidos. Assim, tudo leva a crer que o esporte já era praticado informalmente antes desta data no Brasil.

    O objetivo do jogo é fazer com que a bola caia na quadra adversária, passando por cima da rede através de toques com a mão. A bola é posta jogo através do saque, efetuado pelo jogador de defesa direita, posicionado na zona de ataque. Cada equipe pode dar três toques (além do bloqueio) para impedir que a bola toque o chão de sua própria quadra e jogá-la de volta à quadra adversária por cima da rede e num espaço compreendido entre as antenas, sendo que os jogadores não podem dar dois toques consecutivos na bola, ao menos se tiverem no bloqueio. Cada vez que a posse de bola for para a outra equipe, seus respectivos jogadores deverão mudar de posição (rodizio), trocando as posições no sentido horário da quadra (DAIUTO, 1964; TEIXEIRA, 1995; BIZZOCCHI, 2000; BOJIKIAN, 2003; COSTA, 2003; CBV, 2006).

O voleibol como conteúdo da Educação Física escolar no Ensino Fundamental II

    A falta do que fazer é uma fonte de insatisfação para muitos jovens, pois sem ter o que fazer, muitos deles simplesmente desperdiçam o seu tempo e acabam se envolvendo com a criminalidade. É cada vez maior a procura do esporte como uma forma de as pessoas se libertarem de suas tensões e ansiedades causadas pela vida moderna. Quando utilizada na busca ou manutenção da saúde, a prática esportiva visa proporcionar bem estar físico para as pessoas.

    A Educação Física escolar deve se preocupar com a formação integral dos alunos, atuando nos aspectos motor, cognitivo, afetivo e social. Além disso, deve ser um espaço privilegiado à observação, manifestação e transformação de princípios e valores que permitam aos alunos transferirem tais reflexões para além do ambiente escolar.

    A prática de uma modalidade esportiva pode fortalecer a autoestima, criar o habito do trabalho em equipe, estimular a disciplina e a organização, fatores que contribuem para a formação da cidadania (SOUZA et al., 2010).

    O voleibol é uma modalidade desportiva fundamental para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, pois explora diversos movimentos corporais do aluno que poderá, por sua vez, imaginar e criar variados movimentos, sendo este um meio de socialização entre os meninos e meninas que poderão estar vivenciando esta prática juntos.

    A prática do esporte deve ir além dos seus fundamentos. É necessário uma transformação pedagógica dos esportes, como foi citado por Kunz (2001, p.126) "essas transformações devem ocorrer, acima de tudo, em relação às insuficientes condições físicas e técnicas do aluno para realizar com certa perfeição.

    Observa-se que ao longo dos anos, houve uma mudança metodológica do ensino dos esportes coletivos na educação física escolar, que, talvez, seja fruto das alterações sofridas pela formação do profissional de Educação Física nas ultimas décadas (COSTA, NASCIMENTO, 2004).

    O esporte escolar contribui com vários aspectos do desenvolvimento, inclusive com a questão do trabalho em grupo, quando não há exclusão, podendo trabalhar a cooperação e o companheirismo (PEREIRA, 2004).

    Para Coletivo de Autores (1992, pg.70) o esporte como prática social que institucionaliza temas lúdicos da cultura corporal se proteja numa dimensão complexa de fenômeno que envolve códigos, sentidos e significados da sociedade que o cria e o pratica.

Resultados e discussão

    Esta pesquisa foi realizada em uma escola publica do município de Ibotirama-BA. Contudo, esta pesquisa foi composta por 24 (vinte e quatro) alunos entre 11 (onze) a 17 (dezessete) anos de ambos os sexos, que concordaram e autorizaram a obtenção de informações através de um questionário contendo 07 (sete) questões objetivas.

    A questão 01 questionou se os alunos praticam ou já praticaram o voleibol nas aulas de educação física durante toda a sua passagem pelo ensino fundamental ll.

Tabela 1. Sobre a prática de Voleibol nas aulas de Educação Física

    Segundo Brotto (2001) por meio dos jogos, a educação física pode ensinar muito mais do que gestos, técnicas, táticas e outras habilidades específicas. Em nossos dias, deve promover e aperfeiçoar as "habilidades humanas essenciais".

Tabela 2. Sobre as aulas teóricas de voleibol

    Segundo Coletivo de autores (1992), o aluno amplia as referências conceituais do seu pensamento; ele toma consciência da atividade teórica, ou seja, de que uma operação mental exige a reconstituição dessa mesma operação na sua imaginação para atingir a expressão discursiva, leitura teórica da realidade.

    Na questão 03 pergunta do nível de aprendizado dos alunos para com o voleibol.

    De acordo com Santini (2007) para obter sucesso nas aulas, é preciso que tenha em mente a preocupação de passar todas as informações possíveis de forma a garantir ao aluno uma melhor performance no aprendizado dos fundamentos básicos do jogo. Também deve conhecer a metodologia adequada desse esporte, para que os alunos obtenham um bom desenvolvimento e a correção imediata dos erros.

Tabela 3. Sobre o ponto de vista do aprendizado sobre o voleibol

    Na questão 04 foram questionados sobre a importância que os professores de educação física estão dando para o voleibol enquanto conteúdo nas aulas de educação física.

Tabela 4. Considerando a importância que os professores de educação física que deram ao voleibol enquanto conteúdo nas aulas de educação física

    Para Bojikian (2003) torna-se claro que a disciplina de voleibol na Universidade deve formar professores que saibam extrair das características inerentes do voleibol situações e estratégias que colaborem para o processo educativo.

    Na questão 05 foi perguntado sobre o interesse que os alunos tem nas aulas de voleibol (teóricas e práticas) como eles se consideravam.

Tabela 5. Sobre interesse dos alunos nas aulas de voleibol (teóricas e práticas)

    Freire (1992) diz que se o contexto for significativo para o aluno, o jogo, como qualquer outro recurso pedagógico, tem conseqüências importantes em seu desenvolvimento.

