segunda-feira, 30 de julho de 2012

06:27

Introduzindo o Badminton na escola



Objetivos
- Ampliar o repertório esportivo, a cultura esportiva e corporal,
- Conhecer e aprender a jogar o badminton levando em conta a estrutura necessária, as regras, os equipamentos e as habilidades necessárias - mais precisamente o rebater.

Conteúdo
- Badminton: regras, história, habilidades e elementos envolvidas.

Anos
7º e 8º anos

Tempo
Quatro aulas.

Materiais
Raquetes, petecas, redes, cordas elásticas, elásticos, giz e equipamento audiovisual. Caso a escola não possua os equipamentos oficiais, é possível construí-los com material reciclável ou adaptá-los. As petecas podem ser feitas com uma tampinha de garrafa pet envolvida em meia folha de jornal ou ainda com bolinhas de isopor, palitos e um pedaço de sacola plástica (que deve envolver os palitos). As raquetes, com cabides de arame e meia-calça - basta fazer o formato da raquete de badminton e colocar a meia, bem esticada, para fazer as vezes de tela.

Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual
O desenvolvimento da coordenação motora em alunos com deficiência intelectual pode ser mais lento. Por isso, é importante ampliar o tempo de realização de algumas etapas da sequência e flexibilizá-las de acordo com as habilidades do estudante - simplificar as regra da partida ou diminuir a velocidade do jogo são algumas das alternativas. Você também precisa aproximar a prática do badminton à realidade do aluno. Mostre vídeos com pessoas jogando e deixe que o aluno se familiarize com os objetos utilizados na partida antecipadamente. O trabalho em duplas ou em pequenos grupos pode ser muito saudável para o aluno, desde que ele mostre o que é capaz de fazer. O aluno com deficiência não pode ser tratado como "café com leite". E conte sempre com a ajuda do profissional responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Desenvolvimento
1ª etapa
Inicie a aula com uma rápida introdução das suas expectativas para o dia, que é apresentar um esporte para a turma, o badminton. Faça um diagnóstico do que os alunos sabem sobre o esporte. Eles conhecem esse esporte? Têm alguma ideia sobre como é jogado? Se alguém souber algo, peça que explique aos colegas. Convide, então, a classe a conhecer um pouco desse esporte.

2ª etapa
Exiba um vídeo sobre o badminton. Um bom exemplo. Pesquise outros materiais interessantes para essa apresentação inicial também no site da Confederação Brasileira de Badminton. Depois, pergunte se a garotada identificou os principais elementos do esporte. E as regras? Qual é a estrutura do campo de jogo? Quais os equipamentos necessários para jogar? Como se joga? Quais as habilidades básicas necessárias? Quais as formas mais utilizadas para rebater a peteca? Peça que todos registrem o que aprenderam até então.

3ª etapa
Convide os alunos para jogar badminton. Primeiramente, envolva-os no processo de confecção e separação do material. É importante ter um grande número de raquetes e petecas. Se possível, uma raquete para cada aluno.

Dê início ao primeiro momento de experimentação. Durante 15 minutos de aula, estimule as possibilidades de prática com a raquete e a peteca. Reforce para a turma que, como visto no vídeo, a rebatida é uma habilidade importante a ser desenvolvida e deve ser bastante trabalhada no badminton. Proponha desafios motores como: rebater várias vezes sem perder o controle da peteca, rebater a peteca cada vez mais alto, rebater parado e em movimento, rebater a peteca andando e correndo, na horizontal e na vertical, rebater a peteca um para o outro, por cima da rede etc.

4ª etapa
Divida a turma em duplas, quartetos e sextetos. Peça para os alunos construírem campos de jogo utilizando o giz, as redes e as cordas elásticas. A ideia é que sejam realizadas partidas de badminton na configuração 1x1; 2x2 e 3x3. As regras podem ser adaptadas a partir das necessidades de cada grupo (tamanho do campo, altura da rede, local do saque, e quantidade de jogadores). Neste momento, circule pela quadra e faça interferências para ajudar a turma nos movimentos. Mostre as formas de rebater, recorde e explique as regras, contribua na estruturação e organização das equipes etc.

Avaliação
Organize uma roda de conversa com o grupo e procure avaliar como foi a vivência. Lembre-se de que uma boa roda de conversa sempre tem boas perguntas. Alguns exemplos: A vivência possibilitou jogar badminton? Quais as dificuldades encontradas? Tivemos um bom tempo de prática? O vídeo e as informações iniciais ajudaram a jogar? Vocês conseguiram rebater a peteca com precisão e boa coordenação? O que é necessário para uma boa rebatida?
 
