sexta-feira, 10 de abril de 2009

Alunos pedindo dispensa?




Nos últimos tempos, um dos principais problemas que vem preocupando os professores de Educação Física do Ensino Médio é o pequeno número de alunos que participa ativamente das aulas. Isso ocorre devido às prerrogativas de dispensa estabelecidas pelas recentes leis criadas pelo MEC, que permitem a não-participação nas aulas práticas nos casos de apresentação de atestados médicos — que podem ser por tempo indeterminado e não trazem o diagnóstico de patologias que justifiquem a dispensa — e de comprovantes de academias e clubes sobre a participação em outras práticas físicas — que, mesmo sendo importantes, não têm a função das aulas de Educação Física — e até de permuta de aulas práticas por trabalhos escritos, os quais servem, na maioria dos casos anteriores, como avaliação dos alunos dispensados. Mas, em muitas escolas, fica a critério do aluno a escolha entre as aulas e os trabalhos, já que essa disciplina é obrigatória somente da 5.ª à 8.ª série.

Assim, resta ao professor a motivação à prática como alternativa, entendendo-se aqui motivação como um processo: o educador não tem de ser um animador nato ou oferecer um imenso repertório de atividades na esperança de que uma delas acabe despertando o interesse dos estudantes. Ele deve fazer um estudo das condições que permeiam sua prática docente antes mesmo de convidar os alunos à prática. Esse estudo preliminar pode seguir alguns passos básicos, mas igualmente importantes:

1) Conhecer a própria escola. Parece simples, no entanto, muitas vezes o professor nem chega a examinar as normas internas da instituição em que leciona. Existem escolas, por exemplo, que aceitam os comprovantes de academias, clubes e escolinhas para suprir as aulas de Educação Física ou a permuta das aulas práticas por trabalhos teóricos; outras vetam tais procedimentos. Mais relevante ainda é participar da formulação do regimento interno e, se for o caso, solicitar alterações nele.

2) Conhecer a comunidade em que seus alunos estão inseridos: as condições primárias, os valores familiares, morais e religiosos, os problemas... Por exemplo: crianças com alimentação inadequada (como hambúrguer, batatas fritas e biscoitos em excesso), mesmo que sejam magras, têm menos disposição para realizar atividades intensas. Já as alimentadas em excesso, que geralmente são obesas, também evitam os exercícios para não se exporem. Algumas religiões não permitem a prática de nenhum tipo de atividade física às sextas ou aos sábados. Alguns pais/responsáveis não gostam que seus filhos se sujem ou transpirem, havendo, nesse caso, necessidade de um trabalho específico de esclarecimento com eles. Outra situação em que a conversa com os pais se faz necessária é quando estes estão passando por um processo de separação, pois os filhos também podem evitar atividades físicas por causa do estresse. Enfim... O meio é um forte fator de influência no processo educativo.

3) E, finalmente, conhecer os alunos: seus anseios, características culturais, a forma de pensar correspondente a cada faixa etária e, conseqüentemente, as atividades mais favoráveis. Transpondo para situações cotidianas: o futebol é um esporte que, por estar altamente enraizado na cultura brasileira, por si só já é motivador (lembrando-se que o professor deve ter cuidado para não tornar sua aula apenas uma “hora do futebol”). A maioria dos alunos de escolas particulares gosta de atividades físicas criadas recentemente, como as várias modalidades de ginástica praticadas em academia. Estudantes que estão passando por períodos de avaliação nas demais disciplinas podem ficar ansiosos demais com a prática física. Nessas épocas, técnicas que ajudam a relaxar — como a ioga — podem auxiliá-los. Crianças entre 7 e 10 anos preferem jogos lúdicos; já os pré-adolescentes gostam mais dos pré-desportivos.

Mesmo depois de ter feito essa análise, o professor deve ter cuidado com um ponto específico no início de suas aulas: o choque que a prática pode acarretar no aluno despreparado. Em outras palavras, atividades intensas podem gerar constrangimento naqueles que não conseguem realizá-las corretamente e causar dores musculares. O aluno, nesse caso, pode deduzir que terá essas sensações desagradáveis — de cunho psicológico ou físico — o ano inteiro, o que fará com que ele busque recursos cabíveis para não participar das aulas. No começo do ano letivo, aulas moderadas são sempre mais motivadoras. Oferecer informações teóricas no início dessas aulas também é um recurso eficaz. O professor pode explicitar a importância da atividade física para a saúde e a qualidade de vida. Mas a exposição teórica não deve ultrapassar 10 minutos, porque, após esse período, ela pode surtir efeito contrário, ou seja, desmotivar.

Usando esse método, o professor pode iniciar suas aulas com mais segurança, evitando que os alunos busquem o amparo das leis que permitem a não-participação nas aulas práticas. E, sabendo da importância que a Educação Física tem no sistema educacional, alguns especialistas na área estão tentando modificá-las com a finalidade de estabelecer tanto critérios mais consistentes para a dispensa do aluno quanto a obrigatoriedade da disciplina em todas as séries.


Fonte: www.educacional.com.br


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