    Na questão 06 foi questionado se os alunos jogam voleibol fora das aulas de educação física.

Tabela 6. Sobre pratica do jogo do voleibol fora das aulas de educação física

    Segundo Machado (1995) o esporte valoriza o homem, proporciona uma melhoria de autoimagem, e a aprendizagem de uma modalidade esportiva constitui uma das mais significantes experiências que o ser humano pode viver com seu próprio corpo. Já Moraes (2004) diz que o envolvimento dos adolescentes com o esporte pode ter conseqüências benéficas ou não, determinadas pela forma, atitude e motivação.

    Na questão 07 foi perguntado sobre a importância da transmissão de jogos de voleibol na televisão.

Tabela 7. Sobre a transmissão de jogos de voleibol na televisão

    De acordo com Belloni, (2002) citado por (MAZZOCATO; TELLES; CASAROTTO; ROSA, 2012) nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, a freqüência de crianças aos meios de comunicação de massa está em crescimento muito acentuado. Seguindo ainda o raciocínio de Belloni, é preciso ainda lembrar que a televisão é um objeto técnico totalmente integrado à vida cotidiana dos jovens. Esta maravilhosa máquina de sonhos faz parte de um 'meio técnico' que caracteriza cada vez mais as zonas urbanas.

Considerações finais

    A escola é um ambiente onde ocorre uma pluralidade de relações sociais e, portanto, é o espaço ideal para que o jogo seja realizado, pois uma das funções da escola é organizar a sociedade, participando da formação integral do ser humano. Tendo o jogo como meio de ensino, é inevitável refletir, não somente sobre seu caráter educacional ou não, mas assumir uma preocupação constante para questões que julgamos fundamental.

    Partindo da premissa que o aluno de voleibol na escola deve ter uma formação básica, desenvolvendo os procedimentos metodológicos: aspectos cognitivos, afetivo e motores envolvidos no seu desenvolvimento, infelizmente os alunos pesquisados estão aquém do que realmente deveria acontecer na escola. Porém os mesmos consideraram o esporte importantíssimo para a disciplina, tem interesse em aprender, mas possuem pouco conhecimento.

    Cabe aos educadores físicos um planejamento eficiente, inserindo todas as modalidades esportivas, oportunizando os alunos a vivenciarem de forma positiva a educação física, procurando a melhor maneira para desenvolver as aulas e fazer com que os mesmos tenham uma melhor motivação para participar das aulas teóricas e práticas.

Referências

  • BIZZOCCHI, C. O voleibol de alto nível: da iniciação a competição. São Paulo: Fazendo Arte, 2000.

  • BOJIKIAN, J. C. Ensinando Voleibol. 2ª ed. São Paulo: Phorte, 2003.

  • BRACHT. Esporte na escola e esporte de rendimento. Movimento – Ano VI – Nº 12 – 2000/1.

  • BRASIL. Ministério de Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. 3º e 4º ciclo do ensino fundamental. Educação Física. Brasília: SEF/MEC. 1998.

  • BROTTO, F. O. Jogos cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar! Santos: Re-Novada, 2001.

  • COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992.

  • CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE VOLEIBOL. Regras oficiais do voleibol. Rio de Janeiro: Sprint, 2006.

  • COSTA, A. D. Voleibol – fundamentos e aprimoramentos técnicos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2003.

  • COSTA, L.; NASCIMENTO, J. O ensino da técnica e da tática: novas abordagens metodológicas. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v15, n2, p.49-56, 2002.

  • DAIUTO, M. Voleibol. São Paulo: Cia Brasil Editora, 1964.

  • FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro teorias e práticas da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1992.

  • KUNZ, E. Transformação didático-pedagógico do esporte. 4ª ed. Ijuí: Unijui, 2001.

  • MACHADO, A. A Importância da Motivação para o Movimento Humano. In: Perspectivas Interdisciplinares em Educação Física, São Paulo: Soc. Bras. Des. Educação Física, 1995.

  • MAZZOCATO, A.P.F.; CASAROTTO, V.J.; ROSA, C.L.L. A influência do esporte na mídia e no desenvolvimento da sociedade. 2012

  • MORAES, L. C., SALMELA, J. H., RABELO, A. S., LIMA, M. S. O. Desenvolvimento de jovens atletas de voleibol. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2004

  • PEREIRA, J.M. A formação do bacharel em educação física e esporte: em contexto as disciplina de voleibol. Rio Claro: universidade estadual paulista, p.24, 2004.

  • SANTINI, J. Voleibol Escolar: Da iniciação ao treinamento. Canoas: Ed. ULBRA, 2007.

  • SOUZA, T.M.F.; ASSUMPÇÃO, C.O.; ZABAGLIA, R.; GARCIA, M. A importância do voleibol enquanto lúdico e modalidade desportiva dentro da educação física escolar. Vol.4, nº 7, 2010.

  • TEIXEIRA, H. V. Educação Física e desportos. São Paulo: Saraiva, 1993.

por
Fellipe Van Basten Quinteiro de Sá Teles

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06:28

A Realidade vivida pelos profissionais de Educação Física dentro das Escolas



RESUMO

O desafio do professor do século XXI é transmitir cada vez mais saberes necessários ao desenvolvimento das competências do futuro. As principais dificuldades citadas por muitos professores, em muitas literaturas, são a inadequação do espaço, a carência de materiais, a resistência dos alunos às práticas "novas" e o desinteresse pela Educação Física. Este trabalho tem por finalidade analisar a realidade e as dificuldades encontradas na docência do profissional de educação física dentro do ambiente escolar. Este estudo constitui-se de uma revisão de literatura especializada, realizada entre fevereiro e outubro de 2016, na qual realizou-se uma consulta a livros publicados; a artigos científicos e teses, selecionados através de busca no banco de dados do scielo e da bireme. Conclui-se que a educação vem atravessando grandes crises, começando pela baixa qualidade do ensino, o descaso com os professores e a falta de respeito dos políticos para com a população enfatiza uma das piores fases enfrentadas pela educação. Cabe ao professor de Educação Física, o papel de orientar e conduzir esse processo usando de todo seu conhecimento e inteligência, pois quanto mais inteligente o professor, mais ele torna seus alunos capazes de agir com inteligência.