Autor: Fábio D'Angelo
05:51

Três sugestões para a garotada aprender e se divertir


Oba, Educação Física! Essa é com certeza a aula mais esperada pela garotada, mas, muitas vezes, acaba virando só um grande corre-corre no pátio. Isso pode mudar: o programa da disciplina para turmas de 1ª a 4ª série tem tudo para ser tão divertido quanto um recreio livre - e produtivo também. Claro, você não é especialista, mas pode assumir essa tarefa e propor diversas atividades. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, o currículo da matéria sugere ensinar a cooperação entre os colegas e a criação de regras para brincadeiras em equipe. "Durante qualquer jogo coletivo, os alunos aprendem esses conceitos, que serão aplicados em diferentes situações da vida", afirma João Batista Freire, professor de Educação Física da Universidade do Estado de Santa Catarina. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a disciplina pode ajudar os pequenos a entender também, entre outras questões, as diferenças culturais e individuais. Isso inclui perceber, por exemplo, que meninos e meninas têm potenciais distintos, mas que todos são capazes.

Na hora de fazer seu planejamento é importante ficar atento à faixa etária dos estudantes. Com as turmas de 1ª e 2ª séries, o trabalho com brincadeiras tradicionais é perfeito. O objetivo, nesse caso, é valorizar a cultura popular e dar autonomia aos pequenos na construção de regras. Para 3ª e 4ª séries, o enfoque se volta para os jogos pré-desportivos, que exigem a compreensão de normas mais complexas. A seguir, você confere três sugestões de atividades.

1. Pinobol: atividade aeróbica para trabalhar em equipe

O Pinobol é indicado pela professora Priscilla Voss, da Fundação Gol de Letra, do Rio de Janeiro, para 3ª e 4ª séries. É um jogo que desenvolve a capacidade cardiorrespiratória das crianças e a cooperação. Para começar, a professora providencia alguns cones de plástico, daqueles de trânsito - de sete a 15 -, que são espalhados aleatoriamente pelo pátio. Se não houver esses cones, a dica é usar baldes ou banquinhos e cadeiras pequenas de plástico. "Quanto maior o número de cones, mais difícil fica o jogo. Por isso, o melhor é ir aumentando a quantidade de forma gradual", explica Priscilla.

Ela divide os estudantes em duas equipes, que ficam em fila indiana, uma ao lado da outra. Apenas dois alunos - um de cada equipe - competem de cada vez. O jogador da equipe A precisa "queimar" o adversário com uma bola. O jogador da B tem como objetivo derrubar os cones - o mais rápido possível e com qualquer parte do corpo. Priscilla dá a partida e cronometra cada etapa. Quando o aluno da B é atingido, ele é substituído pelo próximo da fila. O mesmo acontece com o jogador da equipe A assim que arremessa a bola. Quando a fila termina, os papéis se invertem. Ganha a equipe que derrubar todos os cones em menor tempo.

2. Brincadeiras de rua adaptadas para a escola 
Valorizar as brincadeiras de rua é um dos objetivos da professora Cindy Siqueira em suas aulas de Educação Física na Escola Anézio Cabral, em Osasco (SP). Para começar o trabalho com a turma da 1ª série, ela lançou a questão: do que vocês brincam com os amigos quando estão fora da escola? "De Balança Caixão", um dos alunos respondeu, explicando como era a brincadeira. Os colegas começaram, então, a discutir os detalhes das regras que seriam seguidas por eles quando fossem brincar no pátio.

O Balança Caixão começa quando uma criança é balançada por dois amigos que a seguram pelas mãos e pernas. Enquanto isso, os demais cantam: "Balança caixão, balança você. Dá um tapa nas costas e vai se esconder!" Terminada a música, a criança que estava suspensa é deixada no chão com cuidado (providencie um colchonete para evitar impacto das costas do aluno com o solo) e espera por alguns instantes até que todos - inclusive os colegas que a seguraram - se escondam. Na hora da brincadeira, contudo, os alunos de Cindy tiveram que adaptar as regras. "Perguntei às crianças o que fazer, já que não havia esconderijo suficiente para todos no pátio", conta. A garotada resolveu o problema dividindo a classe em dois grupos que se alternariam: o de pegadores e o de fujões.

Numa etapa seguinte, a professora pediu aos estudantes para perguntar aos pais e vizinhos se conheciam o Balança Caixão e quais eram as regras no tempo em que eram crianças. A idéia era fazer a garotada descobrir em que pontos a brincadeira coincidia ou se diferenciava em relação à atual. Para enriquecer mais ainda a atividade, Cindy levou para a classe uma reprodução do quadro Jogos Infantis, do pintor Pieter Bruegel. A pintura apresenta 84 atividades lúdicas do século 16. "Os alunos ficaram maravilhados ao descobrir que as crianças daquela época conheciam uma brincadeira semelhante ao Balança Caixão", conta Cindy.

