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Desenvolvimento Motor na Primeira Infância: fases, marcos e o papel da Educação Física Escolar





 

 

O desenvolvimento motor na primeira infância (0 a 6 anos) é um processo dinâmico, contínuo e profundamente influenciado pelas experiências corporais que a criança vivencia diariamente. Para o professor de Educação Física, compreender como o movimento se desenvolve, quais são seus marcos e como podemos potencializá-lo é fundamental para planejar aulas mais ricas, seguras e alinhadas ao desenvolvimento infantil.

A seguir, você encontrará uma visão completa, embasada e prática — exatamente no nível que um professor precisa para compreender e aplicar.

1. O que é desenvolvimento motor?

O desenvolvimento motor é o conjunto de mudanças que ocorrem ao longo do crescimento da criança, envolvendo:

  • controle postural,

  • coordenação,

  • equilíbrio,

  • deslocamentos,

  • manipulação de objetos,

  • organização espacial e temporal.

Ele é resultado da interação entre três fatores:

Maturação neurológica

O sistema nervoso vai se tornando mais eficiente na transmissão de informações motoras.

Experiências e vivências corporais

Quanto mais a criança explora, brinca e se movimenta, mais refinadas ficam suas habilidades.

Ambiente

Espaços, materiais, estímulos e oportunidades — especialmente na escola — moldam o repertório motor.

A Educação Física Infantil é justamente o espaço privilegiado onde essas três dimensões se encontram.

2. Fases do desenvolvimento motor na primeira infância

Diversos autores (Gallahue, Ozmun, Goodway, Le Boulch, Vítor da Fonseca) convergem para a ideia de que o desenvolvimento motor acontece em fases previsíveis, embora não rígidas. A seguir, as fases mais aceitas no campo da psicomotricidade e da Educação Física:

2.1. Fase dos movimentos reflexos (0 a 1 ano)

Reflexos primitivos como sucção, preensão palmar, reflexo tônico cervical e marcha reflexa organizam as primeiras respostas motoras.

Importância:
Os reflexos são a base para movimentos voluntários posteriores.

2.2. Fase dos movimentos rudimentares (1 a 2 anos)

A criança começa a ganhar controle sobre posturas e deslocamentos simples:

  • sentar,

  • ficar de pé,

  • andar,

  • engatinhar,

  • arremessar objetos grandes,

  • subir pequenos obstáculos.

É um período de rápido crescimento motor e de construção de autonomia.

2.3. Fase dos movimentos fundamentais (2 a 6 anos)

Aqui acontece o coração do desenvolvimento motor infantil. É a fase onde as habilidades básicas se consolidam:

Habilidades locomotoras

correr, saltar, pular, rolar, deslizar, galopar.

Habilidades manipulativas

arremessar, chutar, quicar, rebater, agarrar.

Habilidades estabilizadoras

equilíbrio, controle postural, giros, apoios.

Entre 4 e 6 anos, espera-se que a criança:

  • coordene movimentos mais fluidos;

  • realize sequências motoras;

  • apresente maior controle corporal;

  • organize melhor seu eixo lateral e espacial;

  • desenvolva força, velocidade e agilidade compatíveis à idade.

Aqui o papel da Educação Física é decisivo. Crianças com poucas vivências motoras nessa fase tendem a apresentar atrasos que repercutem por toda a vida escolar.

3. Marcos motores esperados na primeira infância

A seguir, um resumo dos marcos mais importantes para cada idade:

De 1 a 2 anos

  • andar de forma independente;

  • empurrar objetos;

  • agachar e levantar;

  • rolar bolas grandes.

De 2 a 3 anos

  • correr com mais estabilidade;

  • chutar uma bola parada;

  • subir e descer degraus com apoio;

  • arremessar com movimento simples de braço.

De 3 a 4 anos

  • saltar com os dois pés;

  • correr mudando direção;

  • equilibrar-se por alguns segundos;

  • agarrar bolas grandes com mais precisão.

De 4 a 5 anos

  • saltar mais longe;

  • realizar saltos unilaterais;

  • coordenar corrida + arremesso;

  • executar giros e mudanças de direção.

De 5 a 6 anos

  • apresentar coordenação mais refinada;

  • participar de jogos com regras simples;

  • combinar habilidades (correr + agarrar, saltar + rolar);

  • demonstrar controle espaço–tempo mais eficiente.

Esses marcos servem como referência, não como regra rígida. O mais importante é a evolução contínua, não a comparação direta com outras crianças.

4. O papel da Educação Física na primeira infância

A Educação Física escolar é o ambiente mais estratégico para consolidar o desenvolvimento motor, por três motivos:

4.1. Oferece experiências motoras ricas e variadas

Brincadeiras, jogos, circuitos, atividades rítmicas e desafios motores criam repertório — e repertório é o combustível do desenvolvimento.

4.2. Atua de forma sistemática e pedagógica

Diferente do brincar espontâneo, o professor planeja intencionalmente, com progressão, avaliação e objetivos claros.

4.3. Previne atrasos e potenciais dificuldades escolares

Crianças com repertório motor pobre costumam apresentar:

  • baixa atenção;

  • dificuldades de escrita;

  • baixa coordenação;

  • insegurança motora;

  • maior cansaço;

  • participação reduzida nas atividades de aula.

A Educação Física bem planejada compensa desigualdades e garante desenvolvimento global.

5. Estratégias práticas para o professor de EF

Aqui estão caminhos claros para aplicar imediatamente:

5.1. Use circuitos motores semanais

Varie deslocamentos, saltos, rampas, obstáculos, bolas, cones.

5.2. Use materiais simples e versáteis

Fitas, cordas, bambolês, bolas leves, caixas de papelão — todos ajudam na exploração motora.

5.3. Brincadeiras tradicionais

Pega-pega, morto-vivo, estátua, corre cotia, amarelinha — são tesouros motores.

5.4. Coordenação fina nas aulas de EF? Sim!

Atividades como:
pinças com objetos leves, movimentos de mão acompanhando músicas, manipulação de bolinhas, enrolar/desenrolar fitas.

5.5. Varie níveis de dificuldade

  • Aumente ou reduza o tamanho das bolas;

  • Diminua ou aumente a distância;

  • Mude o tempo de execução.

Isso ajuda cada criança a progredir dentro do seu ritmo.

 



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