quinta-feira, 22 de março de 2012

04:57

Entrevista com Marcos Neira sobre o papel da Educação Física nas escolas


MARCOS GARCIA NEIRA, professor de Educação Física. Foto: Marina Piedade

MARCOS GARCIA NEIRA  "As aulas de esportes, jogos, lutas e danças não se esgotam na prática. É preciso refletir sobre essas manifestações para entendê-las de fato"

De todas as disciplinas do Ensino Fundamental, provavelmente a Educação Física foi a que sofreu transformações mais profundas nos últimos tempos. Mudanças pedagógicas e na legislação fizeram com que até mesmo sua missão fosse questionada. Se até a década de 1980 o compromisso da área incluía a revelação de craques e a melhoria da performance física e motora dos alunos (fazê-los correr mais rápido, realizar mais abdominais, desenvolver chutes e cortadas potentes), hoje a ênfase recai na reflexão sobre as produções humanas que envolvem o movimento. Se antes o currículo privilegiava os esportes, hoje o leque se abre para uma infinidade de manifestações, da dança à luta, das brincadeiras tradicionais aos esportes radicais. Ecos da perspectiva cultural, que domina pesquisas e ganha cada vez mais espaço nas escolas.

Considerado um dos principais investigadores dessa tendência, o professor Marcos Garcia Neira, da Universidade de São Paulo (USP), defende que a principal função da Educação Física escolar é analisar a diversidade das práticas corporais da sociedade - mesmo as consideradas mais polêmicas, como danças do tipo funk e axé. Amparado por 17 anos de docência na Educação Básica e pela participação na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e das Orientações Curriculares do município de São Paulo, Neira discute essa questão provocadora e avalia os principais desafios da disciplina.

Por que a Educação Física mudou tanto nos últimos anos?
MARCOS GARCIA NEIRA
Foi uma mudança que acompanhou uma série de outras transformações. Na sociedade, grupos que não tinham sua voz ouvida ganharam espaço, o que impactou o currículo. A escola, antes voltada apenas para o conhecimento acadêmico ou a inserção no mercado, passou a visar a participação do aluno em todos os setores da vida social, o que mexeu com os objetivos da área. E a própria legislação, que desde a década de 1970 apontava um compromisso com a melhoria da performance física e a descoberta de talentos esportivos, foi substituída em 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que propõe que a Educação Física seja parte integrante da proposta pedagógica da escola.

Na prática, quais foram as principais transformações?
NEIRA Eu acredito que a Educação Física passou a ser reconhecida como um componente importante para a formação dos alunos. Antes, eram comuns as aulas fora do período regular, as dispensas por motivos médicos ou a substituição por atividades pouco relacionadas com a área, como conselhos de classe, por exemplo. Tudo isso colaborou para construir, na cabeça de alunos e professores, a representação de uma disciplina alheia ao projeto escolar, que servia apenas como recreação ou passatempo e não tinha nenhum objetivo pedagógico. Hoje, essa concepção não é mais dominante.

Qual é o objetivo da Educação Física escolar hoje?
NEIRA É o mesmo objetivo da escola: colaborar na formação das pessoas para que elas possam ler criticamente a sociedade e participar dela atuando para melhorá-la. Dentro dessa missão, cada disciplina estuda e aprofunda uma pequena parcela da cultura. O que a Educação Física analisa é o chamado patrimônio corporal. Nosso papel é investigar como os grupos sociais se expressam pelos movimentos, criando esportes, jogos, lutas, ginásticas, brincadeiras e danças, entender as condições que inspiraram essas criações e experimentá-las, refletindo sobre quais alternativas e alterações são necessárias para vivenciá-las no espaço escolar.

Como deve ser uma aula ideal?
NEIRA Certamente não deve ser a do tipo "desce para a quadra, corre, corre, corre, sua, sua, sua e volta para a sala". A Educação Física proposta na escola não pode ser a mesma proposta em outros espaços. Se é apenas para o aluno se divertir, existem lugares para isso - ginásios públicos e centros comunitários, por exemplo. Se é somente para aprender modalidades esportivas, melhor procurar um clube ou uma academia. A escola não serve para formar atletas, mas para refletir e entender as manifestações culturais que envolvem o movimento.

Um exemplo concreto: como abordar o futebol nessa perspectiva?
NEIRA O trabalho pode começar com a turma experimentando jogar futebol, mas não pode parar por aí. A vivência de qualquer modalidade na escola exige reflexão e adaptação. Propondo uma pesquisa, é possível levar os alunos a conhecer outros tipos de futebol - de campo, de quadra, de areia, feminino -, conhecer quem pratica o esporte hoje, como se jogou no passado e como se pode jogar na escola. É importante que eles saibam, por exemplo, que o esporte já foi praticado sem juiz, que os atletas não tinham números na camisa e que o pênalti era cobrado de outra maneira. Com base nessas informações, voltam à prática já atentos a novas questões: é preciso arbitrar os jogos? Como fazer meninos e meninas participar simultaneamente? E as crianças com deficiência?

Apesar de a disciplina ter se tornado mais reflexiva, as atividades práticas continuam sendo importantes?
NEIRA É claro. A vivência segue sendo fundamental porque é somente por meio dela que a turma sente a necessidade de fazer adaptações, algo presente em todas as modalidades. Afinal, elas se transformam conforme "conversam" com a sociedade. O voleibol, por exemplo, mudou seu sistema de pontuação principalmente para se adaptar às transmissões de TV. Essa lógica vale para todas as manifestações corporais, mesmo as mais lúdicas. Quando alguém brinca de pega-pega na rua, brinca de certo jeito. Quando vai brincar com 35 crianças na escola, precisa adaptar a atividade para que ela funcione.

Campeonatos e festivais esportivos continuam tendo espaço?
NEIRA Particularmente, acho que montar uma seleção com seis a 12 alunos e deixar 300 sem aula para disputar uma competição é fabricar adversários. Não podemos partir do pressuposto de que um pequeno grupo vai ser privilegiado e participar da atividade enquanto a maioria vai apenas torcer, ou nem isso. Agora, se os educadores consideram a competição algo importante, é possível, sim, organizar eventos, mas de uma perspectiva diferente. Sugiro, por exemplo, combinar de levar uma turma de 5ª série para jogar com a de uma escola próxima, negociar regras, fazer todo mundo participar da experiência e realizar uma avaliação conjunta depois, discutindo o que os jovens acharam da atividade e como melhorá-la numa próxima vez.

Como lidar com crianças que demonstram especial habilidade em alguma modalidade esportiva?
NEIRA Devemos estimulá-las a prosseguir. Entretanto, o lugar para continuar com o trabalho não pode ser a escola, mas instituições especializadas para a prática esportiva. A escola tem como função ajudar a compreender o mundo e sua cultura. Não há como desenvolver um projeto esportivo se o que se pretende é contemplar todos os alunos.

Alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra, usam as escolas como base para revelar atletas. Isso pode ser uma alternativa para o Brasil?
NEIRA O incentivo ao esporte visando a participação em eventos internacionais já foi a política oficial da Educacão Física em nosso país na década de 1970. Não deu certo. Ainda que algumas nações vejam na disciplina uma forma de aprimorar o desenvolvimento motor e físico, esse enfoque competitivo e as atividades de treinamento costumam ocorrer em momentos extra-aula.

Como saber quais esportes, jogos, lutas, danças e brincadeiras devem fazer parte do currículo?
NEIRA O ponto de partida é sempre o diagnóstico inicial. O interessante é que esse mapeamento do patrimônio cultural corporal da turma - as práticas ligadas ao movimento que os alunos conhecem ou realizam - revela uma realidade mais diversificada do que imaginamos. A garotada brinca de esconde-esconde, conhece skate pela TV, tem algum parente que pratica ioga e conhece malha ou bocha porque os idosos jogam na praça. É possível ainda fazer outros mapeamentos. O professor pode passear pelo bairro observando manifestações corporais e equipamentos esportivos. Há academias ou ruas de caminhada, por exemplo?