Palavras-chave: Realidade, Dificuldades, Professores, Educação Física.

1. INTRODUÇÃO

Sabe-se que a realidade das aulas de Educação Física, nas Escolas Estaduais e municipais é caracterizada por aspectos desmotivantes à prática da atividade física, as dificuldades que os professores de Educação Física enfrentam no seu cotidiano de sala de aula como: falta de materiais, estrutura física inadequada, número excessivo de alunos, falta de vontade dos alunos e às vezes até do próprio professor por menosprezo a disciplina, e o não conhecimento da importância da Educação Física no desenvolvimento geral dos alunos.

A educação tem sido caracterizada como a área que mais enfrenta conflitos e desafios diante de uma sociedade em constante mudança. Os professores demonstram que não devem selecionar os alunos, optar por apenas uma modalidade esportiva, ter atitudes autoritárias e negligenciar a dimensão Lúdica. No entanto, ainda apresentam dificuldades no sentido de saber quais conteúdos abordar e quais metodologias de ensino utilizar. Em alguns casos, tal fato acaba por transformar as aulas em assistemáticas, nas quais o aluno escolhe o que quer fazer.

Ressalta-se que, mesmo com todas as dificuldades encontradas pelos professores de Educação Física, que é na escola que muitas crianças dos anos iniciais de do ensino fundamental têm seu primeiro contato com atividades físicas planejadas, daí sua importância como promotora de desenvolvimento e aprimoramento "das esferas cognitivas, motoras e auditivas", este contato planejado faz com que as crianças envolvidas possam compreender e/ou adaptar suas habilidades não somente no ambiente escolar, mas também em todos os outros a que tenha acesso, melhorando a saúde física e mental, propiciando o desenvolvimento de habilidades úteis à vida, criando hábitos culturais de higiene (RODRIGUES, 2013).

Para ocorrer uma revolução positiva na maioria das nações é preciso que o processo tenha início na educação e nesse sentido o professor torna-se um dos principais agentes desse processo. A educação tem sido caracterizada como a área que mais enfrenta conflitos e desafios diante de uma sociedade em constante mudança. O objetivo desta revisão de literatura é analisar a realidade e as dificuldades encontradas na docência do profissional de educação física dentro do ambiente escolar.

Para seleção das fontes, consideraram-se como critérios as bibliografias que abordassem a realidade vivida pelos professores da educação física dentro das escolas. Este estudo constituiu-se de uma revisão da literatura especializada, realizada entre fevereiro e outubro de 2016, na qual se realizou consulta a artigos científicos, teses, selecionados através de busca no banco de dados do SCIELO e da BIREME. Também se utilizou a plataforma de busca do google acadêmico para pesquisas de teses, dissertações, políticas municipais de gerenciamento de resíduos etc. Não foi realizado filtro no que diz respeito a data das publicações utilizadas nessa pesquisa.

A busca nos bancos de dados foi realizada utilizando às terminologias cadastradas nos bancos de dados, que permite o uso da terminologia comum em português, inglês e espanhol. As frases-chave utilizadas nas buscas foram: Realidade, Dificuldades, Professores, Educação Física.

2. EDUCAÇÃO FÍSICA

2.1. HISTÓRICO

A introdução da Educação Física oficialmente na escola ocorreu no Brasil, em 1851, com a reforma Couto Ferraz, embora a preocupação com a inclusão de exercícios físicos na Europa remonte ao século XVIII, com Guths Muths, J. J. Rosseau, Pestalozzi e outros. Em 1882, Rui Barbosa, recomendou que a ginástica fosse obrigatória, para ambos os sexos e que fosse oferecida para as Escolas Normais. Todavia, a implantação destas leis ocorreu apenas no Rio de Ja­neiro (capital da República, na época) e nas escolas militares. No entanto, somente a partir da década de 1920 que vários Estados da federação começam a realizar as reformas educacionais e incluem a Educação Física, com o nome mais frequente de ginástica. (BETTI, 1991).

A concepção dominante da Educação Física em seu início foi calcada na perspectiva que muitos autores a chamaram de higienismo. Nela, a preocupação central é com os hábitos de hi­giene e saúde, valorizando o desenvolvimento do físico e da moral, a partir do exercício. Em função da necessidade de sistematizar a ginástica na escola, surgem os métodos ginásticos, onde os principais foram propostos pelo sueco Pehr Henrik Ling, pelo francês Francisco Amorós e o alemão Adolph Spiess, os quais apresentaram propostas que procuravam valorizar a imagem da ginástica na escola.

A Educação Física no Brasil, no século XIX, foi desenvolvida pelos militares com o objetivo de formar indivíduos fortes, saudáveis que eram indispensáveis para o processo de desenvolvimento do país. Esta associação ocorrida entre Educação Física, Educação do Físico e Saúde Corporal deve- aos militares e aos médicos. Baseados nos princípios da medicina social de índole higiênica proclamaram-se a mais competente categoria profissional para redefinir os padrões de conduta física, moral e intelectual da fa­mília brasileira. Para cumprir suas atribuições, os higienistas utilizaram a Educação Física, definindo lhe como objetivo a criação do corpo saudável, robusto, em oposição ao corpo relapso, flácido e doentio do indivíduo colonial (CASTELLANI FILHO, 1989; BETTI, 1991).

A Educação Física pautava-se por um lado, em cumprir a função de colaborar na construção de corpos saudáveis, que permitissem uma adequada adaptação ao processo produtivo ou a uma perspectiva política nacionalista; e por outro, pela necessidade e vantagens de uma intervenção, legitimada pelo conhecimento médico-científico do corpo, que referendava essas possibilidades (BRACHT, 2001).