3. Bola na Torre: um jogo para seguir e criar regras
Parece basquete, mas não é. No Bola na Torre, outra atividade proposta pela professora Priscilla, da Fundação Gol de Letra, a meninada precisa encestar a bola. Mas não é tão simples assim, porque a tabela se move! O jogo, indicado para estudantes de 3ª e 4ª séries, desenvolve habilidades corporais (como a pontaria) e sociais (como o trabalho em grupo). Na hora de formar as equipes, meninos e meninas se alternam. Assim, há um equilíbrio de forças e a garotada percebe as diferenças individuais.

As regras básicas são as seguintes: um aluno de cada equipe segura a cesta para seu time. Cada um dos cesteiros sobe em um dos bancos suecos colocados em extremos opostos do pátio e segura o balde na mão, tentando fazer com que a bola entre nele. Como o banco tem apenas 20 centímetros de altura, não há perigo de a criança se machucar caso caia. Todos se revezam na função de tentar fazer a bola entrar no balde. "Nessa posição, a criança desenvolve o equilíbrio e a coordenação motora", explica Priscilla. A garotada pode criar outras regras: é permitido andar com a bola na mão? Quantas vezes a bola pode quicar antes de ser arremessada?

Se a classe for numerosa, logo os estudantes vão perceber que não dá para todos jogarem ao mesmo tempo. Eles mesmos vão pedir para dividir os times. Depois, é só prestar atenção para que ninguém se esqueça do regulamento.

Por: Carla Soares (novaescola@atleitor.com.br)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

03:42

O que ensinar na Educação Física Escolar?

Estamos numa época de incertezas. Diante de mil concepções, idéias e formas milagrosas de ensinar na escola, nos deparamos com um dilema: o que ensinar nas aulas de Educação Física?


Estamos numa época de incertezas. Diante de mil concepções, idéias e formas milagrosas de ensinar na escola, nos deparamos com um dilema: o que ensinar nas aulas de Educação Física?

O primeiro ponto que não devemos nos esquecer é de que a Educação Física é uma área de conhecimento, está inserida no currículo escolar e, portanto, tem um objetivo pedagógico. Assim, entendendo a Educação Física como "disciplina", ela deverá possuir seus próprios objetivos, conteúdos, expectativas de aprendizagem e seu objetivo deverá ser o de estudar o  universo das manifestações culturais corporais.

Algumas pessoas afirmam  que as aulas de Educação Fisica devem priorizar a diversão e o lazer. Se a disciplina está inserida no currículo da escola, como citado anteriormente, não faz sentido essa afirmativa. Existem outros locais onde as crianças podem freqüentar com  o unico objetivo de diversão e certamente a escola não é este espaço. Lembremos que ao afirmar isso estamos negando o direito da criança a adquir conhecimento.

Ao escolher uma manifestação corporal presente no cotidiano da comunidade,  para ser estudada nas aulas de Educação Física, estamos garantindo o respeito ao aluno, respeito a sua cultura, aos seus conhecimentos e uma aprendizagem significativa que faça sentido para a criança. 

A Educação Física deveria garantir aos alunos o direito de conhecer mais profundamente os esportes, as danças, as lutas, as ginásticas, enfim, as práticas pertencentes ao universo corporal presentes em seu cotidiano. Garantir o direito a esses aprendizados é um dever do professor e da escola, respeitar esses conhecimentos também. 

Mas como funciona isso na prática?  Como exemplo, cito a tematização de um esporte como o vôlei. A partir dos conhecimentos dos alunos a respeito desta manifestação podemos propor algumas atividades onde os alunos experimentem jogar de varias maneiras, adaptando os movimentos, o espaço, os materiais, incluindo as pessoas com deficiência. Outra ação didática seria mediar algumas atividades onde os alunos descubram  como o esporte surgiu, quem são os atletas, onde e por quem  é praticado, enfim, a criança deve entender que essas manifestações são culturalmente construídas e constantemente modificadas de acordo com alguns interesses.

É importante lembrar que respeitar os conhecimentos dos alunos não significa que devemos nos limitar a tematizar somente os que eles conhecem e vivenciam. Ao contrario disso, devemos proporcionar momentos onde esses conhecimentos sejam ampliados, trazendo para a escola tudo o que diz respeito a seu cotidiano e também outras formas de ver e pensar esses saberes que fazem parte do patrimônio cultural da sociedade. 