Mas é preciso escolher algumas práticas no meio de tanta diversidade. Como fazer isso?
NEIRA
Antes de mais nada, é fundamental ter em mente as finalidades do projeto pedagógico da escola - devemos lembrar que a Educação Física não pode ser uma prática alienada. Além disso, a perspectiva cultural da disciplina considera quatro princípios importantes na definição do currículo. O primeiro é que a matriz de conteúdos deve dialogar com todos os grupos que compõem a sociedade - e trabalhar só com esportes modernos contradiz esse princípio. O segundo é a noção de que o aluno precisa enxergar na sociedade as manifestações que está estudando. O terceiro é entender e respeitar as possibilidades de cada estudante, evitando, por exemplo, as avaliações por performance. E o quarto é o professor repensar constantemente a própria identidade cultural para aperfeiçoar o currículo.

Qual deve ser a postura da escola quando a cultura corporal dos alunos inclui danças como o funk e o axé?
NEIRA Não devemos fechar os olhos para essas manifestações, pois podem ser danças que os estudantes cultuam fora da escola. Isso não significa que devemos ficar apenas com aquilo que eles conhecem. Se o professor focar só os aspectos superficiais do funk e do axé, ensaiando coreografias, por exemplo, não estará cumprindo seu papel. Por outro lado, um trabalho crítico ajuda as crianças a analisar e interpretar o que são essas danças, contribuindo para que elas conheçam a própria identidade cultural e entendam quem são. A chamada cultura de chegada dos estudantes é um bom ponto de partida para um trabalho em direção a uma cultura mais ampla. A escola deve sempre fazer essa ponte entre o repertório conhecido e o desconhecido.

Como isso funciona na prática?
NEIRA É preciso transformar o conhecimento dos alunos em objeto de análise e investigação pedagógica. Considero válido, por exemplo, um projeto que aborde o funk e o axé no contexto de outras danças contemporâneas, estudando as letras, entendendo o que está embutido nelas, as práticas interessantes ou desinteressantes que acompanham essas manifestações. Em seguida, é possível convidar dançarinos ou trazer vídeos para apresentar outras danças, ampliando o repertório da turma. É um trabalho multicultural porque considera diversos tipos de prática corporal, mas é um multiculturalismo crítico porque questiona e analisa cada uma delas.

Como desenvolver o senso crítico?
NEIRA Comparando, indagando e aprofundando conteúdos para que a turma reflita. Depois de pular amarelinha, pense por que existem as "casas" do céu e do inferno. Durante o estudo dos exercícios físicos, reflita por que a academia se transformou numa espécie de espaço sagrado da saúde se as qualidades físicas alcançadas por lá também são obtidas, de graça, no parque. Uma Educação Física que trabalha apenas com o movimento não constrói esse senso crítico.

Por

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

04:52

Qualidade de vida se aprende na escola



De um lado, professores que acreditam que jogar vôlei e futebol supre a necessidade das práticas propostas para a disciplina de Educação Física. De outro, estudantes que só querem ir para a quadra bater bola e conversar com os amigos. Nesse cenário cada vez mais comum nas escolas, segundo os especialistas da área, o tempo que deveria ser aproveitado para conhecer a cultura do corpo não cumpre seu papel e as crianças deixam de ter contato com conteúdos muito importantes. Um deles é a saúde. "As aulas precisam ser planejadas de maneira ampla para possibilitar a discussão a respeito do que é qualidade de vida e o que tem de ser feito para alcançá-la", explica Douglas Andrade, pesquisador do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física (Celafics) em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Para isso, não é preciso deixar de lado as atividades mais tradicionais, em que a garotada entra em campo e sua a camisa. É só combiná-las com o ensino de temas que envolvam conceitos de busca e manutenção da saúde, destacando as características de cada prática e como elas devem ser vivenciadas para beneficiar o corpo. Esse enfoque teórico é fundamental, pois apenas praticar exercícios físicos duas vezes por semana cerca de 45 minutos - tempo que a disciplina ocupa na grade curricular - não é o suficiente para provocar alterações muito significativas no organismo dos alunos. O objetivo do professor deve ser a difusão de novos conhecimentos e a mudança de comportamentos. As questões ligadas à saúde não fazem muito sentido se forem utilizadas esporadicamente ou para se exercitar a fim de emagrecer ou evitar doenças. "A prevenção pode ser o ponto de partida da conversa, mas a escola tem de ser um espaço para discutir aspectos mais ampliados, como a existência de espaços públicos para praticar esportes, o tempo que as pessoas dedicam ao corpo e o que é um corpo saudável", explica Andrade (leia a sequência didática).

É importante também que o docente ajude os alunos a decodificar as informações fornecidas pela mídia. "Temos de ajudá-los a distinguir hábitos saudáveis de sacrifícios para atingir um shape considerado perfeito", completa Renato Marques, da faculdade de Educação Física da Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (Fesb) e doutorando da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outra distinção que precisa ser feita nas aulas é entre atividade física - que não é intencional, como uma caminhada para ir até o mercado - e exercício físico - prática com intenção e supervisão de um profissional.

Atento a essas questões, Ademir Testa Junior resolveu revolucionar as aulas de Educação Física das turmas do 5ª a 8ª série na EE Capitão Henrique Montenegro, em Bocaina, a 248 quilômetros de São Paulo. No início, a garotada estranhou: em vez de ir para a quadra, ele propôs um debate sobre os conceitos de movimento, saúde e qualidade de vida. Foi então que os estudantes se deram conta de que pouco conheciam sobre exercícios físicos. "A ideia era mostrar como eles ajudam na conquista de uma vida saudável. Falamos também sobre hábitos alimentares e questões que despertavam curiosidade, como o uso de anabolizantes", conta o professor. O projeto foi tão bem organizado que rendeu a Testa Junior um troféu no Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 de 2009 (leia o quadro ao lado). "A promoção da saúde não ficou reservada a algumas aulas. Permeou todo o planejamento anual e foi trabalhada com atividades diferenciadas", diz Fabio D'Angelo, coordenador pedagógico do Instituto Esporte e Educação, em São Paulo, e selecionador do Prêmio. Outro mérito de Testa Junior foi ensinar aos jovens a importância da pesquisa para a disciplina. "Alongamento, alimentação saudável e até práticas como ioga foram alvo de estudos teóricos e, enquanto a turma organizava as apresentações para socializar o que tinha sido descoberto, eu planejava como seriam as vivências práticas", lembra ele.

Movimentos conscientes

Ademir Testa Junior nasceu em Jaú, a 296 quilômetros de São Paulo, há 25 anos. Logo que concluiu a faculdade de Educação Física, foi lecionar na EE Capitão Henrique Montenegro, na vizinha Bocaina. Quando chegou à escola, encontrou uma situação que o incomodava: os alunos não encaravam a disciplina com seriedade. "Eles pensavam que a aula era só para descansar e se divertir", lembra. Para mudar o cenário, Testa Junior desenvolveu um projeto que focava os temas "saúde e qualidade de vida". "A ideia deu tão certo que resolvi estudar o assunto mais a fundo e estou fazendo mestrado na Argentina sobre a temática", conta.

- Objetivos
No trabalho com turmas do 5ª a 8ª série, Testa Junior queria mudar o conceito de Educação Física na escola. No início de 2008, ele propôs uma mudança na estrutura das aulas. "Em vez de focar só esportes, exploramos os termos movimento, saúde e qualidade de vida e como eles fazem parte das diferentes atividades físicas." Com isso, Testa Junior queria que os conceitos aprendidos fossem levados para fora da escola, para a prática dos jovens no dia a dia e para a população também.