Ambas as concepções higienista e militarista consideravam a Edu­cação Física como disciplina essencialmente prática, não necessitando, portanto, de uma fundamentação teórica que lhe desse suporte. Por isso, não havia distinção evidente entre a Educação Física e a instrução física militar. Para ensinar Educação Física, não era preciso dominar conhecimentos e sim ter sido um ex-praticante.

No Brasil, o período de 1969 a 1979, observa-se a ascensão do esporte devido à inclusão conjunta da Educação Física/Esporte na planificação estratégica do governo, muito embora o esporte de alto nível estivesse presente no interior da sociedade desde os anos 1920 e 1930 (BETTI, 1991).

Os governos militares, que assumiram o poder em março de 1964, passam a investir no esporte na tentativa de fazer da Educação Física um sustentáculo ideológico, na medida em que ela participaria na promoção do país por meio do êxito em competições de alto nível. Nesse período, a ideia central girava em torno do Brasil-Potência, pretendia­-se com isso eliminar as críticas internas e deixar transparecer um clima de prosperidade e desenvolvimento (BETTI, 1991).

De acordo com Soares et al. (1992), a influência do esporte no sistema educacional é tão forte que não se pode dizer o esporte da escola, mas sim o esporte na escola. Isso indica a subordinação da educação física aos códigos/sentido da instituição esportiva: esporte olímpico, sistema desportivo nacional e internacional. Esses códigos podem ser resumidos em princípios de rendimento atlético/desportivo; comparação de rendimento; competição; regulamentação rígida; sucesso no esporte como sinônimo de vitória; racionalização de meios e técnicas etc.

3. O TRABALHO DOCENTE NAS ESCOLAS

O desafio do professor do século XXI é transmitir cada vez mais saberes necessários ao desenvolvimento das competências do futuro. Esses saberes são os quatro pilares que sustentam a educação: aprender a conhecer, aprender a fazer; aprender a viver, aprender a ser. Esse desafio exige do professor o abandono da postura de detentor do conhecimento, uma vez que a aprendizagem é construída no cotidiano escolar com o conhecimento de mundo e as diversas habilidades apresentadas pelos alunos. Exige, ainda que tenha a disposição de aprender, de desenvolver habilidades e de constantemente rever seus métodos de ensino e de adaptá-los conforme a turma em que esteja trabalhando.

A educação vem atravessando grandes crises e dificuldades, começando pela baixa qualidade no ensino o descaso com os professores e a falta de respeito dos políticos para com a população enfatiza uma das piores fases enfrentadas pela educação. Assim sendo estas dificuldades enfrentadas pela educação em geral, dificulta ainda mais a situação da Educação Física nas escolas, por se tratar de uma matéria que não tem "status", ou seja, não é vista como uma disciplina importante desfavorecendo os professores. Começa aí as dificuldades enfrentadas pela Educação Física que é de tentar se legitimar na escola como uma disciplina importante e necessária no âmbito escolar.

A Educação Física deve ser legitimada na escola, buscar a sua identidade, sua razão de ser no currículo escolar, e, para isso, sua importância deve ser rediscutida nos diversos âmbitos da sociedade (DARIDO, 2006, p.116).

Neste contexto o professor de Educação Física acaba enfrentando muitas dificuldades no processo de ensino-aprendizagem, principalmente em escolas públicas. Dificuldades que muitas vezes acabam desmotivando esse profissional. Uma análise sobre a realidade da Educação Física na escola aponta para a necessidade de um enfrentamento urgente no sentido de programar propostas renovadoras, e novas alternativas que possam suprir as necessidades tanto dos profissionais quanto dos alunos que também precisam ser motivados e entender a importância da educação física para o corpo e a mente.

As principais dificuldades citadas por muitos professores, em muitas literaturas, são a inadequação do espaço, a carência de materiais, a resistência dos alunos às práticas "novas" e o desinteresse pela Educação Física.

  1. A) Falta de espaço: é inegável assumir que o espaço escolar é um fator preponderante no desenvolvimento das aulas de Educação Física, pois ele modula conteúdos e pode eventualmente impedir que determinadas práticas sejam realizadas. Para adaptar as atividades aos espaços disponíveis, os professores, eventualmente, também deslocam as práticas para outros espaços (inclusive em praças públicas próximas à escola), essa é a que menos se utiliza, sendo o recurso de aplicarem aulas "teóricas" ao invés de práticas, desenvolvendo o conteúdo com os alunos em "sala" de aula, a pratica mais comum.
  2. B) Falta de materiais adequados em número e qualidade para as práticas corporais dos alunos: nas escolas públicas, é o mais grave de todas as dificuldades, mas acontece também nas escolas privadas, isso revela, uma certa desvalorização da Educação Física no contexto dessas instituições de ensino. Para adaptar as aulas à falta de material, os professores adquirem o próprio material ou solicitam aos alunos que tragam os materiais necessários para as aulas. Além disso, vários materiais são confeccionados no próprio contexto da aula.
  3. C) A resistência dos alunos para as atividades de Educação Física: nesse âmbito, os professores têm muita dificuldade em construir alternativas para contornar essa situação e, em geral, acabam restringindo suas práticas àquelas atividades que vão ao encontro do "gosto" dos alunos para ministrarem suas aulas, geralmente são aquelas as quais eles estão habituados, ligadas às práticas esportivas.
  4. D) O desinteresse dos alunos pelas aulas de Educação Física: os professores apontam a aplicação de metodologias mais lúdicas, que busquem motivar de forma mais efetiva os alunos a participarem das aulas, e também a avaliação como ferramenta coercitiva, obrigando os alunos a participarem da aula para obterem determinada pontuação, uma vez que a falta de interesse gera indisciplina, contribuindo para o déficit no aprendizado, assim os alunos disciplinados sofrem prejuízo, por conta da indisciplina, e os conteúdos ficam defasados.