A partir dessa perspectiva de educação, saem de cena as aulas "treinamento", que exclui os não habilidosos, a descoberta de novos atletas, excluem os deficientes e outros que não se encaixam nessa pratica e entram em cena todos aqueles alunos que tem o direito de a vivenciar essas manifestações. Isso não significa que a Educação Fisica deva se transformar em aulas "ditas" teóricas, mas sim, a partir das práticas, uma aula onde a satisfação de aprender e participar estejam presentes através de atividades que levante questionamentos, aprofundem o conhecimento, ressignifiquem a pratica e ampliem as formas de ver, pensar e estar no mundo. 

Natalia Gonçalves
Professora de Educação Física da PMSP

quinta-feira, 19 de julho de 2012

09:00

Plano de Aula: cultura no esporte

Objetivos
• Ampliar o conhecimento sobre a cultura dos esportes.
• Conhecer as relações do jogo com aspectos políticos, econômicos, midiáticos e sociais.
• Aprender sobre as diferentes funções em eventos esportivos (jogadores, árbitros, técnicos etc.).

Conteúdos
• Esportes e jogos.
• Manifestações culturais.

Anos 6º e 7º.

Desenvolvimento
1ª etapa
O primeiro passo é identificar um esporte para ser trabalhado - o importante é que ele faça parte do cotidiano da turma. Inicie o diagnóstico com uma roda de conversa. Pergunte: quais esportes conhecem? Quais praticam? Quais podem ser feitos na escola? Construa uma lista e eleja, junto com a classe, uma modalidade.

2ª etapa
Realize uma primeira prática do esporte de forma que os alunos possam vivenciar diferentes funções: jogador, árbitro, técnico etc. Em seguida, reúna a turma para um pequeno debate, com o objetivo de levá-los a refletir sobre o jogo. Quais as responsabilidades em cada papel? Quais os mais difíceis de executar? Quais as habilidades necessárias para cada função?

3ª etapa
Hora de investigar a origem da modalidade, sua história e evolução. Peça aos alunos uma pesquisa em enciclopédias e sites com base em um roteiro mínimo: quem inventou o esporte? Onde e quando isso aconteceu? Em quais locais ele é popular? Que habilidades exige? Como evoluiu em termos de regras e material esportivo?

4ª etapa
Momento de retomar a prática - dessa vez, ampliada pela reflexão e pela pesquisa da turma. Divida a classe em quatro grupos, deixando a cargo de cada um uma etapa específica da organização: preparação do espaço e do material, explicação da atividade, mediação dos desafios e conflitos e arrumação do material pós-aula. Ressalte que o planejamento precisa ser feito levando em conta que todos devem jogar e experimentar várias funções.

5ª etapa
Depois do jogo, proponha um novo debate, discutindo com a turma as dificuldades encontradas na realização das atividades. Verifique, sobretudo, se a moçada entende e valoriza a importância do trabalho em grupo e a necessidade de adaptação de espaços, materiais e regras para que todos possam participar dos jogos.

6ª etapa
Finalize com uma roda de conversa sobre a relação do esporte escolhido com o mundo ao seu redor. De que forma ele impacta a sociedade, a política, o consumo, a mídia, a economia e a saúde? Uma sugestão é dividir novamente a classe em grupos, pedindo que cada um realize uma pesquisa sobre uma área.

Avaliação
Com base nas rodas de conversa, nas pesquisas e na participação nas atividades práticas, verifique o aprendizado, prestando atenção especialmente se cada um experimentou diferentes funções, se houve avanços entre o primeiro e o segundo momento de jogo, se as pesquisas trouxeram os principais conceitos e se eles impactaram a vivência do esporte. Avalie ainda a seleção de fontes de informação (ensinar a pesquisar é, sim, tarefa do professor de Educação Física). Em termos atitudinais, perceba se os estudantes escutam os outros nas rodas de conversa e se deixam os colegas falarem.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

05:43

Psicomotricidade na infância


O estudo da psicomotricidade é recente. Ainda no início deste século, abordava-se o assunto apenas de forma excepcional. Numa primeira fase, a pesquisa fixou-se, sobretudo no desenvolvimento motor da criança. Depois estudou a relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o atraso intelectual. Seguiram-se estudos sobre o desenvolvimento da habilidade manual e aptidões motoras em função da idade.

