Curso online de O Brincar e o Aprender na Educação Infantil

segunda-feira, 24 de junho de 2013

05:50

Plano de Aula: Pular corda



Introdução
A intenção principal desta seqüência didática é promover a vivência das brincadeiras de pular corda e, por meio delas, abordar conteúdos relacionados ao Ritmo e a Expressão Corporal.

Essa seqüência de atividades se justifica também como uma interessante e divertida forma de cultivo e valorização da cultura lúdica tradicional de nosso país.

Também se mostra importante como forma de promover situações de ensino e aprendizagem ricas no sentido da construção de habilidades corporais básicas, no desenvolvimento de dinâmicas de produção em pequenos grupos e ainda como possibilidade de introduzir e desenvolver a idéia de diversificação e transformação de estruturas lúdicas convencionais.

Objetivos
Ao final da seqüência de atividades as crianças deverão ser capazes de:

reconhecer a existência de elementos rítmicos e expressivos nas brincadeiras vivenciadas;
reconhecer a possibilidade de variações e adaptações nas regras originais de uma brincadeira;
realizar os movimentos básicos de saltar com um e dois pés, agachar, girar e equilibrar-se e suas relações com o ritmo em que esses movimentos são executados;
projetar e construir seqüências de movimentos levando em conta os seus limites corporais e os dos colegas.
Conteúdos específicos
Brincadeira de pular corda.
Brincadeiras realizadas em pequenos grupos, sem finalidade competitiva e sem a divisão em equipes, quando a relação entre os desempenhos individuais compõe e viabiliza a vivência grupal.
Habilidades motoras de saltar com um e dois pés, agachar, girar, e equilibrar-se.
Capacidades físicas de velocidade e força.
Ritmo e expressividade.

Ano

4º e 5º anos

Tempo Estimado
Quatro aulas de 40 minutos, subdivididos em 10 minutos para a roda de conversa inicial 25 minutos para a vivência das brincadeiras e 5 minutos para roda de conversa final.

Material Necessário
Espaço físico plano e desimpedindo (sala de aula, quadra, pátio, rua, ou similar).
Cordas individuais (1,5 metro).
Cordas coletivas (6 metros).
CD Player
Desenvolvimento das atividades
Em todas as aulas, inicie a atividade fazendo uma explicação das regras e da distribuição dos grupos pelo espaço físico, desenhando na lousa o posicionamento de cada um e os limites a serem utilizados durante as brincadeiras.

Esse desenho deve ser um diagrama simples, com as referências do espaço e a representação da posição que cada grupo de crianças vai ocupar durante a atividade.

Em todas as aulas realize uma roda de conversa no final para avaliar junto com as crianças os avanços conquistados e as dificuldades que foram enfrentadas durante a vivência das brincadeiras.

A seqüência didática está organizada em duas aulas com propostas de brincadeiras feitas por você e uma aula em que as crianças serão desafiadas a conceber brincadeiras.

Primeira aula
Pular corda, brincadeiras tradicionais

"Um homem bateu à sua porta..."

"Com que você pretende se casar..."

"Rei, capitão, soldado, ladrão..."

"Salada, saladinha..."

Existe uma enorme diversidade de brincadeiras de pular corda em nosso país. Essas sequências variam de região para região em relação aos gestos que compõem as sequências e às músicas cantadas durante a realização.

No entanto, o princípio geral é basicamente o mesmo, ou seja, sequências de movimentos realizados em torno de uma corda em movimento (principalmente saltos e giros), acompanhados de uma música cantada por todos.

Faça um levantamento com os alunos de todas as sequências de pular corda que eles conhecem e confeccione uma lista com o nome das sequências e a descrição dos movimentos de cada uma delas. Os alunos devem participar da confecção deste registro.

Ajude-os a se organizar em pequenos grupos de 5 elementos e distribua uma seqüência de pular corda para cada grupo realizar.

Percorra os grupos durante a atividade, observando se o ritmo de movimentação da corda é condizente com a capacidade de saltar dos participantes e oriente as crianças fazendo ajustes quando for necessário.