- Passo a passo
Depois de discutir e pesquisar os temas, os estudantes foram orientados a pesquisar. "Cada grupo escolhia uma atividade física, buscava informações sobre como ela ajuda na busca pela qualidade de vida e depois socializava os resultados em seminários", explica Testa Junior. Enquanto os alunos preparavam as apresentações, ele planejava as aulas práticas para que eles vivenciassem o que tinham aprendido na teoria. Depois, com todos já craques no assunto, chegou a hora de compartilhar saberes com a comunidade. A garotada organizou uma coleta de dados dos moradores do entorno da escola para estudar seus hábitos e dar dicas de hábitos saudáveis. "Dediquei algumas aulas para conversar sobre a ação, pois todos tinham uma história para contar", lembra o professor.

- Avaliação
Além de analisar os conhecimentos que o grupo mostrou ter aprendido durante a ação comunitária, Testa Junior trabalhou o tempo todo com registros, uma atitude importante, mas ainda incomum entre os professores de Educação Física. E, após as apresentações, sempre havia um debate, que ajudava o docente a observar quais pontos precisavam ser retomados. As atividades práticas também foram avaliadas. "Era importante que todos tivessem consciência dos benefícios de uma vida saudável, não só como lazer mas também para melhorar a saúde e a qualidade de vida", conclui.

 Testes ajudam a conhecer melhor o próprio corpo

Definir o que é um corpo saudável não é tarefa simples: diversos quesitos devem ser levados em conta. Apesar disso, alguns indicadores podem ajudar o aluno a conhecer o panorama geral de sua saúde. Eles também são excelentes para revelar que a mudança de hábitos tem influência a longo prazo na conquista de uma vida com qualidade. O Índice de Massa Corporal (IMC), por exemplo, que é obtido dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado, sinaliza se a pessoa está com o peso adequado à sua altura. Outro dado relevante é a potência de resistência aeróbica, medida com o teste de Cooper, que tem como objetivo correr a maior distância possível em 12 minutos. "Esses instrumentos são válidos para perceber os riscos que alguns hábitos (comer demais, fumar e ter uma vida sedentária, por exemplo) acarretam. Porém é bom lembrar que os resultados não podem ser encarados como um diagnóstico completo e definitivo", pondera D'Angelo. Os estudantes estão em fase de crescimento e, por isso, os resultados variam. Testa Junior, por exemplo, orientou seus alunos a aplicar o que tinham aprendido para orientar os moradores da região a respeito da importância de cuidar do corpo - e como fazê-lo. E sinalizou a validade de aliar o IMC e outros dados aos saberes das aulas teóricas e práticas para desenvolver o hábito da prática pessoal, viabilizando assim a autonomia de todos na atividade física, um dos objetivos da disciplina.

Por: Bianca Bibiano (bianca.bibiano@abril.com.br),

04:39

Plano de Aula: Conhecendo as lutas na escola


Objetivos
- Diferenciar lutas e brigas.
- Conhecer os elementos básicos e as técnicas das lutas.

Conteúdo
- Lutas.

Anos
6º ao 9º.

Tempo estimado
20 aulas.

Material necessário
Fotos e ilustrações de lutas e brigas, bolas de borracha, corda grande, giz, pregadores, bexigas, fios de barbante e bambolês (para delimitar espaços) e computadores com acesso à internet.

Flexibilização
Para que seja possível, desde o primeiro momento, contar com a participação dos alunos com algum tipo de deficiência, atribua a eles algum tipo de responsabilidade, como por exemplo: elaborar um quadro/tabela com os diferentes tipos de luta que serão abordados ao longo das aulas, as características principais, o material necessário, entre outros. Eles podem atuar como informantes, inclusive buscando algumas informações que possam vir a ser necessárias.
Os alunos cadeirantes, desde que tenham pleno domínio dos membros superiores, têm condições de fazer as tentativas de desequilibrar o colega. Você pode outorgar a eles esta função, possibilitando assim a todos que sejam "testados" em seu equilíbrio.
Talvez, a partir da 3ª etapa, a participação destas crianças não seja possível. Isso não pode de jeito algum, representar para o grupo e para os próprios alunos com deficiência, um problema. Muitas vezes, a intervenção do educador na construção de um ambiente inclusivo deve acontecer de forma que o grupo todo compreenda que nem todos são capazes de fazer as mesmas coisas da mesma maneira que a maioria. Não pense duas vezes antes de propor no seu grupo um diálogo que aborde este tema. Não ser capaz de realizar algum tipo de movimento não impossibilita ninguém de fazer parte de um grupo. Levante para seu grupo a seguinte questão: "E se a proposta fosse realizar um salto mortal muito complexo? Todos vocês obteriam sucesso?". Peça também a todos que sugiram uma forma de participação para aqueles que estão em desvantagem.
Por fim, é na 4ºª etapa que podemos ressaltar a participação dos nossos alunos com algum tipo de deficiência. Não deixe de desafiá-los neste momento da mesma forma como desafia os outros. Também é muito produtivo se eles puderem se responsabilizar por uma parte significativa da apresentação teórica.

Desenvolvimento
1ª etapa
Converse com os alunos sobre o que eles entendem sobre lutas e brigas, elencando as diferenças. Apresente algumas fotos e desenhos de lutas e brigas para que apontem as características de cada uma. Provoque a garotada com algumas perguntas, como "socos e chutes também são específicos de alguma técnica de luta?".

2ª etapa
Organize a conceitualização definindo com a ajuda da turma cada tema discutido na etapa anterior. Por exemplo, lutas são atividades caracterizadas por regras, que têm segurança, respeito, são um tipo de combate corpo a corpo. Brigas são práticas desregradas, violentas, desorganizadas e, por isso, perigosas.

3ª etapa
Comece as vivências com os elementos básicos das lutas, sempre levantando com a turma em que técnicas eles estão presentes. Vale colocar em cena qualquer atividade que trabalhe com os elementos abaixo, desde que seja possível dialogar com as técnicas e com o conceito da luta. Algumas possibilidades:

- Equilíbrio e desequilíbrio: desequilibrar o colega que está com um pé só no chão, as mãos fixas, segurando uma bola de borracha. 

- Força: cabo de guerra. 

- Rapidez, agilidade e atenção
: acertar com rapidez uma parte do corpo do oponente, que, por sua vez, tenta se defender. 

- Conquista de objetos e territórios
: pegar vários pregadores que estão presos no ombro, nas pernas e em outras partes do corpo do colega, que por sua vez tenta se esquivar. 

- Combate
: combate com barbantes, realizado em duplas. Cada aluno ganha um pedaço do material e prende uma ponta na cintura. O objetivo é roubar o fio do adversário usando apenas uma mão. O outro braço deve ficar para trás. 

- Reter, imobilizar e livrar-se
: o objetivo é desequilibrar o oponente usando os braços e as mãos e segurá-lo sentado no chão durante cinco segundos. Caso ele consiga se livrar antes, o confronto continua.

Em todas as atividades, é recomendável incentivar os estudantes a usar braço, mão e pé dominante e não dominante também para aumentar o desafio e encaminhar a turma a observar as habilidades corporais com um olhar mais crítico e aprofundado.

4ª etapa
Divida os estudantes em pequenos grupos e proponha que cada um pesquise na internet e em outras fontes confiáveis (como livros especializados, revistas e jornais) uma técnica de luta, seguindo um pequeno roteiro que aborde um breve histórico, principais golpes, imagens, regras básicas, vestimentas, espaço onde ocorrem e países com tradição no tema. Apresente diversas técnicas (como judô, esgrima e caratê) e peça que cada grupo escolha uma. Avise que a finalidade da pesquisa é apresentar para toda a turma o que for aprendido tanto na teoria como na prática. A vivência corporal deve ser vivenciada por todos. Para enriquecer o trabalho, os grupos podem convidar praticantes da modalidade pesquisada para fazer uma demonstração para a comunidade escolar e conversar a respeito da atividade.

