quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

11:19

Educação Física e os ensinamentos dos Esportes


Todos sabemos que os esportes, em geral, são um bom meio para se obter uma condição física saudável. Também temos conhecimento de seu valor enquanto atividade de lazer - seja praticando-o ou apenas assistindo a sua prática - ou ainda, e o mais importante, enquanto um valioso elemento educativo que serve para o reforço de valores morais adequados e hábitos que valorizam a qualidade de vida. Indiscutivelmente, a importância dos esportes é elevada na sociedade atual.

Contudo, mesmo sabendo-se dos valores relacionados ao esporte, existe uma grande polêmica em torno da forma como se deve ensiná-lo.

O princípio básico dos esportes na escola é a inclusão, ou seja, o de que todos os alunos devem participar da aula durante toda a sua duração. Assim, na verdade, não se deve trabalhar o esporte propriamente dito, porque alguns alunos necessariamente teriam de ficar de fora das atividades e, mesmo que o professor dispusesse de várias quadras no colégio e muito material disponível, como redes, bolas, antenas, etc., o esporte seguindo as regras oficiais seria inviável, porque o educador acabaria perdendo o controle das atividades que seus alunos estariam executando. O ideal é a utilização de jogos pré-desportivos, adaptados à participação de todos os alunos. Exemplificando: se o professor vai trabalhar o conteúdo voleibol, ele não pode realizar o esporte com todas as suas regras, porque, além de os alunos não estarem preparados para realizar determinados movimentos que podem ocasionar lesões, se ele fizer tal atividade, apenas doze alunos praticarão de cada vez, e o restante da turma ficará sem fazer nada, apenas aguardando a sua vez de jogar. Ora, o tempo de duração de uma aula varia entre 40 e 50 minutos e, se os alunos ficarem esperando para jogar, eles não estarão tendo uma aula na sua totalidade e sim apenas uma fração do tempo adequado destinado à Educação Física. Além disso, pesquisas comprovam que, quando o professor adota tal postura, a tendência é que aqueles alunos que já têm certa habilidade acabem participando mais que aqueles que encontram dificuldades no aprendizado na modalidade. Portanto, o professor acaba reforçando a exclusão, desprivilegiando exatamente aqueles que precisam de mais ajuda, pois a tendência é que aqueles que já têm certa aptidão física melhorem ainda mais e que os alunos com dificuldades mantenham o baixo nível de aprendizagem motora. Em longo prazo, a situação piora mais ainda: os alunos excluídos começam a se sentir discriminados, já que a aula de Educação Física serve apenas para expô-los à ridicularização feita pelos colegas esportistas. Logo, esses alunos acabarão pegando ojeriza de qualquer tipo de atividade física e, conseqüentemente, vão se tornar sedentários.

A opção metodológica mais utilizada no ensino dos esportes nas aulas de Educação Física é o jogo recreativo. Este consiste em atividades adaptadas com as seguintes características: elas devem ser envolventes, motivadoras, inclusivas e, principalmente, ter regras com a finalidade de incentivar a participação de todos os alunos. Um bom exemplo se chama "grande futebol": a turma toda é dividida em duas equipes e inicia-se o jogo de futebol. A tendência é que alguns meninos mais habilidosos acabem prevalecendo. O professor deve, então, parar o jogo e incluir algumas regras novas (os alunos podem participar desse processo de construção): uma boa solução seria limitar o número de toques que cada pessoa poderia dar na bola seguidamente - dois ou três no máximo. Também poderia ser solicitado que somente as meninas - que, nesse jogo, geralmente são excluídas - pudessem marcar os gols. Ou, ainda, que o gol só pudesse ser feito por alguém que ainda não o tivesse feito.