Os professores de Educação Física diante de tantas dificuldades ainda carecem de elementos que Ihes permitam refletir e implementar propostas que substituam os modelos exclusivamente "esportivistas", ou "recreacionistas', de tal modo que seja possível que a Educação Física dentro da escola possa cumprir a difícil missão de introduzir e integrar o aluno na esfera da Cultura Corporal de Movimento, formando o cidadão para produzi-la, reproduzi-la e também transformá-la, se necessário for. Nesse sentido, o aluno deverá ser instruído a usufruir das praticas corporais em beneficio do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida.

Um ponto a ser abordado mostra uma preocupação muito grande, porque na área da Educação Física existe muitos profissionais empenhados e dedicados em fazer de suas aulas momentos especiais e ricos em conhecimento, mas não se pode dizer que todos os profissionais sejam assim, visto que uma parcela de profissionais que não possuem interesses em refletir sobre a importância da Educação Física na Escola, e muitas vezes não tem nem argumento para convencer seus alunos da importância da Educação Física. Estes profissionais sejam por falta de tempo ou de interesse deixam a desejar nas aulas de Educação Física o que corrobora por desqualificar a disciplina perante os demais componentes da escola e ate mesmo da própria sociedade.

O próprio professor de Educação Física pode ou não contribuir para reverter mais este problema e para mostrar a verdadeira importância desta disciplina do currículo escolar na vida e formação de seus alunos. Para que esta situação possa começar a mudar é necessário que o próprio professor encare a realidade e comece a fazer algumas modificações no seu próprio comportamento diante dos outros professores e no planejamento e desenvolvimento das aulas, possibilitando que os próprios alunos estejam cientes do real objetivo das aulas, e da importância que a Educação Física tem para a vida e desenvolvimento dos mesmos na sociedade.

Essas dificuldades acabam afetando o trabalho de muitos professores dentro da escola, pois acabam se vendo de mãos e pés atados ao tentar mudar a situação da Educação Física na escola, pode-se dizer que não só da Educação Física mais da educação em geral (DARIDO 2006).

3.1. DISPENSAS DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Ao longo da trajetória da Educação Física na escola, foram aprovadas leis nas décadas de 1960 e 1970, que permitiam uma série de possibilidades aos alunos que solicitassem dispensas das aulas. Elas autorizavam que alunos com proble­mas de saúde, que servissem no exército, possuíssem filhos (prole), trabalhassem e tivessem mais que trinta anos fossem liberados das aulas de Educação Física escolar.

Na primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 –, a Educação Física é contemplada no artigo 22, cujo texto é redigido da seguinte forma: "Será obrigatória a prática da educação física nos cursos primário e médio, até a idade de 18 anos" (BRASIL, 1961). O caráter da Educação Física presente nesta legislação estava diretamente relaciona­do à capacitação física do aluno, visando formar o futuro trabalhador com saúde que seria fundamental para o processo de industrialização vivido pelo país naquele período. A própria limitação com relação aos 18 anos de idade, deixava claro que os exercícios físicos poderiam causar desgaste ou exaustão no período em que os indivíduos, supostamente, necessitariam de um maior aporte energéti­co em função de sua inserção no mercado de trabalho.

A LDB é revista, com a reforma educacional proposta 10 anos depois de sua criação, por meio da Lei nº 5692 de 11 de agosto de 1971 (BRASIL, 1971). Castellani Filho (1997) salienta que esta lei deixa de fazer referência ao limite de idade da prática da Educação Físi­ca, optando por regulamentar a questão por outro mecanismo, que é posto em prática naquele mesmo ano, pela promulgação do Decreto nº 69450 de 1º de novembro, que aludia nos quatro incisos de seu artigo 6º às condições que facultavam ao aluno a prática da Educação Física, com base na seguinte redação:

Em qualquer nível de todos os sistemas de ensino, é facultativa a participa­ção nas atividades físicas programadas: a) aos alunos do curso noturno que comprovarem, mediante carteira profissional ou funcional, devidamente assinada, exercer emprego remunerado em jornada igual ou superior a seis horas; b) aos alunos maiores de 30 anos de idade; c) aos alunos que esti­verem prestando serviço militar na tropa; d) aos alunos amparados pelo Decreto-lei 1044 de 21 de outubro de 1969, mediante laudo do médico assistente do estabelecimento (CASTELLANI FILHO, 1997, p. 21).

Assim, ao longo da trajetória da Educação Física na escola foi aberta uma série de possibilidades que permitiram aos alunos solicitarem dispensas das aulas. Essas práticas de dispensa eram ou podiam ser respaldadas pelo fato da Educação Física ser considerada na lei como atividade e não disciplina, como as demais áreas que compõem o currículo escolar. Para alguns autores, essa consideração compreendia a Educação Física como prática pela prática, sem necessidade de uma estruturação dos seus conteúdos.

Em 01 de dezembro de 2003, a facultatividade foi alterada, por meio da Lei nº 10793. Essa Lei alterou a redação do art. 26, § 3º, e o art. 92 da Lei 9294, de 20 de dezembro de 1996. Desse modo, ficou determinado que as aulas de Educação Física fossem facultativas ao aluno que, independente do período em que estudas­se, se enquadrasse em algumas das seguintes condições previstas:

I – Que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; II – maior de trinta anos de idade; III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969; V – (VETADO) VI – que tenha prole (BRASIL, 2003).

Diante desta lei tem-se uma visão bastante excludente do papel da Educação Fí­sica na escola, não sendo uma disciplina importante assim como as demais. Na verdade, retomam-se os pressupostos de corpo exclusivamente biológico, homogêneo, cansado do trabalho, velho ou doente, que não tem condições para realizar as aulas da escola.