Avaliação
No momento das vivências, observe como os aspectos força, agilidade e equilíbrio são explorados e percebidos pelos estudantes. Depois, proponha que reflitam coletivamente sobre as apresentações realizadas, a postura dos componentes de cada grupo ao apresentar o trabalho, a clareza das informações passadas e se foi dada alguma informação inovadora.

quarta-feira, 14 de março de 2012

05:53

Conceitos de Diversidade na Educação Fisica




Para que possamos desempenhar melhor nosso papel de educadores não só na área de Educação Física mais em todas as áreas do ensino, temos que ter uma melhor compreensão de alguns conceitos muito marcantes em nossa sociedade, desta forma devemos fazer uma abordagem antropológica dos conceitos de: diversidade, desigualdade, etnocentrismo e alteridade.

Assim sendo, ao longo da história, na qual a colonização se fez presente, a escravidão, o autoritarismo e a recusa pelo negro como pessoa biologicamente e culturalmente de igual importância na sociedade, contribuíram para o sentido de inferioridade do negro brasileiro e a ideologia degenerativa do mestiço;  Foram os mecanismos de dominação ideológica mais popular já produzido no Mundo sendo um exemplo claro dos conceitos do Etnocentrismo na história e que permanecem ainda no imaginário social dos tempos atuais, o que dificulta a ascensão social do negro, pois este é visto como indolente e incapaz intelectualmente.

No Brasil existe o "mito da democracia social" que tem como objetivo propagar que não existem diferenças raciais no País e que todos aqui vivem de forma harmoniosa, sem conflitos.  E que existe a igualdade de oportunidades para brancos, negros, mestiços, pobres e ricos.  A disseminação deste mito permitiu esconder as desigualdades que é constatada nas práticas discriminatórias de acesso ao emprego, dificuldade de crescimento social da população negra e já nessa fase, também as camadas mais pobres que ocupam os piores lugares na estrutura social, que freqüenta as piores escolas e que recebem remuneração inferior a dos Branco e ricos, pelo mesmo trabalho e tendo a mesma qualificação profissional.

No nosso cotidiano escolar traz vários exemplos do mito da democracia social.  O aspecto da cultura da classe dominante que a escola transmite, pois reflete as classes privilegiadas e não a totalidade da população, embora haja, contudo no interior da escola e que possibilitam confrontar essa cultura hegemônica, desprezada pela diversidades culturais trazidas pelo diversos alunos, assim apesar da escola inculcar, introduzir o saber dominante, essa educação social diversificada poderia ser mais evidente a cultura popular.

Nós como educadores devemos ter uma proposta educacional voltada par a diversidade, junto às variações de culturas;  Colocando todos nós educadores (de que área que seja), um desafio de esta atentos às diferenças econômica (desigualdade social), etnologia racial e de buscar o domínio de um saber crítico que permita interpretar essa alteridade – mudanças de culturas sem nenhum preconceito.

Nós como educadores, temos a obrigação não só de conhecer os mecanismos e os conceitos da dominação cultural, econômica, social e política;  Ampliando os nosso conhecimentos antropológicos, mais também de perceber as diferenças etno culturais sobre essa realidade cruel e desumana.

A educação escolar é um espaço privilegiado para crianças, jovens e das camadas populares terem acesso ao conhecimento cientifico e cultural em geral.  Do qual a população pobre e negra é excluída por estarem num meio social desfavorecido.

A escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e também local mais discriminador.  Tanto assim que existem escolas para ricos e pobres, de boa e má qualidade, respectivamente.  Por isso, trabalhar as diferenças é um desafio para o professor.  Por ele ser mediador do conhecimento.

A escola em que ele foi formado e na qual ele trabalha é reprodutora do conhecimento da classe dominante, classe esta que determina as regras e determina o que deve ser transmitido aos alunos.  Mas se o professor for detentor de um saber critico, poderá questionar esses valores e saberá utilizar desse conhecimento o que ele tem de valor, respeitando as desigualdades, as alteridades e as diversidades.

Autoria: Dayverson de Castro

terça-feira, 13 de março de 2012

16:47

Coordenação Pedagógica


O perfil da Educação Brasileira apresentou significativas mudanças nas últimas décadas. Houve substancial queda na taxa de analfabetismo, aumento expressivo do número de matrículas em todos os níveis de ensino. Um dos fatores que contribuiu consideravelmente para essa melhoria foi à exigência legal de formação inicial para atuação no ensino fundamental, tanto para professores, como também para os profissionais técnicos pedagógicos, pois nem sempre essa função era cumprida por especialistas, devido a deficiência de profissionais habilitados e do próprio sistema educacional.

No entanto, além de uma formação consistente, é preciso considerar um investimento educativo contínuo e sistemático para que o professor, o orientador, o supervisor e outros profissionais se desenvolvam com capacidades e habilidades múltiplas como exige a educação atual. O conteúdo e a metodologia para essas formações devem ser continuamente avaliados e revistos para que haja possibilidade de melhoria do ensino. Essa formação não pode ser tratada como um acúmulo de cursos e técnicas, mas da construção de um processo reflexivo e crítico sobre a prática educativa.

 O enfoque internacionalista que se apresenta no processo de ensino atual, traz a tona ás discussões pedagógicas aspectos de extrema relevância, em particular no que se refere à maneira como são designadas as funções de coordenador pedagógico em suas assessorias aos professores no planejamento e desenvolvimento curricular. Tal assistência tornou-se praxe dar a denominação de "supervisão". Essa palavra aponta para uma posição hierárquica de quem desempenha a função mencionada, mas dificilmente se poderá negar que está se baseia em autoridade de competência, e não de poder institucional.

Esse líder pedagógico eficaz será um perito, dedicado aos fins do ensino. Como então, o supervisor se enquadra na estrutura formal da escola atual? Na busca de monopolizar sua função formal, deram-lhe a função de "coordenador pedagógico" a fim de em sua competência pedagógica não fosse colocado como supervisor ao professor. No entanto, não é fácil a muitos professores, em muitas situações escolares, ter sempre a visão voltada para fins educacionais nítidos no seu dia-a-dia, nem tampouco é fácil visualizar, para cada lição, os métodos e recursos didáticos mais convenientes. Por outro lado, a sala de aula não é um mundo fechado, os alunos convivem com outros alunos no recreio, os professore na sala de reuniões. Enfim, o ensino desenrola-se vinculado a todo um ambiente social escolar, difícil de perceber, de interpretar e de utilizar pedagogicamente no seu todo e nos seus detalhes por quem está imerso nele. É aí que o professor necessita de uma assistência técnica-pedagógica para que se mantenha sempre mais produtivo.

 A elaboração da proposta curricular deve ser contextualizada na discussão para a construção da identidade da escola através de um processo dinâmico de reflexão e elaboração contínua. Esse processo deve contar com a participação de toda a equipe pedagógica, buscando o comprometimento de todos com o trabalho realizado, com os propósitos discutidos e com a adequação às características sociais e culturais da realidade da escola, e é nessa dimensão que o coordenador pedagógico deve atuar e organizar no coletivo os objetivos, conteúdos e critérios de avaliação.

O desafio que a escola enfrenta atualmente exige dos profissionais da educação, como é colocado o supervisor, uma competência técnica e política que o habilita a participar da construção da autonomia escolar construída a partir da autonomia garantida pela lei, isso faz com que na discussão do trabalho pedagógico abram-se amplas perspectivas que estimulam e asseguram a participação de todos: diretores, professores, pais, alunos, funcionários da escola e representantes da comunidade, onde o supervisor deve ter capacidade de liderança não sendo líder e coordenador sem dar ordens. Trata-se de coordenar o processo de organização das pessoas no interior da escola, buscando a convergência dos interesses dos seus vários segmentos e a superação dos conflitos decorrentes deles.

 A proposta do presente trabalho é buscar as respostas que fazem parte a verdadeira função do supervisor escolar na atualidade, as formas de atuação para que esse profissional realize suas tarefas e as concepções pedagógicas para sua realização profissional, onde o sistema lhe possibilita realizar suas ações plenamente a fim de comprovar sua competência.