Mais recentemente, as pesquisas direcionando-se para a ligação com a lateralidade, a estruturação espacial, a orientação temporal e as dificuldades escolares, enfatizando a necessidade de que se tome consciência das relações existentes entre o gesto e a afetividade como, por exemplo, a diferença entre o caminhar de uma criança segura de si mesma e o de uma criança tímida.

Estudiosos e resultados

 criança abraçando árvore

Os estudiosos defendem que o tônus e a motricidade - a força que dá movimento - trazem com seu desenvolvimento os primeiros delineamentos de reações emocionais e afetivas, o que contribui para a organização progressiva do conhecimento.

O componente tônico tem papel fundamental na organização da personalidade, pois as modificações do tônus e das atitudes têm relação com as modificações da sensibilidade afetiva. Entre as duas, existe reciprocidade de ação imediata.

Piaget considera esta reciprocidade válida para o aspecto figurativo do pensamento. Ele acredita que em toda ação, o motor e o energético são de natureza afetiva (necessidade e satisfação), ao passo que a estrutura é de natureza cognitiva (os esquemas enquanto organização sensorial-motora). Assimilar um objeto a um esquema representa atender a uma satisfação de uma necessidade e concender uma estruturação cognitiva à ação. As vivências (ações) modelam a sociabilidade e a personalidade do ser humano, na medida em que esta última é fruto da troca de experiências.

Educação e psicomotricidade

 Crianças em atividade

A educação psicomotora tem o papel de promover uma formação de base indispensável a toda criança que responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se, por meio do intercâmbio com o ambiente humano.

É possível, por uma ação educativa a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais, favorecer o início da formação de sua imagem corporal, o núcleo da personalidade. Além do mais, é um meio prático de ajudar a criança a dispor de uma imagem do "corpo operatório", a partir da qual poderá exercer sua autonomia. Esta conquista passa por vários estágios de equilíbrio que correspondem aos estágios da evolução psicomotora.

Dessa forma, se define psicomotricidade como sendo uma ciência que tem por objeto de estudo o homem, de seu corpo em movimento e nas relações com seu mundo interno e externo. A educação pelo movimento com atuação sobre o intelecto acontece na relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas. Como o comportamento físico de uma criança expressa suas dificuldades intelectuais e emocionais, pode-se dizer que a psicomotricidade é a ciência do corpo e da mente. Ao ver o corpo da criança em movimento, percebe-se a ação dos braços, pernas e músculos iniciada pela mente e motivada pela vontade de atingir algo e pelo desejo de se expressar, tornando consciente os movimentos do corpo. A psicomotricidade integra várias técnicas com as quais se podem trabalhar todas as partes do corpo, relacionando-o com a afetividade, o pensamento e o nível de inteligência, enfocando a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo tempo em que coloca em jogo as funções intelectuais.

Conclusões e diretrizes

 crianças felizes

Concluindo, as crianças sempre nos surpreendem por sua espontaneidade, seja correndo, desenhando, brincando ou conversando. Observar uma criança se movimentando é presenciar o aflorar de emoções e de interesses. Seu corpo é um espelho e com a observação, os olhos bem treinados detectam aptidões.

Acredita-se que as pessoas são o seu próprio corpo. O corpo e a mente não são separados; pensar, sentir, agir, imaginar são manifestações do corpo e constituem um processo vital. A psicomotricidade estuda e trabalha os diferentes problemas e habilidades do indivíduo pelos gestos, postura corporal e atitudes. Seu principal objetivo é desenvolver na criança uma melhor organização espacial e temporal, promovendo melhorias no equilíbrio, coordenação e motricidade, bem como integração e conhecimento do próprio corpo, além de trabalhar situações afetivas e emocionais que dizem respeito ao contexto da criança.

Um bom trabalho psicomotor busca dinamizar um caminho onde o "fazer" e o "pensar" sejam considerados possibilidades existenciais e igualmente importantes para a formação do SER, corrigindo distúrbios, ampliando capacidades e buscando mais qualidade de vida.

terça-feira, 10 de julho de 2012

11:16

Educação Infantil: desafio é entender as necessidades do aluno


Muito antes de ensinar crianças a ler e escrever, escola e família devem estar preparados para lidar com uma série de outras necessidades que vão garantir que o aluno se desenvolva plenamente durante os anos seguintes. Voltada a crianças de zero a seis anos, a Educação Infantil é uma obrigação do Estado, mas inserir ou não a criança no ambiente escolar durante essa etapa é uma escolha da família. Especialistas afirmam que as diretrizes pedagógicas estão melhorando a qualidade do ensino, mas a área ainda apresenta carências.