Segunda aula
Ritmo individual e em grupo

Distribua as cordas individuais e proponha para os alunos os seguintes desafios:

cada aluno deve saltar a corda individualmente, num ritmo lento, e contar qual o número de repetições de saltos que consegue realizar em seqüência, sem errar;
cada aluno deve fazer a mesma contagem, agora com a corda sendo batida num ritmo rápido.
É importante ressaltar que a definição de ritmo lento e rápido é realizada por critérios individuais de cada aluno.

Os resultados obtidos são anotados numa planilha, e podem ser utilizados posteriormente para avaliar a evolução da condição individual.

Em seguida, utilizando os mesmos sub-grupos da aula anterior, proponha que a corda seja batida por dois elementos e saltada pelos três outros componentes. Os dois extremos de ritmo (lento e rápido) devem ser estabelecidos pelo grupo, de forma a favorecer a eficiência da quantidade de saltos a ser conseguida por todos. Os batedores devem fazer um rodízio de função com os demais elementos do grupo, de forma que possam experimentar também o papel de saltadores.

Ao final, convide os alunos a refletir e a relatar suas experiências e ajustes necessários na vivência dos diversos ritmos propostos e comente o quanto existe de diversidade individual na determinação dos mesmos.

Terceira e quarta aulas
Corda musicada

Proponha aos alunos que, nos mesmos sub-grupos das aulas anteriores, inventem uma seqüência de saltos com a corda coletiva em movimento, utilizando uma trilha sonora escolhida por eles.

A escolha do ritmo da música a ser utilizada e a seqüência de saltos propostas serão o desafio de criação e execução de cada um dos grupos.

Como é provável que você tenha apenas um CD player, o tempo da aula deve ser distribuído de forma que todos os grupos tenham a oportunidade de conceber e ensaiar a execução de sua seqüência. Ao final das duas aulas, as apresentações podem ser exibidas para o grupo todo.

Enquanto um dos sub-grupos trabalha com o CD player, os outros podem usar o tempo para criar e ensaiar a sua seqüência, apenas cantando a música escolhida.

Avaliação
Volte seu olhar para os aspectos relacionados com a inclusão de todos os jogadores na vivência das atividades e com a experimentação de todas as funções existentes dentro dos jogos propostos.

Como essas brincadeiras são atividades de performance individual dentro de uma dinâmica coletiva, faça suas observações quanto ao desempenho e o ajuste rítmico dos jogadores individualmente ou dentro dos sub-grupos, não sendo necessário que a dinâmica do grupo todo seja interrompida para que alguma orientação seja feita.

As observações devem ser focadas em torno das variações de ritmo e as relações deste elemento com as capacidades físicas individuais e destas, em contexto coletivo de brincadeira.

Por: Marcelo Jabu

quinta-feira, 20 de junho de 2013

11:49

Crianças do Ensino Fundamental estão cada vez mais sedentárias



 Pesquisa feita pelas secretarias da Saúde e da educação realizado em parceria com o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul, em São Paulo, revelou que crianças que vão para o Ensino Médio, são 20% mais ativas que estudantes do Ensino Fundamental. Antigamente, acontecia o inverso: quanto mais velha a pessoa ficava, menos praticava atividades físicas.

 Esse novo comportamento indica que a cada geração, o problema do sedentarismo se agrava. O estudo foi feito com 2,5 mil alunos, da 5ª. a 9ª séries e do 3º ano do Médio.