3.2. BENEFÍCIOS DA PRATICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

A disciplina de Educação Física desenvolve no aluno, possibilidades de movimento e educa para a compreensão, relevância, importância e como e onde deve ser utilizada devendo ser considerada como experiência única por tratar de um dos mais preciosos recursos humanos, que é o corpo humano. Assim a Educação Física traz várias contribuições aos alunos, podendo ser citados: O desenvolvimento do aluno como um todo; Se bem aplicada, contribui para interdisciplinaridade com  outras disciplinas; Oportuniza a convivência, o diálogo, o companheirismo e até resolução de problemas; Promove o desenvolvimento integral da criança nos aspectos biológicos, psicológicos e sociocultural para que atinja sua autonomia; A socialização com grupos de pessoas diferentes convivendo com as vitórias e derrotas que a vida impõe ao ser humano.

Para Xavier (1986, p. 33), a prática da Educação Física traz ao aluno o aumento do interesse; concentração e motivação para a prática educativa; facilitação na compreensão e fixação de informações complementares; experimentação concreta de movimentos e objetos relacionados com os conteúdos programáticos; estímulo à observação, imaginação e criatividade; visualização de conhecimentos práticos e concretos a partir de noções teóricas e abstratas; aproximação do aluno com a realidade social em que vive.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a importância da prática de Educação Física, leva em consideração as condições adequadas para sua efetivação como atividade que trabalha o corpo e os movimentos. Por conseguinte, destaca que a Educação Física é entendida como uma área do conhecimento da cultura corporal de movimento. Salienta também que a Educação Física Escolar é uma disciplina que deve introduzir e integrar o aluno na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em beneficio do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida" (RODRIGUES, 2013).

De acordo com Bracht (1992, p.25), "cultura corporal é toda a manifestação cultural ligada à ludo motricidade humana". A partir das elaborações de Canestraro, Zulai e Kokut (2008, citando XAVIER, 1986, p.33), na área da Educação Física escolar, é possível apontar diversos benefícios para o aluno, dentre os quais a experimentação concreta de movimentos e objetos relacionados com os conteúdos programáticos da Educação Física; o estímulo à observação, imaginação e criatividade; a visualização de conhecimentos práticos e concretos a partir de noções teóricas e abstratas; e a aproximação do aluno com a realidade social em que vive.

Zunino (2008) aborda que a Educação Física é uma das formas mais eficientes pela qual o indivíduo pode interagir e, também é uma ferramenta relevante para a aquisição e aprimoramento de novas habilidades motoras e psicomotoras, pois é uma prática pedagógica capaz de promover a habilidade física, a aquisição de consciência e compreensão da realidade de forma democrática, humanizada e diversificada, pois nesta etapa educacional a Educação Física deve ser vista como meio de informação e formação para as gerações.

Diante dessa perspectiva, destaca-se a importância de mostrar atividades e possibilidades que a criança e o adolescente devem vivenciar na fase escolar, fazendo com que consiga organizar sua imagem corporal, ponto de partida para uma cultura corporal plena. Para a Educação Física, todo movimento corporal pode ser pedagogicamente tematizado e desenvolvido através da aplicação dos conteúdos culturais como a dança, a ginástica, as lutas, os esportes e os jogos (RODRIGUES, 2013).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No estudo realizado mediante as dificuldades encontradas pelos professores de Educação Física na escola observou-se que muitas mudanças devem acontecer, principalmente, partindo deles próprios e de toda a classe dessa área, eles devem possuir uma concepção mais crítica sobre o seu papel na escola.

A prática docente está aberta para o renovar-se, segundo as palavras de Paulo Freire (1992, p. 188): "Para que quem sabe possa ensinar a quem não sabe é preciso que, primeiro, quem sabe saiba que não sabe tudo; segundo, que, quem não sabe, saiba que não ignora tudo". Deste modo, ao planejar suas atividades o professor deve considerar não apenas o seu conhecimento, mas principalmente, o de seus alunos, levando-os a se perceberem como autores da construção do próprio conhecimento e agentes modificadores do mundo em que vivem. O professor comprometido certamente terá alunos comprometidos e assim o processo ensino-aprendizagem terá seu objetivo atingido. Cabe ao professor de Educação Física, o papel de orientar e conduzir esse processo usando de todo seu conhecimento e inteligência, pois quanto mais inteligente o professor, mais ele torna seus alunos capazes de agir com inteligência.

Na história da Educação Física muitas transformações ocorreram ao longo dos tempos, sempre buscando se adequar as necessidades da sociedade vigente. Essas mudanças ocorreram de forma insatisfatória, e acabaram por ocasionar problemas na sua aplicação ao ambiente escolar. Salienta-se que a Educação Física diante da teoria critica é uma disciplina que busca fazer com que o aluno se torne um cidadão autônomo, crítico e reflexivo. Transformando esse aluno em um ser capaz de se reconhecer em meio à sociedade em que vive.

5. REFERÊNCIAS

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BRACHT, V. Saber e fazer pedagógicos: acerca da legitimidade da educação física como componente curri­cular. In: CAPARROZ, F.E. (Org.). Educação Física escolar. Vitória: Proteoria, 2001. v. 1.

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DARIDO, Suraya Cristina et.al. Realidade dos professores de educação física na escola: suas dificuldades e sugestões – Revista Mineira de Educação Física, Viçosa, v. 14, n. 1, p. 109-137, 2006.

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XAVIER, Telmo Pagana. Métodos de ensino em Educação Física. São Paulo: Manole, 1986.

ZUNINO, Ana Paula. Educação física: ensino fundamental, 6º – 9º. Curitiba: Positivo, 2008.

06:23

A importância das aulas de educação física na escola: uma revisão bibliográfica




Introdução

    O tema a ser abordado neste presente estudo tem como propósito discutir a contribuição da Educação Física enquanto prática pedagógica, podendo atuar desta forma para o processo de ensino-aprendizagem e assim estabelecer uma relação entre métodos educativos que são vivenciadas nas demais áreas do conhecimento trabalhadas nas aulas de educação Física na Escola.

    Nesse contexto a Educação Física atua como um processo de formação do homem, que está presente em todas as sociedades humanas e é inerente ao homem como ser social e histórico. Sua existência está fundamentada na necessidade de formar as gerações mais novas, transmitindo-lhes seus conhecimentos, valores e crenças e, com isso, dando-lhes possibilidades para novas realizações.