Segundo a diretora da Divisão de Educação Infantil e Complementar (DEdiC) da Unicamp, Roberta Borges, a escola precisa prestar atenção às necessidades das crianças nesta etapa, que diferem dos alunos mais velhos. "A educação infantil esbarra na formação do professor e na organização de espaços. O professor realmente preparado deve realizar um trabalho voltado ao desenvolvimento da criança, e não apenas adaptar aquilo que é proposto aos estudantes maiores", diz.

De acordo com Roberta - também organizadora do 2º Fórum Internacional de Educação Infantil, realizado em novembro -, a Educação Infantil deve voltar-se às habilidades cognitivas sem deixar de lado o desenvolvimento afetivo e físico. "É preciso ensinar valores, regras, limites, como se relacionar bem com o outro. Esses pontos não recebem muita atenção das escolas. O físico também é muito importante. Ela deve aprender a cuidar do corpo, se alimentar de maneira saudável, ter uma rotina, se trocar", exemplifica. Segundo a professora, o desenvolvimento nos primeiros anos de escola - principalmente entre zero e três anos - é essencial para a formação posterior. "As experiências devem ser mais pausadas, para que ela realmente compreenda aquilo que está acontecendo e se desenvolva de acordo com sua faixa etária", diz.

As Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil, que contemplam normas de credenciamento e indicadores de qualidade, são responsáveis por regulamentar creche, frequentada de zero a três anos, e pré-escola, que antecede o Ensino Fundamental. Segundo a presidente da Organização Mundial para Educação Pré-Escolar de São Paulo (Omep/SP), Vera Miles, nessas duas etapas, a preocupação está voltada ao desenvolvimento pessoal, estimulando atividades lúdicas, a linguagem artística e oral, além de jogos simbólicos. "É uma fase para brincar. Os alunos são desafiados a resolver conflitos, cooperar e se relacionar", diz.

De acordo com a professora, a Educação Infantil tem avançado muito em relação a legislação, diretrizes e propostas pedagógicas, que tem o objetivo de garantir um ambiente adequado e seguro. Mesmo assim, garante, um dos maiores problemas está ligado à falta de preparo dos educadores. "Esses professores não sabem trabalhar com a família, com a comunidade, e isso reflete no espaço em que a criança passa a maior parte do tempo", afirma. A especialista também aponta problemas nos ambientes aos quais os alunos são expostos. "As instituições têm pouco material estimulante, poucos equipamentos adequados e hoje está sujeita a se tornar muito acadêmica. Isso porque os professores não tem uma visão prática das atividades que devem realizar em sala de aula", sugere.

Mudança na idade mínima gerou polêmica
Recentemente, uma mudança na idade mínima para frequentar o ensino fundamental também gerou polêmica entre especialistas. Anteriormente, a idade para cursar a 1ª série era de sete anos. Com a nova lei, crianças que completam seis anos até 31 de março estão aptas a cursar o 1º ano - que surgiu para servir de ponte entre as duas etapas. "A entrada no Ensino Fundamental aos seis anos preocupa porque os professores não estão preparados para lidar com esses alunos, que requerem uma metodologia diferente. A criança vai para o 1º ano e passa a ficar a maior parte do tempo sentada, seus pezinhos não alcançam o chão. Só que ela deveria estar brincando, já que a vivência deve ser a base desses primeiros anos", pontua.

A professora Roberta chama a atenção para a adequação do 1º ano de Ensino Fundamental. Segundo ela, é preciso dar continuidade ao trabalho que teve início nos anos anteriores. "Nessa faixa etária, não dá para avançar o conteúdo. É importante que ela continue construindo um raciocínio próprio de sua idade, que tenha, sim, atividades de leitura e escrita, mas que não haja uma antecipação dos conteúdos. Forçar uma evolução fora das possibilidades de sua faixa significaria um retrocesso", alerta.

Por outro lado, a especialista aponta aspectos positivos na alteração: "A educação infantil não é obrigatória, mas o ensino fundamental é, e essa mudança faz com que todas as crianças ganhem um ano a mais de desenvolvimento." A nova resolução aponta que, agora, os conteúdos do 2º ano equivalem à 1ª série de antigamente, permitindo que o aluno passe por um ano de adaptação a uma estrutura de ensino diferente daquela a que estava acostumada.

08:48

Mesmo facultativa, educação infantil deve fazer parte da vida escolar


Giovanna tem três anos e está na escolinha há quase 12 meses. Graças às aulas, passou a se expressar melhor, enriqueceu o vocabulário, ficou mais sociável e segura, começou a comer frutas e vegetais e sabe contar até 10 e falar as cores em inglês. Apesar de não entender, ela expressa como a educação infantil, período que compreende a creche e o jardim de infância, pode ajudar no crescimento das crianças e prepará-las para um desenvolvimento adequado.