 
CAPÍTULO I

A  Educação e o Trabalho do Coordenador Pedagógico

A análise do serviço de supervisão escolar, nas escolas brasileiras nos condiciona a um breve retorno as influências dos grandes movimentos educacionais internacionais para chegarmos finalmente às concepções construídas para a educação atual. Pode-se identificar, na tradição pedagógica brasileira, a presença de algumas tendências que foram fundamentais para  a construção das propostas de ensino.

·        A pedagogia tradicional, uma proposta centrada no professor que tinha a função de vigiar, aconselhar, corrigir e ensinar. No ensino dos conteúdos, o que orienta é a organização lógica das disciplinas, o aprendizado moral, disciplinado e esforçado. O professor é visto como autoridade, um organizador dos conteúdos e estratégias de ensino, o guia exclusivo do processo educativo;

·        A pedagogia renovada, uma das concepções que inclui várias correntes, ligadas aos movimentos da escola nova ou ativa, onde o centro das atividades escolares não é o professor ou os conteúdos, mas sim o aluno. O professor é visto, como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir do aluno. Cabendo ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando suas ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais;

·        Inspirado nas teorias behavioristas, surgiu na década de 70 o tecnicismo educacional, que definiu um prática pedagógica controlada e dirigida pelo professor,  com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente programada em detalhes, criando a falsa idéia de que aprender não é algo natural do ser humano, mas que a aprendizagem depende exclusivamente de especialistas e de técnicas.

·        Decorrente da intensa mobilização dos educadores para buscar uma educação crítica a serviço das transformações sociais, econômicas e políticas, firma-se no meio educacional a pedagogia libertadora e a pedagogia crítico-social dos conteúdos. O professor é um coordenador de atividades que organiza e atua conjuntamente com os alunos. Entendendo-se que além dos conteúdos escolar voltado para as questões sociais, se faz necessário que se tenha domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais amplas para que os alunos possam aprender mais com as experiências de vida. ( GADOTTI,1997:243)

As tendências pedagógicas que marcaram a tradição educacional brasileira contribuíram para a proposta atual. Neste enfoque social dado aos processos de ensino e aprendizagem traz para a discussão pedagógica, aspectos de extrema relevância, em particular a maneira como o professor efetuará sua prática. É  neste sentido que as habilidades dos professores vem sendo testadas ao longo do tempo, através da própria construção de uma prática própria, vemos nas salas de aula professores que tiveram uma formação estritamente técnica tradicional, fazer tentativas de inovação na busca de se adaptar às novas tendências de ensino e aprendizagem.

As tradições das competências e funções do supervisor escolar focam o  processo de ensino no professor, desta forma, o ensino ganhou autonomia em relação à aprendizagem, criou seus próprios métodos e o processo de aprendizagem ficou relegado a segundo plano. O supervisor é um técnico que impõe suas estratégias sem discutir e refletir com o professor, sua função é mais normatizadora  e fiscalizadora, onde deveria ser coordenadora e colaboradora. Essa coordenação curricular entre as várias disciplinas que conduz o professor á execução de tarefas confunde-se com a manutenção disciplinar, ainda incutida num tipo de educação de produção de operações repetitivas e Sob - dirigidas.

 A partir dos cursos especializados para supervisão escolar enfatizam-se mais as competências do profissional do que o desenvolvimento de habilidades humanistas que devem nortear o trabalho do supervisor, assim, esse profissional passa a servir ao sistema e não ao ensino e aprendizagem, ou seja, a função do mesmo é auxiliar a direção a manter a ordem no interior da escola, desempenhando uma função administrativa e relegando o aspecto pedagógico às teorias normativas que aprendeu. Essa figura articuladora tem definidas suas funções específicas no regimento interno da escola, mas ao serem analisado cada inciso, percebe-se ao que foi reduzido o coordenador pedagógico. É diante desse contexto que os profissionais atuais estão fingindo exercer sua função, ora servindo ao monopólio do sistema, ora se rebelando e tentando inovar suas práticas.

  Portanto, foi nessa divisão do trabalho escolar que a escola se tornou inoperante, exigindo um número cada vez maior de especialistas para realizar sua função educativa, criou-se um segregacionismo, onde cada especialista é dono de um mundo próprio ( uma competência específica) e, conseqüentemente, superiores por domínios previamente legalizados.

O sistema de ensino atual, faces as especificidades subjetivas que a nova LDB propõe quer resgatar a tendência das teorias marxistas em contrapartida ao paradigma da educação técnico-científica em que foi estruturado nosso sistema de ensino, desta forma como afirmou Marx:

"A doutrina materialista que pretende serem os homens produtos das circunstâncias  e da educação, e conseqüentemente, que os homens transformados sejam produtos de outras circunstâncias e de uma educação diferente e esquece que são precisamente os homens que transformam as circunstâncias  e que o próprio educador tem necessidade de ser educado"

O compromisso específico da escola, na totalidade do processo cultural de produção de produção do ser humano, segundo nosso modo de ver e na experiência de pais e alunos, passa inevitavelmente, pelo confronto com a idéia. É necessário mudar, mas os resultados não serão imediatos, em primeiro lugar pela própria formação do especialista em supervisão e em segundo lugar pelo próprio contexto com que se posicionam a escola e a sociedade em relação às mudanças. Segundo Estrela (1980; 126), (...) "a principal dificuldade reside precisamente na caracterização das situações em que temos de exercer nossa ação, ou a partir das quais haveremos de construir o projeto de intervenção pedagógica".

 Precisamente, é aí que esbarra a dimensão da função do supervisor na educação contemporânea, onde tanto o especialista quanto os professores ainda estão em reflexão das teorias para colocá-las em prática, e conseqüentemente deverá haver um redimensionamento dessas práticas dentro da construção coletiva do projeto pedagógico da escola. E partindo desses pressupostos poderemos definir qual seria a função do supervisor no contexto educacional de hoje.


CAPÍTULO II

A Função Social do Coordenador Pedagógico

Na dimensão que se deseja o alcance da educação do terceiro milênio, bem como o que recomenda a Lei 9.394/96: "A formação de profissionais de educação para a administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional".

Infelizmente, ainda não temos em nossas escolas o número suficiente desses profissionais com suas respectivas habilitações. Quando da necessidade do supervisor, em muitas escolas, a função é desempenhada por profissionais licenciados em pedagogia, mas atualmente o quadro está mudando, muitos destes estão se especializando, houve um grande avanço neste sentido com os cursos oferecidos pela exigência da lei, temos no presente ano todos os diretores, vice-diretores, supervisores, orientadores educacionais e secretários de escola do Estado de Rondônia participando do Programa de Capacitação de Gestores Educacionais, além de outros tantos concluindo especialização nestas áreas em outros sistemas de pós-graduação. Tais cursos; além de oferecerem as teorias exigem a prática imediata dos cursistas, assim podemos antever que a futura melhoria da qualidade do ensino aprendizagem, esta no bom desempenho do supervisor escolar, que passa da função fiscalizado que se encontrava para realizar sua função coordenadora e plenamente voltada ao pedagógico.

Uma das características do serviço de supervisão escolar é a complexidade, que pode ser expressa pela enumeração de alguns dos muitos aspectos que ela pode e deve assumir:

·        A assistência, suprindo as deficiências técnicas docentes observadas na atuação do professor;

·        Os recursos que possibilitam a interpretação dos anseios e necessidades do ambiente escolar e comunitário;

·        O estímulo, permitindo a melhoria das relações entre todos os elementos humanos envolvidos no processo educativo;

·        O aconselhamento, utilizando maior conhecimento de métodos e recursos didáticos básicos à eficiências da ação escolar;

·        O apoio, analisando e solucionando cooperativamente possíveis dificuldades orientadas de cada situação específica;

·        O assessoramento, relacionado as cúpulas técnico-administrativas com as bases operacionais;

·        A co-participação, vivenciando a consciência de uma ação única, visando um objetivo comum. ( NERICI, 1999:96 )

 

 Atendendo os princípios legais da implementação da gestão democrática na escola bem como, a democratização do acesso e da permanência do aluno na escola, o supervisor escolar deve promover em suas estratégias básicas de planejamento das ações o envolvimento de todos os professores, alunos, funcionários, pais e comunidade externa, por isso, a exigência de conhecimentos nos aspectos cultural, econômicos e políticos se fazem necessários.