    Para compreendermos de forma mais crítica a importância da Educação Física na escola, busca-se normalmente ferramentas capaz de auxiliar no processo de ensino aprendizagem, uma delas é a reflexão da sua própria prática.

    Conforme afirma Piccolo (1993, p.15) "refletir é necessário e os resultados dessa reflexão radical e contextualizada devem ser socializados na perspectiva de desestruturar-se a ordem estabelecida".

    Mas afinal para que serve a Educação Física escolar? Creio não existir pessoa ou profissional mais capacitado para responder esta pergunta que o próprio professor de Educação Física. Mas como bem lembra Piccolo (1993, p.13):

    [...] O principal papel do professor, através de suas propostas, é o de criar condições aos alunos para tornarem-se independentes, participativos e com autonomia de pensamento e ação. Assim, poderá se pensar numa Educação Física comprometida com a formação integral do indivíduo. Dessa forma, pode-se enfatizar o papel relevante que a Educação Física tem no processo educativo. O que, na verdade, ameaça a existência desta disciplina nas Escolas é a sua falta de identidade. Ela sofre conseqüências por não ter seu corpo teórico próprio, isso é, a informação acumulada é vasta e extremamente desintegrada por tratar-se de uma área multidisciplinar.

    Para Marco (1995), a Educação Física dentro da escola serve como instrumento para o desenvolvimento do cidadão, tais como o desenvolvimento das capacidades e habilidades motoras, trabalhadas dentro das diversas maneiras metodológicas de ensino adotadas e também serve como sendo um espaço educativo privilegiado para promover as relações interpessoais, a auto-estima e a autoconfiança valorizando-se aquilo que cada individuo é capaz de fazer em função de suas possibilidades e limitações pessoais.

    Pensando nesse contexto pode-se dizer que a Educação Física exerce um papel importante dentro da escola, pois e deste modo que a capacidade da criança de se movimentar e interagir consigo mesma e com o meio ambiente em que vive se transforma e deste a educação Física desempenha um papel formidável na extensão dos limites do crescimento e do seu desenvolvimento, sendo este um processo demorado e sucessivo. Além da maturação, as experiências e as características individuais agem no processo do desenvolvimento da criança.

    A Educação Física precisa assumir na escola, a responsabilidade de formar cidadãos capazes de se posicionar criticamente diante de novas formas de cultura corporal de movimento. Formando o cidadão que vai produzir reproduzir e transformar essa cultura corporal. Betti e Zulliani dizem que é tarefa da Educação Física preparar o aluno para ser um praticante lúdico e ativo, que incorpore o esporte e os demais componentes da cultura corporal em sua vida, para deles tirar o melhor proveito possível (2002).

    Deste modo o ensino da Educação Física na escola deve contemplar as três dimensões: o saber fazer, o saber sobre e o saber ser, e dessa forma ter sua própria autonomia para saber como, quando e porque realizar atividades que promova e incentive o desenvolvimento das habilidades motoras.

Objetivo geral

  • Analisar a importância da Educação Física para o ambiente escolar, proporcionando um diagnostico sobre como acontece as aulas dentro da escola.

Objetivos específicos

  • Analisar como acontecem as aulas de Educação física dentro da escola

  • Discutir sobre as principais funções da educação física para o processo de ensino aprendizagem.

Justificativa

    Sabendo que a Educação Física tem um papel essencial no desenvolvimento das capacidades e habilidades motoras e que a mesma tem sua importância dentro da escola, que o presente estudo justifica-se em propor uma reflexão sobre como acontece às aulas de Educação física no ambiente escolar e como a mesma pode contribuir para o processo de aprendizagem da criança e do adolescente em seu desenvolvimento, inserindo assim no meio social.

Referencial teórico

    A Educação Física para ser conhecida como um componente curricular tão importante quanto os outros, deve apresentar objetivos claros e com um corpo de conhecimentos específicos e organizados, cuja aprendizagem possa colaborar para que os objetivos da educação escolar sejam alcançados. Como afirmam Elisabete dos Santos Freire e José Guilmar Mariz de Oliveira, (2004, Apud, Freire, 1999).

    A Educação Física precisa assumir na escola, a responsabilidade de formar cidadãos capazes de se posicionar criticamente diante de novas formas de cultura corporal de movimento. Formando o cidadão que vai produzir reproduzir e transformar essa cultura corporal. Betti e Zulliani dizem que é tarefa da Educação Física preparar o aluno para ser um praticante lúdico e ativo, que incorpore o esporte e os demais componentes da cultura corporal em sua vida, para deles tirar o melhor proveito possível (2002).

    O Ensino Fundamental, assim como a Educação Infantil e o Ensino Médio, procuram estabelecer a qualidade no ensino. Esta busca pela qualidade é o ponto de partida que estruturar uma ação pedagógica planejada, dando condições ao indivíduo de entender, interagir e transformar o seu contexto social. A estrutura do Ensino Fundamental, no Brasil, busca pautar-se pela perspectiva democrática, comprometendo-se com a educação necessária para a formação de cidadãos independentes e participativos.

    As escolas tendem a se deter somente a cabeça da criança, esquecendo que somos um conjunto de cabeça e corpo e por isso a educação necessita ser de corpo inteiro. Para FREIRE (2007, p.10): "Que a educação seja uma prática corporal, uma prática de corpo inteiro; que se dirija tanto ao indivíduo quanto à sociedade, de modo que João aprenda a ser João, e Maria aprenda a ser Maria, porém ambos disponíveis para o outro, para a sociedade".

    Dentro das três dimensões citadas, podem-se subdividir os conhecimentos a serem aprendidos: a aprendizagem de habilidades motoras como arremessar, saltar, correr, etc. Jogos, danças, lutas e ginástica, antecipação, localização, lateralidade, etc. Conhecimento de si mesmo e das alterações que acontecem no corpo antes, durante e após a atividade física. Aprendizagem de regras e valores e de percepção de sensações afetivas durante a realização dos movimentos.