 Segundo especialistas, a hipótese principal é que as crianças, hoje, ficam mais tempo em frente ao computador, à TV etc e uma das conseqüências é a obesidade infantil. Quanto mais tempo ficar sentado, maior o peso corporal e índice de massa corpórea e maior é o nível de colesterol ruim e triglicérides. A recomendação internacional mínima para fazer exercícios é de 150 minutos para adultos e de 300 minutos para crianças.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

04:38

Educação Física Escolar e a obrigatoriedade do atestado médico: objetivos e necessidade



A partir dos últimos acontecimentos, no que tange à questão da lei 5082/2013 que exige atestado médico para as aulas da Educação Física, fazem-se necessárias algumas observações que discutam o teor desse documento na medida em que se interpreta certo desconhecimento e distanciamento da realidade desse componente curricular. Por um lado não se rejeita a iniciativa humana de querer ajudar ao próximo, todavia é condenável a posição política que no afã de “proteger a infância e juventude” leva ao público uma visão distorcida sobre o que é a área. Há neste cenário o flagrante desconhecimento da história da Educação Física, uma interpretação errônea e tendenciosa que confundem termos como atividade física, exercício físico e condicionamento físico além de interferir na ação pedagógica do professor quando relega parte de sua obrigação para outro profissional.

No primeiro artigo da lei que diz que a participação dos alunos, que cursam o Ensino Fundamental, nas aulas de Educação Física deverá ser precedida de exames médicos clínicos observa-se o desconhecimento do histórico da Educação Física Escolar que longe de ser uma simples repetição de gestos esportivos ou espaço para condicionamento físico que justifique um teste de apto ou não apto para sua prática se assume como um espaço de múltiplas ações e possibilidades para que todos possam participar.

Historicamente “a inclusão oficial da Educação Física no Brasil ocorreu no século XIX, em 1851, com a reforma Couto Ferraz embora a preocupação com exercícios físicos, na Europa, remonte ao século XVIII” (DARIDO, 2008, p. 1). O ponto de vista nessa época era baseado nos conhecimentos produzidos pela biologia, fisiologia e anatomia e a Educação Física, mais precisamente a ginástica, passa a ser uma prática necessária à manutenção de uma condição ligada às exigências do capital. As finalidades da Educação Física no âmbito escolar eram:

Regenerar a raça (devido ao grande número de mortos e doentes); promover a saúde (sem alterar as condições de vida); desenvolver a vontade, a coragem, a força, a energia de viver (para servir a pátria nas guerras e na indústria e, finalmente, desenvolver a moral (que nada mais é do que uma intervenção nas tradições e nos costumes dos povos) (SOARES, 2001, p.52).

Há nessa época, de 1850 à 1930,uma Educação Física que adota um discurso baseado na perspectiva denominada Higienista onde se priorizava principalmente a questão da saúde biológica, que através do exercício desenvolvia o físico e a moral. Segundo o PCN de 1997 havia nesse espaço uma grande contrariedade por parte dos pais em ver seus filhos envolvidos em atividades que não tinham caráter intelectual sendo que para os meninos havia certa tolerância em função de um entendimento que a ginástica associava-se às instituições militares ao passo que no caso das meninas alguns pais proibiam sua participação (PCN, 1997).

A partir de 1930, juntamente com a concepção higienista o modelo Militarista serviu de base para a implantação da “Educação Física nas Escolas do Sistema Nacional de Educação, com o intuito de tornar a juventude mais sadia para que pudesse atuar na defesa e no desenvolvimento do país através de um corpo perfeito”(CASTELLANI FILHO, 1988, p.34). A Educação Física nessas concepções pode ser vista como uma maneira de promover a disciplina moral e o adestramento físico tanto para a defesa da nação como para o aprimoramento da raça. Inclusive o próprio caráter da disciplina era essencialmente prática não demonstrando necessidade de fundamentação teórica (DARIDO, 2008).

Após a segunda grande guerra, em 1945, sob uma forte influência das mudanças políticas, sociais e econômicas que vigoravam na sociedade brasileira uma fase de Pedagogização da Educação Física se instala. Principalmente pelas teorias psicopedagógicas de Dewey e da sociologia de Durkheim (DARIDO, 2008). A Educação Física passa por um debate onde fica evidente a crítica à escola tradicional, todavia o que no discurso demonstrava um ponto de vista que passava da valorização do biológico para o sociocultural, na prática observa-se que didaticamente a Educação Física continuava a se pautar por parâmetros militaristas (GHIRALDELLI JR., 1991). Esse movimento de idéias progressistas, que no Brasil era representado por Anísio Teixeira, teve seu auge no início da década de 1960. E com o início dos governos militares passa a ser bastante coibido, pois o consideravam como revolucionário.