O supervisor escolar deve, portanto, ser habilitado e capacitado para realizar suas atividades no interior da escola. O sistema de ensino atual proporciona as referências legais para a redefinição do papel do educador, para uma função gestora que promova discussões para a construção do projeto político pedagógico da escola, onde a escola deve ser percebida como um espaço que lida com dois planos: o real e o ideal. E que dentro daquele plano o que já existe e estamos tentando mudar é que vão partir as ações coletivas para o outro plano que poderá vir a existir. Segundo Paro, " os desafios devem ser enfrentados, a partir dos conflitos existentes, oferecendo subsídios teóricos e metodológicos para supera-los". O autor apresenta, de forma clara, o cotidiano da escola pública, agrupando sua apresentação em tópicos básicos para o estudo do processo de gestão democrática, confirmando a função do trabalho coletivo e especificamente da coordenação por parte da equipe gestora da escola, na qual o supervisor é um dos principais envolvidos.

A proposta educacional de uma escola que promova os fins da educação dentro de seus princípios básicos está totalmente voltada para a inserção social da escola na comunidade e da comunidade para a escola. O sistema de ensino em cada esfera administrativa está oferecendo além dos cursos de formação e capacitação, projetos e programas que ofereçam as bases de sustentação para a promoção da gestão participativa como meio e instrumento da melhoria da qualidade de ensino. Podemos citar um desses programas PDDE – Programa Dinheiro Direito na Escola, que para sua implantação e implementação se fizeram necessárias várias etapas de cursos de capacitação de supervisores promovidos pelos governos de cada estado. Cursos estes que na realidade, para a maioria dos participantes não tiveram a significância na dimensão da proposta inicial. Apesar dos gastos com pessoal para elaboração e distribuição de material, palestrantes, transporte, alojamento, alimentação e outros tantos custos, os cursos não atingiram os objetivos propostos, poucos foram os supervisores que saíram aptos a montar o Programa de Melhoria da Escola.

 Prova disso, que em 2001 para a implantação do projeto nenhum supervisor ou especialista conseguiu desenvolver as ações necessárias para que fosse implementado o projeto de melhoria da escola, vieram novos estudos, novos treinamentos e até a presente data as escolas ainda não receberam os recursos referentes ao programa, tendo esse atraso a justificativa de que os projetos encaminhados não atendem os objetivos estratégicos a que se propõe o referido programa, que são óbvios em manuais que foram utilizados nos treinamentos. As estratégias, as ações propostas pela escola, devem pautar pela implementação da escola democrática com a participação de todos os segmentos sociais em que a escola está inserida. Entretanto, pela própria função que o supervisor desempenhou na escola até agora, este está habituado a elaborar plano de trabalho anual da escola de forma individual e por mais tentativas que fez para fazer um plano coletivo, não conseguiu. Essa tentativa frustrada é vista para GADOTTI (1997:117):

"São necessários a princípio: discutir os fundamentos para a construção do projeto político pedagógico numa perspectiva cidadã; conhecer as dimensões e as culturas presentes no cotidiano escolar e aproveitar as diferentes contribuições que os sujeitos envolvidos podem oferecer no trabalho pedagógico da escola".

Portanto, para que aconteça a democratização  das relações internas da escola é necessário rever os conceitos adquiridos ao longo do tempo, pelos profissionais que exercem as funções coordenadoras no sistema escolar, mas também reeducar o professor, o aluno e os pais em relação as responsabilidades de cada um para com a educação. Mas como vivemos num país que o que se leva em consideração é o que está escrito, registrado e documentado, o trabalho do supervisor escolar, poderá ser levado a contento, como o trabalho de outro especialista, por exemplo, de um médico que é respeitado dentro da área em que atua, quando esse especialista em educação, desempenhar a função de acordo com sua capacidade e compromisso profissional. Freire, alerta para a promoção de mudanças imediatas "[{...} como educadores não podemos mais ficar inertes, sabendo da realidade e tendo os instrumentos para promover essas mudanças, é nossa responsabilidade pessoal e profissional promover a  melhoria da qualidade da educação".

A farta literatura que abrange o tema da gestão educacional contemporânea, conduz para as exigências de funções coordenadoras na administração escolar, colocando o superior pedagógico como um dos especialistas responsáveis para programar o processo de mudança. Ao assumir o papel, o mesmo se defrontará com uma série de situações conflitantes e imprevisíveis, que na maioria das vezes não fazem parte de seu cotidiano, pois ainda não se habilitou a ver a realidade dentro do contexto antropológico, e sociológico e político. Rever seus conceitos e voltar-se para a prática social que se faz necessário para a atualidade, levará algum tempo, mas acontecerá paulatinamente em todas as escolas. Relativizar o papel da escola, por meio da problematização da relação entre sociedade e escola, situando a escola como agência contraditória e, portanto, como espaço de reprodução e resistência às relações sociais. Tal constatação nos coloca como educadores, o desafio de compreender as práticas educativas como práticas sociais que se efetivam enquanto campo social de disputa para melhorar a cultura dentro do contexto hegemônico.


CAPÍTULO III


A Educação Contemporânea e o Compromisso do Coordenador Pedagógico

Para melhor entendimento do que se propõe o presente trabalho, devemos expor alguns itens que comprovam que o serviço de supervisão escolar em seu exercício atual, ainda está a serviço de uma pedagogia, que nada mais é do que uma concepção teórica ingênua e inconsciente de modelo teórico de sociedade e educação que atuam num vazio conceitual e pressupõem a educação como um mecanismo de conservação e reprodução da sociedade. Propor o rompimento dos seus limites, é necessariamente, colocá-la num outro contexto pedagógico, colocando o supervisor como coordenador de práticas que promovam a educação como instrumento de transformação social.

 Ao avaliarmos as origens dos programas de pós-graduação oferecidos aos profissionais de educação nos últimos anos, não atenderam as necessidades para que foram criados, concentrando-se, muitas vezes, numa disciplina específica da área, não oferecendo oportunidade de estudo mais profundo dos problemas típicos da educação. Esses cursos se apresentam ligados à Psicologia, à Filosofia e à Tecnologia de Ensino, tornando-se bastante especializados e pouco úteis aos profissionais que já se encontravam no desempenho de funções técnico-pedagógicas.

 A exigência de mudanças de atitudes do professor para o desempenho satisfatório do papel do educador, em função das transformações que se operam na sociedade advêm da criação desses cursos, mediante as necessidades do momento. Assim, a capacitação e habilitação de profissionais como agentes de mudanças planejadas que atendam às aspirações da sociedade em relação à educação não levaram a promoção e manutenção do movimento dialético desejado de ação-relfexão-ação.

Em face de estagnação das mudanças esperadas e os problemas educacionais daí emergentes, iniciam-se reformulações nos currículos dos referidos cursos visando equacionar os interesses dos corpos discentes e docentes frente as reais possibilidades do trabalho do supervisor escolar. A dificuldade maior nos cursos que foram voltados à democratização do ensino e à melhoria da aprendizagem, centrou-se no fato de que o grau de compromisso e envolvimento dos educadores com os programas dos cursos e suas práticas, foi desvinculado, levando o supervisor a velha função de fiscalizador, não atingindo, portanto, os objetivos propostos inicialmente. SAVIANI (1989:49) explica essa disfunção à função do supervisor:

"Às vezes, partimos com toda a boa vontade para educar num determinado local e já estamos marcados por um esquema de expectativas e valores que se choca com as expectativas e com os valores daquelas pessoas com as quais iremos lidar. E a comunicação se torna praticamente inviável. Nota-se, então, que a comunicação implica esse esforço de transcendência, a capacidade de sair da minha situação e de me colocar na situação do outro, na perspectiva do outro. Implicando numa espécie de inserção cultural em relação ao meio ao qual estou trabalhando".

