domingo, 27 de maio de 2012

Estímulo infantil na medida certa é desafio




Entender como funciona o desenvolvimento cognitivo das crianças é fundamental para garantir os estímulos certos para cada idade. Se elas forem exigidas em tarefas para as quais ainda não estão preparadas, podem desenvolver um quadro de ansiedade e depressão infantil. Por outro lado, caso sejam pouco estimuladas, podem apresentar um déficit de autonomia. O segredo para encontrar a medida certa está no conhecimento e no bom senso, defende Fabio Barbirato, chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa da Misericórdia e autor do livro "A mente do seu filho: como estimular crianças e identificar distúrbios psicológicos na infância" (Editora Agir).

— Cada criança se desenvolve de forma diferente, influenciada pelo ambiente em que ela cresce. É importante conhecer o seu limite e ter bom senso. O ideal é não hiperexplorar, mas dar à criança espaço para fazer o que é necessário para se desenvolver.

Uma criança com déficit de autonomia tende a se tornar um adolescente com pouca capacidade de planejamento e de execução de metas. O conhecimento a que Barbirato se refere é sobre o desenvolvimento neurobiológico do ser humano e como ele se reflete no nosso processo de aprendizagem e nas interações sociais. Um bebê recém-nascido, por exemplo, tem a capacidade de desenvolver empatia e comunicação visual, o que se manifesta por sorrisos.

— Isso deve ser estimulado desde cedo. Por isso, a amamentação é importante, não apenas pela saúde, mas pela empatia e o afeto entre mãe e filho — explica Barbirato.

O ser humano começa a se desenvolver cognitivamente no primeiro dia de vida e só encerra esse processo quando morre. A convivência com outras crianças é importante, inclusive as mais velhas, para garantir os estímulos sociais. Mas os pais precisam se lembrar de não sobrecarregar seus filhos ou exigir que eles se comportem como adultos em miniatura.

A capacidade da criança de prestar atenção também evolui com o tempo. Até os 2 anos, a atenção é controlada por estímulos do mundo externo. Entre 2 e 5 anos, ela passa a ser voluntária, mas ainda muito voltada para o que está a seu redor. Só a partir dos 6 anos é que a criança passa a ter total controle para decidir no que vai focar sua atenção.

Fundamental para as relações sociais, a forma como percebemos a existência das outras pessoas também muda conforme amadurecemos. Nas primeiras idades, os bebês se dão conta da existência de outras pessoas e estabelecem relações de empatia. Até os 4 anos, sabem que os outros também têm consciência de sua presença. E, a partir dos 5 anos, se tornam capazes de entender o que as pessoas dizem a seu respeito — nesta idade as crianças reagem à implicância dos colegas, por exemplo. Por isso, não adianta querer que seu filho de 2 anos controle o impulso de morder o amiguinho que o machuca: ele só será capaz de conter o comportamento agressivo a partir dos 4 anos.



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