Mas, então, em quais circunstâncias o professor deve trabalhar o esporte propriamente dito? O ensino do esporte visando ao rendimento chama-se treinamento esportivo, e este ocorre geralmente em "escolinhas", clubes e até nas escolas e colégios, só que existe uma condição essencial para isso: que a atividade seja realizada fora do horário das aulas de Educação Física (geralmente no contraturno). Nesse caso, o professor pode até ser criterioso, pois o treinamento deve ter grupos mais homogêneos e, por isso, pode haver uma pré-seleção dentro das próprias aulas de Educação Física.

No treinamento esportivo, a técnica de ensino mais utilizada é a chamada progressão de fundamento, que consiste em exercícios para aperfeiçoar a fundamentação técnica e tática, partindo-se sempre do mais simples para o mais complexo. Feitos esses exercícios, o professor ou técnico deve trabalhar com o esporte na sua totalidade de regras.

Agora, os dois tipos de ensinamento dos esportes têm alguns pontos em comum: ambos precisam de professores capacitados que saibam as necessidades e os limites dos seus alunos, respeitando-os e favorecendo o processo de ensino-aprendizagem.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

07:50

Educação Física Escolar e estrutura curricular


Ainda que muitos professores de Educação Física pouco se interessem em abranger todo o conteúdo que deve ser trabalhado na escola, e costumem apenas trabalhar com esportes coletivos na escola (futebol, voleibol, basquetebol e handebol), a Educação Física, enquanto disciplina escolar, tem o propósito de trabalhar com a cultura corporal que o aluno carrega consigo devido à sua vivência, assim como apresentá-lo a diversas manifestações da cultura corporal.
Em primeiro lugar é preciso esclarecer o significado de cultura corporal: trata-se, falando de modo bastante simples, de apresentar significado para quaisquer gestos, atitudes, movimentos, jogos, danças, esportes e outras manifestações corporais. Nesse sentido, a intenção da Educação Física é a de fazer com que os alunos compreendam e valorizem as suas manifestações corporais, assim como se empenhem em valorizar e apreender manifestações corporais de outras culturas. Durante esse processo de valorizar a própria cultura e outras culturas por meio do corpo, outro elemento fundamental da educação está em andamento: o rompimento com o preconceito. Isso porque, à medida que o aluno conhece outras culturas e reconhece o seu valor, os preconceitos são rompidos.
É nesse sentido que o Ministério da Educação dispõe, em documento oficial, todos os conteúdos que devem ser trabalhados com os alunos durante o ensino fundamental. Como são muitos os conteúdos, eles foram agrupados em três blocos, cada um com a sua especificidade, mas com relações entre si:
Esportes, jogos, lutas e ginásticasAtividades rítmicas e expressivas
Conhecimentos sobre o corpo

O primeiro bloco engloba conhecimentos como esportes individuais e coletivos (atletismo, vôlei, basquete, futebol, xadrez, natação, entre outros); jogos cooperativos e competitivos (queimada, polícia e ladrão, barra-manteiga, amarelinha, etc.); lutas e artes marciais (judô, caratê, greco-romana, etc.); e ginásticas, como a sueca, a aeróbica, rítmica desportiva, artística, entre outras.
O segundo bloco refere-se a atividades artísticas e de dança, como elementos de expressão corporal, dança de salão, dança livre, dança moderna, entre outras.
O último bloco talvez seja o menos trabalhado pelos professores de Educação Física, já que ele necessariamente remete a discussões teóricas. Em “conhecimentos sobre o corpo” devem ser trabalhados elementos de estrutura do corpo humano (anatomia); elementos de funcionamento interno do corpo humano (fisiologia); compreensão do processo de movimento do corpo humano (cinesiologia); entendimento sobre a construção cultural do corpo humano (antropologia); e as relações sociais que se estabelecem a partir desse corpo (sociologia).
Assim, a partir dessa introdução sobre o que a Educação Física deve ensinar, é possível vislumbrar que essa disciplina é muito mais complexa do que costumamos ver. Diante do leque de possibilidades de conteúdos apresentado, torna-se triste a visão (infelizmente ainda comum) de que a Educação Física se restringe à prática de esportes coletivos.

Por Paula Rondinelli
Colaboradora Brasil Escola

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