De 1946 a 1968, a Educação Física brasileira passa por uma forte influência de um método criado na França, denominado “Método Desportivo Generalizado” que procurava incorporar o conteúdo esportivo aos métodos da Educação Física, com ênfase no aspecto lúdico (BETTI, 1991). Surge a tendência Tecnicista que de acordo com Darido (2008, p.3):

É nesta fase da história que o rendimento, a seleção dos mais habilidosos, o fim justificando os meios está mais presente no contexto da Educação Física na escola. Os procedimentos empregados são extremamente diretivos, o papel do professor é bastante centralizador e a prática uma repetição mecânica dos movimentos esportivos.

A influência do esporte foi tão grande na escola que passa a ser denominado o esporte na escola e não esporte da escola tamanha era a ideologia de promoção de um país onde através do êxito em competições de alto nível tentava transparecer um clima de prosperidade e desenvolvimento.

O final da década de 70 representou para a Educação Física um momento onde havia a necessidade de romper as concepções anteriores e discutir a importância excessiva que vinha sendo dada ao desempenho como único objetivo de suas práticas. Numa tentativa de romper com o modelo mecanicista Darido (2008, p.4) cita as abordagens “Desenvolvimentista, Construtivista-Interacionista, Crítico-Superadora, Sistêmica, Psicomotricidade, Crítico-Emancipatória, Cultural, Saúde Renovada e Parâmetros Curriculares Nacionais”.

Atualmente todas essas abordagens, independentemente da linha ideológica a que se prendam passam a assumir uma Educação Física cuja tarefa de educar seja para todos. É fruto da própria democratização do acesso à educação que impôs a adoção de formas mais solidárias e plurais de convivência. Assim, as aulas de Educação Física não podem deixar de ser realizadas sem se pensar na formação integral do aluno. E para tanto não se pode prescindir de um ensino participativo, solidário e acolhedor a fim de proporcionar uma formação que caminhe ao encontro do exercício da cidadania e emancipação do ser humano.

Estamos tratando de atividades corporais a partir de diferentes possibilidades e não de exercícios físicos na sua prática, pontos que são completamente diferentes. O primeiro significa a participação do indivíduo respeitando suas características físicas e de desempenho interagindo com as pessoas e o ambiente à sua volta. Enquanto o outro se apresenta como uma forma de atividade física planejada, sistemática e repetitiva cujo objetivo é o desenvolvimento da aptidão física (NAHAS, 2003).

Isso implica dizer que a Educação Física Escolar trata de práticas pedagógicas que ensinam o sujeito a reconhecer e praticar a atividade física e não um espaço onde se desenvolva a aptidão física propriamente. Se por um lado a prática pedagógica do professor não deva levar ao condicionamento físico, por outro, mesmo que quisesse não teria o menor embasamento científico.

Essa afirmação encontra respaldo nas recomendações do Colégio Americano de Medicina Esportiva, que periodicamente publica um manual para profissionais que atuam em programas de condicionamento físico e reabilitação. Recomenda de uma forma geral, que o tipo de atividade seja uma escolha individual (observando o grau de habilidade e satisfação de seu praticante); frequência semanal de pelo menos três vezes por semana e intensidade monitorada (de acordo com o interesse do indivíduo) como condições mínimas para o desenvolvimento da aptidão física.

Na escola pública do Distrito Federal a Educação Física é constituída na grade horária semanal por três horários de 50 minutos na melhor das hipóteses. Essas aulas são dadas em dois encontros semanais, sendo geralmente um com apenas um horário e o outro com uma aula dupla (os dois horários restantes). Os horários em questão são compostos com a parte burocrática de chamada e alguns informes iniciais e às vezes com o próprio deslocamento dos alunos para a quadra, o que leva de 10 a 15 minutos. E ao fim da aula, restando entre 10 e 15 minutos é consensual sua utilização dando seus informes finais e para que os alunos se recuperem indo ao banheiro, bebendo água e retornando à sala de aula. Seus conteúdos são os mais variados possíveis com orientações teóricas sobre esportes e manifestações culturais; jogos e brincadeiras de baixa intensidade (inclusive os pré-esportivos) e recreação dentre outros (BETTI, 2002).