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Mais do que um lugar em que os pequenos ficam enquanto os pais trabalham, a pré-escola é um período de preparação à vida escolar e à convivência em sociedade, afirma Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP. "Os seis primeiros anos da idade são fundamentais para o desenvolvimento da aprendizagem da criança. Quando bem trabalhados os conteúdos, todas as aprendizagens futuras vão se assentar nesse processo inicial", afirma a especialista em educação infantil.

Matricular os filhos na escola com essa idade não é obrigatório para os pais. Entretanto, devido à Emenda 59/2009, a partir de 2016 nenhuma instituição pode alegar falta de vagas para recusar alunos a partir de quatro anos. De qualquer forma, mesmo que hoje o ensino seja opcional, Maria Ângela aconselha os pais a colocar os filhos desde cedo na escola. "É importante porque a criança se socializa, é estimulada do ponto de vista afetivo, cognitivo e social, e tem a possibilidade de desenvolver toda uma parte de coordenação motora e uma parte artística que podem ajudar no aprendizado posterior", explica.

Crianças demonstram desenvolvimento
Um dos fatores que levou a assessora de comunicação Elaine Cecília Nishiwaki a colocar a filha Giovanna, na época com dois anos, em uma escolinha na cidade de São Paulo foi a proximidade com o inglês. Mas não foi só isso. "A facilidade de aprender as coisas, de se relacionar com outras crianças e com outras pessoas, e o quanto isso vai ser benéfico no mundo em que vivemos hoje em dia, tudo isso me motivou", afirma. Além das atividades comuns em diversas escolas, a escolinha da pequena oferece capoeira, balé, culinária e cuidados com hortas.

Para a fonoaudióloga e professora carioca Lucélia Rodrigues de Sousa, optar por matricular o filho Artur, de dois anos, na educação infantil, foi uma escolha que levou em conta o fato de a creche proporcionar experiências que o pequeno não tinha no lar. "Eu entendo que a criança precisa de um ambiente que vá ajudar a desenvolver as inteligências dela. Muitas vezes, em casa, não temos esse ambiente que a escola pode proporcionar, em que podem ser trabalhadas regras e a socialização", afirma.

Após somente dois meses, a mãe já notou que Artur está com a coordenação motora mais trabalhada, segura o lápis de forma mais adequada, pinta melhor, presta mais atenção nas historinhas, organiza melhor as falas e incorporou novas palavras no dia a dia. Por fim, o garoto agora tem mais facilidade em se relacionar. "Antes, aqui no condomínio, mesmo junto de outras crianças, ele brincava sozinho. Agora, ele brinca com elas", conta.

Para que todo esse aprendizado tenha sucesso, a professora da PUC-SP explica que o professor vai sempre trazer os saberes à realidade infantil. "Quanto mais próximo do cotidiano dela, mais rápido ela aprende, porque vai entender no que vai usar esse conhecimento", elucida. Seja pulando amarelinha e descobrindo que pular duas casas é menos do que pular cinco, o que importa é que a criança se divirta. Se ela aprende enquanto brinca, melhor ainda.

"Atividades rotativas" são opção para não cansar os alunos
A especialista Maria Ângela afirma que, para não cansar ou saturar os pequenos, é preciso fazer com que encarem todas as atividades como brincadeiras. Assim, não há uma divisão do ensino por matérias. "Quando a gente fala de conhecimentos matemáticos ou de português, a gente fala em fins didáticos, mas no contexto de dia a dia, a criança vai aprender tudo isso muito relacionado", afirma.

No colégio paulistano Dante Alighieri, por exemplo, os professores contam histórias, oferecem atividades como pintura e perfuração para melhorar a coordenação motora, trabalham com sílabas para desenvolver a consciência fonológica e fazem rodas de conversa, brincam com rimas, lendas e trava-línguas para trabalhar a oralidade. O processo educativo é divertido e as atividades fazem com que a criança se desenvolva sem notar que está aprendendo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

05:41

Plano de Aula: 4 atividades para introdução do Futebol

Imagem relacionada

Objetivos:
Trabalhar a coordenação óculo pedal.
Desenvolver a dissociação dos movimentos.
Trabalhar os movimentos com os pés a fim de estabelecer a precisão.
Atuar em diferentes grupos e respeitar os colegas.