No contexto dessa prática educativa, se antevê uma opção por um outro modelo social, em que a igualdade entre os seres humanos e a sua liberdade não se mantiveram tão somente ao nível da lei, mas se traduzem em algumas práticas atuais, centradas na idéia de igualdade e de oportunidades para todos no processo de educação e na compreensão e assimilação dos conteúdos de conhecimentos sistematizados pela humanidade e na aquisição de habilidades de assimilação e transformação desses conteúdos, no contexto de uma prática social.

Contudo, nesse contexto de atuação, o elemento essencial, para que aconteça a supervisão escolar num rumo diferente ao que vem sendo exercitado, é o resgate de sua função diagnóstica, e que essa deixe de ser neutra, pois deve ser interventiva no aspecto de detectar no real o problema e interferir para a solução do mesmo. E para não ser autoritária e conservadora, deverá ser o instrumento do avanço e de identificação de novos rumos. Enfim, terá de ser o instrumento do reconhecimento dos caminhos percorridos e da identificação dos caminhos a serem perseguidos. Um segundo ponto fundamental a ser levado em consideração como proposta de ação é a conversão como proposta de ação é a conversão de cada um de nós, professor, educador, para esses novos rumos da prática educacional.

 Alguns autores que abordam o tema como Nerici ( 1999:118 ), que caracteriza a função do Supervisor Escolar nos diferentes modos ou tipos de ações que podem envolver o trabalho pedagógico:

"[...] filosófica, quando se orienta a finalidade da Educação, determinando objetivos e métodos de atuação, segundo a concepção básica da pessoa humana, pleiteando o bem comum e processo educativo e a política, quando compatibiliza a finalidade da Educação com os verdadeiros interesses nacionais, atendendo a uma específica concepção de Estado"

Diante dessas concepções a dimensão pedagógica se realiza quando equaciona, através de métodos e processos adequados, dentro das coordenadas filosóficas de uma determinada política educacional, todos os problemas práticos do agir educativo: a quem ensinar, quando ensinar, como ensinar e quem vão ensinar. Considerando também, alguns princípios básicos como exigências à sua realização:

·        A supervisão deve ser proporcionada a todos os membros envolvidos na ação educativa, pois realmente é uma ajuda, as evidências diagnosticadas comprovam onde e quem precisa ser auxiliado, devendo haver a consciência crítica e nítida do seu objetivo profissional, que é o aperfeiçoamento contínuo e progressivo da situação ensino-aprendizagem;

·        Deve ser derivada de uma situação real e, não imposta. É necessário partir-se das situações problemas encontrados e, através do estudo das causas, descobrirem os meios de ações mais aprovados;

·        Ser cooperativa, quanto mais a supervisão envolve os elementos que integram o meio educacional do aluno, melhores resultados obterá e fundamentar-se num profundo respeito às diferenças individuais, pois toda uma tradição leva que tais diferenças sejam reconhecidas, embora na prática, não determinem um tratamento diferente aos desiguais. O que muitas vezes ocorre na sala se aula, mas não deve ocorrer no trabalho de supervisão, o fato do atendimento individual possibilita, sem dúvida, condições de o professor também assim atuar em relação aos seus alunos;

·        Deve sempre enfatizar a necessidade de um clima de estímulo, onde o reconhecimento dos méritos e sacrifícios deva ser iguais ou maiores que o reconhecimento das falhas. É uma questão de habilidade, partir-se do que é válido, correto, digno de elogios, até criar condições para que a análise do que é errado não provoque choques, não dando lugar ao clima emocional negativo que pode bloquear a comunicação;

·        Deve ser científica, atender sempre às exigências de um procedimento científico: investigação, hipóteses, alternativas claras, experimentação e conclusões devidamente registradas e avaliadas. Usar princípios básicos de cooperação e respeito, levando ao cumprimento os direitos do indivíduo, ser contínua e progressiva, acompanhando sistematicamente de torna-lo cada vez melhor;

·        Ser avaliada constantemente, pois todo  trabalho sério requer planejamento e todo planejamento tem que ser flexível, para que ocorram modificações que devem resultar da sua avaliação, pela avaliação acontecerá a retro alimentação do fluxo das ações básicas, redirecionado e indicando as novas linhas de atuação;

·        Ser informal, aproveitando todas as oportunidades, ao mesmo tempo, assumir um caráter profissional, evitando interferência na vida particular, sendo concomitantemente, individual e coletiva e ser um trabalho de equipe, onde deve haver adesão de todos os que estão envolvidos. (ALVES, 1988:26)

                        Complementando que, a importância da supervisão bem executada, é a adequação das possíveis oportunidades aos objetivos previstos, na dependência das condições concretas de cada situação específica. Saber exatamente o que se deseja como resultado para selecionar as oportunidades mais adequadas, onde o bom senso determinará, dentro das circunstâncias reais, quais as melhores oportunidades e quais os recursos necessários e disponíveis para cada oportunidade.

O supervisor é visto como um dos membros gestores, na gestão da educação que responde aos ditames da contemporaneidade possui o princípio que,  segundo PARO(1986:87) "Se fundamenta em objetivos educacionais representativo dos interesses das amplas camadas da população e leva em conta a especificidade do projeto pedagógico escolar, processo esse determinado pelos mesmos objetivos". Desta forma os objetivos educacionais devem ser formulados dentro do contexto real e dos conhecimentos que derivam das experiências.  E ao pensarmos nesta gestão emancipa tória devem haver muitas mudanças nas políticas de formação de profissionais da educação, senão o supervisor não encontrará os subsídios necessários a tomada de consciência e não enfrentará os desafios apontados por quatro orientações básicas:

·        A orientação epistemológica tem de passar pela revalorização como forma de conhecimento e pela revalorização do caos como dimensão da solidariedade, sendo que a imagem desestabilizadora que gerará energia para esta revalorização é o sofrimento humano concebido como resultado de toda iniciativa humana que converte a solidariedade em forma de ignorância e o colonialismo em forma de saber;

·        A segunda consiste na hermenêutica diatópica contra os localismos globalizados ou novos imperialismos culturais. É um exercício de reciprocidade que consiste em transformar as premissas da argumentação de uma dada cultura;

·        A terceira orientação para que haja um equilíbrio dinâmico entre as teorias da separação e as teorias da união, é a política e designa por governo humano. É o projeto normativo que em todo e qualquer contexto indica e restabelece constantemente as várias interfaces entre o específico e o geral, mantendo as fronteiras mentais e espaciais abertas para a entrada e saída, permanecendo em abertas para detectar qualquer versão de pretensão de verdade, enquanto fundamento para o extremismo e para violência;

·        E a orientação jurídica para o momento de perigo e a preservação do patrimônio comum da humanidade, ou seja, nos campos sociais, físicos  ou simbólicos, e que só podem ser geridos no interesse de todos, essa é uma das condições para que haja a comunicação e a cumplicidades entre a parte e o todo pretendido com o objetivo de realizar um maior equilíbrio entre as teorias da separação e as da união.

Para Santos (1996: 26) "as teorias sobre o que nos une, propostas pela sociedade de consumo e pela sociedade de informação, assentam na idéia de globalização. As globalizações hegemônicas são de fato, localismos globalizados, os novos imperialismos culturais".

O autor define a globalização hegemônica como um processo pelo qual um determinado fenômeno ou entidade local consegue difundir-se globalmente e, ao faze-lo, adquire a capacidade de designar um fenômeno ou uma entidade permitidas pela globalização hegemônica assentam numa troca desigual que canibaliza as diferenças, em vez de permitir o diálogo entre elas, estão enredadas por silêncios, manipulações e exclusões. E explica "as trocas desiguais entre culturas têm sempre acarretado a morte do conhecimento próprio da cultura subordinada e, portanto, dos grupos sociais seus titulares".