Sendo assim, mesmo que o professor estivesse decidido a trabalhar a aptidão física em suas aulas, e negasse a frequência mínima de dias, pouco tempo para sua realização e o monitoramento da frequência cardíaca dentre outros pontos, ele transformaria suas aulas em uma “grande academia” de condicionamento físico prescrevendo individualmente as aulas e os objetivos para cada aluno ou tendo a grande habilidade de convencer 30 a 40 alunos e alunas a fazerem a mesma coisa, se submetendo a um esforço progressivo dentre outras especificidades. Tal interesse seria inviável e se distanciaria completamente dos princípios da escola (QUADRO 1).



QUADRO 1: Princípios e características da Escola e do Condicionamento Físico ESCOLA (BETTI, 2002, p.77) CONDICIONAMENTO FÍSICO
Inclusão Participação de todos Sobrecarga Estímulos e cargas de trabalho
Diversidade Conteúdo incidindo sobre a cultura corporal Progressão e Continuidade Aumento em níveis de esforço
Complexidade Graus de dificuldade motora e cognitiva Uso e Desuso Atividade contínua
Adequação do Aluno Levar em conta características, capacidade e interesse do aluno Especificidade Exercício específico para cada componente da aptidão física
- - Individualidade Biológica Organismos diferentes reagem de forma diferente


É importante reconhecer essas diferenças sem negar a importância do atestado médico, porém para a sua correta finalidade. O fato de se trabalhar unicamente sob a égide da aptidão física em âmbito escolar incorre em outro problema como o caráter eminentemente individualista de sua proposta. Essa proposta possui como crítica apresentar o indivíduo como problema e a mudança do estilo de vida como solução.

Para Ferreira (2001, p.6) há uma homogeneização cultural onde todos seriam livres para escolher seus próprios estilos de vida o que acaba distorcendo a realidade, pois “existem desigualdades estruturais com raízes políticas, econômicas e sociais que dificultam a adoção desses estilos de vida”.

Todavia, como recurso pedagógico, em parte das aulas e a título de informação para alunos e registro, muitos professores já adotam o amplamente conhecido PAR-Q ou em português “Questionário de Prontidão para a Atividade Física Q-PAF” do Ministério da Saúde do Canadá. O questionário possui sete perguntas com respostas sim ou não e caso o respondente assinale sim, pelo menos uma vez, é aconselhado a consultar um médico. Existem também outras medidas pedagógicas nesse âmbito da aptidão física que são instrutivas, onde não há a obrigatoriedade de serem realizadas na prática e fazem parte das aulas, sem ferir a integridade física ou moral do aluno como, por exemplo:



QUADRO 2: Componentes da aptidão física e atividades pedagógicas: COMPONENTES DA APTIDÃO FÍSICA ATIVIDADES PEDAGÓGICAS (Teoria e Prática)
Força e resistência muscular Sua importância para a saúde, resistindo a pressões e sustentando cargas… Teste de flexão ou abdominal.
Flexibilidade Prevenção de problemas articulares, importância do alongamento e etc… Teste de “sentar e alcançar” e Teste de flexibilidade dos ombros.
Aptidão Cardiorrespiratória (ou Resistência aeróbica) A importância da aptidão física e saúde cardiovascular, o que é um esforço aeróbico e anaeróbico…. Aferição da frequência cardíaca; Avaliação da pressão arterial; Questionário Q-PAF;Escala de Borg.
Composição corporal Componentes do organismo, gordura corporal e saúde e controle de peso… Medidas de dobras cutâneas;Distribuição da gordura corporal.


