sábado, 2 de fevereiro de 2008

Educação física escolar e mídia: contribuições e problematizações na formação do receptor-sujeito





O presente estudo apresenta reflexões teóricas referentes à relação entre mídia e Educação Física escolar. Aduzindo propostas contextualizadas para contribuição na formação do receptor-sujeito, tendo a desenvolver uma reflexão crítica, a partir do problema de pesquisa: qual o papel da Educação Física Escolar na formação do receptor-sujeito, num processo de intervenção pedagógica sobre os conteúdos midiáticos? Objetivando analisar diversas interpretações sobre os conteúdos midiáticos e suas contribuições para ação crítica, identificando-as e engajando-as como prática pedagógica nas aulas de educação física escolar. Por fim, desenvolvendo temas referentes ao consumismo, valores, atitudes e atividades esportivas estereotipadas, mostrando aos professores de Educação Física e educadores em geral, sobre a importância e influência crescente dos conteúdos midiáticos sobre os saberes dos educandos, tomando consciência da associação entre mídia-educação-educação física, despertando um olhar mais ativo sobre tal problemática. Conclui-se neste estudo, a relevância de novos olhares epistemológicos para compreensão da recepção midiática, promovendo a retomada de uma formação cultural esportiva autônoma, concorrendo para ação do receptor-sujeito.

A escola contemporânea sofre de diversos problemas ligados a sua prática pedagógica. Despreparos entre professores e olhares passivos a saberes significativos contribuem para uma falsa compreensão da realidade social.
A mídia, como fenômeno importante na cultura entre os jovens, ganha uma forte influência no campo pedagógico, tornando-se uma grande problemática para Educação, em especial para a Educação Física. Sendo de grande importância à mídia no mundo atual, torna-se evidente sua influência no âmbito da cultura corporal de movimento, sugerindo diversas práticas corporais, reproduzindo-as, mas também as transformando e constituindo novos modelos de consumo (BETTI, 2003).
Se cabe à Educação Física introduzir e integrar o aluno na cultura corporal de movimento, há que se considerar que: i) a integração há de ser do aluno concebido como uma totalidade humana, com suas dimensões físico-motora, afetiva, social e cognitiva, e ii) o consumo de informações e imagens proveniente das mídias faz parte da cultura corporal contemporânea, e portanto, não pode ser ignorada; pelo contrário , deve ser objeto e meio de educação, visando instrumentalizar o aluno para manter uma relação crítica e criativa com as mídias (BETTI, 2003, p.97-98).
O professor deve levar ao aluno a compreender o sentido implícito e explícito das informações oferecidas pela mídia, contribuindo para formação de um receptor ativo, seletivo e autônomo em relação aos sentidos originais das mensagens midiáticas, reconstruindo seu próprio significado. Para Pires (2003), cada vez mais a mídia ganha importante espaço na "construção dos saberes/fazeres da cultura de movimento e esportiva" (PIRES, 2003, p.19), intervindo no campo da Educação Física escolar, tendo o esporte como forte aliado.
A TV em destaque surge como instrumento "capaz de instruir gostos e propensões, isto é, de criar necessidades e tendências, esquemas de reação e modalidades de apreciação tais que, a curto prazo, se tornam determinantes para os fins da evolução cultural, também em terreno estético" (ECO, 2004, p.330). Promovendo uma associação entre imagem e linguagem. A TV, fomenta um distanciamento progressivo entre a natureza aristocrática esportiva e sua transformação em espetáculo televisivo. Através de closes, jogadas e replays, constantemente distribuída aos lares, fragmentando e distorcendo o fenômeno esportivo.
O centralizador desse sucesso, do espetáculo esportivo, é o próprio espectador, esse indivíduo financiará o sistema comercial do esporte, através do consumo passivo de produtos esportivos, referentes aos anúncios publicitários. Nessa linha de raciocínio a popularidade dos astros esportivos, torna-se uma combinação perfeita da imagem vencedora ao produto comercializado, tornando-se interessante para industria cultural. Singularizada num ser hegemônico, conduzido a um processo de mistificação personificada pela publicidade como ápice da conquista. Designando a expressão "esporte espetáculo" no estudo.


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