Tais perspectivas estão incutidas nessa concepção sócio-interacionalista da educação atual, e  que não tendo seus objetivos definidos claramente pode tornar-se um tipo de educação que monopoliza o saber da forma mais opressora que se pode imaginar. Esse compromisso profissional que se faz necessário na atual conjuntura educacional, também é explicitado por Freire (2000:26) "O discurso da impossibilidade de mudar o mundo é o discurso de quem por diferentes razões, aceitação a acomodação inclusive por lucrar com ela. A acomodação é expressão da desistência da luta pela mudança". Em síntese, o profissional da educação que não desempenhar sua função de forma a atender plenamente os princípios fundamentais da educação, o fará por ignorância ou por comodismo, muito mais pela aceitação dos problemas considerando-os difíceis de enfrentar, do que pela ignorância, pois nunca se teve tanta oportunidade de conhecimentos como nos dias atuais.

O grande desafio do mundo moderno é desenvolver a qualificação e o potencial das pessoas para se obter maior comprometimento com os resultados desejados, criando condições mais favoráveis à inovação e ao aprimoramento tanto pessoal como institucional. A educação e, em especial, a escola não pode fugir a essa regra.

Analisar o preparo e a competência do profissional da educação para desempenhar suas funções, assim como identificar suas necessidades de desenvolvimento, é hoje, para o gestor, um dos pontos críticos da gestão escolar.  Aferir a qualidade, analisar as variáveis do ambiente organizacional da escola que afetam positiva ou negativamente o desempenho dos professores foram os pontos nela destacados.

A qualificação profissional, tanto inicial como continuada, se faz necessária, ela dimensiona a competência requerida para que a escola apresente um serviço de qualidade. Por isso, também a necessidade que o gestor tem de elaborar plano de formação, buscando na própria rotina da escola espaços de formação.

Por fim, apresentando a necessidade do gestor de estabelecer um clima de respeito mútuo, sensibilizando os envolvidos no processo educacional para que haja satisfação e prazer no desenvolvimento do projeto pedagógico da escola. Destacou-se que o gestor, por meio das relações interpessoais, deve valorizar o profissional da educação em sua dimensão humana.

Esperamos que este trabalho venha a contribuir para o nosso crescimento pessoal e o da comunidade escolar, dando-lhes oportunidade de desenvolver atitudes e habilidades que contribuam positivamente para a obtenção de resultados que tornará a sua escola uma referência de qualidade, uma escola de sucesso.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

 O desafio que constatamos no desenvolvimento da pesquisa, nos indaga sobre os modos de se construir e desenvolver o convívio democrático na escola para que está desempenhe a função social a que está destinada. E foi desta forma que fomos descobrindo e combinando os temas extraídos de diferentes fontes: livros, pesquisas in loco, artigos e nas atividades desenvolvidas no interior da escola.

Percebemos o esforço de alguns profissionais em associar às teorias às suas práticas, incorporando o estudo à realidade de trabalho na medida em que vai aprendendo. Observamos que a construção e o desenvolvimento do convívio democrático na escola é um processo que se realiza a cada dia, com a participação de toda a comunidade interna e externa, e que a coordenação desses trabalhos depende para serem realizadas, do coordenador pedagógico da escola e sua atuação consiste, crítica e participativa. E para que este processo se realize, exige um planejamento seguro de todas as ações, associando-as, incondicionalmente, ao projeto pedagógico, exigindo também o respeito à diversidade cultural.

Comprovamos que o supervisor atual deve ser líder competente para dar combate, sem tréguas, às diversas formas e dimensões da violência e do antagonismo e a gerir os conflitos existentes no contexto escolar. E que é através das ações propostas pelo profissional da educação que se enfatiza a importância das articulações entre a escola e a comunidade, buscando realizar uma educação participativa que promova a cultura de cooperação.

Numa administração democrática, todos os amplos setores envolvidos no processo precisam ser considerados, alunos, funcionários, professores e pessoal técnico pedagógico este último e em especial o supervisor, também são trabalhadores em educação e possui seus interesses ligados a condição da melhoria do ensino e da aprendizagem. Estas são as pessoas encarregadas das atividades fins da educação escolar. São autênticos produtores direitos da educação. Esses fatos colocam a importância do conhecimento diagnóstico do contexto escolar, fundamentação das dimensões pedagógicas e os métodos e técnicas administrativas, mais adequadas à promoção da racionalidade interna e externa. E como é difícil realizar essas tarefas, estamos todos buscando caminhos e procurando modos de responder a esse desafio, que sabemos ser também um compromisso.

terça-feira, 6 de março de 2012

06:16

Atividade em Voleibol: Volei divertido

Objetivo do jogo: jogar voleibol, modificando as regras para que se torne um jogo Cooperativo.

Propósito: este jogo permite o exercício da visão sistêmica, do voleibol, da cooperação e da alegria.

Recursos: uma corda elástica ou uma corda feita com tiras de tecido colorido e uma bola que poderá ser de voleibol ou outra mais leve, dependendo do grupo.

Número de Participantes: seis jogadores de cada lado da rede, podendo este número ser ampliado de acordo com os objetivos do facilitador.

Duração: indefinida, enquanto os jogadores estiverem se divertindo e/ou enquanto o facilitador verificar ser importante continuar.

Descrição:
o facilitador e um auxiliar, ou mesmo dois auxiliares seguram uma corda atravessada na quadra e os times se colocam um de cada lado da corda.

Seu objetivo agora, é não deixar a bola cair no chão. É um jogo de voleibol, respeitando-se as regras do jogo, os dois times juntos devem atingir os 25 pontos (como no voleibol infinito).

Ao mesmo tempo em que os participantes jogam, o facilitador e o auxiliar devem movimentar-se pela quadra afim de que a quadra se modifique a cada instante, ou seja, os jogadores além de se movimentarem pelo jogo, agora precisam estar atentos ás mudanças físicas que a quadra vai sofrendo á medida que a corda vai sendo movimentada.

Dicas:
pode-se aumentar a pontuação, fazendo com que a meta seja maior a cada jogo. Pode-se ainda, modificar as regras do voleibol, colocando-se regras do tipo, todos tem que tocar na bola, meninos e meninas tem que tocar na bola alternadamente, ou outras regras que permitam a participação de todos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

11:03

Uma criança caiu. E agora?



Com muita freqüência as crianças caem e contundem a cabeça, trazendo uma grande preocupação aos pais. A ansiedade toma conta do quadro e a família se desespera. É importante que saibamos alguns dados sobre contusão craniana. Apesar de se contundir na cabeça, a presença de fratura é rara. Se a criança caiu, não perdeu os sentidos o prognóstico é bom. Se perdeu os sentidos por pouco tempo o prognóstico é bom, mas, necessita cuidados. Se após a queda a criança perdeu os sentidos por um período mais longo é necessário o seu internamento, mesmo que não tenha havido fratura e mesmo que ao primeiro exame, tudo esteja normal.

Outro fato que é comum é o aparecimento de quadro febril 12 a 24 horas após a queda. Isto parece ser devido a alguma alteração no centro de regulação térmica com a queda.

O aparecimento posteriormente a queda de vômitos sem náuseas, principalmente se forem vômitos que "pulam longe", indicam assistência direta. Uma sonolência intensa, quando mesmo tentando os pais não conseguem acordar a criança, ou quando acorda está muito mais sonolenta do que o costume, é sinal de cuidados. Os pais deverão observar os olhos da criança pois o aparecimento de qualquer desvio obriga ao atendimento médico de urgência.

 O aparecimento de convulsões também indica alteração neurológica e indica ida imediata para uma emergência.

Só deveremos estar despreocupado quando a criança cai, não perde os sentidos, continua com sua atividade habitual, se surgir sono é um sono leve que facilmente quando estimulada a criança acorda. São fatos para nos tranqüiliza.

Toda criança que após uma queda tem perda de consciência, mesmo que por poucos segundos, deve ser vista em uma emergência.

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