Essas atividades podem fazer parte das aulas de Educação Física a título de instrução, caso o professor queira, mais jamais poderão corresponder à totalidade das atividades ao longo de um período letivo, haja vista os princípios e finalidades já discutidos. É compreensível que o problema da baixa aptidão física caracterizado como sedentarismo seja um problema que atinja muitos escolares, como cita o texto da lei em parte de sua justificativa, porém não pode ser considerado como problema da escola ou dessa disciplina em particular, que em um sentido desviante pode entender sua solução por meio dos exercícios realizados nas aulas, e sim um problema da sociedade como um todo não respeitando questão financeira, idade e outros pontos. Portanto cabe a escola e a Educação Física o papel de trabalhar a instrução das pessoas sendo um espaço para debates e exemplos, demonstrando os malefícios da inatividade física e não um espaço que se responsabilize por acabar com o sedentarismo de crianças e jovens.

Sendo assim, após estas breves e humildes considerações, não parece sensato e responsável adotar uma medida de tamanha envergadura, atingindo tantas pessoas e que no final das contas não se alinha com os princípios e objetivos da Educação Física Escolar.

REFERÊNCIAS

BETTI, M. Educação Física e sociedade. São Paulo: Movimento, 1991.

BETTI, M., ZULIANI, L.R. Educação Física Escolar: Uma proposta de diretrizes pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, Ano 1, número 1,2002.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física/Secretaria de Educação Fundamental.-Brasília: MEC/SEF,1997.

CASTELLANI FILHO, L. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas. Papirus, 1988.

DARIDO, S.C. Educação Física na Escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2008.


Autor: André Luís N.Beltrame1 – Mestre em Educação Física e Professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

06:28

Behaviorismo e a educação física escolar



Tendo em vista, a forte influência da cultura estadunidense sobre o Brasil, tal teoria behaviorista foi, mesmo que não intencionalmente, sendo adotada, não só no processo de ensino-aprendizagem brasileiro, mas também nas relações pessoais em geral.

Após esta breve reflexão acerca do que seja o behaviorismo skinneriano, iremos apontar como os professores de Educação Física freqüentemente acabam por valerem-se de seus métodos, mesmo que muitas vezes não tenham ciência disto.

Em relação à analise científica do comportamento, Skinner defendia o "isolamento das partes simples de um evento complexo de modo que esta parte possa ser melhor compreendida" (Fadiman & Frager, 1986, p. 193). Traçando um paralelo com a Educação Física Escolar, isto ocorre constantemente, sobretudo no ensino dos desportos, onde parte-se dos fundamentos (mais simples) para que se chegue aos aspectos táticos (mais complexos), por exemplo. Portanto, sendo análogo ao método de ensino em educação física escolar descrito como Parcial (Oliveira, 1985).

Considerando a finalidade de controlar o comportamento, o ponto em que a obra de Skinner mais se aproxima da Educação Física Escolar é o que se refere ao condicionamento e reforçamento.

O condicionamento operante e o reforçamento na Educação Física podem ser relacionados às premiações que nós, professores, oferecemos aos alunos, quando os mesmos executam aquilo que preestabelecemos, seja na vitória de uma partida ou na execução de um movimento da maneira correta. Outra maneira que nós professores usamos esta mesma estratégia é quando desejamos que os alunos atinjam uma determinada quantificação de resultados. Por exemplo, acertar dez arremessos na cesta de basquetebol. Assim, avisamos que aqueles que terminarem poderão ir beber água. Com isso, transferimos o objetivo da atividade para algo externo - beber água - e não no que verdadeiramente almejamos - as cestas. O que irá motivar o pedido, não será o jogo em si, mas sim, a possibilidade de poderem beber água ao fim do realizado.

O problema reside, em nossa opinião, quando o prêmio é usado com fim em si mesmo. A aula estaria ligada apenas à ele e não por ser uma atividade que venha a proporcionar outras possibilidades de desenvolvimento para o aluno. Além de ser uma maneira barganhista de controlarmos o comportamento dos alunos através de reforços.