    Conforme afirma Barbosa (2001, p.19).

    [...] É necessário que o professor faça uma explanação do que é a Educação Física, pois até mesmo por serem crianças, elas têm a idéia de que é somente jogar bola. Devemos explicar todo o processo de como é uma aula de Educação Física, ressaltando o lado educacional tanto do corpo como do intelecto, explicar os processos de higiene, convivência em grupo (socialização), preconceitos (racial, religioso, social, sexual), mas sempre de uma forma alegre, que se adéqüe à sua linguagem.

    Por isso é necessário que o professor leve em consideração todos os fatores envolvidos, procurando um novo formato na elaboração das aulas, para mostrar o verdadeiro valor da Educação Física no ambiente escolar.

Metodologia

    Este estudo trata-se de uma pesquisa do tipo Bibliográfico tendo como fontes de análise pesquisas publicadas sobre: a importância da educação física na escola. A pesquisa bibliográfica abrange toda bibliografia já publicada em relação ao tema de estudo, e tem finalidade de colocar o pesquisador em contado direto com o que for escrito sobre o determinado assunto (MARCONI E LAKATOS, 2005, p. 190).

    Foram utilizados como critério de inclusão para a pesquisa, trabalhos já publicados que fizessem referência ao presente estudo, apresentando definições e considerações importantes sobre a educação física no ambiente escolar e sua importância para o processo de ensino aprendizagem.

    A busca foi realizada de forma independente utilizando duas bases bibliográficas: Google Acadêmico usando como palavras chaves, (Educação física Escolar, e Biblioteca Virtual do Scielo e a base de dados da Lillacs como as palavras chaves, (a Importância da educação física na escola).

    A pesquisa foi realizada no período de Agosto a Outubro do ano de 2013. Os artigos Selecionados apresentaram conteúdo de relevância para a revisão de literatura desse estudo.

    Foram analisados de forma aleatória artigos dos anos de 2000 a 2012, que apresentam a temática na área de Educação Física Escolar. Os artigos foram analisados por meio de interpretação do conteúdo encontrado nas publicações utilizadas.

Resultados e discussões

    Somente com esta pesquisa não é possível apontar a real importância da Educação Física na escola, mas através desta pesquisa pude constatar que, na visão de muitos autores a educação física vem se tornando cada vez mais um instrumento de socialização para a formação de um cidadão capaz de saber viver dentro de uma sociedade que cada vez mais vem se desenvolvendo e se transformando.

    A Educação Física na escola não se apresenta como deveria, pois sempre acaba limitando-se a uma pequena quantidade de atividades que não geram reflexões posteriores, que perdem seu significado na promoção do imediatismo. Segundo os dados levantados, a falta de embasamento teórico e o comodismo dos professores, além de outros fatores como, por exemplo, os excessos de atividades recreativas acabam formando uma opinião errada da disciplina para os alunos, principalmente pelo fato de que a Educação Física lhes aparece muitas vezes sem significado ou objetivo bem definido.

    É esta falta de objetivo e de identidade da disciplina que, segundo o que foi comentado e pesquisado, gera conflitos para a Educação Física no ambiente escolar, pois falta-lhe uma razão de ser que vá além do corpo, ao mesmo tempo que não o esqueça, e é onde encontra-se o desafio do profissional, em fundamentar cada vez mais suas práticas e dedicar-se à profissão, realizando de maneira efetiva o papel de educador.

    Assim podemos concluir que a Educação Física é uma peça da engrenagem que auxiliará no desenvolvimento global do educando. As aulas de Educação Física contribuem para o melhor desenvolvimento psicomotor das crianças, além de que atuam na evolução de sua personalidade, proporcionando que se tornem indivíduos capazes de fazer suas próprias escolhas e promovendo o sucesso escolar. Como afirma Ferreira (2006) Apud Boluch (2009).

    Portanto, a Educação Física, pelas suas possibilidades de desenvolver a dimensão psicomotora das pessoas, com os domínios cognitivos e sociais, é de grande importância no desenvolvimento da aprendizagem escolar.

Conclusão

    O papel da Educação Física na vida escolar do aluno é de suma importância, pois as atividades físicas ajudam desenvolver também o cognitivo da criança. Na escola ela tem oportunidade de ser trabalhada de acordo com sua idade, sua cultura e aperfeiçoando assim um espaço com mais autonomia. O papel do professor é criar no aluno condições de equilíbrio, desenvolver a interdisciplinaridade.

    Nesse contexto o trabalho da Educação Física deve prever a formação de base indispensável no desenvolvimento motor, afetivo e psicológico, dando oportunidade para que, por meio de jogos, do esporte, da dança, da ginástica, da luta e de atividades lúdicas, conscientize-se sobre seu corpo deste modo, ajuda em vários fatores auxiliando no problema de aprendizado, mas vale lembrar que em primeiro lugar precisa-se do fator "político" verbas para poder desenvolver projetos pedagógicos exemplares.

Referencias bibliográficas

  • BARBOSA, C. L. de A. Educação Física Escolar: as representações sociais. Rio de Janeiro: Shape, 2001.

  • BETTI, M.; ZULIANI, L. R. Educação Física escolar: uma proposta de diretrizes pedagógicas. REMEFE: Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo: Mackenzie, V.1. n. 1, p. 73-82, jan./dez. 2002.

  • COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino de Educação Física. São Paulo: Cortês, 1992. Coleção Magistério. 2º Grau. Série Formação do Professor.

  • FERREIRA, S; SGANZERLLA, S. Conquistando o Consumidor. São Paulo: Gente, 2000.

  • FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e terra, 25º edição, 2010.

  • MARCONI, M. D; LAKATOS, E. M. Fundamento de Metodologia Cientifica. São Paulo: Atlas S.A, 2010.

  • OLIVEIRA, M.K. Vygotski: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio histórico. São Paulo: Scipionne, 2009.

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