Atividades de Futebol para a Educação Física Escolar 
Duração das atividades
1 aula de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Para esta aula, não é necessário conhecimento prévio, mas não podemos ignorar os conhecimentos culturais trazidos pelos alunos, principalmente em se tratando de futebol.
Estratégias e recursos da aula
Professor, nesta aula faremos uma abordagem de inclusão ao jogo de futebol. Em nossas aulas de educação física escolar devemos contextualizar todos os temas e, o futebol para alguns alunos não se mostra atraente, sendo muitas vezes excludente. Nesta aula apresentaremos algumas atividades que podem facilitar a inclusão dos alunos.
Nessa aula utilizaremos materiais alternativos para dar um tratamento ao jogo com bola.
Materiais: barbante, bexiga (balão de ar), bola de futsal, cones pequenos.

ATIVIDADE 1 - Atividades com Bexigas
 Bexigas na sala de aula
Cada aluno receberá um pedaço de barbante e uma bexiga. Deverá encher o balão de ar, amarrá-lo ao barbante e prender o barbante no tornozelo.
Divida a turma em 4 times. Cada aluno deverá deslocar-se por um espaço pré determinado levando a bola presa ao pé sempre na frente do corpo, sem estourá-la.
Além do aluno controlar a sua bola ele deverá desviar de outros alunos para que a sua bola não estoure com facilidade.
Dica - A critério do(a) professor(a) esta atividade pode ser transformada em um mini conteste, por exemplo: organize 4 colunas onde os alunos deverão correr até um ponto determinado, voltar (controlando a sua bola) e, tocar na mão do colega do seu grupo que dará prosseguimento a atividade. O grupo que terminar em primeiro sem estourar nenhuma bola ganha o jogo.

ATIVIDADE 2 -  Boliche com os pés:
Professor, separe diversos cones pequenos e coloque-os na linha que divide a quadra no meio.
O objetivo deste jogo é que os alunos derrubem os cones chutando a bola de futsal neles.
Divida a turma em 4 times. Irão jogar 2 times por vez. Cada time terá uma área pré determinada limitando de onde podem chutar a bola. Um time começará com todas as bolas e terá sua vez de chutar. As bolas passarão para o outro lado da quadra, consequentemente para o outro time, assim determinando a vez do outro time de chutar.
Ganha o time que derrubar mais cones. Fica a critério do professor quantas vezes cada time poderá chutar.
Dica:
1 - Peça para que todos chutem ao mesmo tempo. Deixem que eles se organizem, mas caso isso não ocorra, o professor pode dar o comando de quando chutar;
2 - Poderão ser utilizados cones com as letras do alfabeto ou numéricos e assim, poderá ser solicitado que os alunos formem pequenas palavras ou sequência numérica;
3 - Professor, solicite que os alunos deem sugestões para incorporar esta atividade.

ATIVIDADE 3 - Futebol de duplas.
Professor, divida a turma em 4 equipes. Dentro de cada time, os alunos deverão formar duplas.
Peça que as duplas deem as mãos. Eles participarão do jogo de futebol onde os alunos estarão em duplas e só poderão tocar na bola enquanto estiverem de mãos dadas. Caso eles soltem as mãos, será considerado "falta". Na verdade essa atividade não determinará um gol, mas o(a) professor(a) poderá formar equipes que se enfrentarão com a marcação de gol pequeno inicialmente ocupando o espaço de meia quadra e, posteriormente, a quadra inteira.

Futebol de duplas

DICA - Professor, esta é uma atividade recreativa para socializar os alunos com o tema futebol. Pode ser em duplas, em trincas, de acordo com sua avaliação e a organização dos alunos.

ATIVIDADE 4 - PEBOLIM HUMANO
Professor, esta atividade é associada ao jogo de pebolim (conhecido como jogo de totó em algumas localidades). Organize duas equipes mistas, onde os alunos deverão formar grupos de: defesa, meio campo e ataque e, cada formação dessa não pode andar para frente, nem para trás, apenas para os lados (assim como no jogo de pebolim).
Pebolim Humano
DICA 1 - Professor, para esta atividade os alunos podem dar as mãos; podem ser utilizadas cordas para cada posição (os alunos representantes de cada posição deverão segurar numa corda para não se soltarem)
DICA 2 - Lembre-os que o objetivo é evitar gol e fazer gol na outra equipe, mas que cada equipe deverá organizar a sua estratégia.
DICA3 - Professor, realize um rodízio nas posições do pebolim para que os alunos vivenciem todas as posições do jogo.

FINALIZANDO A AULA
Professor, ao final da aula realize um debate e avalie, juntamente com os alunos, a forma que o futebol foi abordado nesta aula; se todos os alunos se sentiram incluídos nas atividades e, que outras formas podem ser desenvolvidas para trabalhar com o tema futebol.

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