Cratty (1984) consubstancia tal argumento quando menciona que algumas pesquisas demonstraram que crianças anteriormente motivadas intrinsecamente (estimulo pelo interesse na própria tarefa ou simplesmente ludicamente) ao serem constantemente recompensadas, estas poderiam modificar suas opiniões sobre si mesmas e da situação, tornando-se muito pouco motivadas intrinsecamente. Pois os prêmios fazem com que a criança perceba que ela não tem o controle da situação e passa a atribuir o êxito ou o fracasso à fatores externos a si mesma. Ademais, o uso desta lógica de recompensa externa perpetua as relações de exploração inerentes ao sistema econômico vigente, contribuindo de forma explícita para a manutenção da ideologia alienante do trabalho.

Todavia, conforme o próprio Skinner afirmou, o reforço pode ser em forma de um sorriso ou algum comentário que venha a reforçar a atitude do aluno (Schultz & Schultz, op. cit.; Fadiman e Frager, op. cit.).

Diante disso, nos surge três questões. Se somos nós, professores de Educação Física, que controlamos a criança a partir do método em questão, poderemos, então, estar revogando o lúdico?; Se o objetivo é a resposta esperada e o aluno souber que será recompensado no caso de atingi-la, será que o mesmo tentará todas as maneiras, inclusive as consideradas ilícitas, para a obtenção de tal recompensa? Se as aulas de Educação Física obedecerem este princípio mecanicista, ou seja, atingiram o comportamento esperado, então ganham o reforço, o que se poderá esperar de tais alunos no futuro?

Por fim, um outro aspecto que a obra de Skinner se encontra com a atuação diária do professor de Educação Física, é o Programa de Reforço de Razão Fixa. Desta maneira, "o reforço é apresentado, não depois de passado um certo número de tempo, mas depois de um número determinado de respostas" (Schultz & Schultz, op. cit., p.283). Percebemos em várias ocasiões na Educação Física, sobretudo naquelas provas onde há exigência de que o aluno, por exemplo, dê dez toques com a bola de voleibol na parede (uma das avaliações do teste de habilidade específica necessária para o ingresso nas faculdades de Educação Física durante um longo período da nossa história). Nesta situação se quantifica o número de respostas que o aluno deve obter, para que a partir disto possa lhe ser oferecido o reforço, neste caso, a nota para aprovação. Outro caso similar é o famoso teste de Cooper.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

03:24

O futebol precisa ter espaço na escola



A garotada sempre joga bola no recreio? Isso não é pretexto para deixar o esporte fora das aulas. Na EE Alcides da Costa Vidigal, os alunos aprenderam diversos fundamentos e estratégias de jog


"Em campo, as equipes estão prontas. A juíza apita. Bola correndo. Movimenta Júlio, passa para Giulia. Giulia recebe, Edson vai pra cima. Giulia recua, passa para Beatriz, que domina e entrega para Ricardo no ataque. Ele corre, dribla Pietra, dá uma caneta em Edson, ajeita a bola. Chuta. A goleira Luana defeeeeende, espalmando a bola que sai à esquerda do gol."

Essa poderia ter sido a narração de um dos jogos que aconteceram nas aulas de Educação Física do 5º ano na EE Alcides da Costa Vidigal, em São Paulo. A proposta de trabalhar com o esporte, tão praticado durante o recreio, foi organizada pela professora Jacqueline Martins. Além de observar que boa parte dos estudantes frequentava escolinhas de treinamento e ia às aulas vestindo camisas de time, ela fez uma enquete para saber qual esporte o grupo queria estudar.

Estava decidido: o futebol entrou no planejamento. Como meta, a professora queria ir além do bate-bola. Para isso, orientou diversas atividades. Dentre elas, discussões e vivências sobre os fundamentos, as regras e as estratégias, além de momentos em que meninos e meninas jogavam juntos. Jacqueline também propôs que eles apitassem as partidas e conhecessem mais sobre as gírias e os termos usuais do esporte.

Mário Luiz Ferrari Nunes, líder do Grupo de Pesquisa em Educação Física Escolar da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), endossa a decisão da educadora. "É importante que a escola aborde as práticas corporais presentes no universo dos estudantes, ampliando os saberes deles."


Plano de aula | Boleiros - Era uma vez o futebol... Como analisar o esporte sob a perspectiva cultural
Vídeo | Os alunos só querem jogar bola. E agora?
No gol, na linha ou como árbitro: os alunos devem experimentar

Antes de propor qualquer bate-bola, Jacqueline identificou o que as crianças conheciam sobre o esporte. Primeiro, pediu que elas listassem os momentos em que entravam em contato com a modalidade. As respostas surpreenderam. "Elas citaram muitos programas de TV que eu não conhecia. Resolvi assisti-los para saber a que material a turma tinha acesso. Assim, poderia enriquecer as minhas ideias", conta.

Depois, ela orientou a classe a montar dois times mistos com 11 integrantes e jogar. Foi uma confusão só: todo mundo corria ao mesmo tempo para onde a gorduchinha ia. "É o futebol abelha", disse João Vitor Andrade Bezerra, 10 anos, utilizando uma das expressões típicas dos gramados. Encerrada a atividade, as crianças reclamaram da bagunça e de outras coisas que atrapalharam o jogo. As meninas, por exemplo, reivindicavam que os garotos passassem a bola a elas mais vezes. Alguns deles diziam que tinha gente demais no jogo. Jacqueline pediu sugestões para resolver os problemas. "Eles propuseram, por exemplo, times com menos atletas. Fechei em sete", ela diz. Evidentemente, isso não resolveu todas as questões, mas o cenário ficou organizado para as próximas etapas.

Como já haviam experimentado atuar em times mistos, os alunos puderam testar outras possibilidades: meninos contra meninas, meninos contra meninos e meninas contra meninas. Durante esse tempo, muitas questões foram levantadas pelos estudantes - e não só relacionadas à questão de gênero. "Tem gente que não sabe jogar", reclamavam. Como educadora, ela sabia que nem todos os integrantes de um grupo têm os mesmos conhecimentos e habilidades e que isso nem de longe deve ser encarado como um mal. Em vez de incorrer em um erro comum, separar a classe em melhores e piores ou em meninas e meninos, Jacqueline decidiu se valer da experiência daqueles que frequentavam escolinhas de futebol. Com isso, ela não solucionaria sozinha os problemas. Assim, desafiou os mais experientes a enfrentá-los junto com ela, trocando ideias com os colegas.

Nas aulas seguintes, Jacqueline organizou as crianças em um semicírculo. Acompanhada por vários dos meninos a quem pediu ajuda, a educadora demonstrou alguns lances. Foi um show de bola! Além de passes tradicionais, a turma conheceu muitos outros, como o estratégico drible da vaca, também chamado meia-lua. A observação, as perguntas e os comentários foram aliados à prática. Em cada um dos quatro cantos da quadra, todos tiveram a chance de jogar em grupos que contavam com a presença de um colega mais experiente. Foi a oportunidade de vivenciar o que já tinham visto (veja galeria).

Nessa etapa, Jacqueline não só observou a garotada em ação: percorreu os grupos, questionando as dificuldades de cada um, falando sobre o nome dos movimentos, incluindo aí os realizados pelo goleiro. E aproveitou o momento para trabalhar com os movimentos feitos pelo árbitro. "Nas partidas oficiais, ele não fala: demonstra com gestos o que ocorreu. Era importante que os estudantes aprendessem a fazer o mesmo durante as partidas", ela explica.

Fábio D'Angelo, coordenador pedagógico do Instituto Esporte e Educação, destaca a validade de trabalhar com todos de forma abrangente, em vez de determinar funções para cada um. "Na escola, não faz sentido ficar treinando um estudante para atuar só como goleiro, por exemplo. A criançada deve ser educada de modo diversificado, experimentando jogar em todas as posições."

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